Quarta-feira, 23 de Março de 2005

Mário Rodrigues - Sobre qualificação

No dia em que comemorava nove anos no exercício do cargo de Chefe-de-Estado, Sua Excelência O Presidente da República, no final de uma visita a uma escola do ensino básico, afirmou que quer um país onde todos sejam qualificados, disse que é preciso inovar e qualificar e prometeu "até ao fim do mandado qualificar os portugueses, inovar com os portugueses, nas empresas, nas escolas, nas tecnologias". Não é a primeira vez que o Senhor Presidente da República profere sábias declarações sobre educação. Tem-o feito reiteradas vezes, com pertinência e sentido de oportunidade. E com o mérito que todos reconhecemos, promoveu ou participou em importantes eventos de natureza educativa. Agora que se inicia um novo Governo, o momento até pareceria o mais apropriado para que o Chefe-de-Estado alertasse para um dos mais graves problemas nacionais, que exige um imperioso "Choque Educacional" que nenhum partido nem governo quis ou pôde empreender até hoje. Mas para quem está especialmente atento à realidade educacional e à agenda presidencial, a intervenção de Sua Excelência O Presidente da República não poderia ser mais inoportuna. Exactamente na véspera, o Chefe-de-Estado, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, condecorara com a Ordem do Infante D. Henrique, no grau de Grande-Oficial, a antiga Secretária de Estado da Educação, Doutora Ana Benavente, a quem, por via de políticas como a Gestão Flexível do Currículo ou a celebérrima Revisão Curricular, Portugal deve uma das mais tenebrosas acções governativas em matéria educacional e cujos nefastos efeitos, ainda a produzirem-se na actualidade, se prolongarão por várias décadas se não houver coragem e sensatez para lhes pôr termo imediato. Falar em qualificação um dia depois de homenagear, com honras de Estado, uma personalidade que, pelas suas insanas ideias educativas, não tem feito outra coisa senão promover a formação de gerações inteiras de analfabetos funcionais e de inaptos para qualquer função produtiva, é no mínimo infeliz. Ao condecorar uma das principais responsáveis pela situação ruinosa em que se encontra o sistema educativo português, o Dr. Jorge Sampaio foi uma vez mais imprudente, como o tem sido em muitas outras condecorações, e deu um sinal absolutamente errado sobre o que urge realizar em Portugal em matéria educacional. Para bem do nosso torrão natal e de todos nós, esperemos que a Ministra da Educação em início de funções e o Presidente da República em fim de mandato possam, finalmente, concretizar esse desígnio nacional que é a qualificação dos Portugueses, de todos os Portugueses! Deste supremo desiderato pode depender a continuidade de Portugal...
Mário Rodrigues
publicado por quadratura do círculo às 18:51
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