Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2004

J. P. Martins - Prestações televisivas, cannabis e empresários

É confrangedor (mas ao mesmo tempo delicioso...) verificar como o Dr. António Lobo Xavier se encontra "amarrado" nas suas observações pelas más prestações políticas dos elementos do seu partido. Claro que isso lhe tira margem de manobra, não podendo, por esse facto, utilizar a sua capacidade intelectual para intervir de forma crítica e isenta. É que há coisas que são indefensáveis... E isso faz com que a sua prestação televisiva desça a um nível que não tem comparação com a sua inteligência. Como líder de opinião, que é, deveria ser mais isento, mais crítico, mais independente, na forma como aborda situações que lhe são incómodas. A intervenção num programa televisivo deve ser um acto de prazer, de confronto de ideias, e não um autêntico flagelo, como parece ser, ultimamente, a situação do Dr. António Lobo Xavier.
Quanto à cannabis, acho que a posição do Dr. Pacheco Pereira não é correcta. Admiro a sua capacidade e honestidade intelectual, mas querer reduzir a iniciativa do BE a uma tentativa de dar um passo no caminho para a liberalização de drogas é muito redutora. Veja a parte boa da questão: diminuir o sofrimento dos doentes em fase terminal. E, a partir daí, e só nesse campo, criar condições legislativas para a colocar em prática. Porque, a aceitar-se este enquadramento, isso não implica outras medidas liberalizadoras. Aceite-se esta medida como positiva! É o velho problema da política portuguesa: uma medida, que poderia ser salutar e de aplaudir, é criticada, negada e delimitada negativamente só porque vem de outro quadrante político... São pessoas (e a possibilidade de diminuir o seu sofrimento) que estão em causa e não o facto de ser proposta pelo partido A ou pelo partido B.
Quanto ao Compromisso Portugal, gostei das prestações dos Drs. Pacheco Pereira e José Magalhães. Mas atenção: se não se pode negar a importância dos bons empresários, importantes para o desenvolvimento de Portugal, não se pode ser reducionista e considerá-los como únicos potenciais criadores de riqueza, como ouvi há dias no Expresso da Meia Noite. Então, qual o papel dos trabalhadores? Quem é que possibilita a criação de mais-valias a uma empresa? Serão só os empresários? É que há muitos (pequenos e médios) empresários que de gestão percebem muito pouco e que, enquanto pagam salários mínimos aos seus empregados, levam vidas faustosas, com bons carros e boas casas, em vez de fazer investimentos para melhorar o tecido produtivo de Portugal. Mas, infelizmente, há muitos empresários que não têm visão, não têm estratégia, não têm iniciativa empresarial. Aí é que está o cerne da questão. E, mais dia, menos dia, ou pedem subsídios ao Estado ou fecham as portas, deixando os trabalhadores na miséria. Vai uma aposta?
J. P. Martins (Leiria)
publicado por quadratura do círculo às 16:19
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2004

João Nunes - 2003 Ano Europeu das Pessoas com Deficiência

Eu acho que as comemorações deste ano em Portugal têm ficado muito distantes das expectativas criadas. Está a ser a confirmação, para todos os que ainda tinham qualquer dúvida, de uma continuada falta de consideração que nos é dada pelo poder político, assim como pelas restantes entidades governamentais, que maioritariamente não se preocupam minimamente com os seus concidadãos portadores de limitações motoras, por exemplo!
As condições existentes para uma real e independente vida sem barreiras é-nos negada a "tempo inteiro"!...
Basta, para isso, simplesmente olhar a nossa volta para nos apercebermos da real dificuldade de quem se desloca em cadeira de rodas. Porque a grande maioria dos passeios são demasiadamente altos, não estão rebaixados, muitos estão ocupados com carros, publicidade, esplanadas, buracos e obras a ocuparem os passeios.
Praticamente não existem transportes públicos adaptados para pessoas com limitações motoras.
Se quisermos visitar uma praia, novamente a falta de condições está presente, para nunca nos esquecermos de que permanecemos à "margem".
"Ser deficiente em Portugal continua a ser humilhante", mas nós podemos tentar inverter esta realidade.
João Nunes
publicado por quadratura do círculo às 18:05
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Maria Teresa Carvalho - Guerra no Iraque

