Quinta-feira, 7 de Abril de 2005

Amora da Silva - “furos” são outros

A educação começa mal no governo de José Sócrates. Aquando da formação do
governo, o ministério da educação, nos meios de comunicação, era relegado
para o último lugar (às vezes esquecido), com uma ministra (sem rosto, digo,
sem fotografia) que ninguém conhecia. Depois de uma contenção verbal que
pareceu adequada, surge uma visita a uma escola e como se tinha de dizer
alguma coisa fala-se de uma questão estruturalmente irrelevante mas de bom
consumo para os mass media – os “furos” dos alunos devido às faltas dos
professores. Verdadeiramente, o primeiro-ministro e a ministra da educação
não sabem o que se passa nas escolas e o melhor que fariam, para o efeito,
era , em vez de se rodearem de assessores, de ouvirem os sindicatos, as
associações de pais, os conselhos de académicos em ciências da educação,
ouvir alguns professores, dos que dão aulas, espalhados nas diversas escolas
do país bons conhecedores da realidade concreta. Evitariam com isso que as
leis andem para um lado e o país ande para o outro o que torna o sistema
numa farsa e onde vivem mal os que teimam em não ser farsantes. Como dizia o
ex-ministro Justino, um mau ministro, mas um bom analista dos problemas da
educação – veja-se, por exemplo, o seu pequeno livro «No silêncio somos
todos iguais» este sistema está talhado para o insucesso. Gostaria, não falando de causas, deixar nota de alguns factores que devem
merecer atenção:
1) Faz sentido que os professores do sistema público de ensino sejam o
sustento do sector privado? Faz sentido que o Estado tenha as escolas
públicas desertificadas subsidie os colégios ao lado?
2) Faz sentido que havendo trinta mil (?) professores desempregados uma
grande parte dos professores acumule em mais do que uma escola? Sendo que
muitas vezes é mais cuidadoso na escola privada do que na escola pública
onde o lugar está garantido?
3) Faz sentido que um professor não dê todas as faltas que pode dar por
conta de férias, uma vez que as desconta no mês de Agosto em que de qualquer
modo não irá à escola?
4) Faz sentido que ninguém pergunte e que a ninguém interesse que acções de
formação faz o professor ?
5) Faz sentido que todos os professores progridam na carreira
independentemente do desempenho que só os próprios avaliam?
6) Faz sentido que os professores sejam recrutados pelas notas com que saem
dos Institutos e Universidades quando umas avaliam seriamente os alunos e um
12 ou 13 de nota é difícil e outras distribuem notas de 16, 17, 18 só para
lhes dar empregabilidade? É assim que se seleccionam os melhores?
7) Faz sentido que o professor tenha, no papel, 35 horas de trabalho semanal
mas que na prática não ultrapassa as 22h lectivas no máximo e podendo descer
até às 12 horas semanais?
Ficamos por estes 7 pontos que poderíamos multiplicar por sete que não
teríamos esgotado todas as aberrações, perplexidades e paradoxos de um
sistema que é monstruoso e que pelo caminho que as coisas levam mais
monstruoso vai ficar.
Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 13:05
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