Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

Élvio Ornelas - Descendentes de Salazar

Depois de termos um Primeiro Ministro que nomeia os seus "boys" para governantes, agora temos também ministros que pensam ser descendentes do Salazar.
Com pouco sentiram-se ofendidos - isto só prova que se sentiram atingidos.
Élvio Ornelas
publicado por quadratura do círculo às 16:52
link do post | comentar | favorito
|

Teixeira da Silva - Lições de Marcelo

(...) Quer se concorde, ou não, com o conteúdo das crónicas do Prof M. R. de Sousa, não resta qualquer dúvida de que foi pressionado por um intermediário
do Governo (leia-se responsável da Média Capital ou outros capangas) para
que moderasse a sua crónica.
Não aceito que um qualquer Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares ou outras
grandes cabeças deste Governo, tente convencer os portugueses de que o Governo,
quer de forma individual quer no seu conjunto (ou melhor, como ajuntamento), não têm qualquer relação com o assunto.
Chega!
Temos direito à indignação! Não somos estúpidos e pessoalmente não me
considero nehum "palhaço" passível de ser manipulado deste modo, tão
primário.
Se o Prof. M. R. de Sousa não tem razão nas suas crónicas, há duas soluções: ou o desmentem ou fazem melhor governação. É caso para se dizer: Volta Marcelo (Caetano), estás perdoado. Pelo menos havia a "Primavera Marcelista". Agora estamos em que situação? Na Primavera de Praga?
Para mim chega!
Foi a gota de água a juntar aos desacertos sucessivos destes "tipos." E alguns são erros de palmatória em qualquer gestão de expectativas, próprias de novatos nessa área.
Estou farto de pagar a crise. Estou farto de tanta incompetência e fogo de
vista. Estou farto...
Se o governo do Eng. A. Guterres foi o que pudemos observar, a situação não
melhorou dando a noção que o "petroleiro " (leia-se Portugal), por falta de
timoneiro (leia-se liderança competente) irá encalhar em breve (leia-se sem
saída ou futuro) .
Nas próximas eleições vou ponderar voto em branco se não tiver opção ao PSD,
partido onde normalmente voto.
Pena que não seja mais novo para imigrar para Galiza para poder dar um
futuro mais risonho aos meus filhos, estudantes universitários. Quem os viu e quem os vê! Comparem o Plan Galicia com o da região do Minho
(que não existe). E estamos a falar na zona considerada como a menos
desenvolvida de Espanha.
Obrigado pelo tempo que vos tomei e desculpem o desabafo deste português
anónimo.
(...)
Teixeira da Silva
publicado por quadratura do círculo às 16:50
link do post | comentar | favorito
|

Luís Silva - A propósito de Marcelo

O que se passa com Marcelo passa-se com o vosso programa desde o tempo que se iniciou na TSF.
Só o que o vosso é mais perigoso uma vez que, apesar de ser mais "soft", tanto a nível de repercussões politicas como de audiências, dá a entender que pelo facto de estarem presentes três "representantes" de três familias politicas, com algumas dificuldades por vezes de arranjar supostas diferenças, não na forma, mas no conteúdo, a generalidade da sociedade está aí representada. O que é perigoso é que a sociedade em geral a nível de pensamento tende a convergir, não existindo mais um constante questionamento dos porquês, mas sim uma aceitação geral, do que a opinião publicada diz. Aliás, as pessoas hoje em dia não têm tempo para ter opinião e é muito mais fácil ouvir a Quadratura do Circulo e principalmente o professor Marcelo, para ficarmos com a nossa (vossa) opinião de tudo o que nos rodeia.
(...)
Luís Silva
publicado por quadratura do círculo às 16:44
link do post | comentar | favorito
|

