Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005

Carlos Oliveira - Votar António Vitorino

Tive a oportunidade de escutar na sua quase totalidade a entrevista de António Vitorino à Rádio Renascença / Público. Confirmou a impressão que já me havia deixado há algum tempo atrás aquando duma entrevista conduzida por Maria João Avilez. Estamos perante alguém que nos reconcilia com a política e reconduzem-nos ao que ela tem de mais nobre. A sua intervenção é uma recusa ao populismo fácil tão em voga (o que explica as razões da sua não candidatura à direcção do PS). Um marcante contraste com a "cassette" dos outros líderes políticos (onde se inclui a chamada "verdadeira esquerda" - PCP e BE).
Não resisto a partilhar convosco o comentário inserido na publicação "The Europeans of the Year" (editada pelo European Voice ) acerca do ex-comissário António Vitorino. As minhas desculpas por uma tradução aproximativa que de qualquer forma reproduz o essencial dos comentários que surgem sempre que o nome de António Vitorino é mencionado nos círculos europeus.
" No one yet knows how the European Union main gain from the appointment of José Manuel Barroso as president of the European Commission but one of the drawbacks is already clear. Because Portugal could only send one commissioner to Brussels, Barroso's appointment meant Antonio Vitorino's career as a European commissioner was brought to an end. Until Barroso emerged as a compromise candidate for the presidency, Vitorino's return had been taken for granted. That some people were even talking of the possibility of a President Vitorino is testimony of the skill with which he had handled a difficult task. Justice and home affairs issues are still relatively new to the EU stage and legislative proposals frequently arouse the suspicions of national governments anxious to protect their powers. The terrorist attacks of 11 September and 11 March have increased the political pressure for anti-terrorist measures, while heightening concern about threats to civil liberties. Vitorino is in his element in this complex and sensitive environment. An adept performer during the Convention on the Future of Europe, he is alive to the sensitivities of each EU institution. He is a charmer and a negotiator, combining good humour in various languages, with knowledge of his dossiers. Once a judge in the Portuguese Constitutional Court, he knows the importance of mastering his brief. Although still just 47 years old, Vitorino has a wealth of experience. He was a member of the European Parliament in 1994, before being called back to Lisbon to become deputy prime minister and minister of defence in 1995-97. Now he is repeating the journey, but this time with no government post awaiting him. "
Ninguem sabe o que pode vir a ganhar a União Europeia com a nomeação de José Manuel Barroso para presidente da Comissão Europeia mas um dos inconvenientes torna-se já claro. Porque Portugal apenas pode enviar um único comissário para Bruxelas, a nomeação de Barroso significou que a carreira de António Vitorino como comissário europeu chegou ao fim. Até Barroso emergir como o candidato de compromisso para a presidência, a recondução de Vitorino era tida como garantida. O facto de algumas pessoas falarem mesmo da possibilidade de um presidente Vitorino é testemunho da perícia com que desempenhou uma tarefa particularmente difícil. O tema "justiça e assuntos internos" é ainda relativamente recente no cenário europeu e as propostas legislativas neste domínio suscitam reservas nos governos nacionais ansiosos de salvaguardar as suas prerrogativas. Os ataques terroristas de 11 de Setembro e 11 de Março aumentaram a pressão política no sentido de medidas anti-terroristas, ao mesmo tempo que aumentava a preocupação com as ameaças às liberdades civis. Vitorino está no seu elemento ao lidar com estas questões complexas e altamente sensíveis. Um convicto participante na Convenção sobre o Futuro da Europa está bem a par das sensibilidades de cada instituição da União Europeia. É um sedutor e um negociador, capaz de combinar o humor em várias línguas com um profundo conhecimento dos dossiers. Em tempos juíz do Tribunal Constitucional em Portugal sabe como é importante dominar os assuntos sob a sua responsabilidade. Apesar de ter apenas 47 anos Vitorino conta com uma vasta experiência. Foi membro do Parlamento Europeu em 1994, antes de ser chamado a Lisboa para se tornar ministro adjunto do primeiro ministro em acumulação com a pasta da defesa em 1995-97. Agora repete a viagem de regresso mas desta vez sem que tenha à sua espera um posto governamental.
Nem tudo está perdido! Talvez o bom senso venha a prevalecer e os portugueses tenham consciência de que não é possível continuar a menosprezar os poucos talentos que ainda existem na vida política portuguesa. Votar no PS é também votar em António Vitorino.
Carlos Oliveira


publicado por quadratura do círculo às 18:31
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Fernanda Valente - É preciso pragmatismo

