Quinta-feira, 28 de Julho de 2005

Mário Martins Campos - Vítima da lucidez

O ministro das finanças demitiu-se. Portugal fica a perder!
Deixei aqui, uma opinião na qual defendia as vantagens para Portugal, de termos um ministro das finanças que não vivesse obcecado com os calendários eleitorais, e que não condicionasse as suas decisões às questões politico-partidárias. Portugal só ficava a ganhar por ter um ministro capaz de fazer o que tem que ser feito, e de não deixar para amanhã, aquilo que já hoje vamos atrasados para fazer.
A demissão de Campos e Cunha é mau para o Governo, pois cria uma situação de instabilidade, que seria a ultima coisa necessária, num período de decisões difíceis e de conturbação social emergente. Melhor fosse que este ruído não tivesse sido introduzido, numa situação como a actual.
Outro aspecto relevante, nas consequências que esta demissão impõe, prende-se com a imagem de Portugal, perante as instituições internacionais, num período em que Portugal se apresenta com um programa de re-credibilização das finanças públicas, que mereceu a chancela da comissão europeia, que lhe atribuiu a necessária credibilidade e lhe concedeu o tempo necessário para a sua aplicação.
A estabilidade política, interna e externa, fica abalada, no entanto a forma com o primeiro-ministro substituiu o ministro cessante, de forma célere, eficaz e politicamente correcta, deixou a esperança, que esta possa rapidamente ser restituída.
Quase todos os analistas políticos, apresentam como razão próxima da saída do ministro, os comentários, por ele tecidos, relativamente à natureza do investimento publico.
Será que o que Campos e Cunha afirmou, vai para além daquilo que é do domínio do bom senso e das boas praticas de gestão?
A mim parece-me que não.
Pois é, dizer que nem todo o investimento público é bom, que hoje viveríamos melhor se algum do investimento efectuado, não o tivesse sido, que é necessário avaliar os projectos, por forma a garantir que as decisões presentes não hipotecam o futuro, parecem-me afirmações básicas, para qualquer indivíduo lúcido, com consciência da responsabilidade, presente e futura, que as decisões políticas devem encerrar.
Um outro tema, que me parece esquecido, ou pelo menos relevado para segundo plano, mas que do meu ponto de vista, terá contribuído decisivamente, para o desfecho final, foram as afirmações do Sr. ministro, respeitantes aos sacrifícios futuros, que de forma lúcida, ele prevê para os Portugueses.
A máquina partidária já tinha ficado de pé atrás, quando o Dr. Campos e Cunha, se pronunciou sobre a inevitabilidade do aumento de impostos, nos momentos antes de tomar posse como ministro. A mesma máquina voltou a ficar em brasa, quando o ouviu afirmar que novos sacrifícios serão esperados, num futuro próximo, num ano de eleições autárquicas. A máquina não lhe perdoou, e estou certo que moveram as suas forças de influência, que conduziram a este desfecho.
Em minha opinião, Campos e Cunha foi vitima da sua própria lucidez.
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 16:59
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