Quarta-feira, 8 de Junho de 2005

Daniel Patmore - Desilusão

Votei no PS, contra Santana Lopes.
Está a chegar, para mim, o tempo da desilusão. Estou de acordo com muitas
das medidas para fazer face ao défice. Estamos na situação do "não há outro
remédio".
Mas, de facto, não se consegue vislumbrar uma medida para fazer face ao
grande problema das "despesas correntes". É este o problema em Portugal:
gastamos demais em despesas ordinárias.
Ora, quanto a isto, este governo não me convenceu e penso que não está a
convencer praticamente ninguém.
Por outro lado, não há nenhumn grande projecto capaz de animar a economia em
que se veja o governo apostar.
As contrapartidas da defesa seriam, em boa medida, uma forma de "matar dois
coelhos numa cajadada": por um lado compra-se equipamento militar e, por
outro, atrai-se investimento do bom - privado.
É curioso que o ministro da defesa venha a público falar no embuste que eram
as contrapartidas de Portas. O mais interessante é que não fala de nenhum
projecto em concreto. Nem naqueles que, por incompetência, Portas deixou a
meio e que representavam investimentos directos em Portugal.
A razão porque o ministro não fala nisso é porque os mesmos, certamente,
serão abandonados. Não se vai apostar nessa área.
A estratégia de contrapartidas que o ministro quer adoptar resume-se ao
seguinte "a partir de agora, quem define as contrapartidas é o Estado e os
privados vão ter que se sujeitar ao que Portugal quer". Sucede que essa
estratégia está condenada ao fracasso, porque os grandes fornecedores da
área da defesa não se sujeitam a tais exigências. Apresentam pacotes de
contrapartidas (normalmente prestadas por terceiros) que são avaliados pelo
Estado. É assim que funciona em Portugal e no resto do mundo civilizado.
Querer alterar esse sistema, é dar azo ao grande aumento dos preços do
material de defesa (que obviamente reflecte o custo das contrapartidas) e a
perder os melhores fornecedores. Basta ver que, já hoje, os concursos da
defesa se limitam a ter um ou dois concorrentes.
Do exposto, só se pode concluir que, por um lado, a modernização das forças
armadas vai ficar pelo caminho e, por outro, não há uma aposta forte na
atracção do investimento privado.
Entretanto, agrava-se os impostos (agora também para bancos e seguradoras) e
nada se anuncia para travar as despesas correntes ou para por os
funcionários públicos a trabalhar.
Será certamente uma filosofia socialista.
Mea culpa porque votei neles.
Daniel Patmore
publicado por quadratura do círculo às 00:00
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