Quarta-feira, 23 de Março de 2005

Jorge Costa - Direita não percebeu

Maio de 68, em Paris, uma inscrição nas paredes do edifício da Assembleia Nacional Francesa dizia: “Quando a Assembleia Nacional se torna num teatro burguês, os teatros burgueses devem tornar-se Assembleias Nacionais!”.
Vem-me à memória esta recordação depois de ter acompanhado atentamente a discussão do Programa do Governo formado após as eleições de 20 de Fevereiro e observado o modo como alguns protagonistas se comportaram, tão longe da realidade e completamente deslocados no espaço e no tempo.
Se um E.T. assistisse ao debate, desconhecendo os resultados eleitorais, imaginaria que a anterior maioria de direita se mantinha. Talvez ainda não restabelecidos da derrota humilhante que sofreram, os deputados sobreviventes da ex-maioria utilizavam o seu tempo para discursos grandiloquentes e repetiam as teses de governação neo-liberais e de submissão aos interesses americanos que o povo português liminarmente recusou no último acto eleitoral, dando à esquerda a maior vitória de sempre com 143 deputados em 230 possíveis.
Paulo Portas, Telmo Correia, Nuno Melo, Marques Guedes, José Matos Correia e Miguel Relvas, completamente alheados à mudança dos tempos, efabulavam sobre a estratégia desastrosa que pretendiam para o Governo de Portugal. Bem longe da sua triste realidade de terem a menor representação de sempre na Assembleia da Republica, submersos pela onda de esquerda, e muito contentes de se ouvirem.
A sua pretensão era que o programa do Partido Socialista maioritamente sufragado fosse substituído pelo seu, de que os portugueses tinham fugido como o diabo da cruz.
A farsa que os tenores da direita protagonizaram foi a todos os títulos lamentável quando atingiu o acinte e o ataque pessoal ao focalizarem grande parte dos seus ataques em Freitas do Amaral e no modo como o fizeram.
A sua dor de cotovelo e o seu espírito de defesa da soberania nacional era tal que só lhes faltou defender que os ministros de Portugal tinham de ter o agreement da administração Bush.
Nenhum dos oradores tinha currículo nem de perto nem de longe comparável ao do visado, no qual avulta ter sido Presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas.
É verdade que nos três tristes anos que governaram, foram venerados, obrigados e subservientes à política imperial americana. Sem grande reconhecimento convenhamos, talvez por não ter gostado do serviço durante a Cimeira da Guerra nas Lages, Durão Barroso foi apagado da foto de família e quando na Casa Branca, G. W. Bush, agradeceu aos seus seguidores na invasão do Iraque, felizmente Portugal não constava da lista.
A consideração que lhes tinha foi tal que o amigo George esqueceu-se dos seus funcionários portugueses, é verdade que os empregados por mais estreita que seja a ligação nunca são reconhecidos como membros da família!
Esquecendo experiência históricas de que nos devemos orgulhar, como a do Marquês de Pombal que aquando de um disputa fronteiriça com Espanha era ameaçado pelo embaixador do país vizinho com uma invasão e sem recuar respondeu “que os portugueses em sua casa eram tão fortes que mesmo depois de mortos eram precisos quatro homens para os tirar de lá”.
O duo Barroso-Portas na esperança de protagonismo e de se sentarem à mesa da divisão do espólio de guerra iraquiano, arrastaram-nos para a nova aventura americana com a deslocação de uma força paramilitar da GNR que literalmente andou à boleia das forças italianas, só figuras tristes.
Barroso, qual rato que abandona o navio antes do naufrágio, ainda foi premiado com uma sinecura internacional, de Portas desconhece-se o destino. Dizem as más-línguas que aguarda ser directamente avençado pelo seu patrão Ronald Rumsfield.
Aos desaforos da direita José Sócrates respondeu, calmamente mas com firmeza, que o eleito era ele e o seu programa não os que pretensamente peroravam de cátedra, evocando um projecto falhado que agravou a situação portuguesa até um nível ainda a esclarecer.
Claramente a vergonha e o decoro não moram na ala direita do Parlamento!
Jorge Costa (membro do Secretariado da Federação Distrital de Portalegre do PS)
publicado por quadratura do círculo às 19:19
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