Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

Carlos Frota - Exemplo de sabedoria

Permita-se-me que, associando a TSF à SIC-Notícias (aliás, para mim, a
associação perfeita), traga à análise um facto que aconteceu no último
domingo no programa de Carlos Pinto Coelho "Directo ao Assunto". O tema era
"E agora, Portugal?" e os convidados - Vital Moreira, João César das
Neves e Adriano Moreira - expuseram, com urbanidade, as suas posições,
naturalmente divergentes, sobre a situação do país. A económica e
financeira teve, naturalmente, parte importante. No final, Carlos Pinto Coelho
fez um desafio aos seus três convidados: se tivessem poder absoluto, qual
seria a primeira decisão que tomariam? Vital Moreira disse que eliminaria
todas as situações de privilégio que existem e bloqueiam o desenvolvimento
de políticas adequadas; César das Neves declarou que despediria metade dos
funcionários públicos; Adriano Moreira respondeu assim (mais ou menos,
claro): "Se eu tivesse poder absoluto, renunciaria a esse poder absoluto,
porque os problemas têm de ser resolvidos de outra maneira, com a
colaboração de todos". A isto, chamo eu sabedoria. Sabedoria de um homem
que mesmo quando fez parte de um governo gerido por uma figura que se
comportava como dono do país, soube sempre mostrar que era diferente e por
isso granjeou estima que não se perdeu na altura da mudança de regime. Como
contraponto a esta sabedoria e posição impecável de Adriano Moreira,
pergunto: que faria João César das Neves depois de despedir metade dos
funcionários públicos? Dar subsídio de desemprego a todos eles para passarem
a viver como mendigos? Ou iria, simplesmente, escrever mais contos de Natal?
Carlos Frota
publicado por quadratura do círculo às 19:11
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005

Luis Dias Pinheiro - Marques Mendes e os outros

Em primeiro lugar gostava de transcrever uma pequena parte da Citadelle de Saint-Exupèry, que dedicaria ao Dr.Pacheco Pereira, embora o mesmo texto se possa aplicar aos Professores Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva ou Freitas do Amaral.
"Ensinar-te-ei pois sobre a traição. Porque tu és nó de relações e nada mais. E tu existes pelas tuas ligações. As tuas ligações existem por ti. O Templo existe por cada uma das pedras. Tu retiras esta : ele desmorona-se. Tu és de um templo, de um domínio, de um império. E eles existem por ti. E não te compete a ti julgar, como quem julga vindo de fora, tu não vens de fora. Quando tu julgas é a ti mesmo que te estás a julgar. É o teu fardo, mas é a tua exaltação.
Porque eu desprezo aquele que, tendo o seu filho pecado , o vá denegrir. O seu filho pertence-lhe...."

"Se tu a amas, aquela que é da tua casa, que é a tua mulher, se ela peca, não te irás juntar com a multidão para a julgar. Ela pertence-te, e tu julgar-te- ás primeiro porque tu és responsável por ela. O teu País falhou? exijo que te julgues: Tu pertences-lhe."

"Eis-te vazio se te fazes transfuga."

Todos condenaram o último Governo PSD/CDS, mas se em algum destes partidos as coisas vão mal, quem é que os abandonou? Citando de novo Saint-Exupèry e de cor " Ser-se homem é ser-se responsável, é sentir-se culpado pelo que está mal feito, mesmo quando aparentemente esse mal lhe parece alheio."
Se o País está em risco, deitem as mãos à enxada.
Fiquei a admirar o Dr. Marques Mendes que foi ao partido dizer do que discordava, e disponibilizar-se para a luta que se aproxima, os outros vejo-os a olhar para o umbigo.
Luis Dias Pinheiro

publicado por quadratura do círculo às 19:18
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Fernando Redondo - Causas e projectos

