Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005

Luís Santiago - Interesse público e interesses privados

O Dr. António Borges afirma que os Partidos são máquinas de assalto ao Poder. É uma máxima pessoal que pretende ascender à categoria de citações célebres, mas que não passa disso mesmo, de uma opinião pessoal sem golpe de asa. O Poder não se assalta, em democracia, entenda-se. Conquista-se. Assim como a Cultura não se legisla. Acontece. De facto, não tem mal que um Partido conquiste o Poder e através da legitimidade do voto, nos governe, de preferência, bem. O cerne da questão é a massa falida das estruturas partidárias. Essa massa falida é composta pelos interesses de grupos e o mal da questão é os representantes desses interesses não serem capazes de separar os interesses de grupo do interesse público. Não tem mal haver interesses de grupo. Aliás, sem interesses de grupo não há estímulo para o desenvolvimento dos mercados e, em consequência, da Economia. A questão é saber se os Partidos são capazes, quando estão no exercício de Poder, de criar regras claras que não permitam que os interesses de grupo se sobreponham ao interesse público. Os ricos e bem posicionados na vida não me afectam particularmente. O que me afecta é ver que os menos favorecidos a sobreviver no fio da navalha não têm qualquer contrapartida com o uso que dão ao seu voto. O que me afecta é constatar que os votos que são a riqueza individual de todos nós e baluarte das nossas esperanças de uma vida melhor, renovadas cada quatro anos, só sirvam para manutenção do discurso e da prática política que se mantém inalterada, desde que a democracia portuguesa existe. São sempre as mesmas caras, as mesmas políticas, as mesmas promessas não cumpridas, as mesmas práticas de favorecimento que delapidam o capital da nossa confiança. Um exemplo: Sirvo-me da Caixa Geral de Depósitos, não para pôr em causa pessoas, ou a Instituição, mas para apontar práticas erradas. O anterior Presidente do Concelho de Administração fez um trabalho de inegável competência. A CGD, sob a sua gestão, consolidou a sua posição no mercado de valores e assumiu-se como instituição de nível internacional, fora os lucros identificados na demonstração de resultados do primeiro semestre de 2005. Se, no entender da sabedoria ministerial, o Senhor Presidente de então não servia, porque - pasme-se - não tinha a confiança política de Sua Excelência, porque é que S. Exa. não substituiu a equipa toda? É tão evidente que até um burro percebe!!! Não está em causa a competência do actual nomeado que já tem trabalho demonstrado nas áreas dos seguros e da gestão dos fundos de pensões. O que está em causa é que será corrido logo que uma Sua Excelência qualquer, em futuro governo (desgoverno) entenda não lhe conferir a sua (dele, Excelência) confiança política, independentemente, da gestão competente, que sem dúvida irá fazer. Porque é que os Partidos da alternância no Poder não fazem um contrato de regime que regule esta situação? Que não permita que gestores que estão a fazer um trabalho competente sejam afastados do exercício das suas funções, com a descarada fundamentação, de falta de confiança política? E se as Suas Excelências que tomam estas decisões, de uma irresponsabilidade sem classificação, fossem obrigados a pagar dos seus bolsos as indemnizações que o Estado (todos nós, portanto) é obrigado a suportar. Nós, todos nós, devíamos exigir que os políticos que nos representam tivessem prazo de validade, para que os interesses de grupo não se sobrepusessem ao interesse público... Não custava nada sermos mais inteligentes e exigentes!
Luís Santiago

publicado por quadratura do círculo às 15:37
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