Quarta-feira, 11 de Maio de 2005

Carlos Manuel Jesus - China é ameaça?

Num mercado cada vez mais global começam a sentir-se as principais ameaças com origem além-fronteiras. Da indústria do calçado passando pelos téxteis é chegada a vez das novas tecnologias e dos respectivos serviços. A inexplicável passagem de controlo da Edinfor para as mãos da Holandesa LogicaCMG, apesar do grande interesse demostrando por várias empresas nacionais e não tendo esta empresa tido qualquer actuação directa no mercado nacional até à data, relegou-as para um plano que torna ainda mais difícil o seu crescimento e capacidade de internacionalização. Mais, corre o sério risco de ver deslocalizado o seu centro nevrálgico e de comando para as instalações ibéricas do grupo na capital espanhola.
Portugal vai perdendo não só o controlo de empresas com potencial elevado, como noutras situações vamos acabar por perder as próprias bases dessas estruturas. Vejamos por exemplo a entrada de empresas estrangeiras, por vezes não europeias, no mercado nacional e que por vezes são apontadas como bons exemplos. Só que por vezes esses bons exemplos podem tornar-se numa dor de cabeça.
Um caso paradigmático é por exemplo o de uma empresa chinesa, a Huawei Technologies, que recentemente inaugurou na capital lusa a sua sede para Portugal. Esta empresa vende, à semelhança de outras tantas empresas chinesas, um pouco de tudo e a preços realmente tentadores. No sector das telecomunicações, oferecem produtos por vezes 10 vezes mais baixos que a concorrência europeia e americana e mostram uma flexibilidade e agilidade de negociação incríveis. Uma das chaves deste sucesso está encontrada: flexibilidade, adaptabilidade e claro, o preço.
Hoje já ninguém tem dúvidas que o país com maior potencial comercial é a China. A sua população atinge o impressionante número de 1,3 biliões de pessoas, a taxa oficial de desemprego ronda os 4% (20 milhões de pessoas dos 500 milhões de força de trabalho) e o salário médio anual na área das telecomunicações é pouco mais de 1000€. Se a estes factores juntarmos a competição entre os desempregados para conseguir um lugar numa empresa internacional e com isso poder aspirar por um "lugar ao sol", encontramos outra das chaves deste sucesso.
Estas empresas são brilhantes na estratégia que têm vindo a desenvolver na conquista do mercado não-Asiático, nomeadamente a Europa. Será mais ou menos fácil prever o rumo a ser seguido por estas empresas. A receita é simples: Conquistam o coração dos accionistas através de preços extremamente baixos, por vezes até sem custos, consolidam a sua presença e partem depois para a oferta integrada de serviços. Será irrecusável para os accionistas uma proposta de diminuição do OPEX para 10 ou 20% do actual valor apenas com um simples contrato de prestação de serviços de outsourcing com uma empresa extremamente eficiente (veja-se o seu crescimento), detentora de know-how em diversas frentes tecnológicas, que oferece produtos à medida, com staff para suporte local, com 22 mil empregados (ávidos por trabalhar a qualquer preço), 75% deles com estudos superiores? Será certamente música para os seus ouvidos. É o princípio da focalização no core business que levado ao extremo poderá passar no futuro, por as empresas actuarem sobre uma base de serviços e infraestrutura contratados em regime de outsourcing à semelhança do que acontece já com algumas médias empresas.
As empresas e profissionais que não souberem adaptar-se a esta nova revolução de mercado vão contribuir para um aumento dos valores do desemprego, desta vez de profissionais qualificados. Está a Europa e concretamente Portugal preparado para esta mudança? Terá a UE capacidade para Intervir neste assunto impondo restrições à China, país com importância crescente na economia global, tal como muitos actualmente defendem relativamente aos téxteis? Ainda que possam haver regras de alguma forma proteccionistas, a solução passa acima de tudo pela adaptação e inovação por parte das empresas mas também dos trabalhadores.
Carlos Manuel Jesus



publicado por quadratura do círculo às 19:33
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