Quarta-feira, 6 de Abril de 2005

Nuno Moreira de Almeida - Refundações

Depois da histórica, rotunda, merecida e inevitável derrota eleitoral da direita liberal e populista, no passado dia 20 de Fevereiro, uma palavra passou teimosamente a constar na prosa e nos textos de vários opinion makers e aprendizes de tal: refundação!
Muitos têm defendido com inusitado afinco e empenhamento que a direita ( qual?) deve aproveitar esta pancada no fundo para "fechar para obras" por forma a desenvolver um esforço no sentido de se refundar, reequacionando muitas das verdades adquiridas, quase bíblicas, nas quais assentava o seu pensamento e a sua acção política recentes.
Aproveitando o balanço de meritória (?) discussão eu gostaria de ver uma refundação mais lata: a refundação do sistema político, dos respectivos actores, das diversas forças, das ideologias, dos discursos, das atitudes,...
A conjuntura política que agora se inicia e que será caracterizada por quatro anos de estabilidade governativa ( será assim?), torna-se um campo propício para que os partidos relevantes com assento parlamentar, redefinam a sua ideologia ( por muito que vários freneticamente defendam apocalipticamente o fim das mesmas ), os seus propósitos, os seus valores, os seus programas políticos, para que finalmente volte a haver alguma definição concreta sobre aquilo que cada um verdadeiramente representa, no plano das ideias e das propostas e, sobretudo, que tipo de modelo de organização de sociedade preconizam.
Aconselho ainda que se erradique aquela visão serôdia que a pretensa direita tem, de que quem defende princípios de esquerda ainda usa boinas "che guevara", tem hábitos higiénicos de cariz duvidoso, abomina a igreja, defende revoluções diárias e "come criancinhas ao pequeno-almoço".
Aos esquerdistas convictos deixo a sugestão de que ponham de lado a ideia errada de que pessoas que se identificam com ideologias políticas próximas da direita clássica, ainda têm espalhados pelos seus lares vários retratos de António de Oliveira Salazar, que tresandam a naftalina, que dominam a "quequice politicamente correcta", que soltam incontrolados tiques saudosistas monárquicos e que são genuínos ratos de sacristia.
Talvez seja chegado o momento de se exorcizarem velhos fantasmas que toldam o raciocínio e a lucidez a muitos que deitam um olhar apaixonado mas demasiado maniqueísta sobre a nossa vida política.
Quanto às ideologias, quando dirigentes, militantes e eleitores das várias forças partidárias finalmente souberem o terreno que pisam e aquilo que concreta, objectiva e convictamente defendem, talvez esteja dado um sério passo rumo à clarificação e à delimitação das fronteiras entre comunistas, socialistas, social-democratas, centristas, democrata-cristãos e liberais.
Até que se mudem todas essas vertentes, continuará a prevalecer a confusão, a sobreposição, o chamado pragmatismo e a alternância bacoca, caduca e anacrónica.
Nuno Moreira de Almeida

publicado por quadratura do círculo às 19:44
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