Penso que hoje Portugal precisa acima de tudo de um primeiro-ministro que, mais do que professar credos ideológicos, religiosos (a abraçar o fanatismo vs comportamentos preconceituosos) ou pessoais (que como a própria palavra indica diz respeito à pessoa, ao modo de conduta por si escolhido e, por conseguinte, não devendo suscitar críticas improcedentes), seja capaz de construir uma linha de orientação baseada no pragmatismo, ou seja, num conjunto de ideias que, levadas à prática, visem a resolução dos problemas reais que emanam da actual conjuntura do nosso país, independentemente de ideários ideológicos que, ao traduzir a sua visão do mundo, não se apresentam como solução prática. Ao fazer uma análise sintetizada dos programas de governo apresentados pelo PS e PSD, chegamos à conclusão que "choque de gestão" e "choque tecnológico" são duas metodologias perfeitamente indissociáveis, devendo ser praticadas em simultâneo ou a primeira preceder a segunda. É claro que por si só o "choque de gestão" resolveria metade dos nossos problemas, essencialmente a consolidação das contas públicas (reduzir a despesa até aos níveis da receita significaria déficit zero - nem que seja através do aumento dos impostos - ou melhor ainda, se se conseguisse, travando a despesa, aumentar a receita), a reforma das leis laborais, tornando-as mais flexíveis (o maior causador da fuga do investimento estrangeiro), a completa desburocratização dos procedimentos que permitem a criação de novas empresas e finalmente uma lei tributária de incentivo a essas novas empresas, de apoio ao investimento privado. A consolidação das contas públicas com especial incidência na redução da despesa, como preconizam quase todos os economistas da nossa praça, implica a reforma profunda da administração pública, abrangendo os sectores: dos serviços propriamente ditos, da educação, da justiça e da saúde como sectores prioritários. No entanto, as reformas podem ser feitas por excesso ou por defeito, e o que aqueles doutos senhores pretendem é que elas sejam feitas por defeito, posto que não reconhecem aos nossos governantes capacidade para levar a cabo reformas por excesso, o que implicaria que em simultâneo se incentivasse o aumento da receita.
Ora, esta linha de pensamento - reforma por defeito - entra em rota de colisão com a metodologia do "choque tecnológico", pois, são precisos fundos para investir a começar na educação (acesso dos alunos às tecnologias de informação a partir do secundário; introdução de novos padrões de ensino significando o saneamento/reforma antecipada de professores que, entretanto, não se valorizaram; programas de formação contínua e intensiva para os restantes; acesso restrito às universidades, promovendo os cursos intermédios, sobretudo nas áreas tecnológicas; protocolos de compromisso entre os estabelecimentos de ensino e as empresas - públicas e privadas - com vista a serem ministrados estágios aos alunos recém-licenciados, como acontece com os estudantes de Direito), que está na base do conceito de produtividade e que genericamente se traduz pela optimização dos recursos humanos em conjugação com o aparelho produtivo. De igual valor de investimento ou superior, necessitará o sector da saúde e talvez de um pouco menos o da justiça. Mas, se através da reforma da educação e da administração pública/serviços em conjunto com as políticas de incentivo ao investimento privado - sem o recurso às políticas do Estado-providência que tanto tem contribuído para o aumento desmesurado da dívida pública - se conseguisse atingir os índices de crescimento que os nossos governantes tanto apregoam, então dávamos por bem empregue a nossa tentativa de ter voltado a acreditar num Portugal com rumo, com vista a um futuro melhor.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 18:26
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Margarida Lucas - Pelas liberdades