Como responder à erosão da política e dos políticos ?
A política tem vivido, em Portugal, uma sequência de ciclos desgostantes e
desgastantes.
Não vale de nada insinuar, com ar superior, que as massas ao
desinteressar-se da política estão apenas a revelar a sua debilidade
cultural e cívica que os trinta anos passados sobre a Revolução já não
disfarçam.
Não, os responsáveis por esse "alheamento cívico" são principalmente os
"agentes políticos", o establishment cultural e jornalístico e, de modo
geral, os que gravitam à volta das cadeiras (e orçamento) do poder.
As festividades dos 80 anos do Dr. Mário Soares juntaram num banquete a
quase totalidade desse establishment e mostraram como, apesar das guerras
violentas em que se envolvem regularmente, os seus membros sabem reconhecer
o essencial das suas solidariedades. O povo assistiu atónito ao desfile de
figuras que julgava serem incompatíveis (aqueles 2000 notáveis que ocupam
90% do tempo opinativo das televisões e que estão sempre a ser nomeados para
qualquer coisa).
O Dr. Mário Soares é o exemplo mais acabado de uma forma de fazer política
que já se começa a tornar intolerável: o partidarismo como um clubismo, o
"ser amigo do seu amigo", a "leadalde" acima da verdade e do interesse
público, uma lógica impiedosa de poder de grupo em que os princípios já não
parecem ser o cimento aglutinador.
O Dr. Mário Soares não é o único a praticar estas artes mas é notável que os
seus 80 anos não lhe tenham ensinado a moderar-se e a ver a relatividade e
precaridade das "glórias bélicas" a que não consegue resistir.
E é por causa dessa lógica que os partidos principais se vêm alternando no
poder, ciclicamente. Sempre que um alcança o voto maioritário do povo assume
as rédeas da governação para ser de imediato sujeito aos tratos de polé da
oposição.
Numa primeira fase, quando ainda subsistem algumas ideias mais arrojadas do
programa eleitoral, a oposição trata de arregimentar todos os interesses e
corporações que se sentem ameaçados por qualquer das propostas do governo. Iniciam uma táctica que inclui barragens de artilharia na imprensa a cargo
do batalhão dos comentadores de serviço, algumas chantagens económicas, a
divulgação de meia dúzia de escândalos fiscais ou processuais da autoria dos
ministros, tudo com o objectivo de paralisar o adversário.
Quando o efeito paralisante foi conseguido e o governo fica com o ar de já
não se poder mexer em qualquer direcção inicia-se a segunda fase que
consiste em glosar a inoperância dos ministros, as contradições detectadas
nas suas declarações, e em geral trata-se da preparação do funeral político.
Uma vez feitas as eleições, sempre apresentadas como grandes viragens
decisivas para o futuro do país, os partidos que foram imolados no governo
do ciclo anterior passam ao papel de oposição e, dada a violência e
irracionalidade com que foram tratados, sentem-se no direito de ser ainda
mais demagógicos do que os seus adversários.
Como os adversários são sistematicamente diabolizados e as suas tentativas
de realizar algo sempre apresentadas como absolutamente injustificadas e
prejudiciais segue-se que cada novo governo começa, em regra, por destruir
ou ignorar as obras do anterior. A intenção de destruir as decisões dos
governos em funções inicia-se aliás ainda durante a fase de oposição e é
prometida para o ciclo seguinte da "alternância" assegurando-se assim que os
cidadãos não possam considerar "estável" qualquer legislação mesmo que
regularmente aprovada e publicada.
Não é claro quando, nem como, a esquerda se deixou resvalar para esta
desgraçada situação mas a "superioridade moral dos comunistas" ou a
seriedade "laica e republicana" tendem a converter-se em fórmulas de que só
os mais velhos se recordam ainda.
Hoje, mesmo à esquerda, impera o fulanismo, os "fait-divers", os golpes de
teatro mediáticos, os trocadilhos, a dramatização ou exagero das situações
numa verdadeira versão tablóide da política.
A reacção de Ana Gomes à decisão de Sampaio de empossar Santana, a maior
parte das declarações de Louçã sobre o caso Marcelo, o estilo de Bernardino
Soares ao comentar as questões orçamentais, são apenas alguns exemplos em
que a demagogia, a falta de sentido de Estado, e mesmo as graçolas de baixo
estofo tornam a esquerda irreconhecível para aqueles que, como eu, sempre
acreditaram que ela se distinguia pela nobreza e elevação quer dos
propósitos quer dos comportamentos.
A história mostra que os comportamentos descritos levam à destruição da
democracia. Tem que tocar algures um sino a rebate para que se verifique uma
mudança radical de atitude por parte daqueles que querem preservar a
liberdade.
É preciso acreditar que a dignidade dos comportamentos também acabará por
fazer a diferença e "render" politicamente. Quando um jornalista rasteiro
vem com uma pergunta rasteira, verdadeiramente tentadora para entalar o
adversário mas irrelevante do ponto de vista do interesse público, é preciso
recusar o engodo, reduzir a intriga às suas diminutas proporções, falar de
outra coisa.
Só quando se mostrar coragem para rejeitar a chicana política, para perder
as eleições se for esse o preço das verdades incómodas, para tirar o chapéu
ao adversário quando as suas acções são positivas é que poderá começar um
novo ciclo na política portuguesa.
Para isso faltará talvez encontrar uma alternativa para os partidos como
base em que assenta a democracia. Os partidos, pela sua própria natureza,
geram clubismo, cegueira sectária e distribuição de favores.
Não seria muito mais natural as pessoas associarem-se a causas e projectos,
de acordo com as suas inclinações, do que filiarem-se em instituições com as
quais nunca se identificam completamente. Quem, por exemplo, seja
simultaneamente contra a liberalização do aborto e contra o pacote laboral
não encontra nenhum partido com que se identificar.
Virá o dia, estamos certos, em que as pessoa serão militantes de causas e
projectos e não de partidos. Em que os boletins de voto pedirão a cruzinha
não em bandeiras partidárias mas sim em causas e projectos.
Fernando Redondo
publicado por quadratura do círculo às 18:49
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Carlos Frota - Eleições ou referendo?

