Segunda-feira, 7 de Março de 2005

Gonçalo Araújo - Governo de Compromisso

Palácio de Belém, 20h, 4 de Março. Sócrates, antes de divulgar a lista de ministros, afirma que o governo é "forte".
Primeiro sinal. Negativo. Ao primeiro-ministro, não basta revelar a lista. Precisa de afirmar que ela é forte. É porque não é.
É divulgada a lista. Metade é "tralha guterrista". Pior. Os seus segundos planos. Fugiram as "cabeças", ficaram os outros. Segundo Sinal. Também negativo.
Sectores económicos e finanças. Constâncio número dois (em face da recusa deste) e o capital (voz dos bancos) representado. Terceiro Sinal. Mais uma vez, preocupante.
Finalmente, sectores sociais : ex-comunistas e desconhecidos. Quarto sinal. Contraditório.
Quinto sinal : Freitas do Amaral.
Pois. Sócrates acabou por fazer um governo à imagem da maneira como chegou à maioria absoluta. Vejamos:
A sua tarefa é impossível pois a sua base de apoio é contraditória. São duas pernas, cada qual a tentar caminhar em sentidos opostos. Não há saída. As cabeças guterristas sabem disto. Ganham os escritórios de advogados (Vitorino), instalam-se os treinadores de bancada (Constâncio). Avança a tralha guterrista de segunda, ávida de tachos.
Pagam-se as dívidas (de campanha) aos sectores empresariais. Curiosamente, prevê-se a continuidade das políticas restritivas de Manuela Ferreira Leite. Contradição Um.
Resultado: alguém vai sofrer, mesmo que o espartilho do défice afrouxe. Não serão os bancos e o capital (a corporação tem, agora, os cordelinhos do poder).
Salvaguarda-se a intervenção social. Ex-comunistas e outros que tal tentarão (o confronto interno com as pastas económico-financeiras será incontornável) cumprir as promessas de Sócrates. Contradição Dois.
Vamos supor que conseguem estas duas "forças" os seus intentos. Quem perderá?
O povo. As classes médias. E as classes baixas trabalhadoras (não as que vivem dos subsídios sociais).
Um primeiro grupo, mais de esquerda, fugidio, continuará a sair para o BE...
Não suportará a continuação dos sacrifícios (mais intensos, por via da isenção do capital, nesse processo e também pelo crescimento dos custos sociais).
Um segundo grupo, de centro-direita e um terceiro, proveniente da abstenção, ambos em fuga das políticas restritivas, com a recordação dos tempos fáceis de Guterres (que nos levaram ao pântano). Cedo vão perceber que se manterão sobre eles os sacrifícios, desta vez, sem justiça (o capital ficará de fora) com intensidade redobrada (mais despesas sociais têm de ser cobertas).
Mas, como tudo isto é de difícil gestão política, principalmente dentro do caldeirão socialista, aparecerão as crispações. Os avós Soares e Alegre, as forças de esquerda, etc. Os empresários sofrerão com possíveis mexidas nos códigos de trabalho. O emprego, ao contrário de subir, crescerá.
E ninguém se vai entender.
Apesar da cínica massa jornalística (comentaristas incluídos) transformar o tapete de pregos (de Santana) num colchão de penas (para Sócrates), invertendo o seu discurso (elogiará e designará de incontornáveis exactamente as mesmas medidas de que, há poucos meses, dizia cobras e lagartos), não terá forma de esconder toda a trapalhada que vai constituir este percurso de regresso ao pântano.
(...)
Gonçalo Araújo
publicado por quadratura do círculo às 17:52
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