Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Mário Martins Campos - Congresso do CDS

O congresso do Partido Popular teve um desfecho que alguns podem considerar de inesperado.
Na realidade, aquilo que era a força mobilizadora de uma alternativa de liderança para o partido (no pré-congresso) revelou-se demasiado frágil no decorrer do congresso..
As distritais do partido uniram-se em torno de uma moção e de um candidato. Todos pensaram que isso era suficiente para garantir a vitória e enganaram-se. Enganaram-se aqueles, que pensando representar um universo de militantes, não mais representavam do que eles próprios.
Prova mais evidente, do problema estrutural do Partido Popular, não seria possível.
O PP, ao longo da sua história, teve sempre uma cariz presidencialista, e viveu muito em torno do seu presidente. Com Paulo Portas, este carácter acentuou-se, a ponto de se tornar um partido unipessoal. Paulo Portas com uma liderança forte e muito centrada na sua figura, minou de alguma forma as estruturas do partido, deixando estas de viver para lá das fronteiras do líder. Os presidentes das distritais, mais não eram do que representantes locais do líder, e com isso perderam poder e influência nas suas estruturas locais.
Era evidente, antes do congresso, com todo o processo pós-eleitoral, o estado de falta de estrutura e consistência que o partido vive.
Vejamos então: Os resultados eleitorais, das ultimas eleições, foram penalizadores para a maioria de centro-direita que governava o País, e isso seria justificação mais que suficiente para a demissão de Paulo Portas, como o próprio entendeu. No entanto o resultado eleitoral do PP, objectivamente analisado não justifica o descalabro pós-eleitoral em que o partido entrou. Tal facto, só é justificado pela falta de sedimentação política que o partido padece.
O eleitorado do PP é um eleitorado volátil, de 2002 para 2005 mudou de forma radical, demostrando de forma clara a falta da existência de “um eleitorado de direita”. Este facto foi de alguma forma justificado por Paulo Portas, durante o congresso, quando afirmou a existência de uma “anemia cultural no nosso campo político”, no entanto não justifica tudo.
O alicerce único de um “líder forte”, não é, nem nunca será suficiente para suster um partido político, que se queira estrutural da matriz política nacional, e capaz de consolidar uma verdadeira corrente ideológica, capaz de resistir aos percalços da História.
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 19:27
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