Não serei original - já vi, e em mais de uma ocasião, expressar a mesma
ideia: na verdade, as eleições de 20 de Fevereiro configuram mais um referendo cuja pergunta seria, aproximadamente, esta: "Concorda que ao ex-Primeiro Ministro Pedro Santana Lopes seja concedida a oportunidade de voltar a governar Portugal?" Na campanha para este referendo parece que o mais importante será enfatizar o que se deve ao ex-Primeiro Ministro e ao seu governo. De bom, e de mau. E colocar, nos pratos da balança, o produto da listagem e decidir em conformidade. Haverá sempre quem ache que tal oportunidade deve ser dada - por fidelidade partidária ou porque simpatizam com a pessoa; e haverá quem, tendo em mente que apesar da diversão que representou, nestes meses de gestão santanista, a expectativa de mais um desvario, de uma inconsequência, pensem que regressar a esse passado seria pactuar com a indigência mental. Sinceramente, se neste referendo Santana Lopes obtiver um resultado "honroso" (repare-se: não digo ganhar) será, para mim, motivo de estupefacção. Porque por muito que a campanha que ele e os seus façam tente minimizar a memória dos erros e dos fracassos, aceder a continuar uma gestão perfeitamente caótica não deve caber em cabeças inteligentes. O referendo terá pois, penso, um rotundo "não" - que significará, por certo, um "sim" a José Sócrates. Já o escrevi em anterior "post" - Sócrates merece o benefício da dúvida, e, porque é indiscutivelmente um homem inteligente, saberá que não pode falhar em momento tão crucial como o que o país vive. É o líder eleito de um Partido que teve uma luta eleitoral aguerrida e não ganhou com 99% de votos... Ele sabe que tem a confiança dos seus correligionários mas sabe também que teve oposição e que ela estará vigilante. Quando Ministro do Ambiente, mostrou duas coisas importantes: não vagueou entre o sim e o não e tomou decisões da maneira mais correcta - perguntando a quem sabe. Vai ser o salvador da Pátria? Claro que não, mas pode iniciar a viragem. Espero que a campanha clarifique as opções que o PS apresente para um futuro governo. Neste momento, e perdoe-se-me o chavão, Portugal está primeiro. E porque Portugal está primeiro, não pode correr o risco de voltar a ver uma figura como Santana Lopes como Primeiro-Ministro.
Carlos Frota

publicado por quadratura do círculo às 18:43
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Nuno M. Almeida - Clubes de amigos

