Segunda-feira, 12 de Abril de 2004

Quirino da Costa (Adaptação) - Arruaça de Marco de Canavezes, vista por Eça de Queiroz

Portas já esboçara o plano dessa liquidação do Torres. Queria expulsá-lo do Partido, depois daquela tremenda arruaça que ele armara no estádio de Marco de Canavezes, daquele pontapé na mesa do quarto árbitro. Tudo dado ao vivo na televisão...
Xavier esfregava as mãos:
- Queres então demolir o nosso Torres?
- Sim, é necessário acabar com estes casos. Chega a ser ridículo um partido cristão como o nosso sempre às voltas com incidentes originados por esse sujeito. Conto contigo para uma diligência junto do Torres, uma explicação digna que aquiete este escândalo.
A etiqueta política reclamava porém uma outra pessoa e Xavier lembrou o Diogo Feyo, moço prudente e maleável.
Foram então os dois à quinta do Torres, uma delas, e viram-no logo, no corredor, em cuecas com um camuflado de caça na mão.
- Oh Xavier, oh doutor, é você? Entre para aqui, homem! Que diabo, estou a vestir-me para ir às rolas, já estou de cuecas!
Embaraçado com estes brados de intimidade e tanta efusão, Xavier ergueu a voz da sombra do corredor, gravemente:
- Não tem problema, nós esperamos.
Torres insistia, à porta, em cuecas e camisa de camuflado:
- Venha você, homem, que diabo! Deixe-se de etiquetas, estamos no Minho; não tenha vergonha, já estou em cuecas!
- É que há aqui uma pessoa de cerimónia, atalhou Xavier para findar.
Esperaram uns minutos e Torres apareceu em camisa aos quadrados e calças de ganga. Ao ver Diogo Feyo, atirou risonhamente os braços ao ar:
- Então esta é que é a pessoa de cerimónia? E eu a vestir calça e camisa! Por pouco que não lhe afinfo com fato e gravata!
Xavier atalhou, muito sério:
- O Dr. Diogo Feyo não é de cerimónia, mas o motivo que nos traz aqui, Avelino, é sério e grave.
- Que diabo é isso? Sentem-se e digam lá ao que vêm, Senhores doutores.
Xavier então, muito solene, explicou:
- Você, oh Torres, sabe bem os prejuízos que causou ao Partido com aquele pontapé na mesa do 4º árbitro.
- A mesa é minha, fui eu que a paguei, ora essa. Isso é tudo mentira!
- Mesa sua ou não, mentira ou verdade, o caso é este: Portas quer que você se desculpe ou se demita.
Torres, num esforço de dignidade, exaltado e gesticulando, retorquiu:
- Desculpar-me? Ora essa! Eu sou lá homem que me desculpe.
- Perfeitamente, respondeu com calma Xavier. Então, demite-se!
Torres cambaleou, desvairado:
- Qual demitir-me! Eu sou lá homem que me demita! Eu cá é a soco e a pontapé! Que ele venha para cá, não tenho medo dele. Arrombo-o!
E dava saltos, punhadas e pontapés na mobília. Era o que faltava demitir-se, com toda a comunicação social a gozar o espectáculo.
Então Xavier, como se a sua missão ali tivesse findo, levantou-se e declarou solenemente, em nome do Presidente do Partido, que a partir de hoje deveria o Torres considerar-se demitido e expulso do Partido e que não teria o apoio para a candidatura a Amarante.
- Não me vão apoiar? A mim que já gastei um dinheirão em cartazes e outdoors? Oh António, oh António, você, que é meu Amigo, livre-me desta entaladela.
E relembrou as caçadas em coutadas espanholas e as jantaradas em campanhas eleitorais, regadas a verde Alvarinho, por sinal bem caro.
Xavier foi generoso e compreensivo. Torres devia fazer emitir um comunicado da Comissão Concelhia, a desculpar-se.
- Você está perturbado, Torres. Eu mesmo redijo, até trouxe o portátil! Você depois leva isso à Comissão Concelhia, para aprovação.
- Está bem, está bem, deixe os gajos da Comissão comigo, eles concordam sempre com o que eu quiser.
Começou então Xavier a redigir o rascunho, enquanto Torres desbafava com Feyo:
- A verdade é que o sacana do árbitro fartou-se de roubar! Dois penalties e um golo anulado! A culpa é dos filhos da puta que os nomeiam.
E, torrencial, rompeu em diatribe prolixa contra o sistema.
- Até tratei bem o árbitro. É tudo mentira, é tudo mentira, são uns mentirosos! A culpa é desses gajos de Lisboa.
Justamente Xavier ajustava o monitor, relia o que havia escrito.
- Está óptimo, fica tudo salvo. Ouçam lá:
