Quinta-feira, 8 de Junho de 2006

Amora da Silva - Professores e Educação

(A propósito de um artigo do Público de 05-06-2006 - - Em que país estava Beatriz Pacheco Pereira?) Permita-me que lhe mostre o meu acordo com as perguntas que faz no Público de 5 de Junho de 2006. Isso não nos deve levar a dizer que os professores não têm nada a ver com a situação calamitosa da nossa educação. A continuarmos assim diremos que os juízes não têm nada a ver com o estado da justiça, os jornalistas com o estado da comunicação e por aí fora. Enfim, dizer que os professores não têm culpa é seguramente dizer que eles não são responsáveis, é passar-lhes um atestado de inimputabilidade. O que acontece é que os professores não são heróis porque resistiram a todos os erros a que se refere. Os professores toleraram tudo isso porque tudo isso ia de acordo com uma vida que era fácil ... pelo menos para os estabelecidos no sistema.
Nunca a vi nem aos sindicatos insurgirem-se contra (convocar greves, por
exemplo) pelo facto de professores andarem todos os anos de mochila às costas ou de lutar por subsídios para professores em zonas de interioridade ou reclamar contra as assimetrias salariais entre os que entram na carreira e os que estão no topo, ou lutar por melhores condiçoes de trabalho, ou por haver professores que tinham horário Zero na sua escola e darem aulas em acumulação no colégio ao lado, ou por entrarem diariamente às 8 horas e às 10 horas estar o dia ganho com quatro dias de trabalho por semana ou por os professores mais novos terem as piores turmas ou estarem nas escolas mais problemáticas, ou por haver uma carreira única em que todos independentemente de tudo progridem de igual modo em igual espaço de tempo até ao topo da carreira, ou por os professores fazerem formação em áreas que nada tinham a ver com a sua área de leccionação ou com a resolução de problemas das suas escolas, ou envergonharem-se de chegar ao fim do ano e terem taxas de sucesso ridículas, ou de descontarem as faltas por conta dos dias de férias quando sabem que em Agosto( à excepção de um reduzido número de professores que até não faltam durante o ano) não vão à escola, ou (já que fala da extinção de exames por razões estatísticas) porque lutaram para cabar com a única prova que havia na carreira na passagem do 7º para o 8º escalão (ou a lógica para os alunos é uma e para os professores é outra?).
As perguntas que faz têm todo o sentido mas não pode esquecer que os professores são cidadãos, indivíduos altamente qualificados e que não podem apenas culpar os políticos e as políticas educativas como se aqueles e estas fossem possíveis sem o consentimento dos professores.
É tempo de estimar e pagar bem a quem merece. Nenhum sistema que trata todos por igual pode tratar bem quem quer que seja. Os resultados estão à vista.
É tempo de mudar e não podemos dizer que não mudamos porque não se mudou antes.
Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 18:54
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