Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005

Jorge Costa - Ficção ultrapassada

Em Portugal a realidade ultrapassa a ficção mais delirante.
Alguém que é objecto de 23 acusações, que vão de peculato a corrupção passiva, está fugida no Brasil à prisão preventiva durante quase 2 anos e meio e com julgamento marcado para dois dias depois das eleições autárquicas é aclamada à sua chegada ao tribunal como heroína por uma parte significativa do povo felgueirense.
Completamente irreal!
Nas eleições autárquicas que se aproximam, segundo cálculos conservadores, parece existirem 70 candidatos que tem de prestar contas à justiça por actos menos honestos praticados enquanto autarcas no poder.
O seu estatuto varia de condenados a acusados à espera de julgamento, passando por arguidos que só aguardam a dedução de acusação para serem remetidos a tribunal.
Custa a entender como alguém sobre quem recaiem fortes suspeitas, senão certezas, de práticas fraudulentas envolvendo o erário público lhe possa ser concedido o direito de manterem os lugares que lhe deram a oportunidade de o fazerem.
Mais inconcebível é ganharem eleições, o que acreditar nas sondagens é uma forte possibilidade entre os mais notórios ou mediáticos. O seu eleitorado não percebeu que eles não se limitaram a fazer uso indevido dos dinheiros públicos a que tinham acesso, mas que prejudicaram directamente as populações que deveriam servir. Ao desviar o dinheiro para fins menos claros levaram à inviabilização de obras de que todos beneficiariam.
Votar nestes candidatos é premiar o infractor, é dizer-lhes que podem continuar a enriquecer à custa de todos desde que mantenham a popularidade e a empatia com o seu eleitorado, é como trocar o saneamento básico de toda a uma população pela falsa benesse de beijar ou apertar a mão ao autarca, beber um copo com ele ou outra qualquer manifestação de simpatia sem qualquer conteúdo ou benefício objectivo.
Ao não sentirmos, enquanto povo, que os dinheiros públicos são de todos e não da entidade mítica e distante, o Estado, que todos de uma forma ou de outra tentamos enganar, clamando sempre pelos nossos direitos e tentando esquecer os nossos deveres.
Por isso a nossa critica social aos que delapidam os bens públicos, fogem aos impostos ou de qualquer outro modo prejudicam a sociedade é tão baixa, são popularmente conhecidos por tipos espertos e em vez de criticados ainda por vezes são tidos por azarados por serem apanhados.
Assim vamos nós, afastando-nos da Europa e aproximando-nos dos países a que não gostaremos de ser comparados.
Há que entender que os governantes, independentemente do seu nível de responsabilidade, não são mais que fiéis depositários desses bens que nós escolhemos para administrar. A um fiel depositário é de exigir honra, força de carácter, verticalidade, honestidade, ética e bom senso.
Tradicionalmente Portugal é tido como um país de brandos costumes, a dúvida a esclarecer no dia das eleições, é se tem costumes e o estado da coluna vertebral, no sentido da ética e da moral.
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 18:14
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