É inadmissivel o discurso de S. (Santana Lopes) àcerca das sondagens. Como é? Se for eleito (credo!) vai prender todas as pessoas ligadas às empresas de sondagens? Ele já se esqueceu que juntamente com o seu sócio Portas foi chefe da amostra, leia-se escândalo da Moderna! Os sessenta anos da libertação dos prisioneiros de Auwschuitz comemoraram-se ontem! Mas também me preocupa que já ninguém fale dos ataques à liberdade de imprensa que o seu pouco gestionário governo ensaiou e certamente iria continuar se o Presidente não tivesse dissolvido o Parlamento. Considero que este tema, da defesa das liberdades não pode ser esquecido nesta campanha por ninguem,nem politicos, nem comentadores.
Margarida Lucas
publicado por quadratura do círculo às 18:21
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Maria do Céu - Contra Freitas do Amaral

Segundo os media deste território que prolonga os jardins de Marrocos na Europa (sem ofensa para Marrocos nem para as Marroquinas ou Marroquinos, e sem qualquer sentido figurativo para os jardins), Freitas do Amaral recusa demitir-se da presidência da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos (CGD), contra o que terá sugerido o ministro das Finanças Bagão Félix, por ter feito um parecer contra a transferência do fundo de pensões da CGD para o Estado, noticiou a Agência Lusa.
«Não renuncio ao cargo, como é óbvio», garante Diogo Freitas do Amaral. Como é óbvio os interesses aqui patentes são:
1. Do funcionário part-time da CGD: dinheiro fácil abundante, sem trabalho
nem responsabilidade, e
2. Do antigo político desempregado e sem rumo : é um "Tacho" bem pago e
com todas as benesses inclusive visibilidade para os media que promovem.
«Se o senhor ministro quiser demitir-me, ele que assuma a responsabilidade», acrescenta. Isto significa em bom português: ele que me pague uma choruda indemnização, ou que prove que tem justa causa para me despedir sem indemnização! Cá por mim ia já por esta via (obviamente demitia-o, como disse um General de boa memória..., já que o elo de confiança mútua indispensável está objectiva e irremediavelmente afectado como ambos confirmaram publicamente, a imagem da entidade saiu prejudicada, e torna-se impossível manter uma boa relação funcional entre as partes, sendo notória a acomodação irresponsável de Freitas numa função que requere também diligência, sentido de equilíbrio, bom senso e ética). (...) Freitas se quer continuar ao lado dos trabalhadores poderá sempre fazê-lo colocando-se nessa situação, i.e. peça emprego como trabalhador e não como consultor independente bem pago. E para defender os trabalhadores pode também oferecer-lhes os seus serviços de jurisconsulto independente negociando com eles o seu preço, as suas benesses e o sentido dos seus pareceres, devendo mesmo reforçar a sua isenção afirmando claramente que é um jurisconsulto independente e, para dar os seus pareceres, não falará com ninguém antes, como a pedir licença, e muito menos aos trabalhadores e sindicatos dos bancários. Estou certo que até Bagão não se importará e mandar-lhe-á todos os anos os parabéns pelos pareceres independentes divulgados enquanto assim for!
«Não será a primeira vez, nem provavelmente a última, que este Governo faz perseguição política aos seus adversários», insinua Freitas. «Dificilmente se percebe como é que Freitas do Amaral não renuncia ao lugar de presidente [da mesa da assembleia geral da CGD] depois de discordar tão frontalmente da posição do accionista que o nomeou e representa», afirmou Bagão.
E tão bem lhe paga para isso, digo eu.
Na resposta a estas declarações, Freitas do Amaral afirma que é um jurisconsulto independente, diz que não existe qualquer incompatibilidade entre ter feito o parecer e presidir à assembleia geral da CGD e garante que não renuncia ao cargo. «Sou um jurisconsulto independente e, para dar os meus pareceres, não falo com ninguém antes, como a pedir licença, e muito menos ao Governo», aponta Freitas do Amaral, defendendo a inexistência de qualquer incompatibilidade. «Eu não dei um parecer contra a Caixa, mas sim a favor dos seus trabalhadores e, portanto, a favor da própria Caixa», sustenta.
(...) Atrevo-me a sugerir - a bem da transparência sistemática e não casual, que a de Freitas nem aos trabalhadores aproveita - que os partidos concorrentes acordem e se comprometam desde já na seguinte prática desde 20 de Fevereiro de 2005:
1. Que recorram obrigatoriamente e em proporção no exacto peso - ou mais -
da abstenção nestas eleições, a independentes na constituição de toda e qualquer Comissão, Lista ou Grupo ou Task Force ou o que quer que seja que implique nomear, indicar, seleccionar, formar, juntar, organizar, retribuir, consultar, contratar, ouvir, solicitar ou preparar parecer, acompanhar, etc., todo e qualquer Inquérito, Avaliação, Apreciação, Averiguação, Audição, Crítica, Conclusão e tudo o mais deste tipo que deva ser assegurado com rigor, isenção, representatividade e objectividade.
2. Seja pelo Presidente da República fiscalizado o rigoroso cumprimento e não
subversão deste princípio.
Na expectativa de ver publicada em tempo útil esta minha proposta,
Maria do Céu
publicado por quadratura do círculo às 18:12
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Luís Lima - Mega fraude