Rui Manuel Elias - Reflexões sobre o Iraque

O Secretário da Defesa norte-americano declarou em público que nunca teve acesso a provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque, e que nem sequer foram estabelecidas relações entre o regime de Saddam Hussein e a Al Qaedda, ou outra organização integrista que se dedicasse ao terrorismo.
O mais elementar bom senso indicaria isso mesmo.
Apesar da ditadura sanguinária de Saddam, que aliás não se diferenciava pela sua natureza de outras existentes na região, esta era sustentada por um partido nacionalista árabe, o Partido BAAS, com raízes no nacionalismo árabe, de inspiração socializante, laica, e que remonta aos tempos do Presidente Nasser e de Afez al Assad.
Nesse regime, os islamismos teocráticos de mulahs ou de ayatolas nunca tiveram lugar, apesar da sociedade ter um substracto cultural e religioso muçulmano.
O que se passou após o final da primeira guerra do Golfo, em 91, com a revolta dos xiitas no sul do Iraque, e da subsequente esmagamento dessa revolta pelas tropas de Saddam, é a prova de que o regime laico do ditador não permitiria a implantação no sul do Iraque de uma teocracia xiita próxima da do Irão.
Por isso, é de difícil compreensão que nos tivessem querido vender a ideia de que o Iraque teria relações com a Al Qaedda de Bin Laden, que se inspira nos valores fundamentalistas do waabismo sunita, esse sim, inspirador da teocracia autocrática da monarquia saudita.
Quanto à eventual existência de armas de destruição maciça no Iraque as inspecções ao longo de anos, as zonas de exclusão aérea norte e sul do território, os sobrevoos contínuos de aviões americanos e britânicos sobre o Iraque ao longo de 12 anos, com bombardeamentos periódicos a instalações “suspeitas” e imagens de satélite nunca forneceram as provas de que muitos dos líderes ocidentais juraram ter.
Bush, Aznar, Blair e até Barroso juraram aos seus povos terem-nas visto.
Mas agora parece que se enganaram, ou “foram enganados”.
Se Bush, Blair e até Donal Rumsfeld já reconheceram que essa provas nunca existiram, bem com a existências dessas armas, falta agora o “mea culpa” de Barroso que também ele, e à sua escala, enganou os portugueses ao convencer o país da necessidade de enviar uma companhia da GNR para o Iraque.
Mesmo quando o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas já afirmou que esse invasão a um pais soberano não teve legitimidade suficiente para se realizar, à luz do Direito Internacional.
Assim se explica talvez a pressa dos “senhores da guerra” ocidentais em acabar com as inspecções, em se recusarem a esperar mais um mês, que foi o tempo pedido por Hans Blix e pela ONU para que se prolongassem por mais quatro semanas essas inspecções que estavam a decorrer em todo o Iraque sem constrangimentos ou limitações por parte das autoridades iraquianas.
A pressa foi a melhor forma de evitar que esses argumentos caíssem por terra antes do iniciar do ataque, da invasão e da ocupação.
Assim sendo, o que motivou esta guerra?
Um dia se saberá.
Por agora apenas se especula.
Mas os resultados são desastrosos.
A estabilização da zona não aparece.
O terrorismo, antes ausente do Iraque, encontrou agora naquele país um terreno fértil para dar asas ao mais puro e desumano terror de fanáticos contra inocentes.
Militares norte-americanos e de outros países ocupantes morrem diariamente, e outros mais ficarão estropiados para sempre.
Muitas dezenas de milhares de iraquianos morreram desde a invasão, mais que durante o regime de Saddam.
Os custos desata operação militar apenas serviram para aumentar o esforço de guerra e, por conseguinte, aumentar a produção do chamado complexo industrial-militar norte-americano, o que impulsiona a sua economia.
Os preços do petróleo estão a atingir patamares inauditos.
E até Sharon e outros generais em Israel ao denunciarem a ONU de colaborar com “terroristas” parecem ter atingido um patamar de perigosa demência por parte de um regime cada vez mais isolado no mundo.
Primeiro, ao se prestarem os países da guerra ao espectáculo de vender um producto virtual às opiniões públicas mundiais, (que felizmente parecem não terão conseguido vender), e agora, perante um eclodir de uma guerra civil não declarada, dizerem que se enganaram, só lhes pode ficar bem, apesar do mal já estar feito, e apesar de bem terem sido avisados pelos verdadeiros amigos da América.
Como disse Kerry no debate televisivo com Bush, atacar o Iraque na sequência do 11 de Setembro foi tão estúpido, como se o Presidente Roosevelt tivesse invadido o México, na sequência do ataque de 1941 a Pearl Harbour.
Mas George W. Bush fê-lo.
Errare humanum est, é a frase que se imortalizou.
Mas desconfio que a estreiteza de visão de muitos não consegue acompanhar isso.
Apostilha:
Como é conhecido, fui expulso do Fórum Defesa, um fórum português dedicado a questões de Defesa e Segurança, por ter uma visão algo diferente da maioria dos moderadores desse fórum.
E numa atitude neo-maoista, que parece reviver os velhos “jornais de parede” da Revolução Cultural, o meu nome aparece lá ainda como tendo sido expulso, apesar dela se reportar a Julho.
Digamos que se Rumsfeld, com grande dignidade tivesse reconhecido esse erro, e ele mesmo fosse participante nesse fórum, seria expulso, também.
É que declarou o que não parece aceitável à luz dos fanáticos.
Rui Manuel Elias
publicado por quadratura do círculo às 16:27
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

