Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

Jorge Manuel M. R. Costa - O Boca Doce

O verdadeiro líder da coligação CDS / PSD, Paulo Portas, falando sobre o novo Orçamento de Estado disse que era muito bom para as famílias, do avô ao bebé, e que a esquerda tinha ficado surpreendida.
A haver surpresa é no completo despudor e na capacidade infinita de demagogia da maioria ao dizer, sem se rir, que este é um orçamento feito em benefício das famílias.
Imagine-se como as famílias ficam beneficiadas quando lhe são retirados instrumentos que ao mesmo tempo que poupavam para a reforma ou para aplicarem na habitação lhes baixava a sua despesa fiscal.
Compare-se a carga fiscal dos grandes grupos económicos com centenas de milhões de euros de lucro em sede de IRC, 15 por cento com os 10,5 por cento de IRS que paga uma família que pouco mais ganha que o salário mínimo nacional.
Para se ter uma ideia do benefício que os contribuintes que pagam, os mesmos de sempre, vão ter nos rendimentos mensais, até 16.317 euros anuais (1.165,5 euros mensais) ou falando em escudos 3.271,3 contos anuais (233,7 contos mensais) a baixa irá no máximo aos 81,6 euros anuais (16,4 contos) ou seja 22 cêntimos ou 44,8 escudos por dia, menos que uma bica ou um jornal diário.
Imagine-se como os pagantes vão ficar felizes. Pelo seu volume, esta baixa no IRS contrariamente às declarações ministeriais, quase podia ser considerada um ataque à estabilidade familiar, já imaginaram as violentas discussões que vão acontecer até haver acordo na aplicação desta suculenta poupança.
Num país em que a taxa de natalidade está em decréscimo, veja-se a relevância que Paulo Portas dá à descida do IVA nas fraldas - há casais que já estão a pensar ter mais filhos para beneficiarem desta ousada medida de incentivo à natalidade.
A consolidação orçamental está cada vez mais longe de ser conseguida, apesar do apertar do cinto dos portugueses, o défice em vez de diminuir aumenta, aproxima-se perigosamente dos 6 por cento, e só é compensado com as medidas extraordinárias.
Depois de o primeiro-ministro e o ministro das finanças, em entrevistas televisivas, terem afirmado que este ano seria o último em que este expediente seria utilizado para enganar Bruxelas mudaram de opinião, o que tem sido frequente, e agora já continuam até 2007.
Manuela Ferreira Leite vendeu os anéis, o governo de Portas e de Santana Lopes vai vender os dedos.
Bem avisado anda o governo ao querer criar uma central de comunicação, para além de criar emprego para os militantes dos partidos que o apoiam, poderá ter mais êxito nas suas tentativas de mistificação da realidade e na manipulação dos órgãos de comunicação social. Intervenções à Rambo como a do ministro Rui Gomes da Silva já não se usam na Europa, só já se verificam em países do Terceiro Mundo.
Com a colocação de homens de mão em lugares chave das administrações dos media, como se tem vindo a verificar, e acção conjugada da tal central de comunicação pode ser que o governo eleve a sua capacidade propagandística, já que da governativa já nada há a esperar.
Uma coisa é certa, pode enganar-se muita gente durante algum tempo mas é impossível enganar toda a gente durante o tempo todo. Mas a perspectiva de quem nos governa é de curto prazo, enquanto pau vai e vem folgam as costas, e assim vão aproveitando enquanto podem.
Quem sofre é o povo: aumento do desemprego, aumento do custo de vida, reformas e salários de miséria, o sistema educativo completamente à deriva e os ricos cada vez mais ricos.
Pelo que conta a revista Sábado de 15 de Outubro passado, Pedro Santana Lopes ainda poderá vir a ser acusado pelos empresários da noite lisboeta de concorrência desleal, pois o jet set do croquete trocou as noites nas Docas pelas do Palácio de S. Bento completamente de borla, um must, tudo à custa do erário público.
É fartar vilanagem!
Houve um congresso em que um seu correligionário, hoje um elemento âncora na Quinta das Celebridades, o autarca Avelino Ferreira Torres disse que era contra os meninos copos de leite que se preparavam para assaltar a direcção do Partido - referia-se a Paulo Portas e Luís Nobre Guedes.
Vendo agora as coisas à distância, o primeiro deve sentir-se profundamente injustiçado: pelo sound byte produzido no comentário ao Orçamento de Estado de 2005, assenta-lhe melhor o epíteto Boca Doce.
Jorge Manuel M. R. Costa (membro do Secretariado da Federação Distrital de Portalegre do PS)
publicado por quadratura do círculo às 12:56
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004

