Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Fernanda Valente - Sobre Carrilho

Ter um alto conceito de si próprio, não significa, necessariamente, tratar-se de um ser arrogante, anti-social ou narcisista. Sem querer entrar no campo da psicologia, até porque não é essa a minha área de actuação, esse é o estímulo que faz accionar um mecanismo de autodefesa do indivíduo em relação ao meio social que o rodeia e em que está integrado. Talvez até um maior teor de sensibilidade, comparativamente ao da média comum, justifique por si só aquele comportamento de que é normalmente acusado o Prof. Manuel Maria Carrilho. A genética, factor determinante na evolução do ser humano, proscreve-nos desde logo à nascença, e por mais que tentemos modificar esse estado de coisas, ela manifesta-se sempre assertivamente sobretudo nos momentos decisivos da nossa vida, sem que, de uma forma consciente, tenhamos contribuído para o seu chamamento.
A provar esta minha “tese” está o facto de a sua companheira, Bárbara Guimarães, para além de todos os atributos que lhe são conhecidos, ser uma pessoa bastante sociável, comunicativa e sensível, contribuindo assim o casal para as estatísticas de um novo paradigma de interacção matrimonial de referência dos nossos tempos.
MMC foi o militante escolhido pelo partido socialista para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições autárquicas. O eleitorado optou pelo candidato social-democrata em detrimento de um conjunto de candidatos de grande mérito, em que qualquer deles, faria uma muito melhor gestão camarária do que o actual presidente. Mas optou o eleitorado e, a meu ver bem, para que fosse aquele candidato, vice-presidente do anterior executivo santanista, a dar seguimento e, se possível, solução ao emaranhado, complexo e discutível programa de obras públicas municipais a que, então, foi dado início na cidade de Lisboa. Os que evocam a falta de mediatismo ou de carisma e o temperamento conflituoso de MMC, aliados à forma como conduziu a sua campanha pela divulgação de vídeos familiares, são os mesmos que se refugiam na casuística da política de privacidade para justificar a não exposição pública das suas famílias, nomeadamente dos cônjuges, cujo culto de imagem em matéria de apresentação, strictus sensus, se reservam o direito à “enrubescência”.
Por último e para terminar, também MMC não assimilou bem a sua derrota ao expor publicamente o seu descontentamento através da publicação de um livro que, segundo consta, defende a tese da cabala e da perseguição jornalística, aflorando o tema da corrupção em alguns órgãos da comunicação social. Não é novidade para o cidadão comum de que a comunicação social vive sobretudo de shares de audiência para as quais contribuem os factos políticos e jornalísticos, onde se poderá inserir o episódio que foi transmitido posteriormente em diferido, passado nos bastidores da estação de televisão, que apresentou o debate com o candidato eleito. Numa eleição fortemente bipolarizada, e perante a ausência de candidatos que disponham de um elevado capital político, o cinismo, a dissimulação e o politicamente correcto são ingredientes q.b., para eleger um candidato aos olhos da opinião pública, “qualidades” essas que decididamente não fazem parte do carácter de MMC.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 20:07
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