Segunda-feira, 30 de Maio de 2005

António Marques - Responsabilizar os políticos

Muito se tem falado recentemente no deficit. Em quase todos os debates, opniniões, comentários a que assistimos atiram-se culpas para os dois últimos governos, Durão e Guterrres. Os dois partidos que se alternam no poder acusam-se mutuamente. Parece-me haver muita gente com a memória curta. Temos que analisar a situação muito para além destes últimos governos.
Vejamos: Portugal sustentou durante treze anos uma guerra, sem qualquer sentido e proveito, quer para as populações locais onde decorreram os teatros de guerra, basta ver a situação actual desses países, hoje independentes, quer para os habitantes da "metrópole" que suportaram os custos, quer em vidas (milhares de jovens mortos ou estropiados), quer em impostos para financiar a guerra em vez de se investir em mais educação, saúde e tantas outras coisas necessárias ao bem estar do povo. Tal situação durou tanto tempo porque os politicos da época montaram um sistema repressivo de governo, cuja alternativa era fugir do país. Na minha adolescência havia três temas de conversa entre os meus amigos: um que fugiu para França, outro que foi preso pela Pide, outro que foi mobilizado para o ultramar. Infelizmente, fui um dos sacrificados por esta situação. Felizmente aconteceu o 25 de Abril. Mas os politicos não foram julgados, mas foram para exílios dourados. Cometeram-se erros, é certo, mas perante a gravidade da situação pouco melhor se podia fazer. O país viveu uma grave crise, para minorar a situação, um ano não não recebemos metade do subsídio de Natal. Mais tarde foi considerado inconstitucional, mas não vimos a cor do dinheiro. Mas os politicos ficaram impunes. Mais tarde, apareceu um milagre chamado CEE. Foi um regabofe, já quase todos esqueceram, que numa ocasião, Cavaco Silva, primeiro ministro na altura, foi ao Alentejo elogiar um "investimento modelo" no concelho de Odemira, um senhor grego muito rico, investiu, com os subsídios da CEE, claro, e assim que pôde pôs-se ao fresco com o dinheiro. Ninguém é responsável por nada. Os governos sucedem-se, tal como as crises. Mas os politicos cada vez tem mais regalias, e o povo cada vez mais fome (de educação, saúde...). Se os politicos comecassem a ser responsabilizados, em vez de lhes ser ofercido exílios dourados (Parlamento Europeu, Comissão Europeia, Altos Comissariados), os sacrificios valeriam a pena. Assim só nos resta perder a esperança de um futuro melhor para os nossos descendentes.
António Marques
publicado por quadratura do círculo às 16:56
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