Segunda-feira, 4 de Julho de 2005

Armando Bayam - O que se diz do défice

1. Tem-se assistido, ultimamente, em todos os canais da nossa televisão que
têm programas temáticos, a um proliferar constante de opiniões padronizadas, incluindo as dos membros do Governo, acerca da actual crise.
2. O que é bastante curioso, é que todas elas batem na mesma tecla, parecendo
uma gigantesca e concertada lavagem ao cérebro das pessoas, no sentido de as convencer, à viva força, que, se não abdicarem de um certo e determinado número de direitos, não haverá solução possível para os males que nos afligem.
3. Como não podia deixar de ser, o programa Prós e Contras de 27-06-05, não
fugindo à regra, brindou-nos com as "optimistas" opiniões de "4 Velhos do Restelo" da área da economia, as quais, do alto da sua verdade absoluta, "douta sabedoria" e "douta deformação profissional", de certeza, deixaram o País ainda muito mais deprimido do que já estava;
4. Os bombos da festa de todas estas "iluminadas" criaturas, fiéis
servidores do poder económico-financeiro, continuam a ser alguns dos direitos do "Estado Providência", o qual urge destruir o mais rapidamente possível, conforme aconselham/rezam/mandam sem mandar as "cavalheirescas" determinações/recomendações das últimas conferências de Bilderberg que se continuam a realizar, impunemente e à margem da lei, todos os anos em diversos países do mundo e debaixo de fortes medidas de segurança (repressão).
5. Se as pessoas estiverem atentas, hão-de reparar que a argumentação é
quase sempre a mesma e, com algumas pequenas nuances, é baseada no seguinte
esquema:
a. O Estado é como se fosse uma empresa;
b. Nas empresas, toda a gente sabe que não se pode gastar mais do que aquilo
que se produz;
c. Se nas empresas não há trabalho, despedem-se os trabalhadores;
d. Os trabalhadores do Estado têm mais "regalias" que os outros
trabalhadores (das empresas);
e. Há que rever (acabar?) as "regalias" dos trabalhadores do Estado, se
quisermos uma segurança social "justa e equilibrada";
f. Os trabalhadores do Estado não devem progredir automaticamente na carreira,
mas sim em função dos seus "índices de produtividade";
g. Para se equilibrar o défice, tal como nas empresas, não se podem aumentar
só as "receitas", há que diminuir, também, as despesas. Quais? (normalmente estas criaturas só se preocupam, essencialmente, com as rubricas destinadas ao pagamento do pessoal), etc., etc., etc.
6. Este tipo de argumentação que é característica do pensamento económico
néo-liberal (neoconservative, que é pior), tenta induzir inconscientemente nas pessoas um sentimento de repulsa por tudo aquilo que é Estado e receber, de braços abertos, tudo aquilo que é iniciativa privada, como se esta fosse a "panaceia universal" para a resolução de todos os problemas da Humanidade.
7. O paradoxal desta situação, é que à medida que a iniciativa privada
aumenta, o mau estar também aumenta em todas as partes do mundo. Como é que isto se explica? Talvez que o Eng. Sócrates, como participante da reunião de Bilderberg de 2004 em Stresa, nos possa explicar o fenómeno! O que é certo é que ele veio de lá muito mais confiante em si próprio e no PS, ao passo que o Dr. Santana Lopes, normalmente muito combativo e também participante da mesma reunião, veio de lá completamente irreconhecível. Que terá acontecido?
8. Veja-se todo o processo politico desde as europeias, magistralmente dirigido
por S.Ex.ª o PR, que afastou de uma penada a ala esquerda do PS e o Dr. Ferro Rodrigues abrindo completamente as portas à sua ala direita e ao Eng. Sócrates (ex-PSD), para que depois de demitido o Governo de coligação PSD/CDS tudo viesse a dar no que deu. Não nos esqueçamos que o Dr. Jorge Sampaio foi um dos convidados na reunião de Bilderberg de 2003 em França. Nada acontece por acaso!
9. Se calhar, digo eu que estou atento a estes pequenos sinais, só privatizando
todos os Estados do Planeta é que se conseguiria atingir o tão almejado "bem-estar" que estas eminências pardas "bilderbergianas" profetizam e andam a tramar à revelia do direito internacional e com a ajuda dos seus fiéis cães de fila, os políticos. Mas e à custa de quê? Cuidado que a malta pode acordar, vejam o que aconteceu com o referendo em França, e olhem que as próximas divergências de opinião podem não ser tão pacíficas.
10. A desfaçatez já é tão grande que, no programa referido em 3., o
iluminado cérebro do Dr. Medina Carreira (...) até chegou a alvitrar que, futuramente, se substituísse o sistema de segurança social pela especulação na Bolsa de Valores com carteiras de acções! Será que eu ouvi bem, ou foi só um sonho? Prometo que hei-de continuar esta luta.
Armando Bayam

publicado por quadratura do círculo às 18:17
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