Segunda-feira, 27 de Junho de 2005

Alexandre Quinteiro - Ideologia e política

“Álvaro Cunhal não abandonou o ideário comunista até ao final da vida. Acreditou sempre - e expressou-o em 1997, cinco anos depois de deixar a liderança do partido - que os "comunistas estão mais próximos de Cristo, do cristianismo primitivo, do que aqueles que usam o poder para oprimir e explorar".
in Diário deNotícias por Miguel Coutinho 14/06/2005.
Para os mais desiludidos com a política e também para os mais distraídos, que muitas vezes não se atraiem pela política por nela não vislumbrarem quaisquer laivos de ideologia, aproveito para relembrar um homem que, nos antípodas do meu ideário político, foi um exemplo vivo de quem sempre viu a política de forma puramente ideológica.
Os princípios da Democracia Cristã fundam-se na vontade de pôr em prática na esfera política um conjunto de valores morais e princípios éticos da moral católica que nós, os democratas-cristãos, entendemos que deveriam dimanar para toda a sociedade.
Não obstante este desiderato ético, isto não provoca em nós uma ideia de superioridade moral pois todos os agentes políticos, sem excepção, estão imbuídos na mesma lógica de melhorar a sociedade!
A questão da exploração dos oprimidos na sociedade (ocidental) e livre sempre foi uma questão tratada amiúde pelos cristãos - não com exclusividade, naturalmente! O que se passou com os comunistas na defesa daqueles que viviam em sociedades oprimidas? Por que é que só se pugnou pela destruição da opressão exploradora nas sociedades ocidentais quando se sabia da imperfeição brutal do sistema comunista, pese embora as similitudes teóricas com a esperança cristã de termos um mundo melhor?
Foi a ideologia que deu à esquerda a visão turva sobre a realidade para lá da “Cortina de Ferro” e lhe deu a “visão clara” para a realidade que lhe era próxima. Ou seja, a ideologia sempre tolheu a esquerda para analisar o real porque era suposto dela fluir um novo modelo social ideal. Com a direita isso nunca aconteceu porque o ideal cristão era anterior à moderna política.
Concluindo, é com muito pesar e algum espanto que ainda hoje conseguimos ver que a extrema esquerda em geral - e aqui, os comunistas em particular - conseguem sempre maximizar os efeitos mínimos da exclusão (preocupante, é evidente) nas sociedades liberais/capitalistas e minimizar as coevas injustiças atrozes desde que praticadas em sistemas ideologicamente próximos.
Alexandre Quinteiro



publicado por quadratura do círculo às 17:11
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