Terça-feira, 26 de Abril de 2005

Mário Martins Campos - Aborto e Papa

1. O debate sobre a interrupção voluntária da gravidez está de novo, e de forma recursiva, na ordem do dia.
Hoje como há 30 anos, estamos perante um debate circundado pelos mesmos argumentos, que se mantêm apesar de todas as evoluções e convulsões sociais, políticas, económicas e cientificas.
Todos os argumentos parecem incapazes de desviar o posicionamento da parte contrária, por mais racionais e fundamentados que sejam. E porquê? Porque se existe ponto de concordância sobre esta matéria, é que ela é uma matéria onde as convicções mais profundas e a consciência individual impera, de forma irredutível e incontornável.
É aqui que eu penso estar o centro do problema, ou pelo menos o fulcro da solução.
Sendo que se trata de uma questão do foro da decisão individual, que só pode ser efectivamente avaliada perante as condições reais, que envolvem tão dolorosa decisão, só a despenalização de tal acto pode dar espaço à liberdade de decisão de cada indivíduo ou família.
Os defensores do “Não” parecem querer dar apenas liberdade de expressão aos que defendem o “Sim”, mas negam-lhes as possibilidades de terem liberdade de acção, tirando desta forma, o tema do foro individual e da decisão circunstancial, para o domínio da imposição legal de uma regra de consciência.
Será que faz sentido impor uma consciência colectiva, num tema que é por todos visto como uma questão do foro mais intimo?
Não me parece...
2. A igreja católica tem nesta matéria um papel decisivo, na construção desta consciência colectiva dos seus fiéis. Os dogmas da igreja não são compatíveis, com a liberdade de acção em matérias desta natureza.
Com a eleição do novo Papa Bento XVI, homem de caracter conservador e muito pouco aberto às evoluções da sociedade, que possam a qualquer momento divergir dos dogmas da igreja, prevê-se que, nesta como noutras matérias, venha a existir um retrocesso na mensagem oficial da igreja. Só esperemos, que este retrocesso não se venha a constituir como um factor de divergência entre a cúpula da igreja e a sociedade.
Mário Martins Campos




publicado por quadratura do círculo às 21:38
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