Ouvi e vi o vosso debate na SIC Notícias, em que a questão da invasão do Iraque pelos EUA e Grã-Bretanha uma vez mais foi chamada à colação, e bem, pois trata-se de uma da mais importantes questões do momento, e que implica certamente, com o futuro de toda a humanidade.
Questão prévia - Desde que a crise do Iraque foi trazida para o plano das urgências fundamentais da comunidade Internacional, dois “factos” (que não o eram) ressaltaram à evidência:
O primeiro, é que se deu como adquirido que existiria um “tandem” de acção entre Saddam e a Al-Quaeda, no sentido de desestabilizar o “ocidente”; o segundo “facto” prende-se com a ideia de que a relação de cumplicidade entre Saddam e Bin Laden, seria um perigo eminente para a humanidade, “rectius” para a civilização judaico-cristã, pois Saddam possuiria meios de destruição maciça, que ele próprio poderia usar ou em parceria com Bin Laden.
Era claro, já na altura, que nem um nem outro facto eram demonstráveis, como ao invés, tudo indicava o contrário ( derrota militar do Iraque com a acção militar “Tempestade no Deserto”, sucessivos anos de inspecções da ONU, destruição há mais de quinze anos do reactor atómico iraquiano por Israel, situação económica trágica do Iraque com a sua ostracização económica internacional, via proibição da venda de petróleo).
Admiro-me pois, com espanto, que José Pacheco Pereira, tenha “embarcado” numa mera jogada de propaganda sem base objectiva de sustentação (a putativa existência de armas de destruição maciça e o desejo de as usar contra o “Ocidente”), ele que será tudo menos ingénuo.
O que de facto estava em causa na altura, não eram as armas de destruição maciça que mirificamente o Saddam teria ou poderia vir a ter.
O que estava em causa era a soma de duas circunstâncias conjunturais que importava resolver, para regular definitivamente o problema estrutural que Saddam efectivamente era, ainda que para esse efeito fosse necessário recorrer à projecção de forças militares:
- A necessidade de dar um combate cerrado ao terrorismo (que tem um “selo” claro e recebe o apoio da generalidade da comunidade islâmica, o que não quer dizer de todos os muçulmanos), ainda que este combate seja longo e doloroso e possa manter-se na agenda da nossa vida quotidiana nos próximos 20 anos ( Bush “dixit”);
- E a necessidade ingente de reintegrar o Iraque na economia internacional.
Espanto-me muito ao verificar que um homem avisado e lido como Pacheco Pereira (dou o devido desconto ao outros dois comentaristas) não tenha compreendido que a questão essencial na possibilidade de invasão do Iraque (como se veio a verificar) não eram as motivações e fundamentos que foram sendo invocados, sobretudo por Bush ( visto que Blair foi mais subtil), mas a necessidade de aproveitar o ambiente de combate ao terrorismo, para pôr termo à situação absolutamente insustentável, imoral a abjecta, que era a de manter 25 milhões de seres humanos (os iraquianos) impossibilitados de poderem beneficiar de mais de 40 mil milhões de dólares/ano de recursos financeiros, resultantes da venda de “crude”.
A reintegração do Iraque na economia internacional, mantendo-se a o regime autocrático de Saddam, implicaria isso sim, um risco seriíssimo para toda a humanidade, por motivos que não importa estar aqui a invocar, mas que ressaltam à evidência.
E é por isso que Blair, ao contrário de Bush, foi bem mais subtil nas suas declarações, quando da invasão do Iraque: ele acentuou que a invasão se justificava para que se “pudesse dar aos nossos filhos e netos, um mundo menos violento e perigoso”.
Acontece que a “legislação internacional” em vigor não dá “hipóteses” ao mundo da civilização dos direitos humanos e da liberdade individual (mas também do petróleo barato -seria imoral esquecer o facto), para impor ao Iraque, via “manu militari”, quiçá, um regime que oferecesse garantias de que os recursos imensos do petróleo iraquiano, seriam afectados ( “alocados”, diz-se horrorosamente agora) para a melhoria do bem-estar dos seus 25 milhões de cidadãos e para a construção de um mundo mais harmonioso, sobretudo em matéria de “diálogo” de “culturas ou civilizações”.
Bush avisou, e bem, que este combate seria longo e difícil, tão longo e difícil quanto será a transformação da actual economia do petróleo numa economia baseada na combustão do hidrogénio.
Calcula-se hoje que este processo de reconversão económica durará aproximadamente 20 anos, exactamente o tempo em que as economias do mundo judaico-cristão terão que conviver com a constante ameaça de “chantagem” do uso da arma petróleo pelos seus principais produtores, os países de onde emerge a essência cultural e histórica da civilização muçulmana, e dos quais um dos mais importantes é o Iraque (onde se situam as segundas maiores reservas do melhor petróleo do mundo e ainda por cima, o mais barato).
Outra questão importante teria sido discutir porque razão alguns países europeus (França e Alemanha) assumiram as posições que assumiram. Diferente foi e é a posição da Rússia.
Tudo o resto, a “história das armas de destruição maciça”, as “cantigas” sobre relatórios de serviços secretos parecem opereta encomendada pelos políticos para justificar aquilo que seria doloroso dizer abertamente e que certamente provocaria a maior onda de histeria contra os netos daqueles miseráveis imigrantes irlandeses que hoje formam a mais vigorosa e pujante sociedade do mundo.
É isso que dói muito certos a certos “aristocratas” europeus: os pobretanas de outros tempos têm melhores universidades, são mais optimistas e construíram nas Américas um mundo fabuloso (ainda que não se aprecie o “american way of life” como é o meu caso). O anti-americanismo não se esgota na inveja “larvar” que sempre existiu na Europa, é claro, mas o esteriótipo explica muita coisa.
Maria Teresa Carvalho