Tem a Comissão Concelhia do Marco de Canavezes do Partido Popular ocasião de esclarecer que o seu Presidente Avelino Torres se excedeu ao pontapear a mesa do 4º árbitro, posto que essa peça de mobília seja de sua propriedade. A desculpa única para essa despropositada acção está em que se encontrava no momento no mais completo estado de embriaguez...
Parou e dirigiu-se a Diogo Feyo:
- Acha talvez forte? Eu redigi assim por ser a única maneira de ressalvar a dignidade do nosso Torres.
E desenvolveu a sua ideia. O partido não podia aceitar que, num comunicado público, Torres admitisse que "fizera arruaça por ser arruaceiro". Era necessário explicação melhor. O caso era grave. Houvera quem defendesse - o Pacheco, no programa da SIC - que a solução deveria ter sido a GNR pura e simplesmente ter dado voz de prisão ao Torres. Ele, Xavier, ainda ousara uma explicação mais branda, que não pegava, porém. É verdade que todos os Domingos, nos milhares de jogos que se realizam no País, há incidentes do género, pontapés, insultos, cabeçadas e murros. Só que não fora possível encontrar precedentes com Presidentes de Câmara, nem sequer com simples vogais de junta de freguesia, de preferência da oposição. Vasculharam os arquivos da Televisão - o Morais Sarmento fora impecável, confirmando mais uma vez a solidez da coligação. Nada! Nem um único autarca, da maioria ou da oposição, fora apanhado a cometer desacato do género. Um jornalista amigo dissera que, uma vez, no Estádio do Mar, ouvira Narciso a chamar, entre dentes, "filho da puta" e "cabrão" ao árbitro, mas não tinha ficado registo sonoro. Não serviria para nada o testemunho.
Era pois necessário dar à arruaça uma dessas causas fortuitas e ingovernáveis que tiram responsabilidade às acções.
Que melhor para um autarca viril e caçador do que estar bêbado? Não era vergonha para ninguém embebedar-se. O próprio Portas, todos eles ali, homens de gosto e de honra, se tinham embebedado. Sem remontar aos romanos, onde isso era uma higiene e um luxo, muitos grandes homens da História bebiam demais. Em Inglaterra, era tão politicamente correcto que Blair, Cook e outros, labours e tories, nunca falavam nos Comuns senão aos bordos. Do Douro para cima, autarcas de todos os partidos intervinham nas reuniões de Câmaras e de assembleias municipais completamente grossos. E quanto às Regiões Autónomas...que bêbados! Em suma, o Poder Central, o Poder Regional e o Poder Municipal tudo fervilhava de piteiras.
Ora, desde que Torres se declarava borracho, a sua honra e a do Partido estavam salvas. Era um autarca de bem que apanhara uma carraspana e cometera uma arruaça. Nada mais!
- Pois não lhe parece, Diogo?
- Sim, talvez, que estava bêbado...
- Pois não lhe parece a você, francamente, oh Torres?
- Sim, sim, que estava bêbado!
Imediatamente, Xavier retomou a leitura do comunicado:
A Comissão Concelhia dá conhecimento que se por acaso tornar o nosso militante a fazer nova arruaça no futebol não deve o País dar mais importância do que a que se dá a uma involuntária baforada de álcool, pois que, devido a um hábito hereditário que reaparece frequentemente na família Torres, o nosso militante encontra-se repetidas vezes em estado de embriaguez ...
Fechou o PC, acendeu o cigarro e explicou, com bonomia, o que o determinara àquela confissão de bebedeira incorrigível e palreira. Fora ainda o desejo de garantir a tranquilidade do "nosso Torres".
- Você, Torres, tem génio, tem língua! Um dia, no estádio do Marco, no campo do Perafita, no Perosinho, sem querer, depois de um offside mal assinalado, lá lhe escapa um biqueiro num guarda republicana, um empurrão num fiscal de linha. Sem esta precaução, aí recomeça tudo, a demissão, a expulsão, lá se vai a candidatura a Amarante. Assim, o País não se pode queixar. Lá está a explicação que tudo cobre, um copo a mais, tomado por um impulso de borrachice hereditária. Você alcança deste modo a coisa que mais apetece neste início de século XXI, a irresponsabilidade política! E depois, para si, não é vergonha nenhuma porque você não é nenhum menino do copo de leite!
- Lá isso não. Lá isso não sou.
E sairam os três para a caça às rolas.
(Adaptação de Quirino da Costa)