Ricardo Fontes - SCUTS e contas

Como o vosso tempo é precioso, não me alongarei em explicações, mas como Técnico Oficial de Contas efectuei cálculos sobre as necessidades para financiar as SCUT. Com base no número de veículos segurados e o valor da factura a pagar anualmente as SCUT, chega-se a conclusão que seriam necessários apenas 120 Euros em Imposto de Circulação para arrecadar esse montante. Assim poupavam-se os custos de introdução de portagens e a mais valias fiscais que o Estado irá obter com o IVA, IRC dos concessionários e IRC de tributação autónoma das restantes empresas, evitando retirar competitividade as empresas portuguesas, já penalizadas em quase todos os factores produtivos.
Estou certo que mesmo aqueles que não frequentam regularmente as autoestradas aceitariam mais facilmente esta medida, justificada com uma boa rede viária nacional e um serviço eficiente do INEM. É mais fácil o automobilista pagar 120 Euros a mais de IC e poder usufruir livremente da rede viária.
Ricardo Fontes
publicado por quadratura do círculo às 17:10
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Paulo Jorge V. Santos - Ética, competitividade e código laboral...

Há dias um responsável da empresa onde trabalho repreendeu uma colaboradora por ter chegado 40 minutos atrasada depois desta ter alegado um problema com o filho. A resposta foi de que a "empresa não tem nada a ver com a vida particular das pessoas". Não sei se foi o filho ou não, mas admitamos que sim.
Este episódio é o mote para dirigir algumas perguntas, tendo o novo código laboral como pano de fundo, a saber:
1) A pessoa é uma peça menor do sistema em nome duma totalidade anónima?
2) O darwinismo social é uma fatalidade das sociedades actuais?
3) A resposta está no individualismo?
4) O meu lucro está na proporção directa do prejuízo do outro
(competitividade)?
5) A competitividade é boa ou nefasta? Em que condições é uma coisa ou
outra?
6) É o novo código laboral a melhor maneira de gerir as fragilidades da
pessoa e as disfunções dos sistemas?
7) Deve um governo, ou não, ter autoridade para modificar as forças do
mercado (como faz o sueco) no sentido de estimular a conformidade com os
objectivos sociais?
Subscrevo a necessidade de operar mudanças nas relações e comportamentos em ambiente laboral. Mas não estará a haver liberalismo e Lei e Ordem Natural (A. Smith) em demasia? Não há reciprocidade na ética dos comportamentos entre os diferentes agentes duma empresa? A família, os filhos, o acompanhamento, a educação, etc., são coisas menores em prol da
competitividade?
Não sei este email está conforme com o espírito deste espaço ou do programa.
Em todo o caso, ficam as questões que gostaria que fossem abordadas no
programa a propósito das várias questões debatidas.
Paulo Jorge V. Santos
publicado por quadratura do círculo às 17:03
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Fernanda Valente - Joana Não Desejada

A morte da pequena Joana remete-nos novamente para a problemática da interrupção voluntária da gravidez. É óbvio que a Joana foi um filho não desejado, fruto de uma relação ocasional, relação essa que teve como cenário um quadro sócio-económico de extrema pobreza, o que por si só não justifica a atrocidade que rodeou a sua morte, mas que, por cúmulo, envolveu progenitura da mais baixa índole de que um ser humano pode dispor, seres menores, desprovidos de classificação em toda e qualquer escala de valores, enfim acervos da maior mediocridade que possamos imaginar. As crianças, pelo seu próprio estatuto de seres indefesos, são maioritariamente vítimas da sociedade que as viu nascer, uma sociedade cada vez mais despida dos valores mais básicos, como sejam o respeito pelo seu semelhante, a justiça, a igualdade de direitos e muitos outros; sociedade fundamentada em critérios existenciais absolutamente aberrantes (pedofilia, lenocínio, tráfico em todas as suas vertentes). São hipócritas aqueles que, detendo o poder de decisão - políticos, profetas da mensagem divina, falsos pregadores da moral - sustentam a manutenção de uma lei, a lei anti-aborto, completamente fora do contexto da sociedade em que vivemos, nos antípodas da evolução humana, aqueles que nada fazem e que a tudo assistem impávidos e serenos, prisioneiros da sua própria desfaçatez. - Onde quer que tu estejas, Deus te abençoe Joana.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 16:56
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José Morais - Subam impostos

