Quinta-feira, 3 de Março de 2005

Mário Martins Campos - Governar ao centro

Conseguiu! Conseguiu!
O PS e José Sócrates, conseguiram efectivamente concretizar o seu objectivo: Um governo e uma maioria absoluta.
E agora? É a pergunta que se impõe.
José Sócrates, tem agora de interpretar o resultado eleitoral, percebendo claramente qual a base de apoio, que o conduziu a este resultado, e quais as ilações a tirar dos resultados eleitorais, globalmente analisados.
O PS ganhou ao centro. Foi no centro que o PS ganhou estas eleições, e é no centro que o PS ganha, sempre que puxa pela sua matriz social-democrata, e se apresenta como o partido que preenche esse espaço ideológico em Portugal, que é a sua verdadeira vocação. Também aqui, o nome e a coisa, não são uma e a mesma coisa, pois é o PS e não o PSD, o verdadeiro partido social-democrata.
Se olharmos para o excelente estudo que o Expresso realizou, com o objectivo de analisar a transferência de votos, que ditou o resultado eleitoral, é bem claro que o PS ganhou ao centro. Ganhou naquele nicho de eleitorado que se identifica com a matriz social-democrata, e que muitas vezes se vê confrontado com propostas mais fortes de um ou outro partido.
Sócrates soube ocupar esse espaço ideológico, de forma sábia. Envolvendo a sociedade civil e adicionando-a ao eleitorado tradicional do PS.
O resultado foi o que se viu.
O espaço social-democrata está ocupado, com o partido socialista a assumir o lugar que é seu. Este espaço é do partido socialista desde a sua fundação. Mário Soares contava a Maria João Avillez, num dos volumes publicados, das suas longas conversas, que passaram revista aos acontecimentos mais importantes, da última metade do século XX em Portugal, que um dia, quando Sá Carneiro lhe disse que ia formar um partido social-democrata, ele lhe respondeu: “Mas isso já existe! È o Partido Socialista” e ainda hoje é assim.
No entanto, seria fugir à realidade, esquecer que o PS dentro da sua diversidade, que o enriquece e valoriza, alberga outras tendências ideológicas mais esquerdistas, que moldam a sua orientação ideológica.
A esquerda em Portugal ganhou nas últimas eleições, mas mais do que a esquerda de forma global, ganhou José Sócrates, o PS e a sua matriz social-democrata.
A ala esquerda do PS está bem representada no grupo parlamentar resultante das eleições de 20 de Fevereiro. A elaboração das listas de candidatos a deputados, teve o grande mérito de conseguir dar voz ao pluralismo de ideias dentro do PS, dando espaço a todas as facções ideológicas que constituem o partido, sem no entanto abdicar de um princípio, que para mim deve ser sempre seguido, que tem a ver com o elevado nível de comprometimento, que é fulcral entre o líder e os seus cabeças de lista.
Estes homens e mulheres de verticalidade política conhecida, têm de, sem abdicar dos seus princípios e valores, perceber que o PS ganhou conquistando o centro, e que o centro deverá ser o fulcro da sua governação, sem nunca esquecer o seu de papel de partido de esquerda. O PS tem pois de materializar na sua governação a expressão centro-esquerda, muito em uso.
É importante que se perceba, internamente na bancada parlamentar do PS, este posicionamento, para garantir a coesão na acção, que tanta falta faz para o sucesso do governo e do partido que o sustenta.
A esquerda também ganhou, se analisarmos de forma global, e também isso é importante, na análise que José Sócrates deve fazer dos resultados eleitorais.
Os Portugueses, disseram claramente, que se revêem num conjunto de propostas que são comuns à esquerda e que o PS subscreve. São disso exemplos, as questões relacionadas com a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez, as medidas de combate à pobreza e à exclusão social, e outras.
No entanto existem aspectos, como as reformas do sistema de saúde, da segurança social, a gestão financeira das contas públicas, a politica económica, as questões europeias e de negócios estrangeiros, onde existem diferenças de entendimento entre a esquerda como um todo, e as propostas claramente apresentadas pelo PS, no seu programa de governo, e aí o PS terá de governar, com a orientação que apresentou aos portugueses, ocupando definitivamente o espaço que é seu, mantendo a saudável ligação à sociedade civil que se identifica com a matriz social-democrata, e que outros já prometem cobiçar…
Mário Martins Campos






publicado por quadratura do círculo às 18:36
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