Segunda-feira, 3 de Maio de 2004

Diogo Morais Sarmento Xavier Madureira - 30 anos do 25 de Abril

(...) A intencionada e interessada falta de coerência histórica e ideológica e de honestidade com que se associa o CDS à extrema-direita é a mesma com que a esquerda,
sobretudo a mais radical, se "apropria" do 25 de Abril, tomando-o como uma
conquista exclusivamente dela. Esquece todavia, e com descaramento
indignante, o esforço que fez para a transformar numa Revolução Comunista e
assim marcar o início da experiência totalitária Portuguesa, traindo dessa
forma a orientação democrática e libertadora da revolução. Como se não
bastasse ignora, também propositadamente, o contributo que para isso deram
não só os partidos, mas também todas as forças sociais tradicionalmente mais
próximas da direita, particularmente a Igreja Católica.
Não deixa todavia de ser curioso, e um tanto ou quanto paradoxal, que
tenha sido precisamente o bloqueio e a destruição da intentona comunista que
permitiu ao 25 de Abril ser hoje sinónimo de Liberdade e Democracia bem
como de Evolução!... Pode parecer estranho, dada a imagem que se construiu
ao longo de todos estes anos, mas é indiscutível que a derrota do comunismo
correspondeu à vitória de Abril e dos princípios que representa. Sob este
ponto de vista, o sucesso do 25 de Abril (atenção, não me refiro às
actividades militares e de operacionalização do golpe de Estado e da
Revolução mas aos seus efeitos, ao seu contributo para a Democracia) e a
sociedade livre e aberta em que hoje felizmente vivemos deve muito mais ao
CDS do que ao Partido Comunista. E também sobre este aspecto nunca é demais
recordar o contributo dado por todas as forças moderadas, inclusivamente e
sobretudo pelo PS e pelo Dr. Mário Soares, dada a força e o apoio
maioritário de que gozavam.
Deste modo, e no âmbito da polémica instalada sobre o termo Evolução
para as comemorações deste ano, estou absolutamente convencido de que sem a
derrota a 25 de Novembro de 75 daqueles que hoje se apresentam como os Pais
da Revolução, que dizem ser os únicos legítimos representantes do espírito
de Abril, e que se assumem até – diga-se que com uma desonestidade
intelectual e histórica atroz – como paladinos da Liberdade, mesmo
defendendo na altura, um projecto socialista que imporia a Portugal um
regime totalitário ainda mais castrador das liberdades do que o anterior;
sem a derrota desses, estejamos certos de que Portugal não seria nada
daquilo que é hoje. Quanto muito, faríamos parte, juntamente com os países
de Leste, do grupo de nações que hoje se perfila para entrar na União
Europeia.
Na minha perspectiva, ao tirar o "R" e empregar "Evolução", está a
querer dizer-se que foi precisamente a ausência ou o fim da Revolução –
entenda-se novamente, do poder revolucionário e não da Revolução do dia 25
de Abril propriamente dita – que permitiu a Portugal evoluir. Se assim for,
fica claro que esta iniciativa do Governo não era inocente, mas embora até
concorde com a justificação, não acredito que tenha estado por detrás disto.
De qualquer forma, Abril é Evolução porque Novembro aconteceu!
Diogo Morais Sarmento Xavier Madureira
publicado por quadratura do círculo às 18:29
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Gabriel Rafael Guerra - Ex-combatentes

O CDS-PP conseguiu impôr uma das suas promessas eleitorais indo
fazer beneficiar mais de um milhão de pessoas ex-combatentes com uma verba
global de 700 milhões de euros a ser repartida por 15 anos (vide artigo do DN
de 26 de Abril).
Passados 30 anos sobre o derrube do regime militarista e fascista, o regime
democrático vem assumir, portanto, a responsabilidade do Estado Português em
indemnizar aqueles cidadãos que combateram na Guerra Colonial, isto, claro, a
favor do antigo regime. Sendo militares em exercício fora do território
nacional "continental" combatiam em África os movimentos de resistência, ou
seja, em última instância, qualquer cidadão que activamente (militarmente, e
não só) lutava pelo direito à independência e soberania dos territórios
colonizados. Esta soberania, negada pelo Estado Português de então, era, no
entanto, já reconhecida pela ONU, e, muito curiosamente, eram apelidados
(relembre-se) tais movimentos e pessoas (também) de «Terroristas».
A guerra é a maior calamidade que a humanidade pode enfrentar, mas não o é
só (!) para o agressor, como, sobretudo, para o agredido.
Sendo assim, há duas questões preocupantes que deixam perplexos qualquer
observador isento (e/ou externo):
1º) Por que razão o regime democrático não se preocupa primeiro em
indemnizar as vítimas da guerra colonial perpetuada pelo antigo regime?
Relembre-se, neste contexto, a polémica que envolve o Japão e a Coreia do
Sul (e, claro, a China), negando-se ainda o primeiro, contra a sua própria
opinião pública (e a opinião pública mundial) a indemnizar as vítimas das
atrocidades sem fim cometidas pelo (também) regime militarista e fascista
japonês.
2º) As vítimas da guerra colonial, hoje, cidadãos de pleno direito nos seus
respectivos países, eram, no entanto, à data da guerra, cidadãos portugueses
de pleno direito, tendo assim o Estado Português obrigações,
responsabilidades e contas a prestar (de facto) perante tais pessoas.
Que os valores da Liberdade e da Independência não tenham qualquer preço, ou
não
possam ser quantificáveis, entende-se; que estes sejam (de facto) a maior
recompensa para quem deu a sua vida (e a dos seus familiares) em prol dos
mesmos, sabemo-lo, e todos o deveriam homenagear, no entanto, se o Estado
Português quer compensar as vítimas da guerra colonial (e todas, o que é
justo), então, é (deveras) infame que sejam os agressores e não os agredidos
os primeiros a serem contemplados, como aliás (também) ingrato que sejam os
cidadãos (aqueles "portugueses") que recusaram a ignominia da guerra, e por
isso foram torturados, exilados, perseguidos, ostracizados pelo antigo regime a
serem preteridos sobre os outros.
A haver indemnizados, constitui uma grande imoralidade esta inversão
de prioridades, e, a não haver sequer no horizonte discursivo da Polis
qualquer reflexão sobre esta imoralidade, de facto desonroso (senão
vergonhoso) este esquecimento.
Gabriel Rafael Guerra
publicado por quadratura do círculo às 18:22
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