publicado por quadratura do círculo às 17:44
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2004

José Carmo - Aborto (Resposta à posição de Diana Junot)

Penso que a sua argumentação é algo simplista e, baseando-se em slogans e ideias-feitas, ignora algumas subtilezas para as quais gostaria de chamar a sua atenção.
1.O aborto não é um simples acto de gestão do próprio corpo. Se reivindicar que tem o direito de extirpar o seu baço, ou o seu apêndice, não há nada a opôr - de facto é o seu próprio corpo e fará com ele o que entender. Mas, no caso do aborto, as coisa não são assim tão simples: a partir do momento em que o feto é viável fora do corpo da mãe (ainda que com recurso à tecnologia), ter o direito a eliminá-lo implica ter direito de vida ou de morte sobre um outro ser vivo. E isso não pode ser deixado ao livre arbítrio de ninguém.
2.O argumento da “vida miserável que o espera” é assombroso e perigoso. Em primeiro lugar, porque ninguém sabe de fonte certa que este ou aquele indivíduo vai ter uma vida miserável. Em segundo, porque aceitando tal filosofia, estaria sempre no direito dos pais (neste caso da mãe) eliminar os filhos deles dependentes, ao sabor de uma avaliação conjuntural sobre as suas hipóteses de felicidade. E garanto-lhe que a imensa maioria das tais milhares de crianças miseráveis que vagabundeiam sobre este mundo preferem de facto estar vivas. O suicídio é raríssimo nas sociedades ditas miseráveis.
Ou seja, a vida de uma pessoa não pode estar dependente da avaliação que outrem faz sobre o seu futuro mais ou menos risonho - e, levando ao absurdo a sua argumentação, porque razão então não juntar todas estas crianças miseráveis e deserdá-las desse futuro negro , com um tiro na cabeça? Na sua linha de raciocínio isso iria impedir que viessem a ser infelizes.
3. O recurso ao slogan da guerra dos sexos é ele próprio revelador. “Enquanto os homens não puderem parir” é uma expressão sem conteúdo. A natureza é como é, e nestas como noutras coisas, a biologia não se rende a vanguardismos retóricos. Com o “homo sapiens” é assim e nunca será de outro modo, salvo em situações experimentais. É a vida, como dizia o Engenheiro.
4. Para finalizar garanto-lhe que não sou católico, nem sequer professo qualquer religião e por isso não me assentam os bonés pronto-a-vestir.
José Carmo
publicado por quadratura do círculo às 19:13
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Maria Lopes - Professores no estrangeiro