Ao assistir ao processo de elaboração das listas de candidatos a deputados e respectivos critérios vigentes, cada vez me convenço mais que os grandes partidos políticos são autênticos clubes de amigos, onde imperam a "cunha" e o amiguismo, acabando por serem sempre os mesmos protagonistas, eleições após eleições, fechando-se as portas a todos aqueles cidadãos, independentes ou não, que querem dar o seu contributo com novas e válidas ideias e, sobretudo sem vícios.
Cada vez me convenço mais que o exercício da cidadania e a contribuição individual para um país melhor, passam por todo o lado menos pelas grandes ( em dimensão ) formações partidárias.
Sempre os mesmos nomes, sempre as mesmas caras, sempre os mesmos discursos, sempre os mesmos compadrios, num país de 10 milhões de habitantes.
Mais do que nunca, este nosso Portugal precisa de se ver livre das garras dos incompetentes que alternada e ciclicamente, se acotovelando, vão passando pelas cadeiras do poder e cujas ideias, quando existem, claramente se provam ser desadequadas, desastradas e ineptas.
Está na altura de se refundar todo o nosso sistema político, toda esta vergonhosa classe política "carreirista", sob pena do país manter o seu rumo em direcção ao abismo. E ainda se admiram que a taxa de abstenção suba e a descrença dos portugueses no seu futuro seja uma realidade teimosamente inalterável...
Nuno M. Almeida
publicado por quadratura do círculo às 18:41
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Jorge Costa - Criticando Patinha Antão

Na sua coluna Ponto de Vista, no D.N. de 2 de Janeiro, página 17, o insigne académico, reputado economista e douto legislador, actualmente secretário de estado da saúde, Mário Patinha Antão num assomo de profunda honestidade intelectual para fundamentar as suas teses cita profusamente o Relatório de 2001 do Banco de Portugal e declarações à época do seu Governador, concerteza por lapso esqueceu os relatórios e declarações subsequentes e mais contemporâneas.
Para obviar ao esquecimento, recordaria que Vítor Constâncio afirmou muito recentemente, à saída de uma audiência presidencial, que o défice actual estaria próximo dos 6 por cento, muito pior que o de 2001.
Onde estará a celebrada consolidação orçamental, o anunciado fim da necessidade da austeridade e o alto astral?
Ou será que as sagradas escrituras só são válidas para os pecados alheios e não para os próprios.
Os trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, que foram espoliados do seu Fundo de Pensões, o meio milhão de desempregados e todos aqueles que viram adiados os pagamentos das diversas prestações sociais devem estar mais atentos às declarações recentes do Banco de Portugal que às citadas pelo preclaro plumitivo.
Avesso à tecnologia verbera o uso de teleponto por José Sócrates, talvez invejoso pelo seu líder de turno, Pedro Santana Lopes, andar aos papéis com discursos escritos como se viu na sua tomada de posse como primeiro-ministro.
Resistindo e lendo o artigo até ao final, conclui-se que o sr. também não simpatiza com os relatórios do PNUD, do Banco Mundial ou da OCDE, pois ao acabar pergunta no caso do Partido Socialista ser Governo: “Vai reduzir o peso do Estado, como o Orçamento prevê, de 48,2 % para 46,9, ou vai aumentá-lo para os níveis da Europa do Norte, como o PS ideológico sempre quis, quer e quererá?” Nesses relatórios os tais países da Europa do Norte lideram o desenvolvimento mundial.
Imagine-se a preocupação dos portugueses e das portuguesas quando atingirmos os níveis dessa depreciativamente designada Europa do Norte, tidos como o paraíso da social-democracia. É verdade que o partido do articulista já há muito se esqueceu do que era isso de ser social-democrata ainda que mantenha essa designação no seu nome.
Publicidade enganosa!
A referência ao PS ideológico demonstra que está contra quem pensa e fundamenta a sua prática num corpus consistente de ideias e ideais, revela-se um adepto fervoroso do pragmatismo sem princípios ou seja do tudo ao monte e fé em Deus.
Ainda que sem casos de justiça ainda não foi desta que o PSD acertou no porta-voz para a economia.
Seja qual for o próximo Governo, o simples facto de nos livrarmos do actual já fará com que o ano de 2005 seja melhor que este que agora termina.
P.S.: Parafraseando John Kennedy seria bom que cada um dissesse o que fez pelo país em vez de esperar o que o país poderá ou não fazer por ele. Como declaração de interesses poderei sem medo de contestação afirmar que o serviço que dirijo até dia 17 de Dezembro, inclusive, ultrapassou em 21,54 por cento a produtividade contratualizada.
O senhor secretário de estado da saúde também teve de dar o seu melhor para que a dívida do seu ministério, à Indústria Farmacêutica, atingisse o valor recorde de 945 milhões de euros em Novembro de 2005 (muita dela vencida há mais de 900 dias), eram 404 milhões em Janeiro de 2003 e 639 em Janeiro de 2004, mais que duplicou.
O meu mérito é logicamente inferior, as consultas do meu serviço só cresceram 41,67 por cento em dois anos.
Sr. Doutor pela sua produtividade, bem-haja!
Jorge Costa (Assistente Hospitalar de Imuno-Hemoterapia do Hospital Doutor José Maria Grande e membro do Secretariado da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista)
publicado por quadratura do círculo às 18:28
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2005