Quero ver se consigo ser suficientemente claro naquilo que penso. Eu quero que seja inflacionado o meu imposto para pagamento das SCUTS. Passo a explicar:
Se eu pagar nos impostos os custos das SCUTS, apenas pagarei uma vez
anualmente.
Se tiver que pagar sempre que me desloque na via, passo a pagar duas vezes.
Porquê?
É bom de ver. Alguém pensa que as empresas de camionagem pagarão elas as portagens? É claro que não. Irão fazer reflectir estes gastos nos produtos que transportam. Desta forma quem é que paga ? Voltamos a ser nós os consumidores. Assim, desta forma, estou a pagar por duas vezes este "consumo" das SCUTS.
Senhores da Economia, eu não sou doutor, mas não sou burro! A minha economia é a do dia a dia. Para mim dois mais dois são quatro, assim como, para ter direito a reforma são 36 anos de trabalho (no mínimo) e não meia dúzia de meses na Caixa Geral de Depósitos.
Estamos conversados.....
José Morais
publicado por quadratura do círculo às 16:53
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Pedro Castaño - Madeira e Açores

MADEIRA
O Líder Parlamentar do PSD estava mais uma vez incomodado com as palavras do Presidente do PPD-PSD/M (ficava melhor PPD-PSD-AJ). Aliás no PSD nacional (como o referido Presidente gosta de dizer) incomodam-se muito, mas nada fazem por receio que o referido Senhor se mude para outra bandeira. Repare-se, aliás, que ele não tem pejo em incluir os membros do PSD nos insultos que faz a Portugal.
Todos sabemos, todos calam em nome de vitórias eleitorais democráticas. Fátima Felgueiras se fosse madeirense não tinha problemas nenhuns, mas Felgueiras é só um concelho entre muitos e uma região é uma região.
Ponho as coisas nestes termos porque não serve de nada falar em mudar Portugal enquanto as jogatinas de poder se confrontarem com estas questões com medo. Restos do salazarismo, do caciquismo e da mediocridade nacional que nos governa ao longo dos anos.
O Bloco de Esquerda queria ser uma nova força de esquerda; domingo, deu um rude golpe na sua credibilidade e ninguém lhes diz nada. Perderam votos só para a UDP, não sei o tamanho do rombo face à soma dos do PSR ou se esse partido já não concorreu nas últimas regionais). Fala da perca de votos da coligação PSD-PP (vou deixar de por as siglas completas que cansa muito) no que diz respeito ao Açores, não se ri, não chora e ninguém o questiona de tal leitura. Ganharam um deputado!!!!
Não retirem lições políticas e continuem a fazer das pessoas parvas que hão de acabar no próximo governo PS.
AÇORES
O Líder do PP não sente necessidade de se demitir. Há coisas nas coligações muito interessantes. O PP então é mestre em ser corresponsável pelas vitórias e nada ter a ver com as derrotas. Nas europeias manteve os deputados, o PSD é que os perdeu e aqui…
Depois os comentadores do programa falam em tentativas de destabilizar a coligação. Não são precisas: mais um ou dois resultados negativos, ou menos positivos, e todas as questões que são tentativas de desestabilização a que ninguém dá importância passam a ser motivos de todas as disputas. Mas isso já toda a gente sabe. O que eu não sei é o que o Senhor Presidente da República tem a dizer sobre a forma como o governo geriu estas eleições, do modo como o candidato, ao lado de ministros do Estado, disse que os Açores só se poderiam desenvolver se houvesse uma vitória da coligação que governa o País. E que estava o Ministro da Presidência a fazer nos Açores? À espera de comemorar e fazer promessas?
É claro que o Presidente vai dizer que nada disso é importante que face à necessidade de estabilização um governo chegar aos eleitores e dizer que se não votam nos amigos pode haver problemas não tem importância nenhuma. O Presidente há-de ter um sono muito pesado. E nós, os Portugueses, que continuemos a votar ao centro que assim ninguém se chateia. Também com Blocos que só ganham, não sei para quê pensar em mudar
Pedro Castaño
publicado por quadratura do círculo às 16:49
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Miguel Teixeira - Novos tempos

