Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

Luís Santiago - Presidenciais de CD

Vários Cidadãos Democratas (CD) candidataram-se à Presidência da República. Cada um tem as suas motivações. Todas elas mais ou menos discutíveis, umas mais transparentes do que outras, mas todas elas com o cunho humano. Alguém num debate televisivo terá afirmado que o Candidato Mário Soares terá deixado no Partido Socialista uma mensagem inequívoca de que queria ser “O Candidato”. Se isto é verdade o Drº Mário Soares não sabe (ou ignora propositadamente) que o espírito do legislador constitucional e a letra da Constituição Portuguesa apontaram para a iniciativa individual de um cidadão português, maior de 35 anos (e não 33), no pleno gozo dos seus direitos cívicos e políticos. O Drº Mário Soares entrou em desespero por não querer sair da cena política e exigiu “democraticamente” ao PS que queria ser “O Candidato”, para fazer frente, desesperadamente, à inevitável e fatal (tão certa como o destino) candidatura de Cavaco Silva; passou por isso a ser o Candidato Desesperado (CD) a pôr paternalmente a mão afagadora na cabeça de uma Esquerda Órfã e também ela desesperada. Com esta atitude o Drº Mário Soares passou por cima das aspirações do Candidato Manuel Alegre obrigando o Partido Socialista a castigar tão atrevidas aspirações, deserdando o Militante e Amigo de longa data. “Amigos, amigos, política à parte”. O Drº Manuel Alegre foi assim reduzido à condição de Candidato Deserdado, muito embora as suas aspirações não sejam objectivamente arrojadas. Apenas quer, o Candidato Deserdado, que o Professor Cavaco Silva não ganhe à primeira volta. É realmente um objectivo subjectivamente ambicioso, uma tentativa romântica e poética de evitar que a Esquerda passe uma humilhação. Os Românticos e os Poetas farão política mas nunca serão políticos. Com excepção de Cavaco Silva, os outros Candidatos, nomeadamente, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã ficarão conhecidos pelos Candidatos Desligados (CD) pois estão efectivamente desligados da realidade. Não percebo como é que pessoas supostamente inteligentes e maduras se dispõem a cenas destas. Perdem tempo e feitio e gastam dinheiro à Nação, com cujas despesas inúteis e supérfluas, estão tão incomodados e preocupados. Serão figurantes de um filme que já tem dois actores secundários e um actor principal. Está bem, são todos precisos porque senão a Democracia ficava mal vista na fotografia. O Professor Cavaco Silva não é e não tem uma imagem simpática. Por muito que se esforce – e já está muito mais maduro – não consegue disfarçar a incomodidade que lhe causam algumas perguntas estúpidas de jornalistas que tiraram o curso por correspondência. Tem aquela figura espartana a que não pode fugir por ser uma pessoa austera. Mas é, sem sombra de dúvida, o Autor, o Maestro, o Encenador, a Estrela Principal de uma ópera que escreveu e ensaiou desde o princípio. O Como e o Quando foram escolhidos com uma precisão cirúrgica. O seu silêncio, que alguns leram erradamente como hesitação, manteve a chama viva e o desejo de ouvirmos o que tinha a dizer sobre a res publica. O seu silêncio e as suas intervenções oportunas foram-nos fazendo esquecer de alguns desastres da maioria a que presidiu. O seu silêncio entronizou no espírito dos portugueses (sempre à espera de alguém vindo do nevoeiro) a encarnação do Desejado. A sua distanciação dos partidos é inquestionável. É o PSD que o vai seguir e não o contrário. A cerimónia da sua apresentação foi eficaz, com um discurso curto, compreensível, lógico, directo e objectivo e a sua rara disponibilidade para as perguntas, ao vivo e em directo, dos jornalistas, com quem manteve um longo braço de ferro, mostram um Cavaco Silva menos distante e politicamente mais preparado. É o Candidato Desejado (CD). Espero que a campanha que se segue nos ajude a escolher entre candidaturas que se apresentaram contra a personalidade, ou personalidades e aquela que se apresentou a favor de uma luta por todos nós...
Luís Santiago
publicado por quadratura do círculo às 19:59
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