Actualmente, muito se fala de (in)justiça social. O governo fala de Reforma Administrativa e de melhores condições de vida, para os que mais precisam. Eu, pessoalmente, deparo-me com uma situação que considero totalmente injusta. Sou professora, deixei o meu país, a minha família e fui leccionar a Língua Portuguesa para o Estrangeiro (Europa). Efectuaram-me (M.E.) os descontos devidos. Qual não é o meu espanto, após 3 meses de espera, não ter recebido ainda o subsídio de desemprego, a que, penso eu, ter direito. Começo a questionar o motivo de ainda não auferir o dito subsidio e é-me dito (via telefone) que não tenho direito, porque os serviços enganaram-se e descontaram para a Caixa Geral de Aposentações, em vez de descontarem para a Segurança Social. Porém, ainda andavam em negociações entre o Ministério da Educação e o Ministério da Segurança Social. De salientar que assinei um contrato Administrativo de Serviço Docente nos Termos dos n.ºs 2 e 4 do art.º 33.º do Estatuto da Carreira Docente e n.º 2 do Artigo 5.º do Decreto-Lei 13/98 de 24 de Janeiro, sou contratada e não possuo vínculo com o Ministério da Educação.
Escrevi vários requerimentos a pedir informações sobre o decurso do processo, ao Sr. Ministro da Educação, ao Sr. Secretario de Estado, ao DEB, ao DGAE, e ninguém se "deu ao trabalho de me dar uma resposta".
Poder-se-á chamar a este comportamento justo? Ou será que os professores que estão no desemprego e exerceram funções no estrangeiro, não necessitam do subsídio? Não se encontram eles numa situação de precariedade? Não efectuaram eles os descontos consoante o seu vencimento? Não teremos nós o direito de sobreviver? Mais ainda, não temos o direito de sermos informados?
Ou é necessário ser noticia de um "Jornal da Noite"? Infelizmente, parece que só assim é que os governantes e responsáveis de certos departamentos conseguem responder em tempo útil aos cidadãos, cidadãos que muitas vezes os elegeram e acreditaram neles. Será esta a nova faceta da justiça social?
Parabéns pelo programa.
Maria Lopes
publicado por quadratura do círculo às 19:05
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2004

B. Monteiro - Guerra contra Iraque

Um especial cumprimento ao senhor Pacheco Pereira, pela sua autocrítica ("Eles... Bush e Blair desejavam a guerra..." ), que aliás o senhor José Magalhães não quis entender por inteiro.
Desejavam e queriam com ou sem razão. Da parte da elite política USA - presidente e staff - porque não é mais do que a ponta de lança do "complexo militar-industrial" americano; porque era psicológicamente muito dificil encaixar o desastre de 11 de Setembro e não descarregar.
Temos agora uma colónia de um novo tipo no Iraque - diga-se de passagem bem menos castigada do que foram as colónias europeias em África e na Ásia em geral (fase Império).
Quanto a Pacheco Pereira, revela mais uma vez a sua independência intelectual e política. Oxalá sirva, no futuro, para denunciar não apenas um terrorismo sem qualquer defesa, mas igualmente as situações que estão na sua génese.
B Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 19:53
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2004

Luís Gagliardini Graça - Aborto (Resposta à posição de Diana Junot)

