Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Mariana Távora - Sobre o aborto

Já estou irritada com a discussão incessante da nossa classe política à volta do aborto!
Caso não tenham reparado, Portugal enfrenta sérias dificuldades - o aborto não é sequer um tema que actualmente justifique qualquer discussão.
Mais importante seria discutir apoios para que as pessoas tenham condições para ter filhos. Quantos jovens não há por aí, que gostariam de ter filhos e não podem por falta de apoio do Estado. Caso não saibam, enfrentamos actualmnte um sério problema de infertilidade e os casais que querem legitimamente ter um filh, quando se irigem a um hospital estatal esperam mais de um ano só para uma primeira consulta, que noermalmente é adiada antes sequer de vir a ocorrer. Vêem-se assim obrigados a recorrer a clínicas privadas, onde cada tentativa pode custar mais de € 2.500,00!!!!
Porquê tanta preocupação em permitir o aborto e nenhuma nesta área? Há aqui alguma justiça social? Não seria mais importante combater o envelhecimento da população e aumentar a força de trabalho?
Falo abertamente sobre este problema, e já tendo passado pelo problema de ter de optar pela vida. Fui mãe há cerca de um ano de uma filha que nasceu com uma série de más-formações cadíacas - tendo-me sido dada a opção de abortar.
Colocada perante o dilema, pensei para mim, se tiver de morrer, morrerá, como aliás sucede com qualquer um de nós - se pode ter uma hipótese de vida, quem ou eu para lhe negar?
Optei bem - a minha filha foi operada a nascença, sem que o Estado me tivesse apoiado em nada e terá de ser operada novamente para ficar completamente boa, mas é uma criança alegre e cheia de vida. Ainda bem que não ouvi os primeiros conselhos que me deram, dinheiro arranja-se sempre, sou advogada, mas se for preciso posso lavra escadas ou atender atrás de um balcão de uma loja qualquer!
E podem crer que nem sequer foi uma opção motivada por qualquer motivo religioso - o ser humano deve, em qualquer circunstância lutar pela vida, ou pela hipótese desta, ainda que remota ou em condições que não sejam as ideais.
É preciso ajudar as pessoas a terem filhos, só assim o país pode avançar. O aborto não é uma preocupação nacional - acresce até que quem o fez prefere manter-se na clandestinidade - acham que eu gostaria de dizer a alguém que abortei?
Qualquer lei que for aprovada apenas contribuirá para a abertura de clínicas para pessoas com dinheiro, qu assim escusam de ir até Badajoz - porque é que não copiamos o que Espanha tem de bom e ao invés de copiarmos o desnecessário!
Mariana Távora

publicado por quadratura do círculo às 19:14
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