Mega-fraude?! Será que este senhor ainda não percebeu que as metáforas permanentes e desmesuradas têm sempre um ricochete fácil e óbvio? Não será evidente para o PSD e agora para todo o país, que a " Mega-fraude " é o próprio Dr. Lopes? Vai pedir responsabilidades ás empresas de sondagens? Estas empresas vivem da sua precisão nos resultados que apresentam e todos nós as podemos avaliar e dar o crédito respectivo. A Incubadora, o ataque ao Presidente da Républica, o ataque à Banca, o ataque à Comunicação, a discussão sobre os Debates e o presente ataque às Sondagens, são apenas processos de vitimização de um desesperado que fala sózinho e ainda não percebeu do seu isolamento. Dr. Lopes deveria então dizer-nos, qual será a sua responsabilidade e as consequências práticas que irá tirar se o resultado for o que está a advinhar-se? Se levar o PSD para valores ridiculos, pede desculpa ao PSD e volta para a advocacia??
Acho que só lhe vai restar uma saída: Alegar motivos de força maior e abandonar o barco do PSD, antes que este se afunde por completo. É uma saída airosa muito apreciada pelo "Burgo" e com resultados surprendentes(veja-se A. Guterres e D. Barroso ).
Luís Lima
publicado por quadratura do círculo às 17:42
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Nuno Ferreira - Políticos todos iguais?

Esta é uma questão que, com certeza, merece a preocupação da classe política, e julgo que de todos os quadrantes.
Se calhar a resposta é mais fácil e óbvia do que parece à primeira vista. Qualquer Governo que esteja no poder, e independentemente da cor política, diz que a culpa da crise é do Governo anterior. A Oposição, que foi anterior Governo, diz que a Culpa é do Governo em posse. Andamos nisto há cerca de 30 anos. Sim, porque antes do 25 de Abril a culpa era sempre do mesmo, mas nessa altura não valia a pena reclamar.
Durante as campanhas políticas em vez de ouvirmos os candidatos a apresentar propostas concretas para resolver os problemas do país, apenas ouvimos ataques cerrados de um lado para o outro. (...)
É óbvio que enquanto não houver um Governo que tenha a coragem de trabalhar com os meios de que dispõe, admitir os erros que comete e fazer os possíveis por corrigir esses mesmos erros, vai ser difícil fazer com que o povo tenha confiança no Governo.
É óbvio que enquanto não houver uma oposição que, em vez de apenas criticar, responda com contrapropostas ao Governo, vai ser difícil fazer com que o povo tenha confiança na oposição.
É óbvio que enquanto os deputados tiverem o direito à reforma ao final de 8 anos de mandato, os portugueses contribuintes (patrões destes deputados) não vão andar satisfeitos com os seus “funcionários”. (Conheço quem tenha deixado de votar só por causa disto)
É óbvio que enquanto tivermos administradores de instituições públicas, já de si muito bem abonados, a receber fortunas quando vão para a reforma e os velhinhos reformados terem de se governar com 2 ou 3 dezenas de contos, claro que o povo desacredita.
É óbvio que o povo fica confuso quando vê o “país de tanga”, e os políticos a andar em carros topo de gama pagos pelos contribuintes, e os polícias muitas vezes terem de parar a meio das perseguições para apanhar bocados da viatura de serviço que se desintegrou a meio da perseguição e ainda serem responsabilizados por isso.
É óbvio que os portugueses ficam confusos porque ninguém explica para que servem dois submarinos, a não ser que o Governo esteja com intenções de financiar algum filme de cinema de submarinos, e cujas receitas extraordinárias de bilheteira servirão para ajudar a conter o défice.
Quando surgirá uma equipa de políticos que marque a diferença; que peça desculpa aos Portugueses pelos erros que comete; que tenha a coragem para colaborar com os restantes partidos para se encontrar uma saída para a crise?
Nuno Ferreira




publicado por quadratura do círculo às 17:31
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Carlos Duarte - Olhar sobre realidade