publicado por quadratura do círculo às 18:38
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Gabriel Rafael Guerra - Caminhos de Paz

Muita gente ficou estupefacta com a posição do Dr. Mário Soares sobre o
diálogo a ter (ou a diplomacia a haver) com os fundamentalistas radicais.
Há dois registos importantes de críticas sobre tal posição. Uma de desnorte,
outra de apreensão.
O desnorte veio de puro e simplesmente não vir nos manuais do "politicamento
correcto" qualquer referência a esta posição, vinculada que estava a ser por
alguém vindo de um sector moderado e esclarecido da politica internacional (de
que faz parte O Dr. Mário Soares). Este núcleo é, por muito que custe aos
sectores mais belicistas da sociedade internacional, reputado como sábio
(tendo já ajudado, de facto, a regular muitos conflitos). Daí o (duplo)
desnorte.
A apreensão, ela, veio do outro sector, ou seja, daquele que reconhece o
esforço de pacificação dos conflitos como essencial ao mundo complexo e
violento em que a nossa época se vê mergulhada. Este sector via (e ainda vê)
na retaliação (militarmente) musclada ao fundamentalismo um mal menor, mas,
apesar de tudo, incontornável.
Ora, muito estranhamente, mais do que a indignação ou a reprovação, o que
falou mais alto (dos dois quadrantes) foi o silêncio. E um silêncio, que não
pesado, nem depressor, mas, curiosamente: leve (tendo em conta o conteúdo e a
questão). Lufada de ar fresco? Desconcerto?
Talvez tenha, então, o Dr. Mário Soares criado condições para três coisas
que nenhum politico português (até agora) fez ou poderia ter feito
(exceptuando, talvez, o Dr. Freitas do Amaral, com curriculo e prestígio na
politica internacional):
1º) Rompeu, discursivamente, com a lógica (o círculo vicioso) da espiral de
violência (e terror) em que estamos mergulhados, não só mediaticamente e
simbolicamente, como militarmente.
2º) Permitiu que se começasse a escutar e a pensar-se na possiblidade do Outro
ter argumentos e legitimidades politicas que ultrapassam o mero quadro de
representação ocidental do Mesmo, ou seja, que se redefinisse a moldura
intelectiva da avaliação do conflito (ocidentalo-cêntrica). Com isso
sublinhando que não faz sentido, por enquanto, moldar o conflito através de
(tentativas de) endoctrinação ideológica, pró ou contra-democracia, pro ou
contra-fundamentalismo, visto haver, de facto, do outro lado uma agudização e
até uma estratégia bem sucedida de constantes ganhos políticos (de que
ninguém pode já contestar a evidência). Veja-se, como exemplo, como o Iraque
está a passar de um tempo de alívio politico (pós-Saddam) a um de inferno
interno anti-americano e anti-ocidental.
O Dr. Mário Soares conseguiu assim, muito habilmente, criar um quadro
referencial e discursivo que permite, este sim, insuflar algum prestigio e bom
senso para que o modelo democrático, tolerante e universalista, possa ser
considerado como tal (do outro lado). Sem eventuais interlocutores credíveis
não pode nunca haver uma diplomacia de Paz que possa reconquistar terreno e
simpatia junto da grande massa de muçulmanos no mundo árabe.
3º) Conseguiu pôr Portugal no mapa da diplomacia de Paz, e não
(exclusivamente) no da diplomacia de Guerra, salvaguardando assim os interesses
nacionais e alguma da integridade fisica e territorial que daí possa advir aos
nossos cidadãos. Quanto a este último ponto, e num país sem quaisquer
tradições anti-terrorristas, é no mínimo irresponsável que se tenha já comprometido a
integridade territorial, nacional, e sobretudo física, dos cidadãos, sem se
ter primeiro assegurado o mínimo dos mínimos. Portugal não estava preparado,
continua a não o estar, e não o estará num espaço de tempo que se deseja
curto (senão imediato) para a defesa anti-terrorista. Ou seja, entrou-se numa
guerra sem se estar preparada para ela. Guerra, além do mais,
ultra-sofisticada, e da qual nos escapam (logisticamente, para haver
eficiência) muito dos seus contornos. Contornos estes, repita-se e reitere-se,
com uma escala de horror ainda nunca vistos, tanto quanto à sua
imprevisibilidade como à sua dimensão.
É sintomático que nenhum dos sectores que tem obrigações e responsabilidades
perante a Polis tenha assumido sem ambiguidades a verdade desta realidade. Mas
enganaram-se também aqueles que julgavam que a opinião pública era uma
entidade amorfa, sujeita a fáceis manipulações ou intoxicações ideológicas, e que, sobretudo, não era capaz de ver para além da cortina de
fumo das meias-verdades e das meias-ocultações.
O capital de simpatia que a prática diplomática de Portugal, face aos paises
árabes, o seu cunho pacifista e universalista, que emergiu do 25 de Abril,
está, hoje, a ser dilapidado sem que se perceba qual a vantagem real ou
contrapartida que daí possa advir.
Se a "operação-Citigoup" é o prémio, ele é bem magro. Face ao futuro
desconhece-se quais os possíveis benefícios. Quanto ao momento presente,
apresenta-se grave; e o discurso e posturas vigentes ao arrepio do bom senso
(exigidas que deveriam ser alguma contenção e bastante prudência).
Gabriel Rafael Guerra
publicado por quadratura do círculo às 18:15
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Terça-feira, 6 de Abril de 2004

