Terça-feira, 24 de Maio de 2005

Jorge Costa - Peso do défice

Maio de 2002, Vítor Constâncio apura um défice de 4,2 por cento. Durão Barroso grita aos quatro ventos que o país está de tanga e que vai empreender um sólido programa de consolidação orçamental. Manuela Ferreira Leite lança medidas que transformam uma crise orçamental em profunda crise económica, longo período de recessão de que ainda não saímos e o desemprego cresce assustadoramente.
Maio de 2005, depois de três anos e tal de governo e das tais grandes medidas que iriam vestir um pouco mais decentemente o povo português, qual o estado da nação? Vítor Constâncio diz que actualmente o défice previsível será de 6,83 por cento, um acréscimo de 2,63 ou seja cresceu 62,6 por cento. E a economia como se encontra?
A economia está pouco mais que moribunda, o desemprego neste período passa de 4,5 para 7,5 por cento e ameaça aproximar-se a passos largos dos 10 por cento. Segundo dados da OCDE, de hoje, só tivemos 3 meses sem estar em recessão, em que o PIB não diminui.
Nem é bom falar do que aconteceu à prometida convergência europeia, foi feita a promessa que em dez anos não seríamos a locomotiva da união europeia mas de certeza das primeiras carruagens.
Em resumo, as medidas implementadas pelos grandes teóricos do liberalismo que suportavam o anterior governo, não trataram o doente, antes lhe agravaram a doença e iam-no matando, deixando-o extremamente debilitado.
No que respeita à Europa, o nosso vagão há muito que se encontra esquecido num qualquer apeadeiro, e o comboio europeu já lá vai, cada vez mais longe de nós.
Contrariamente ao que escrevia Milan Kundera temos de coexistir com o insustentável peso do défice e pior ainda, com aqueles que nos tendo levado a esta situação desastrosa ainda têm a lata de propor soluções (?) para um problema que não resolveram, antes agravaram.
Os quase quatro anos de sacrifícios a que a maioria do povo português se submeteu não levaram a nada, só ao agravar da situação e ao enriquecimento de alguns. A coesão social sofreu tratos de polé, e agravou-se o fosso entre os mais ricos e os mais pobres.
A evasão fiscal é cada vez maior, se combatida com eficácia, só ela poderia resolver as nossas dificuldades.
O capital financeiro não tem muita razão de queixa, os lucros crescem a uma taxa próxima dos 50 por cento anuais, até parece haver uma razão inversa entre o bem-estar dos bancos e o da esmagadora maioria da população. Quanto melhor o de uns pior o dos outros.
São sempre os suspeitos do costume a sofrer. Esperemos que nas medidas que se anunciam os sacrifícios sejam melhor repartidos, e sectores a quem a crise tem passado ao lado ou tirado proveito dela dêem a sua contribuição efectiva para a resolução da crise que historicamente nos assola, a célebre questão do défice e do nosso subdesenvolvimento crónico.
E que Deus nos proteja de todos aqueles que tendo tido responsabilidades governativas nos enterraram, em vez de nos salvar, e agora na oposição afirmam ter todas as respostas e todas as soluções para os mesmos problemas que eles agravaram.
Se houvesse um pouco mais de vergonha, decoro e responsabilidade entre os políticos portugueses todos beneficiaríamos e talvez não estivéssemos no estado em que estamos!
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 16:20
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