Exma. Senhora,
Constato que, nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães, responderam a qualquer das questões que coloquei.
Como disse, penso que uma análise séria e racional passa por uma resposta às questões que coloquei. Não digo que todos tenham que pensar da forma como penso. Digo é que não se pode tomar seriamente uma decisão se não for baseada em raciocínios lógicos. Simularei, então, uma resposta às questões que coloquei do ponto de vista de V. Exas.:
1. Um embrião é ou não um ser vivo, da espécie humana, diferente até do ponto de vista genético da sua mãe?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Não! O embrião não é um ser vivo e não é da espécie humana. E é igual do ponto de vista genético, à sua mãe. Razão pela qual a sua mãe, exercendo o seu direito ao corpo, pode eliminá-lo livremente. E razão pela qual é óptimo que clínicas privadas possam passar a ganhar muito dinheiro com abortos legais".
Só que nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães responderam assim, porque sabem que não podem afirmar isto...!!!
2. O seu destino natural é, ou não, o nascimento?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Não! O destino natural do embrião não é o nascimento."
Só que nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães responderam assim, porque sabem que não podem afirmar isto...!!!
3. O que é que distingue (do ponto de vista de individualidade e possibilidade da sua "eliminação") um embrião com 10 semanas de gravidez de um embrião com 11 semanas?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto até às 10 semanas teria que responder, para ser coerente: "Até às 10 semanas o embrião não é um ser vivo da espécie humana, pelo que se pode abortá-lo sem necessidade de se invocar qualquer das causas previstas na actual legislação. A partir das 10 semanas já é". Ou então teria que assumir que, não existindo qualquer diferença entre as 10 e as 11 semanas, ou entre as 11 e as 38, se deveria poder abortar até ao final do tempo de gravidez, o que também não afirmam, nem V. Exa., nem o Dr. José Magalhães.
4. Como explicar que uma mulher possa abortar sem que o pai da criança tenha qualquer possibilidade de defender a vida do seu bebé?
Corrigindo o que disse acima, a esta questão V. Exa. respondeu, mas o Dr. José Magalhães não. E diz V. Exa. que um homem, como não dá à luz, não tem voto na matéria. Olhe que tem...Mas sobre este "voto na matéria" o Dr. José de Magalhães pode-lhe responder.
5. Sabiam que à 6ª semana de gravidez já se pode ouvir, com clareza e facilidade, o bater do coração de um bebé?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa pois não é um ser humano". Só que nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães responderam assim, porque sabem que não podem afirmar isto...!!!
6. Sabiam que à 7ª semana já são visíveis as feições labiais do bebé, incluindo boca e língua, que os olhos já têm retina, que o bebé já se mexe e já tem um tipo de sangue diferente do da Mãe?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa pois não é um ser humano".Só que nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães responderam assim, porque sabem que não podem afirmar isto...!!!
7. Sabiam que à décima semana o coração do bebé é muito parecido com o de um recém nascido e que todos os órgãos do bebé já estão formados, precisando apenas de crescer?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa, pois não é um ser humano".Só que nem V. Exa. nem o Dr. José Magalhães responderam assim, porque sabem que não podem afirmar isto...!!!
8. Sabiam que na Idade Média, quando o aborto era permitido, o era com base na ideia que cada espermatozoide era um ser humano em potência e que utilizava apenas o corpo da mulher para se desenvolver, não se estabelecendo, assim, a distinção entre essa célula e o embrião?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa. O que me disseram é que tudo não passa de um preconceito religioso, e portanto, é isso que eu repito".
9. Sabiam que quando os cientistas, nomeadamente em Inglaterra, tomaram conhecimento da realidade, de imediato iniciaram um movimento do sentido de não ser permitido o aborto (e que, portanto, não se tratou de um movimento religioso?)?
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa. O que me disseram é que tudo não passa de um preconceito religioso, e portanto, é isso que eu repito".
10. Como se poderá justificar, de um ponto de vista lógico e racional (que é aquele a que V. Exas. nos habituaram) que, sem que seja necessário apresentar qualquer justificação e até independentemente da vontade do pai, se possa interromper este trajecto que, naturalmente levaria este novo ser VIVO (tão vivo como qualquer outro ser vivo da natureza) e HUMANO (tão humano com eu ou V. Exas.) que já existe, tem coração que bate e corpo que sente a dor, ao nascimento? Se este novo ser humano existe, nao percebo como se pode deixar à consciência de cada um fazer-lhe parar o coração que já bate.
Quem não considera um aborto um acto incorrecto teria que responder, para ser coerente: "Isso não me interessa. Eu posso decidir quem vai ser feliz ou não; quem vai ser pobre ou rico; quem vai ser amado ou não; quem vale a pena que viva ou não. Eu tenho essa capacidade visionária, eu tenho esse poder". Não preciso de lhe lembrar onde e quando é que este tipo de raciocínio já foi aplicado, pois não...!!!???
Deixe-me que lhe diga que considero vergonhoso que qualquer país tenha como resposta para as grávidas em dificuldade: "Vá ali ao hospital, faça um aborto e depois vá para casa descansada". Sei que o acto em causa traumatiza fortemente quem o pratica e a sua legalização não elimina esse trauma.
Defendo uma sociedade solidária, que apoie as pessoas em maiores dificuldades e que não as abandone e as empurre para uma cama de hospital para fazer um aborto.
Considero que o Estado falha quando empurra uma mulher para o aborto e não lhe pergunta e não lhe proporciona o que ela necessitaria para não abortar.
Mas se calhar sou muito exigente...!!!
Luís Gagliardini Graça
publicado por quadratura do círculo às 18:47
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João Almeida - Governo electrónico