Rui Silva - O Portugal dos portugueses

Tenho acompanhado, na posição de principal interessado, todos os debates, todas as polémicas, todos os pequenos nadas que povoam e poluem, através da comunicação social, o nosso dia a dia.
E digo isto porque os assuntos importantes para o nosso futuro comum, os estruturantes, não os vi debater (exemplos: a construção europeia, o modelo de educação, o modelo de serviços de saúde, a reforma da Administração Pública, a estrutura de uma fiscalidade eficaz, a reformulação do sistema judicial, a articulação dos transportes com o planeamento do território, etc.).
De tudo o que foi dito, desdito, insinuado fica uma dúvida perversa:
- Será que Portugal (melhor, os portugueses) tem algum futuro consentâneo com o que de bom houve no seu passado ou, como nos sucessivamente prometeram, um futuro ao nível dos europeus de primeira (do qual, pouco mais compartilhamos, para além do espaço físico)?
E isto porque os nossos dirigentes da coisa pública, nos fazem balançar, constantemente, entre a esperança vaga e a realidade dura.
Concretizando, o que ouvi:
- As finanças públicas estão um caos;
- Os serviços de saúde estão doentes;
- O sistema de educação está deseducado;
- A administração pública está desorganizada;
- O sistema judicial está em colapso;
- Etc.
Complementa-se, para não deixar dúvidas, com informações contraditórias do tipo:
- O nível geral da instrução em Portugal é baixo comparado com a maioria dos outros países;
- Cerca de 20% dos portugueses dispõem de menos de 300 euros mensais;
- Um milhão de habitações não preenchem os requisitos mínimos;
- Há não sei quantos fogos devolutos;
- Os portugueses, tal como o país, estão sobreendividados;
- Os PPRs devem deixar de ter benefícios fiscais e, portanto, o aforro não deve ser uma prioridade (ao inverso, como parêntesis, quase me atreveria a sugerir que todos os portugueses deveriam ser obrigados a ter PPRs, porque com eles, pelo menos, fariam e entregavam declaração de rendimentos);
- A justiça social consegue-se, além de outras acções, com a eliminação dos PPRs, com a descriminação negativa (ou positiva) das taxas moderadoras na saúde, com a nova lei do arrendamento, etc.;
- Os portugueses produzem pouco e faltam muito;
- Um relatório comentado mostra que os portugueses ao nível da Europa de primeira, são daqueles que menos dias de trabalho perdem por doença;
- A colocação de 50.000 professores através de listas informáticas erradas em catadupa resolveu-se afinal em poucos dias e colocaram-se 100.000.
Alguém que nos ajude a percebermo-nos, que nos crie esperança, que nos diga se somos os heróis da realização do Euro 2004 ou os medíocres alunos da Europa de primeira, é bem-vindo.
Mas que não seja um político, diria, musculado (costumam ter outros nomes).
Este texto, em si próprio, é um exemplo, da desorganização estrutural da sociedade, onde o português simples se move.
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 12:53
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds