Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

Fernanda Valente - Novas reflexões

A sombra de António Guterres continua a pairar sobre as nossas cabeças. O Dr. Jorge Sampaio ofereceu um presente envenenado à direita portuguesa, que se congratulou com o facto, mas que só mais tarde, e, quando a emoção der lugar à razão, esta alcançará a dimensão e a substância política de tal acto, pela situação melindrosa de que necessariamente se irá rodear a eleição do seu candidato às próximas presidenciais.
Para desvalorizar um tema da maior relevância política, o sr. Presidente da República dá início a uma presidência aberta subordinada ao tema da sinistralidade rodoviária, bastante louvável aliás, mas não mais do que a temática da legitimação da lei do aborto em Portugal, através de referendo.
Os “timings”, sempre o problema dos “timings”. Este deve ter sido o argumento de peso que proveio da parte do “colégio de sábios” que nestas coisas tem sempre a última palavra. Pensamos que somos governados por um executivo, representado pelo seu primeiro-ministro, e um presidente, mas, na realidade, quem nos governa é o poder jurisdicional, em sede do Tribunal Constitucional, o poder eclesiástico, em sede do Colégio Cardinalício, e o poder do “veto”, privilégio de algumas elites da nossa sociedade civil, e que mais não são do que antigas figuras políticas afastadas da política activa. Isto tudo sob influência do poder corporativo, como reconhece Alberto João Jardim e, a meu ver, bem. Valha-nos o quarto poder cuja influência cresce dia a dia e se afirma, e com o qual, por imperativos da cidadania, devemos colaborar.
Da parte da esquerda portuguesa, ainda houve quem vaticinasse a realização do referendo sobre o aborto e do referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu no mesmo dia das eleições autárquicas, e até quem pretendesse a legitimação da lei do aborto através do Parlamento. Mas afinal são estes senhores, políticos, ou projectos de políticos?
De alteração constitucional em alteração constitucional, ainda há-de chegar o dia em que os políticos se auto-elegem, definindo eles próprios as suas leis de alternância, sem a participação dos cidadãos. Felizmente já cá não estarei nesse dia para assistir.
Fernanda Valente



publicado por quadratura do círculo às 20:33
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