Segunda-feira, 7 de Março de 2005

João José Cabral Viveiro - País de avestruzes

O Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, veio alertar para o aumento da pobreza das crianças em 17 países, (estamos a falar apenas dos países mais ricos). Em Portugal, segundo os dados revelados, a pobreza infantil aumentou 3,2% desde os anos 90, estando, actualmente, nos 15,6%.
Para a UNICEF, o indicador de pobreza relativa é definido quando uma criança vive numa família cujos rendimentos são inferiores a metade do rendimento médio nacional, estando relacionado com as condições do mercado de trabalho, as políticas governamentais e os factores sociais. Ou seja, em Portugal, mais de 320 mil jovens provenientes de outras tantas famílias, não têm condições mínimas para crescer com dignidade. Com estes números da nossa vergonha colectiva, a notícia caiu como uma bomba. Não porque não adivinhássemos já os números, mas, sobretudo, porque desejamos deliberadamente ignorar os factos, enfiando a cabeça na areia.
É preciso dar condições a esses jovens, sendo que essas metas passarão pela formação de técnicos do futuro e da «erradicação, do local de trabalho, da iliteracia na leitura, na escrita e nos números», através de aulas de recuperação incluídas em currículos flexibilizados e testes de «literacia funcional», essenciais para obtenção do diploma final do Secundário. É preciso, ao mesmo tempo, repensar na mudança das Escolas Básica e Secundária. Num país com tão baixa natalidade imperioso se torna recuperar estes jovens e investir neles para o melhorar o nosso futuro colectivo. É mesmo uma tarefa prioritária, fundamental; um desafio que se apresenta ao novo governo e ao país. Só a formação vocacional e a permanente qualificação profissional podem preparar para o desejado aumento da competitividade global do país. Há que pôr mão nisto rapidamente, proporcionando a todos eles um rendimento de dignidade, apostando claramente no nosso futuro colectivo.
Um país de 10 milhões de pessoas que se dá ao luxo de “dispensar”, logo à partida, mais de um sexto dos seus jovens, que irão inevitavelmente fazer parte da geração de futuro, só pode ser um país ignorante, ou estar terrivelmente doente.
Claro que para afirmar estas políticas são necessários meios. É tempo de deixar de acusar apenas os políticos. Se há fuga fiscal do IRS, (e sabemos que há imensa) de quem é a culpa? É dos políticos ou das pessoas desonestas que “roubam” descaradamente a Sociedade, engendrando tantas vezes os mais diferentes expedientes, para deixarem de contribuir para o bem comum? A Segurança Social é ludibriada, a culpa é dos políticos ou será das pessoas sem escrúpulos? Será culpa dos políticos a fuga ao pagamento do imposto do IVA e do IRC? E as candidaturas fraudulentas aos subsídios? Mesmo assim o Estado é generoso. Atentemos se não é curioso o facto de apesar de apenas alguns pagarem, todos, (os que sempre pagam e aqueles que nunca o fizeram) usufruírem, sem excepção, dos benefícios do Estado, nas Áreas da Saúde, da Educação, das Obras Públicas, e tantas outras?
Porque não se desenvolve em nós uma perspectiva honesta de futuro? Porque não relembrarmos o passado e reaprendemos com aquilo que a História nos conta? De que temos medo? Será da falta de uma ideia de futuro, neste presente que desgraçadamente se perpetua? Porque estaremos nós órfãos, desde sempre, à espera de um salvador, de um tutor, de um novo D. Sebastião na tal manhã de nevoeiro? Órfãos de um desejado pai simbólico salvador da pátria? É hora de deixarmos de ser órfãos, entrarmos na maioridade e acabarmos definitivamente com a imoralidade!
João José Cabral Viveiro (Deputado do PS à Assembleia Municipal de Seia)
publicado por quadratura do círculo às 17:56
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