Maria Helena van Zeller de Azeredo e Maria van Zeller de Azeredo Oliveira - Sondagens

Que significam as sondagens eleitorais? O que provocam? O que pretendem? Serão um exercício de utilização de técnicas para beneficiar alguém?
O que acontece de facto é que quem ouve as sondagens toma uma atitude demissionária e passiva, de derrota ou de vitória à partida que induz à abstenção e que perverte todo o processo eleitoral.
Que se confesse quem as faz e que nessa confissão clarifique as intenções e se responsabilize pelas consequências.
Maria Helena van Zeller de Azeredo e Maria van Zeller de Azeredo Oliveira




publicado por quadratura do círculo às 19:09
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José Lima - Atraso na Segurança Social

Presentemente, eu recebo da Segurança Social abono de família e subsídio de desemprego, que são processados religiosamente nos dias 25 e 29 de cada mês, respectivamente. Hoje, dia 30, já deveria ter ambos os créditos na minha conta bancária, o que ainda não aconteceu.
Alarmado pela notícia publicada no Diário Económico, resolvi contactar os serviços centrais da Segurança Social. Em primeiro lugar, falei com o departamento que faz os processamentos, que me confirmou que ambos os pagamentos foram processados nos dias habituais e que os serviços financeiros da S.S. é que poderiam esclarecer o atraso. Procurei contactar esses serviços, mas não tive sucesso. Liguei então para o centro de atendimento do Areeiro. Fui atendido por uma funcionária que me disse que ninguém na Segurança Social sabe quando serão pagos os subsídios de desemprego e abonos de família. A meu pedido, esta funcionária procurou pôr-me em contacto com um nível hierárquico superior, mas ninguém estava disponível para o efeito. Pela conversa com esta senhora, embora ela tenha procurado não se comprometer muito, por razões óbvias, ficou claro que estes pagamentos estão mesmo congelados.
Isto significa duas coisas: primeiro, o Governo mentiu descaradamente, mais uma vez, quando negou a notícia veiculada pelo referido jornal, afirmando que os pagamentos seriam feitos nos dias habituais; segundo, o “elo mais fraco” é quem paga a “factura” do défice, como se já não bastasse não ter perspectivas de futuro, nem saber como se vai sustentar a família amanhã.
“O quê, há défice a mais? O país tem atrasos graves? Quero lá saber! Quero é encher os bolsos o mais possível e os outros que se amanhem.” Há décadas que este é o lema de uns e outros, quando chegam ao poder. Toda a gente sabe que é assim.
(...)
Este congelamento dos pagamentos da S.S. é a confirmação de que a incompetência virou cobardia.
(...)
José Lima
publicado por quadratura do círculo às 18:51
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David Estêvão Gouvêa - Notícias do maremoto