Luís Conceição - Cultura e Património

Pouco se fala de Cultura e menos ainda de museus, palácios e monumentos. A Páscoa é uma época em que a Comunicação Social, e não só, aproveita para "bater" nos funcionários destes serviços. Por isso, talvez não seja má ideia ouvir-vos falar sobre Cultura e Património.
Luís Conceição
publicado por quadratura do círculo às 12:20
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Manuel Alfredo Monteiro Duarte - Livro de José Saramago

Gostaria de manifestar o meu desagrado acerca dos comentários negativos proferidos por dois dos comentadores concernentes ao novo livro de José Saramago. Não tenho nenhuma filiação partidária, nem tão pouco simpatias políticas, pelo que me posso considerar completamente isento. Além do mais, sempre vivi em democracia, uma vez que nasci depois do esforço que esses nossos patrícios desenvolveram para a restauração dos valores da liberdade de opinião e da liberdade criativa, que constituem, a meu ver, as bases de qualquer moderna democracia. O livro do dito escritor não é uma irracionalidade, nem tão pouco o reflexo do ódio que este possa nutrir pela sociedade e pela sua ordem. Antes penso ser um exercício de confronto de ideias e de acicatamente dos ânimos que por este país são tão timoratos. Por isto, não julgo serem legítimas as críticas proferidas, ainda mais sabendo-se que os ditos senhores têm cores políticas que já noutra ocasião serviram de forças de bloqueio à expansão da nossa cultura e afirmação internacional.
Em casos em que a cultura e a arte estejam em jogo, devemos manter-nos acima da neblina partidária que por vezes obnubila e tolda de razão todos os que se dizem os pilares e os faróis da nossa sociedade.
Tendo manifestado este meu desagrado e mais uma vez salientando a minha condição apartidária, gostaria só que por vezes se pensasse um pouco mais na obra e no legado que certas pessoas nos deixarão do que em meras questiúnculas como as cores partidárias e as opções políticas, legítimas ou não, de alguém que por certo nas gerações futuras será lembrado e lido. Esta é a sina de alguns predestinados - a geração de controvérsia ou a idolatria.
Manuel Alfredo Monteiro Duarte
publicado por quadratura do círculo às 12:11
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João Calado - Equilíbrio