De facto, a situação actual é muito complexa. Em termos políticos estamos numa crise de identidade. Os políticos actuais são profissionais da política, sem convicções, com pouco conhecimento da vida real e sem criatividade, ou preocupação, para procederem às reformas estruturais necessárias.
Por outro lado, a falta de imaginação leva a que as linhas estratégicas do país não sejam definidas.
A principal questão é que Portugal queremos ser daqui a 10 ou 15 anos. Quais são os sectores em que temos vantagens competitivas. Quem são os nossos concorrentes? Em que nível nos devemos colocar, como país, na cadeia de valor? Quais os sinais e tendenciais que hoje podemos observar que indiciam um rumo? Qual a estratégia que vamos seguir?
Não vejo, no discurso político, nenhum sinal que me tranquilize sobre esta temática.
Falamos de educação mas que educação? Em quê e quem devemos formar? Para responder a que necessidades futuras?
A reforma da educação, que a meu ver é a base da mudança, deve ser efectuado com um objectivo ou, dizendo melhor, para que se atinja um objectivo que deverá ser criar os técnicos que, no futuro, trarão uma mais valia para o país. A estrutura deve seguir a estratégia.
Formar técnicos que não vão ter mercado de trabalho é um desperdício dos dinheiros públicos. Quantos licenciados estão a trabalhar em actividades ou sectores que nada tem a ver com a sua formação? Acredito que é simpático pedir um café a uma advogada, ou comprar roupa com o apoio de um economista ou, escolher as flores com alguns esclarecimentos técnicos de um botânico ou ser atendido por uma engenheira dentro de uma grande superfície.
Mas será este o caminho certo? Não acredito que seja.
Portugal urge em encontrar-se. Somos capazes dos maiores feitos e das maiores depressões. Somos crentes e esperamos sempre alguma intervenção divina que resolva a situação. Mas, nos dias de hoje já nada é ao acaso.
As grandes marcas são vendidas, empresas irrepreensíveis desmoronam-se como baralhos de cartas a incerteza é cada vez maior e, neste meio envolvente, sem estratégia estamos completamente perdidos.
Penso que é tempo se os nossos políticos olharem para a situação real e actuarem de uma vez por todas, mesmo que seja muito difícil e socialmente muito complicado mas, não podemos continuar a viver numa economia artificial, em que o estado consome recursos enormes, que fazem falta para o investimento e as empresas se encontram descapitalizadas e sem capacidade para investirem eficazmente.
Carlos Duarte
publicado por quadratura do círculo às 17:27
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

António Fonseca - Sobre os choques

Na minha opinião este debate entre prioridade à tecnologia ou à gestão, que é no fundo o modo de mais racionalmente a criar e utilizar, é muito importante para as politicas que se vão seguir pelo próximo governo. Não percebo como o PS pode pretender criar um choque tecnológico sem préviamente criar as condições para um verdadeiro choque na gestão. Se fôr só para usar tecnologia importada, qualquer gestor publico ou privado pode, se tiver dinheiro, comprar a que quiser, no entanto precisa de ter esse dinheiro para a comprar, inevitávelmente importada, e saber exactamente e bem aconselhado a que precisa. Se ao invés a quiser criar, tem de comprar pessoas para o fazer. Estas pessoas, apesar dos milhares de milhões de euros já gastos em formação nos anos que passaram e do elevado número de doutorados, que pelo afastamento que tem havido da academia à vida empresarial, não estão minimamente formados na aplicação prática da ciência, não existem em abundância no nosso país. Não se percebe portanto se este choque é para executar numa legislatura se durante um século inteiro. Parece-me demasiado mirabolante apelar a uma catárse tecnológica brusca em face das taxas de ileteracia e de pobreza que são as do nosso país, a menos que se queira aprofundar ainda mais o fosso entre os mais bem preparados e a população indigente. Afinal uma medida das menos sociais que pode haver a longo prazo. A tecnologia é para ser criada e utilizada pelas pessoas, e nunca o contrário.
António Fonseca
publicado por quadratura do círculo às 12:56
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Carlos Costa - Votar em quem?

