Terça-feira, 8 de Março de 2005

Mário Martins Campos - Do CDS ao PP

1. O Prof. Freitas do Amaral, tem sido dos ministros indigitados, aquele para quem se têm voltado as maiores atenções e criticas.
Era previsível que assim fosse, dado o seu trajecto e dimensão politica.
Freitas do Amaral foi fundador do CDS (Centro Democrático Social), foi um dos que com o seu punho, assinou a declaração de princípios do partido, onde se lia: "...correspondendo ao apelo de amplas correntes da opinião pública, abrindo-se a todos os democratas do centro esquerda ao centro direita...".
Freitas do Amaral é um centrista, sempre se afirmou como tal e sempre conduziu a sua actividade politica nesse sentido. Estabeleceu acordos de incidência parlamentar com o PS de Mário Soares e construiu a Aliança Democrática com o PSD de Sá Carneiro. Melhor prova de centrismo seria difícil!
Como homem aberto ao mundo e portador de um espírito de independência intelectual, que nunca o impediu de alinhar os seus pensamentos às circunstâncias, Freitas mudou, evoluiu o seu pensamento, sem nunca deixar de ser coerente com a sua posição centrista de democrata-cristão.
Freitas mudou, mas o partido por si fundado, mudou muito mais.
Do CDS ao CDS-PP vai uma divergência ideológica que não podemos iludir.
Em 1992, com Manuel Monteiro como presidente do CDS, e Paulo Portas como ideólogo (do alto a sua tribuna Independente), nasceu o Partido Popular, herdeiro do CDS, mas ideologicamente bastante distinto. As derivas ideológicas, que se verificaram, conduziram Freitas do Amaral e outros, a abandonarem o "seu" partido, com o qual se deixaram de rever.
Por outro lado, o Partido Socialista, também ele evoluiu, dentro da sua matriz social-democrata, no sentido de se adaptar à evolução da sociedade, dos seus anseios e preocupações ideológicas.
Na realidade a posição relativa entre Freitas e as diferentes forças políticas alterou-se, mas a sua posição absoluta manteve-se.
2. Outra critica que se tem feito em relação a Freitas do Amaral, tem a ver com o seu perfil, para exercer o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Passando o facto de algumas dessas criticas, virem de pessoas que não têm o mínimo curriculum pessoal, nem politico, para se pronunciarem sobre umas das grandes figuras do pós-25 de Abril, passemos então à substância.
Diz-se que as opiniões criticas de Freitas do Amaral, em relação ao comportamento dos EUA no cenário da política internacional, e em particular nas posições tomadas que conduziram ao conflito no Iraque, podem ser um entrave à sua boa prestação no MNE.
Será que quem faz estas críticas, ainda não percebeu que o PS ganhou as últimas eleições, com maioria absoluta, e viu desta forma sufragada a sua posição em relação ao comportamento unilateralista dos EUA, em termos das suas relações internacionais, e que é coincidente, com a do futuro MNE?
Gostava apenas de deixar aqui uma nota, relativa ao fait-diver ou garotice, de enviar a fotografia de um dos seus fundadores, por parte do PP, para o Largo do Rato.
O PP e seu líder em particular, enquanto estiveram no governo, tiveram um comportamento exemplar, no que diz respeito à sua postura de Estado, e de respeito pelas instituições. Esse tinha sido um activo conquistado pelo PP, neste período de governação. Este activo, não merecia ser desbaratado com comportamentos desta natureza, e mais uma vez deitar fora o menino com a água do banho.
Mário Martins Campos
publicado por quadratura do círculo às 18:28
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