Sábado, 12 de Março de 2005

A Quadratura renova-se

A Quadratura renova-se com a entrada de Jorge Coelho.
Ao longo dos anos, muitas vezes me encorajou a manter ânimo e continuar a dar batalha. Interessava-se regularmente pelas novidades argumentativas que brotavam dos debates. Na longuíssima era do Flasback (1989-2003) viu frequentemente dissecadas decisões que tomou enquanto governante. Como era de esperar, recebeu as observações, críticas e até picardias com naturalidade e “largesse”, vendo nelas utilidade prática e fonte de reflexão ulterior. Em Março de 2001, no momento mais dramático da sua vida política, julgo que lhe terá servido de lenitivo a forma como os membros do painel lhe fizeram justiça, unanimemente.
Posso passar, assim, a espectador (e eventual objecto de análise!), sem peso na consciência.
Muitas vezes me abordaram nos mais diversos locais para me perguntarem como conseguia aturar “aqueles tipos”. Sucede também que mais de uma vez me disseram: “Ó Pacheco Pereira, como é que você atura aquele insuportável Zé Magalhães?!!!”. Nem sempre desfiz a confusão…
A longevidade do painel e as suas metamorfoses são um bom tema para os cientistas da comunicação social. Por mim, sempre achei fascinante que o veredicto das audiências fosse tão generoso.Houve prémios e picos de popularidade, flutuações e renovações de audiências, mudanças espectaculares do ambiente político. Tudo isso fomos comentando, introduzindo inovações e adaptações.
Sem o impulso e a interacção preciosa de Emídio Rangel, não teria havido Flasback na TSF e na SIC. Carlos Andrade contribuiu decisivamente para que o programa não estiolasse nem sofresse o triste destino de tantos cometas mediáticos e, com Ricardo Costa, ajudou a pilotar a metamorfose que permitiu o nascimento e afirmação, “contra ventos e marés”, da Quadratura do Círculo.
Ao longo de 15 anos tive o privilégio de debater semanalmente temas infernalmente variados com gente culta (e francamente perigosa!) como Pacheco Pereira, Pulido Valente, Nogueira de Brito, Miguel Sousa Tavares e Lobo Xavier. Não tenho dúvidas de que sem isso a minha vida teria sido diferente, seguramente mais tranquila, mas muito menos vivida. Sou avesso a memórias. Confesso apenas (não surpreendentemente) que ir à luta me fez gozar enormemente, mesmo quando, no fim, tinha de nódoas negras no orgulho e os argumentos feitos em papas. É que na semana seguinte, havia novo debate…
E haverá! Assistirei a ele interessadíssimo nas consequências da renovação, rigorosamente coincidente com a mudança de ciclo político. Ciente de que a paixão de argumentar não se suspende para nenhum de nós.Apenas se transforma, mudando de cena, de registo e de interlocutores.
José Magalhães



publicado por quadratura do círculo às 01:10
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