Terça-feira, 3 de Maio de 2005

Jorge Costa - Cumprir Abril

Comemoraram-se os 31 anos do 25 de Abril, no campo do desenvolvimento económico e social a maioria das expectativas criadas nessa madrugada libertadora ainda estão por cumprir.
A plataforma política vitoriosa nas últimas legislativas fazia uma aposta central na necessidade de implementar políticas que reforçassem a coesão social, tão ameaçada com a existência vergonhosa de mais 300 mil portugueses que se não fosse a caridade passavam fome e mais de 2 milhões abaixo do limiar de pobreza.
Entre as diversas políticas sociais, a de saúde desempenha um papel fundamental.
É imperativa e urgente a revitalização do Serviço Nacional de Saúde, que a anterior maioria com um discurso e prática liberais tentou ferir de morte, com o reforço da sua universalidade e claras melhorias da acessibilidade.
Parece claro para todos que novas políticas necessitam de novos protagonistas, ninguém acreditará que verdadeiramente haverá mudanças se quem dá o rosto por elas forem os mesmo que anteriormente defendiam rigorosamente o contrário do que agora se pretende.
Que credibilidade pode merecer, quer para o público quer para a tutela, quem ontem dizia que o caminho era o Norte e agora, só porque mudou o Governo e tentando sobreviver no seu lugar, vem dizer com o mesmo à vontade que o caminho é para Sul, ou sem corar de vergonha que o que era preto agora de repente virou branco?
Há que não confundir a direcção e responsabilidade políticas com a questão técnica. A medicina, a farmacologia, a cirurgia, para só referir alguns exemplos, são independentes dos regimes e das ideologias, é a questão técnica. O modo como essas prestações e outras são disponibilizadas às populações é já fruto de uma opção política.
Portugal é farto em exemplos de adaptabilidade, são os políticos para todas as estações ou todo o terreno. O paradigma deste comportamento foi o do durante décadas director do centenário Diário de Notícias, Augusto de Castro, que interrogado como conseguia manter o seu jornal como o jornal oficial dos diversos regimes (monárquico, republicano e salazarista) respondia candidamente que não era ele que mudava, eram os governos.
Como alguns protagonistas não fazem da coerência uma das suas virtudes, convém que quem tem poder para isso, seja vigilante e garanta a lealdade aos princípios que pretende implementar.
Será um simples tecnocrata, politicamente puro e neutro, quem noutro quadro político e com outras políticas ocupou o mesmo lugar que agora eventualmente se prepara para manter e simultaneamente se perfila para ser candidato, nas próximas autárquicas, a uma assembleia municipal tentando ajudar o seu partido do coração na conquista de uma câmara actualmente liderada pelo partido que eventualmente o eternizaria na sua posição de liderança regional da Saúde no Alentejo?
Sem se negar o seu direito de cidadania, de sufragar as suas posições sempre que o desejar e tenha oportunidade disso, há aqui uma coisa qualquer que não joga certo e escapa ao comum dos mortais. Como se pode defender a política de um partido num sítio e combatê-la noutro?
Ninguém tem nada contra a pessoa em causa, são tudo bons rapazes, simpática e óptima para convívio social, é uma questão meramente política.
Na certeza que uma ARS, ao responsabilizar-se por toda uma política regional de saúde, tem muito mais importância política que um qualquer digno mas recôndito Centro de Saúde, há que ter o máximo cuidado na selecção das pessoas que lá se colocam. Os critérios devem ser basicamente dois: capacidade política e de execução. No caso vertente, por motivos óbvios, nenhum deles se encontra assegurado.
Por melhor e mais brilhante que seja a política ministerial, o inêxito está assegurado à partida, se quem a deve implementar no terreno não tiver a necessária capacidade de o fazer e/ou não está com ela de alma e coração.
Espera-se que o bom senso não esteja ausente dos centros de decisão e que os decisores sejam mais atentos a quem no terreno lhes conquista as posições, os suporta e dão a cara por eles, mas ainda que a hipótese não se verifique já constitui forte preocupação o facto de ela se ter colocado.
Não há tempo para mais falhanços, os portugueses não nos perdoarão!
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 15:42
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