Segunda-feira, 28 de Março de 2005

Rui Pedro Dias - Lições da civilização

A propósito de um comentário do Dr. Xavier acerca dos benefícios
individuais e colectivos do laissez faire e do livre-empreendorismo
(neste caso norte-americano, e a geografia aqui não é de somenos
importância), permitam-me citar de memória uma frase simples do maldito
Louis-Ferdinand Céline: " Em 1500 anos de civilização, pediram-se duas
coisas ao ser humano: aos homens que não fossem cobardes e às mulheres
que não fossem putas."
Porquê? Por dois motivos simples e só aparentemente identificáveis: Primeiro, longe de querer discutir as virtualidades ou não da mão
invisível, o verdadeiro promotor do "progresso" no país em causa foi a
pesquisa bélica, fomentada com e por dinheiros "públicos", da qual o
indíviduo foi beneficiário e "adaptador" via mercado das mesmas e
portanto falamos etimologicamente na inovação polémica e caímos
redondamente -quer se trate de guerras santas ou frias-, na guerra e
nos 1500 anos de civilização (na qual obviamente, o "cobarde" não tem
essencialmente lugar e onde a pretensa segurança foi garante do 1.º
nível de burocratização ou estatização instalada).
Segundo, subsiste sempre nesta discussão uma superior moral (hipócrita
e falsamente) saliente, na qual nem as meretrizes nem os prostíbulos
(no sentido parasitário do termo), têm qualquer cabimento, a não ser
pelo efeito da "mão invisível": não raras vezes os proclamadores ad
infinitum apologistas do não intervencionismo e queixosos do "peso"
excessivo do estado são apanhados concomitantemente agarrados à sua
teta mais abundante.
Pergutem por exemplo ao ex-Ministro da Administração Interna, ao ex- Ministro das Finanças e ao Administrador não executivo da holding
beneficiária do negócio siresp, o que se lhes ocorre dissertar sobre
Céline, civilização, segurança e mão invisível.
Tanto num como noutro caso, o estado e o "bem comum" em evidência
oclusa.
Uma última advertência para os livre-pensadores: parafraseando Ortega y
Gassett, o estado só sou eu ou só somos nós -a "massa"-, na exacta
medida em que se pode dizer que dois homens são idênticos porque nenhum
dos dois se chama Dias.
Atentamente
Rui Pedro Dias
publicado por quadratura do círculo às 18:47
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