Por cada dia que passa as dificuldades dos Portugueses são maiores, os pobres cada vez mais pobres e os ricos sempre mais ricos. Desanimo atrás de desanimo, conflito atás de conflito. Torna-se insuportavel suster aquilo que mais nos preocupa. Estabilidade, (in)segurança, futuro, emprego, educação, saude... etc. etc. 30 anos de democracia, 30 anos de certezas e incertezas, tantos compromissos falhados, sacrificios redobrados, tantas promessas por satisfazer, tanta oportunidade perdida sem que ninguem podesse conter. Encantos na hora de votar desencantos na hora de governar.
Tricas e mais tricas entre partidos onde os lideres continuam a não merecer a confiança devida de todos nós.
Chegamos a um ponto de situação em que o importante para os politicos é criticarem-se uns aos outros, tentando dessa forma tirar protagonismo próprio, escondendo assim as suas escassas ideias.
Nestas eleições estou tão indeciso que nem sei em quem votar. Com todo o respeito de todos os candidatos ao trono, nenhum me oferece confiança nem credibilidade.
Está na hora de os politicos unirem esforços e em conjunto baseados nas ideias de cada um fazerem algo por este País, não é com criticas futeis, nem com palvras que se resolve a crise instalada. Está na hora dos Portugueses mostrarem o cartão vermelho aos politicos, responsabilizando-os por aquilo que fazem. Não basta ser-se politico é preciso saber se-lo. Votar em...?
Carlos Costa

publicado por quadratura do círculo às 12:50
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Fernanda Valente - Candidaturas presidenciais

Penso que no dia 20 de Fevereiro, para além de eleger aquele que virá a ser o próximo primeiro-ministro de Portugal, por um novo período de 4 anos, definir-se-à igualmente o candidato preferencial à presidência da República, devendo o seu perfil vir a desenhar-se no horizonte dos fundamentos do escrutínio daquele acto eleitoral.
Pelo menos para mim, assim será. Ao evocar o factor tempo no sentido da formulação de uma opinião que assenta na escolha do presumível candidato presidencial, não me refiro, como é natural, à dicotomia maniqueísta esquerda/direita, direita/esquerda que ultimamente tem sustentado o equilíbrio das principais forças políticas oponentes que alternam no poder, mas a uma causa mais nobre, e que é a força de carácter que distingue os seres humanos uns dos outros, mantendo-os fiéis aos seus princípios, da moralidade e do bom senso, desde o alvor até ao anoitecer. Em concreto, faço referência aos denominados "decisores de opinião" que pululam na nossa sociedade (subentendendo-se estes como sendo os políticos que motivado por específico cunho que imprimiram à sua carreira política e/ou académica, se constituiram e são reconhecidos como tal) e, que, na qualidade de factores multiplicadores de votos, podem ajudar e muito na escolha de um candidato.
Apoiar um partido do qual se é militante, abraçando ideais e políticas em comunhão com o seu lider não tem nada de mais, é até legítimo, mas, convenhamos, no caso do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa que, ao longo de infindáveis semanas, monopolizou todos os meios de informação que se possam imaginar, ao criticar publicamente e com assaz contundência o lider do seu partido, chegando mesmo a mobilizar poderes presidenciais, instituições e opinião pública em massa, na defesa da sua causa, vir agora dar todo o seu apoio, num comício em Celorico de Basto, àquele mesmo lider que ele tanto criticou, reveste-se este incidente por si só da maior das contradições, deixando-nos a nós, cidadãos eleitores, por de mais pensativos.O facto de não ter mencionado o nome do Dr. Santana Lopes como justificativa da sua atitude, é uma falsa questão, até porque se referiu ao Engº Sócrates como "guterrista de 2ª", ou quererá ele com isso dizer que um "guterrista de 2ª" poderá significar um "sócrates de 1ª" ?
Espero, pois, que até à data de 20 de Fevereiro não venha a ser surpreendida com situações análogas a esta, para que possa definitivamente e nesse mesmo dia, escolher aquele que virá a ser o meu candidato preferencial à presidência da República.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 12:48
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