Quinta-feira, 16 de Junho de 2005

Fernando Calisto - Europa versus China (III)

O acordo hoje celebrado com a China, que estabelece o adiamento da
liberalização do comércio dos têxteis na Europa por ano e meio é qualquer
coisa de penso que nem aos chineses apareceu nos seus melhores sonhos. O que é que poderá acontecer em ano e meio que modifique a situação do
mercado de têxteis europeus?
Disseram que os têxteis chineses põem em risco milhões de postos de
trabalho. Nós vamos em ano e meio aumentar a produtividade dessas empresas
em pelo menos 200% ou vamos reconverter essas dezenas de milhares de
empresas direccionando-as para outros produtos, ou fecham-se essas milhares
de empresas (excepto uns 10% que são de tal modo especializadas que estão
bem e até exportam para a China) e criamos outras tantas noutros ramos, já
agora quais? (a indústria cerâmica está a encontrar dificuldades também com
a concorrência chinesa).
A teoria mais aceite é que temos que produzir produtos e serviços mais
inteligentes, partindo do princípio que os chineses não conseguem concorrer
a esse nível, penso que já neste momento eles podem concorrer em 80 a 90%
dos sectores de actividade e num prazo de 5 a 10 anos em todos os sectores
civis que entenderem.
Ao aceitar este acordo perdemos a oportunidade de ir ao fundo das questões e
pôr em causa a moeda chinesa que está artificialmente desvalorizada, o
défice social da sociedade chinesa, coisas que se tem ouvido falar, mas
também o défice/excesso de consumo entre a sociedade chinesa e europeia. Este último factor é crucial para a sustentabilidade da sociedade ocidental. Mesmo que os 2 primeiros factores estivessem garantidos, continuaríamos a
ter sérias dificuldades com a concorrência chinesa visto que o nível de
consumo dos chineses é muitíssimo baixo relativamente ao nosso. Se o nosso nível de consumo baixar a sociedade colapsa, por outro lado, o
nível do consumo chinês só daqui a décadas é que se aproximará do nosso
actual.
Por isso ou nós, europeus, enfrentamos o problema já, e negociamos
seriamente um novo acordo global na OMC ou vamos fazê-lo daqui a uns anos
com uma crise profunda em que já não vamos negociar mas sim pedir um plano
de recuperação tal como pediram países como a Argentina.
Fernando Calisto

publicado por quadratura do círculo às 15:08
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