Terça-feira, 2 de Novembro de 2004

Jorge Costa - Cem dias de Governo

Na segunda-feira, dia 25, o Governo fez 100 dias de triste memória.
Nunca Portugal, na sua história centenária, conhecera um Governo tão mau e incompetente, e que fizesse tanta asneira em tão pouco tempo.
Pedro Santana Lopes é o exemplo acabado do Princípio de Peter (qualquer indivíduo é promovido até ao seu nível de incompetência), e os portugueses foram vítimas da Lei de Murphy (o que tem tendência para correr mal acaba por correr muito pior).
Podemos considerar-nos mesmo azarados e o nosso primeiro-ministro um homem de sorte - chega a S. Bento sem saber ler nem escrever depois de ter demonstrado toda a sua incapacidade na Câmara de Lisboa, deixando aos seus sucessores e aos munícipes uma pesada herança.
Com ele é a segunda vez que Peter tem razão - se o mito não for destruído corre-se o risco de Portugal se tornar num case study internacional da incompetência alcandorada aos mais altos postos.
A lúcida análise publicada no jornal de referência espanhol “El Pais”, a propósito dos Cem Dias, sintetiza tudo: “Com a exposição pública da sua vida política e privada que ele próprio incentivava, a notoriedade de Pedro Santana Lopes é um produto dos media em geral e dos cor-de-rosa em particular, a quem muito ajudou na conquista de audiências e aumento das vendas”.
Como toda a sua ascensão foi feita através da comunicação, ainda parece convencido que as noites de S. Bento são iguais às das Docas, e mal vislumbra um microfone procura debitar a primeira promessa que lhe vem à cabeça, ainda que seja em profunda contradição com afirmações por ele próprio proferidas ou por qualquer outro responsável ministerial.
Habituado a ter uma imprensa que nunca o tomando a sério, o levava ao colo, dá-se mal com as críticas que agora lhe fazem. Não compreendendo que o seu novo estatuto exige, mesmo com um elevado grau de tolerância, outras responsabilidades.
Muito preocupado com a forma e pouco com o conteúdo, arregimenta um exército de assessores pagos principescamente que tentam sem êxito conferir-lhe a credibilidade que ele a cada passo, pela sua superficialidade e voluntarismo, se encarrega de desmentir.
Como a estratégia dos assessores não está resultar, ao mesmo tempo que se reclama muito democrata e lutador pela liberdade, como não pode alterar as más notícias tenta a forma clássica de matar o mensageiro.
Está em curso uma profunda operação de manipulação dos órgãos de comunicação social, controlados directa ou indirectamente pelo Estado ou que ele pode de algum modo influenciar, prejudicando-os economicamente se não respeitarem as directivas emanadas.
Quem não demonstrar uma fidelidade canina será afastado - é a hora dos cães de fila e dos serventuários acéfalos. Nem quem sempre foi conotado com o partido do primeiro-ministro, mas não pertence ao seu círculo, está ao abrigo de represálias.
Qualquer voz minimamente dissonante está em perigo: assim se percebe a troca de Henrique Granadeiro por Luís Delgado, as declarações cada vez mais alucinadas de um insignificante Rui Gomes da Silva, o calar de Marcelo Rebelo de Sousa, a tentativa de afastamento do cavaquista Fernando Lima do Diário Notícias, o por em causa a posição de José Rodrigues dos Santos na RTP, as declarações sobre a televisão estatal proferidas por Morais Sarmento e a criação de uma central de comunicação, os futuros manipuladores mores do reino.
Surpreendentemente para quem tem tantos conselheiros todos os golpes na liberdade de expressão e de informação são dados perfeitamente às claras e sem qualquer pudor, tal o sentimento de impunidade que sentem.
Em boa verdade, até agora o crime tem compensado!
Enquanto estas manobras se verificam a situação é a cada dia mais desastrosa: o desemprego cresce, o défice cresce, a educação está como o escândalo da colocação de professores bem ilustra, a destruição do Serviço Nacional de Saúde está em marcha criando condições para que os grupos financeiros conquistem este negócio tão apetecível, da Justiça nem é bom falar, as exportações cada vez cobrem menos as importações.
Mas haverá algum sector em que nos possamos rever com orgulho?
Estes Cem Dias deviam no mínimo ter servido para o Executivo compreender que o Conselho de Ministros é bem diferente da Quinta das Celebridades, ainda que o ministro da Agricultura Costa Neves, de um modo caricato, considere que é uma bênção ela existir senão de que falaria ele quando vai a jantares ou almoços de trabalho com os agricultores.
É este o lamentável estado da nação e a manterem-se as coisas, a tendência é para se agravarem. O Futuro é sombrio!
Jorge Costa (Assistente Hospitalar de Imuno-Hemoterapia do Hospital Doutor José Maria Grande e membro do Secretariado da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista)
publicado por quadratura do círculo às 18:43
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Miguel Teixeira - Eternos inconformados