Caros Senhores,
Sobre o tema do governo electrónico e no seguimento dos comentários do programa anterior gostaria de saber a vossa opinião sobre a forma como se tem tratado esta iniciativa pelo actual governo.
É certo que neste momento existe uma estratégia de e-government mas a sua concretização tarda. Principalmente a integração electrónica dos organismos de forma a que a interacção cidadão/estado seja simples, mais barata e eficiente.
Na minha opinião, a maior dificuldade é atingir um entendimento sobre a forma de interligar os diversos organismos que têm agendas muitas vezes incompativeis. O que me leva a pensar se este tipo de projecto não deveria ser abordado como uma prioridade politica liderada ao mais alto nível (como no Reino Unido), criando uma comissão do tipo da Expo, como foi o caso da Catalunha.
Para terminar, gostaria de vos dar os parabéns pelo vosso programa que acompanho com interesse desde que iniciaram as vossas intervenções no Flashback da TSF.
João Almeida
publicado por quadratura do círculo às 17:54
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Diogo Guimarães Roquette - Directos Mórbidos

Parabéns pelo programa que eu já ouvia na TSF. É muito agradável assistir a uma discussão civilizada e inteligente.
É revoltante a forma como as televisões – para ganhar umas migalhas de “share” - exploram o pior do que existe na raça humana: o interesse de assistir em directo à morte um rapaz de 24 anos, a vontade de conhecer um miúdo que foi violado aos 11 anos, uma ponte que cai resultando em dezenas de mortos e que faz as delicias de uma audiência ávida de sangue e de accionistas ávidos de dinheiro, tudo sem sombra de decência.
Perguntar se as televisões agem desta forma porque o público é doentio ou se o público é assim porque as televisões o induzem a ser parece ser uma discussão estéril; é o mesmo que questionar o que é que apareceu primeiro se o ovo ou a galinha.
Tendo em conta o que foi dito esta semana pelo Senhor Presidente da República, num discurso feliz sobre as leis e o alerta que foi feito pelo mesmo de que estas não são “meras sugestões”, pergunta-se: para quando a feitura de normas que venham acompanhadas de previsões verdadeiramente punitivas e, assim, verdadeiramente dissuasoras das violações dos “diversos segredos”, que, infelizmente, acabam por ser compreendidos e aceites entre nós apenas como “meras sugestões”?
A propósito, tendo em conta o que se tem passado nos últimos tempos, será que a Alta Autoridade para a Comunicação Social ainda existe? Será que só aparece quando se trata de impedir a eliminação ou reestruturação do canal televisivo do Estado? Canal este que, por seu lado, acaba por ter um comportamento igual aos outros e, por isso, torna a sua existência despida de sentido como canal de referência ou de refugio. Será que aquela “autoridade” só aparece quando estão em causa interesses mais ou menos escondidos? Será esta a sua função? O que pensa aquela “autoridade”, se é que ainda existe, da entrevista e das conferências de imprensa, dadas em directo, por uma foragida com prisão preventiva decretada, isto logo após ter realizado com as nossas autoridades um feito de natureza verdadeiramente tauromáquica?.
Para quando o acordar das consciências para o facto que as tragédias não são um acontecimento meramente abstracto, que atrás delas estão pessoas que permanecem vivas e em sofrimento e que vêem esse sofrimento potenciado pelo facto de o mesmo ser amplamente falado e comentado em público por elementos que elas desconhecem e que, por isso, nada lhes dizem. O que seria de nós, comuns dos mortais, se tivéssemos de enterrar o pai, a mãe ou um irmão, dezenas, ou mesmo centenas de vezes, ao vivo, em directo ou em diferido, para satisfação de todos?
Diogo Guimarães Roquette
publicado por quadratura do círculo às 17:48
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