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, dizia o poeta. Mas nem ele sabia o quanto estava correcto. Hoje, com o advento das novas tecnologias, damos connosco a dizer coisas que há uns tempos atrás apenas poderiam ser atribuídas a quem sofresse de algum atraso mental. E tudo por culpa dos avanços tecnológicos que agora proporcionam coisas capazes de espantar o espírito mais aberto e receptivo. Dizer coisas como “esta manhã o telefone não despertou”, “queres ir ver um DVD no carro do meu pai”, “tira-me aí uma fotografia com o teu telefone novo” ou “vou gravar um CD no computador”, passaram a ser banalidades a que todos, sem excepção, teremos de aderir o quanto antes, sob pena de podemos ser acusados de retrógados e vistos com os mesmos olhos com que dantes nós próprios olhávamos os nossos pais e avós por não entenderem o que no nosso tempo era considerado um avanço. Só de pensar que a geração actual não vai sequer tomar contacto com coisas que eram correntes há cerca de vinte anos atrás, como o vinil, o VHS, o escudo (a nossa ex-moeda), o Spectrum 48K, a inexistência do telemóvel ou a incomparável figura que foi José Cid, só para referir alguns exemplos marcantes, deixa-me desgostoso. Não sentirem as dificuldades de quem apanhou certas e determinadas mudanças ainda no seu período de testes e de aperfeiçoamentos, parece-me a mim, vai tornar a vida desta nova geração muito mais facilitada, mas, e porque “não há bela sem senão”, igualmente desprovida dos desafios que então nos eram colocados ao sermos confrontados com as novidades da época. Hoje não há miúdo que ao completar 10(!) anos não seja desde logo presenteado com um telemóvel da última geração. Hoje não há menino, ou menina, que não vá para a sua universidade ao volante de um potente Audi TT ou de um qualquer todo-o-terreno último modelo. Hoje não há adolescente que não se vista dos pés à cabeça com as mais caras marcas de roupa ou de calçado. Hoje não há miúdo que não tenha uma semanada n vezes superior ao que era então uma mesada e, ainda assim, só para uma minoria privilegiada. Em resumo, hoje já nada é o que era. E atenção, não fiquem para aí a pensar que eu sou um “quadrado” anti-progressista, nada disso. Pobres dos que ficam estagnados e não se conseguem adaptar ou sequer acompanhar os novos ritmos. O que eu acho é que, hoje, aqueles que serão seguramente o futuro da nossa sociedade, não experimentam nem um terço das dificuldades com que muitos de nós tivemos de lidar. E que contribuíram para que possamos dar outro valor às coisas que conquistámos à força de muita dedicação, esforço e trabalho. Parece-me a mim que hoje é tudo muito mais facilitado e as coisas aparecem do nada sem que tenha de haver um mínimo de esforço por parte de quem recebe ou muitas vezes exige. E isso, a meu ver, pode ser um valente obstáculo na hora de serem confrontados com a realidade nua e crua que se vive fora da alçada protectora dos pais, que, mais cedo ou mais tarde, terão de abandonar. Porque lá fora, na selva a que todos são lançados, não há compadecimentos para com aqueles que sempre tiveram a “papinha toda feita”. E esses, doa a quem doer, vão ser os que mais vão sentir a falta das dificuldades e dos desafios que nunca tiveram de enfrentar e, consequentemente, ultrapassar, para saberem lidar com uma vida que é tudo menos um “mar de rosas” ou o “conto de fadas” que sempre ouviram contar.
Miguel Teixeira
publicado por quadratura do círculo às 16:36
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2004

Abílio Ribeiro - Governo de imagem

Nunca como agora se viu um Governo virado para a «imagem». Pensava-se que estas coisas do «marketing político» não iriam para além do branqueamento de dentes do Dr. Paulo Portas, mas, por aquilo a que assistimos, a «imagem» tornou-se numa obsessão descontrolada (que não olha a meios para atingir os seus fins). Vem isto na sequência da comunicação feita por Pedro Santana Lopes a "todos os portugueses e portuguesas". Cabelo aprumado, óculos que no conjunto dão um certo ar intelectual, as flores cor-de-laranja, a fotografia dos filhos e a fotografia ao lado de João Paulo II. Em vez do teleponto (até porque é preciso não confundir o estilo com Sócrates...), o Primeiro-Ministro assumiu a presença das «cábulas», partilhando o olhar entre as folhas, com o discurso impresso, e a câmera de televisão. Não será por mero acaso que o Governo, numa atitude inédita entre nós, decidiu avançar com a criação de uma central de comunicação. Contrataram-se profissionais da área, a peso de ouro, e toca de mostrar trabalho feito... O que aconteceu neste Verão caracteriza bem o melhor que há em termos de estratégias de marketing. Vários ministros anunciaram medidas que há muito já estavam anunciadas, trocando as férias pelo trabalho político no terreno. Veja-se o caso do Ministério do Dr. Paulo Portas: um dos poucos que raramente mete férias em tempo útil, aproveitando a falta de assunto nos órgãos de comunicação social para mostrar o que todos já tinham visto ou ouvido. O sistema político está, definitivamente, inquinado. Tudo é propaganda. Portugal será, por esta altura, um verdadeiro «case study». Os teóricos deveriam estar atentos, inclusive, a fenómenos destes: como é possível não haver uma única palavra que justifique a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI (nem que fosse pela boca do próprio)?! A não ser que a estratégia de Marcelo seja a de preparar terreno para as Presidenciais... No fim de contas, ele acaba por sair imaculado de todo este processo. Lá está: é o marketing político... Abílio Ribeiro
publicado por quadratura do círculo às 19:28
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Miguel Teixeira - Outra praga

