Terça-feira, 20 de Junho de 2006

Luís Martins - Greve dos professores

Desde há muitos anos que não fazia greve. Primeiro, porque acho sempre que a greve só traz benefício para quem paga o nosso vencimento, porque assim paga-se menos um dia; depois porque não estou muito ligado a nenhum movimento sindical ou político.
No entanto, achei que a situação era insustentável e tinha que mostrar à Sra Ministra que "eu" estava descontente com o que andava a fazer e a dizer. Por isso, fiz greve e fui para a escola cumprir o meu horário trabalhando noutras tarefas que não estavam agendadas, tal como as reuniões.
(...) De facto a relação entre a tutela do Ministério da Educação e os professore, e não estou a falar dos sindicatos, é de permanente ataque, insinuações, provocações, alusões que se destinam a manchar a imagem e o papel dos docentes na construção do nosso futuro colectivo.
Nunca me lembro de um dirigente político ou responsável de um sector ter denegrido tanto uma parte fundamental do sistema. O sistema educativo tem como destinatários, os alunos, e como agentes mais importantes, os professores. Quando se desmoraliza e "insulta" os agentes, como é que o sistema pode funcionar? A Sra Ministra acha que por decidir por despacho ou por decreto que assim o sistema vai funcionar melhor? A Senhora Ministra anda a ser mal aconselhada, porque quem lhe disse que, para ganhar a política educativa tinha que " enfrentar" os agentes desses mesmo sistema, então deve refelectir sobre o resultado deste processo.
Neste momento é muito popular dizer mal dos juizes, dos polícias, dos médicos, dos enfermeiros, dos professores...são todos uns malandros, uns preguiçosos, uns inscompetentes, uns privilegiados....(eu acrescentaria já agora os políticos).
Tudo o que se diz, isto é, tudo o que a Ministra e afins dizem, ou mandam dizer por alguma comunicação social, é para pôr a opinião pública, os pais e os alunos contra os professores. Alguém se lembra neste último ano de algum elogio ou aspecto positivo realçado pelos responsáveis políticos?
Primeiro, disseram que os professores faltam muito, depois que os professores do secundário estavam sentados à lareira há vinte anos, depois que os professore do primeiro ciclo queriam estar a contar historiazinhas aos meninos, depois que os professores não trabalhavam para o insucesso dos alunos, depois que íamos ser avaliados pelos pais,.... Não me venham dizer que isto é para motivar os professores? Se a isto chamam motivação, então temos que corrigir a definição no nosso dicionário de Língua Portuguesa.
Qual é o trabalhador de um banco, de uma seguradora, de uma fábrica ou de uma qualquer empresa que possa sentir-se motivado ao ouvir sitematicamente há um ano, na televisão, nos jornais, na rua, as mais infames insinuações sobre a sua classe, o seu desempenho, a sua competência e a sua dedicação no trabalho? Qual é o estado de espírito que dos milhares de professores e educadores deste país para encarar com determinação (palavra muito querida ao Primeiro Ministro) as suas funções de docente.
Porque ser professor, não é, como muitos julgam, erradamente ir à escola dar umas "horitas de aula" e voltar para casa dormir uma "sestazita" à tarde.... O número de horas trabalhado por um professor, não são as que estão marcadas no seu horário. Há muito trabalho "escondido" fora dessas horas ditas lectivas, à noite, ao fim de semana para a preparação, correcção, reuniões nos órgãos de gestão, com os pais, projectos diversos... A escola pública, conta com a boa vontade e o trabalho voluntário dos docentes para a melhoria do sistema educativo português. Disto a senhora Ministra não fala! Não fala muito convenientemente, porque o seu objectivo é muito claro, é o de denegrir ao máximo o palpel do ensino público, para que muitos pais escolham colégios particulares para a educação dos seus filhos, e assim , se pode reduzir a despesa com a educação pública em Portugal. É uma forma muito simples para resolver o problema financeiro do país: " empurrar" para o sector privado o que é competência do Estado. A Senhora Ministra está a prestar um grande serviço às escola privadas e ao Ministro das Finanças.
Está na altura de dizer basta e exigirmos respeito. Não somos nem mais,nem menos do que os outros. Somos profissionais que exigem ser respeitados. Não tememos a avaliação, mas não queremos um novo regime jurídico (ECD) que penalize mais os professores, impedindo-os de progredir a partir de certa altura, independentemente do seu desepenho e que reduza as condicionantes da nossa profissão. Ser professor, não estar atrás de uma secretária a assinar papéis, é sim uma profissão de desgaste físico e moral, que exigem algumas beneces, quando a idade vai avançando, porque estamos a lidar com matéria humana. Ninguém quer para o seu filho um professor desmotivado e incapaz profissionalmente. Portanto, há que motivá-los e ajudá-los.
Luís Martins
publicado por quadratura do círculo às 17:13
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