Terça-feira, 19 de Abril de 2005

João Viveiro - Balanço do congresso do PSD

Após o castigo eleitoral das legislativas, qualquer analista político ou cabeça pensante defenderia que Santana Lopes não deveria regressar logo à política, nem sequer à CML, devendo prudentemente afastar-se por algum tempo. E não é que o homem insiste? O circo continua até que o PSD e o novo líder tenham a coragem de travar e o chamar à razão, afastando-o compulsivamente. Já ficou óbvio no último congresso que Santana Lopes não quer sair. Quer continuar «a andar por aí» e de preferência com um lugar do seu agrado. Santana, através de Meneses, quis impor a sua presença (e quase o conseguiu)... O que ele recusou liminarmente foram os conselhos de recolhimento por uns tempos.
Agora que voltou à CML, é deprimente verificar como, a qualquer preço, Santana Lopes se quer manter nas luzes da ribalta, na crista da onda, a todo o custo, parecendo não se preocupar verdadeiramente com os problemas reais que Lisboa tem pela frente. Este homem que ganhou renhidamente a CML a João Soares, deveria não defraudar quem o elegeu mas antes, resolver, como prometeu, o problema do túnel, do Parque Mayer, da Feira Popular, dos prédios que caem e dos bairros completamente degradados. Foi por isso que foi eleito. Mas não, tinha que sair antes de acabar o mandato e, finalmente, ser primeiro-ministro. O seu apego pelo poder, como é habitual, tira-lhe discernimento. Será que algum dia irá perceber, que os portugueses ficaram fartos das suas trapalhadas? Santana Lopes, deveria tomar em conta os bons exemplos e os bons conselhos, mas não aceita... Que raio de teimosia! Tem que ser falado todos os dias, seja lá pelo que for. Depois de ter sido justiçado pelas eleições, tinha que ir arranjar novamente problemas, agora na CML.
Enfim, adora o poder, seja ele qual for, infelizmente para quem tem que o aturar. Santana Lopes mostra aquilo que sempre o caracterizou: um aventureiro para quem os fins justificam os meios. Não sabe perder, pois a ambição não lho permite. Daí criar os maiores constrangimentos ao próprio partido, que desde sempre alimentou as suas vaidades pessoais.
Não me imagino no papel de Carmona Rodrigues. Será que alguém tem o direito de usar as pessoas desta forma tão indecorosa? Desejável mesmo era Santana Lopes acabar com as birras e ter um pouco de vergonha. Lamentavelmente não a tem. Por tudo isto, a maior Câmara do País está a navegar ao sabor dos ventos de duas criaturas que no mínimo deveriam respeitar os munícipes eleitores. São só trapalhadas, jogos de bastidores, santanetes contra carmonetes. Acredito que o PS esfregue já as mãos de contente com os dislates destas duas criaturas, arriscando-se, a ganhar a Câmara, mesmo com o candidato MM Carrilho.
(...) O que custa mesmo suportar, é a falta de uma cultura de responsabilidade que persiste em prevalecer neste triste e tão mal tratado país. A culpa, essa infeliz, como sempre, morre solteira! Os responsáveis entram e saem com a maior ligeireza, ficando sempre impunes, apesar dos actos de má gestão e, o que é mais grave ainda, de alguns actos de gestão danosa. Santana Lopes e aqueles o acompanharam na sua ilusão, deveriam prestar contas, não só pela sua vaidade e ambição desmedidas, mas, sobretudo, pelo desgoverno a que nos sujeitaram. Assim cá vamos descobrindo, aos poucos, os resultados da sua (in)governação populista.
O PSD é um partido de poder, com um espectro eleitoral muito amplo que vai do centro-esquerda à direita. Não professando uma ideologia social-democrata vincada faz, sobretudo, o culto dos seus líderes pragmáticos, (atente-se em nomes como Sá Carneiro ou Cavaco Silva sempre presentes) por conseguinte, não será fácil ao líder agora eleito gerir o seu partido, na oposição, durante os próximos anos.
Um PSD forte é fundamental à democracia portuguesa, pois só uma oposição construtiva, exigente, forte e credível poderá elevar o nível da governação como, eventualmente, estar preparado para ser alternativa. Mesmo fragilizado, com os surpreendentes resultados da votação no congresso, quero, como agora se diz, parabenizar o Dr. Marques Mendes, a quem saúdo e desejo as maiores venturas na condução do partido. Seja ele capaz de pôr definitivamente ordem na casa!...
(...) A prova provada que Santana Lopes e Alberto João Jardim, mesmo durante o conclave laranja, «já andavam por aí», foi o excelente resultado obtido por Luís Filipe Menezes, 43,4%, bem melhor do que qualquer militante poderia esperar. Só deste modo se poderá explicar que a vitória de Luís Marques Mendes, por uma margem bem mais estreita do que qualquer analista poderia prever. Neste contexto e interpretando os resultados do congresso não há dúvida que eles, efectivamente, «nunca deixarão de andar por aí». Acredito antes, é que já sejam bem poucos, aqueles que estejam por aí, dispostos a ouvi-los.
João Viveiro
publicado por quadratura do círculo às 17:34
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