Quarta-feira, 22 de Junho de 2005

Abel Cunha – Ditadura da democracia

Estamos confinados à ditadura da democracia. Depois de 1974, o sistema de alternância democrática que ora põe no governo o PS, ora o PSD, apenas nos conduziu à situação actual; dificuldades económicas, apertos do cinto, o país na cauda da Europa na generalidade dos indicadores socio-económicos, desânimo e frustração.
Caímos na armadilha da democracia. Alternadamente, em 30 anos, estes dois partidos afundaram-nos. Batemos num fundo sem fundo. Consequência da (in)competência política, o país afunda-se ou, vice-versa. Chegamos ao ponto dos políticos mentirem descaradamente nas suas campanhas e, nem sequer somos capazes de lhes retirar o poder. Reconheçamos que se o PS na campanha eleitoral, tivesse dito que ia aumentar a idade da reforma, os impostos, os combustíveis, e todas as decisões gravosas para os cidadãos, que tem tomado, provavelmente teria sido menos votado que o BE. Mas, assim não vale! Se o país caminha para o terceiro mundo, a política já lá chegou.
(...)
É esta a armadilha. De vez em quando, lá vai, como dizem os anarquistas, o gado eleitor a votos, legitimar a alternância. Os que são governo, passam a oposição, ocupando os confortáveis cargos de deputados, enquanto que, os que deixaram estes cargos, elevam-se a governo ou a administradores das EP. E andamos no alterne há 30 anos.
Claro que o regime só poderia conduzir à actual situação. De há 30 anos para cá, eles são sempre os mesmos e os resultados estão aí. Não vale a pena discutir as medidas do actual, ou outro qualquer governo, que apenas têm consequências gravosas na vida de quem trabalha: o défice, a crise da justiça, o ensino, a saúde, o corte de regalias dos políticos – deixem-me rir - é tudo fumaça para entreter o pagode. Daqui a quatro anos, se não for antes, o PSD ganhará as eleições, o PS terá socializado a miséria, o país estará mais longe da Europa, mais pobre e atrasado.
Devo confessar que pelo menos lhes reconheço um mérito. O de me fazerem tristemente sorrir, quando um governo acusa o anterior pelo estado da nação.
É tudo tão previsível. As promessas eleitorais, a encenação com o valor do défice, motivo para legitimar o não cumprimento do programa em que o povo votou, as novas promessas de que daqui a 3 anos estaremos melhor – claro estaremos próximo de novas eleições - Valha-nos Deus. Pelo menos que nos sirva de lição; o poder corrompe, o poder absoluto é, já em si, corrupção.
Não tenho qualquer preferência partidária. Abomino o sistema. Aos 55 anos, estou, mais que desiludido, descrente que algum dia venhamos a ter vida melhor.
Por tudo isto, a conclusão é óbvia. Novas eleições nada mudam. Não vale a pena gastar dinheiro e energias com estas. Quanto muito, mude-se o regime.
Somos um país indignado e em luta com o seu próprio governo, eleito há apenas 3 meses. Assim não há economia que resista. Se este governo durar os 4 anos, quando lá chegarmos, estaremos desgastados e provavelmente, insolúveis. De outra forma, se é para saírem, que seja depressa. Como têm maioria absoluta e estão agarrados ao emprego que nem lapas – se assim não fosse não teriam mentido para lá chegar – sendo o PR é da mesma cor, só o combate na rua os pode demitir.
E aos próximos, já que eu não votarei, não se esqueçam de lhes dar maioria absoluta!
Abel Cunha
publicado por quadratura do círculo às 17:22
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