Está de volta a praga dos caçadores. Uma praga que considero ao nível da dos fumadores ou dos condutores que pecam por uma flagrante falta de civismo. E tudo porque não respeitam as leis que lhes exigem comedimento e restrições naquilo que protagonizam. É sabido que não podem caçar a menos de 500 metros das zonas residenciais, que não o podem fazer fora das zonas exclusivamente destinadas a essa actividade e que existe um horário estipulado para a realização desses seus intentos selváticos de tirar vidas por via do uso abusivo da força. Mas teimosos, insistem em forçar cada regra ao limite, indo mesmo para além das mesmas, sem que se sintam minimamente incomodados com tais infracções. Acordam e sobressaltam as pessoas logo pela madrugada com tiroteios que mais se assemelham a zonas de combate como aquelas que vemos todos os dias na televisão, prolongam as caçadas bem para lá das horas limites e caçam inclusive espécies que não constam do “cardápio” das que se podem matar. Disparam as suas armas furiosas logo ali ao lado das casas devidamente habitadas, como que desejosos de fazer ver ao outros que são eles que possuem o poder bélico capaz de aniquilar a pouca bicharada que ainda resiste às suas ofensivas. E se calhamos a refilar, ainda somos sujeitos a argumentações estúpidas e de todo fora de propósito, para além de termos de aturar um vernáculo a todos os níveis deplorável. Até pode ser que nem todos os amantes da caça estejam ao nível boçal destes energúmenos que tudo fazem para acabar com o sossego e a paz que, supostamente, se deveria viver nas zonas rurais aos fins de semana. Mas, verdade seja dita, ou a classe toma medidas de combate à existência de elementos deste tipo nas suas fileiras e que tão má fama dão aos seus congéneres – quem sabe uma espécie de direito de admissão - ou não tarda passarão a ser vistos todos por igual, como um bando de irresponsáveis que, de arma em punho, vão por esse país fora espalhando barulho, falta de respeito e muito lixo à sua passagem. E mais engraçado ainda, é vê-los depois de toda esta “palhaçada” que armam em cada dia de caça, virem reclamar por condições que se dizem no direito de exigir, sob a desculpa de que se sentem injustiçados e ignorados pelos orgãos responsáveis por essa sua actividade. Fosse eu a mandar e não só os obrigava a recolher todos os cartuchos que se amontoam à sua passagem, como ainda eram obrigados a pagarem elevadas multas por interferirem ininterruptamente com o descanso que as pessoas civilizadas e avessas a detonações sem sentido têm de aturar de cada vez que se inicia uma nova época de caça. Como muitos fumadores e condutores da nossa praça a quem falta respeito e um pouco de educação que lhes permita viver em sociedade, também os caçadores se sentem vítimas de uma descriminação que dizem não entender. Experimentem fazer uso de um pouco do civismo que constantemente desprezam e, quem sabe, se faça luz nas suas cabecinhas apenas vocacionados para a “matança” que só vêem à frente e que lhes obstrui a visão de uma realidade que cada vez menos se coaduna com actos selvagens como os que protagonizam e que, com a finalidade de satisfazer o gozo pessoal de matar, os conduz à perseguição impiedosa das mais variadas espécies animais indefesas com o intuito único de as privar das suas pacíficas vidas.
Miguel Teixeira
publicado por quadratura do círculo às 19:19
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Francisco Costa - Discurso fantástico

Desde já devo dizer (se me é permitido) que achei o texto de Amora da Silva uma sátira fantástica. Fantástico foi também o discurso do PM à Nação (parecia que Portugal era o reino da fantasia), mas nem vou analisar o conteúdo do discurso porque sei que outros o farão melhor que eu. O que quero é que pensem só no acto do discurso:
1 - gravado num ambiente com ar de escritório (para dar a entender que se trabalha)
2 - conforme análise de um canal de televisão, com simbolos espalhados estrategicamente (a foto de familia, a foto com o Papa e as flores)
3 - as notas do discurso em papel para serem lidas durante o mesmo, para dar a entender que as palavras forma escritas pelo próprio.
4 - a ausência de orgãos de comunicação - assim ninguém interrompe nem fazem perguntas que possam por em perigo todo o discurso.
Tudo isto tinha o perfume de tempo de antena e campanha eleitoral (...)
Francisco Costa
publicado por quadratura do círculo às 19:12
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