O chavão da “exploração da tragédia pelos media” é algo que aqueles que se auto consideram intelectuais pensadores gostam de utilizar. Na tragédia do Índico, as imagens e os detalhes informativos que os media nos têm dado vieram modificar o impacte da palavra maremoto no meu subconsciente. Maremoto era uma palavra que eu gostava de dizer, com uma sonoridade parecida com marmota, o peixinho simpático, rolava na boca brincalhona. Hoje é uma palavra dura, que me inspira medo e uma sensação de desespero e desgraça. E não vale a pena falar do não publicitado terramoto da China que matou 100 mill pessoas e não foi noticiado - uma desgraça não justifica outra e se os chineses querem esconder do mundo, como sempre, as suas misérias, devido a um orgulho profundo e histórico, deixá-los. Tal orgulho só os fez perder o seu lugar na historia durante 3 séculos e, se tudo correr bem, só agora está a ser reposto.
Portanto, venha mais informação, mais imagens e mais detalhes e que assim os cidadãos da Terra tenham o direito de pensar e reflectir como melhor entenderem e se acharem que é demais, desliguem - têm esse direito, mas não macem os outros que se querem enriquecer!
Enriquecer é o que Portugal não fará se continuar a discutir, mal, a politiquice. E digo mal porque na discussão da estratégia eleitoral acho que JPP está a esquecer a Lógica. JPP deve rever um pouco do seu von Clausewitz, Machiavelli e Sun Tzu. O PPD/PSD protegeu o seu flanco direito ao impedir que o CDS/PP faça uma coligação ou entendimento com o PS seja qual for o resultado eleitoral. Logo só tem de se voltar para a esquerda e atacar, mantendo o centro do terreno. Assim prevejo que o PSD vai sair com mais retórica acerca dos menos protegidos e dos mais necessitados, da fuga ao fisco e dos abusos ao sistema social, deixando para o CDS/PP toda a conversa da nacionalidade, defesa, produtividade e criação de riqueza. Ficam assim cobertos seja qual for a política de venham realmente a seguir, se ganharem as eleições.
O José Magalhães teve uma frase que é reveladora do estado de probreza da política partidária ao dizer “espere (JPP) pelo manifesto” para ver qual vai ser a contundencia do PS na campanha eleitoral.
Mas será que os partidos não devem ter sempre o seu manifesto em dia?
Para que servem os partidos com responsabilidade de governo se não para terem uma panóplia de alternativas de governação sempre prontas para serem implementadas? Como querem que se possam realizar eleições e mudar de governo em 30 dias se os planos para governar não estão sempre em dia?
Se queremos um país que se modernize para não perder o barco, vamos começar pelos partidos e professionaliza-los para que possam ser verdadeiramente uteis e não só consumidores de recursos.
David Estêvão Gouvêa



publicado por quadratura do círculo às 18:41
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Jorge Ferreira - Proposta à SIC

Apesar de considerar o vosso programa um dos melhores da actualidade em
análise política, julgo que era importante a SIC colocar questões directas
aos dirigentes de cada partido, nomeadamente as soluções que cada um propõe.
Por exemplo, quando é que alguém do PS tem a coragem de explicar ao país
como vai resolver o problema do déficit? Quando é que o PS vai deixar de
olhar para trás e atacar o governo PSD (quando de facto fez muito pior
quando a conjuntura era bastante mais favorável) e começar a propor soluções
concretas para o país?
Para além disso, é no mínimo ridículo ouvir os dirigentes do PS comentar a
instabilidade dos últimos meses do governo de Santana Lopes quando nos
governos do Eng. Guterres aconteceram situações bastante piores (já se
esqueceram, por exemplo, como os ministros Veiga Simão, Daniel Bessa, Pina
Moura, Jorge Coelho ou Fernando Gomes sairam do governo)? É verdade que os
governos PSD não resolveram o problema. Mas no mínimo não deixaram o país
pior do que o encontraram - o mesmo já não se pode dizer do Eng. Guterres.
A SIC deveria ter um programa sem comentadores fixos (para além deste), onde
cada partido enviaria os seus porta-vozes por cada área - ex. Economia,
Saúde, etc. Caso contrário, continuamos com programas que repetem
basicamente a mesma coisa todas as semanas, pelo facto de os seus
comentadores, naturalmente, não dominarem todas as áreas - o que resulta na
concentração dos comentários em factos sem interesse, política partidária,
fait-divers, etc.
(...)
Jorge Ferreira
publicado por quadratura do círculo às 18:29
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