Concordo com a observação de Áureo Soares. O programa é bom, os comentadores são bons, mas sobretudo desde que se tornou a 'Quadratura do círculo' as conexões partidárias tornaram-se mais ostensivas, ao que penso não será alheio o facto de o governo ser de coligação. A entrada de um comentador à esquerda, com iguais méritos pessoais, só iria ser benéfica para o programa. O José Magalhães faz um esforço para representar OUTRAS posições, mas não é suficiente. As divergências entre o Pacheco Pereira e o Lobo Xavier são, o mais das vezes, decorativas. Ainda que o governo em funções fosse socialista, a questão mantinha-se. Não se trata de representação parlamentar, mas de idéias sobre as questões essenciais, e sobre elas há muitas e muito diferentes à esquerda do PS. Só assim o programa seria realmente representativo e contraditório.
João Calado
publicado por quadratura do círculo às 12:02
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2004

Luís Leonardo - Compreender Terrorismo

«É sobretudo o ódio de partido
Que ao extremo horror as coisas leva»
Goethe

Frei Bento Domingues dizia na edição do Público de 28 de Março que «os seres
humanos enganam-se quando evitam fazer perguntas incómodas». Levanta de
seguida uma pergunta: «Onde terá falhado a guerra contra o terror islâmico?»
Não sei o que Frei entende por perguntas incómodas e não sei se a que
levanta é, de facto, uma pergunta incómoda. Pressionados pelos
acontecimentos recentes, as perguntas que vemos fazerem-se são quase todas
de estratégia ou de táctica de combate ao terrorismo (e os ismos como
sabemos são todos sectários ou se quisermos são a perspectiva que se julga
visão total) o que significa que são perguntas secundárias em termos de
compreensão de uma realidade multicultural. A compreensão terá de passar
necessariamente por questões de carácter antropológico que nos conduzam a
uma visão científico-filosófica do homem, por um lado, e, por outro ao
entendimento histórico de como o Ocidente se superiorizou pela ciência e
pela técnica e como a partir daí manteve uma relação de poder dominante. Até
hoje sempre lhe foi possível, pela doutrinação, pela força pura e dura, umas
vezes, outras aliada à diplomacia, gerir situações de vantagem. Progredimos
em meios científicos e técnicos que aproveitámos para manter o poder ao
mesmo tempo que politicamente se instaura a democracia a par da proclamação
de valores ditos universais que na prática apenas se aplicam aos
proclamantes.
O fenómeno actual não é no essencial novo mas é-o na sua manifestação e nos
seus efeitos, nomeadamente, pelo acesso ao poder de destruição do
contrapoder. O mundo tornou-se demasiado pequeno e gostemos ou não do
vizinho ele está ali e ou aprendemos a viver juntos ou lutaremos numa luta
de morte. Claro que podemos construir muros, cercas de arame, fronteiras mas
sabemos de antemão o seu destino. Se houver paraíso todos vão querer lá
estar... a menos que se arranjem por aí uns infernos onde se coloque um
Lúcifer à frente com uma esquadra de anjos da morte. O Titanic também tinha
um compartimento para ricos e para pobres até ao dia em que se afundou.
Para todos (incluindo jornalistas e políticos) que têm dificuldade de
compreender o terrorismo porque a ideologia lhes enviesa o olhar seria de
máxima utilidade a leitura do capítulo X – OS RATOS - da « A Agressão uma
história natural do mal». Pode ser que descobrindo as nossas ancestrais
raízes possamos encontrar na cultura a sobrevivência a que parecemos
condenados pelos ditames da natureza.
Luís Leonardo
publicado por quadratura do círculo às 15:18
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