Quinta-feira, 14 de Julho de 2005

Teresa Newbery - Debate sobre terrorismo

Ouvi ontem, com a atenção de sempre, as vossas posições em matéria de terrorismo. É particularmente refrescante ouvir o discurso de quem sabe pensar pela sua própria cabeça!
Comparado com os nossos problemas do quotidiano, económicos e outros, é verdade que o terrorismo se perfila no horizonte próximo e futuro como a mais pérfida e terrível ameaça à vida comum dos povos ocidentais. Porque é o cidadão comum, na sua inocência e sobrevivência do dia-a-dia, que o terrorismo atinge da forma mais cobarde. O terrorismo vai ser a guerra mais terrível que vamos enfrentar e estou de acordo com o Pacheco Pereira de que os actuais atentados são o aperitivo para outros muito mais devastadores, nomeadamente a destruição por via química de fontes vitais, como a água,a terra ou as sementes dos nossos alimentos (embora, nós os citadinos, quase já não nos lembremos disso). E será que os Governos, distraídos com as bombas portadoras por suícidas que se matam nos grandes centros urbanos, estão a tomar os devidos cuidados com o que nos preserva a vida na sua forma mais básica?
E no entanto, José Pacheco Pereira, diga-me, s.f.f., se estou errada no que penso que seja o curso da exploração e humilhação de outros povos do mundo pelo Ocidente nos últimos quatro ou cinco séculos (não se irrite!)
Lembre-se de que os Ingleses colocavam tabuletas nos jardins chineses com os seguintes dizeres "Chinese and dogs not allowed". Que o petróleo era negociado no início do séc. XX da forma mais humilhante para os países que detinham a matéria-prima. Que a nossa religião cristã foi imposta a ferro e fogo em vários continentes. Que a nossa ganância leva-nos a invadir o Afeganistão, o Iraque, porque eram países com fraca defesa militar, mas com fontes de energia que nos interessa explorar ao mais baixo custo, para desenvolvermos uma sociedade de consumo desenfreado e inútil. Que não se tratando realmente de uma guerra dos pobres contra os ricos, talvez exista um capital secular e inconsciente de humilhação acumulado nos países ditos do Terceiro Mundo. E lembre-se também, que o Ocidente tem sempre apoiado, pelos mesmos motivos de ganância, os piores e mais corruptos dirigentes desses países. Que onde está a força, está a imposição. Que é verdade que o terrorismo recrudesceu depois das invasões do Afeganistão e do Iraque.
E agora? Contra a força cega e bruta, temos de responder inteligentemente com a nossa força. Não podemos, realmente, deixar destruir todo o capital democrático acumulado durante séculos, construído ele também à custa do sangue de tantas gerações dos nossos antepassados e que permitiu que hoje vivamos melhor, materialmente menos infelizes e realmente com maior justiça social.
Mas diga-me, por favor, se a par da defesa dos nossos valores morais e sociais ameaçados, não existem alternativas ou sinais que possamos (quero dizer, os países poderosos) dar ao mundo para que este não resvale para o abismo. Ou se já estamos num ponto sem retorno.
Obrigada e também obrigada por pensar!
Teresa Newbery

publicado por quadratura do círculo às 19:35
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