Parece que desta é que o Verão se foi. O sol já só se apresenta a espaços e ainda assim muito tímido. Aos poucos as nuvens vão tomando o seu lugar, quebrando um reinado que só lá para meados do ano que vem se fará sentir outra vez. Não aprecio o Inverno. O frio, a chuva, o andar carregado de roupas, os dias cinzentos e tristes. O frio ainda vá que não vá, aguenta-se. É acrescentar mais uma peça de roupa – que se acumula em camadas, tal e qual uma cebola – e a coisa vai. Agora a chuva, essa é que me deixa mono, apático, sem humor que me valha. É uma “seca” – embora quem ande à chuva molha-se – e é mesmo costume dizer-se nesses dias que se está como o tempo. Nada mais acertado. E se para compor o ramalhete adicionarmos roupas cujas tonalidades sejam condizentes com a do dia em questão – cinzentos, pretos, cores escuras, em resumo - então é quase garantido que estamos a atrair os efeitos depressivos que atribuímos ao tempo e que tanto gostaríamos de ver pelas costas. É um hábito que se criou de que as tonalidades escuras estão associadas ao Inverno e ao Outono e que é nessas alturas que devem sair à rua. Nada mais errado. São precisamente essas as cores que devemos evitar em dias cinzentos e em que o sol não se apresenta, de forma a combater esse efeito depressivo e negativo que as mesmas têm sobre nós. E já que falo em vestuário, relembro algo que religiosamente se repete todos os anos por esta altura. Não sei se na tentativa de atrair o frio ou de desejarem a sua chegada o quanto antes, muitas são as pessoas que, ainda Setembro vai no princípio, já envergam peças de roupa próprias de temperaturas mais baixas que estão ainda longe de se fazer sentir. É vê-las depois, debaixo do sol que insiste em resistir, a passarem por claros sacrifícios mas não dando o braço a torcer, empenhadas na sua teimosia de que o Verão deveria dar lugar ao frio imediatamente após o final de Agosto. Como que a quererem dizer que, terminadas as férias que sempre recaem na época alta, o sol e o calor já não são necessários, podendo ir à sua vida e dar lugar à estação que se segue. Movidas por esta forma de pensar, são essas as pessoas que cedo começam a remexer no baú dos agasalhos, colocando-os a uso o quanto antes, mais que não seja para os aliviar do cheiro a mofo que entretanto foram ganhando. É caso para pensar que nunca estão satisfeitas, essas pessoas. Se é Inverno, é porque está frio, chuva e nunca mais vem o calor. Se é Verão, é porque faz muito calor e bem que podia cair uma chuvita para refrescar. É típico do portuguesinho, nunca estar contente com nada. Eternas vítimas inconformadas, tão bem retratadas por António Variações num dos seus temas mais conhecidos:
“Porque eu só estou bem, onde eu não estou
Porque eu só quero ir, onde eu nunca fui”.
Miguel Teixeira
publicado por quadratura do círculo às 18:12
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Rui Silva - Sugestões para Paulo Portas

Ouvi com agrado o Sr. Ministro Paulo Portas, falando numa sessão do CDS/PP, referindo-se à proposta de Orçamento de 2005; nomeadamente apreciei o seu sentido de humor ao recordar, parafraseando, um antigo anúncio da Rádio.
Dizia o Sr. Ministro e, cito, “que o Orçamento é bom é, para o avô e para o bebé”.
E ancorava essa afirmação em alguns factos que retive:
- Que os avós, agora, quando dependentes, iriam usufruir de uma igualdade de tratamento quando estivessem num lar ou em casa, pois poderiam deduzir ao IRS, de igual modo, 316 €;
- Quanto aos bebés eram beneficiados pelo facto das suas fraldas estarem, a partir de 2005, sujeitas a um IVA de 5%, por contraponto aos actuais 19% (suponho).
Foi um anúncio agradável de ouvir. Contudo, gostaria de sugerir ao Sr. Ministro que o seu partido completasse com propostas de alteração ao Orçamento, aspectos complementares do anúncio, nomeadamente:
- Sendo verdade que 316 € (62.300$ em moeda antiga) é um valor considerável, seria interessante que na proposta fosse indicado quais as instituições (IPSSs) que acolhem os idosos por esse valor ou ele razoavelmente proporcional, tendo em conta que as reformas que lhes estão atribuídas são sempre escassas (e aqui falo de grande parte dos idosos solitários que não foram funcionários superiores da Caixa Geral de Depósitos);
- Quando estão em sua casa saberem, através de uma listagem idêntica à anterior, a quem podem recorrer para lhes prestarem a apoio domiciliário indispensável, por esse valor ou ele razoavelmente proporcional;
- Propor que as fraldas para os idosos (ou não idosos) que sofrem de incontinência, quando receitadas por médico de família, tenham comparticipação da Segurança Social e IVA de 5% também (o que creio não acontecer hoje).
Com estas propostas, talvez o anúncio fosse mais real e, quiçá, tornasse a “boca mais doce” a quem fosse por elas beneficiado.
Rui Silva

publicado por quadratura do círculo às 18:07
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