Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

João Gonçalves - Fauna do pântano

Quando em 2001, o Eng. Guterres, fugiu do pântano, abandonando a governação para se dedicar a evangelizações mais amplas, a emoção causada pela fuga subalternizou os perigos do pântano. Depois das últimas eleições autárquicas, pode afirmar-se que, entretanto, o pântano foi alastrando um pouco por quase todo o país (se o pântano fosse crude tínhamos americanos na costa ) e o Zé Povinho não parece preocupado: tem a alma grande ou anda distraído.
A campanha eleitoral foi, porventura, a campanha com maiores doses de populismo, demagogia, personalização, menor debate de ideias e de problemas locais, e um pouco por todo o país, não faltaram candidatos populistas de todas as cores e feitios (candidatos do chouriço, do vinho, etc.), que os casos mais mediáticos ofuscaram injustamente. O P.C.P num registo diferente, transformou a campanha eleitoral em comícios contra o governo, omitindo as propostas para as autarquias.
Com um terço das câmaras sob investigação, com as declarações do Dr. Paulo Morais, Felgueiras, Gondomar, Oeiras e Marco do Canavezes podem muito bem ser apenas uma fotografia isolada da fauna que inclui diversas espécies.
Nevoeiro denso, jogos de luz e sombra cobrem o pântano e dão aos seus habitantes aspectos fantasmagóricos entre o real e o imaginário, como nos romances latino-americanos: parecem circunspectos cavalheiros de colarinho branco, outros mais liberais em traje desportivo, funcionários públicos, topo de carreira, austeros juízes e eficientes médicos, profissões liberais, as mais variadas, traficantes de droga e carne humana e, mais para baixo na escala, os patos bravos das saudosas redacções da Guidinha.
Enfim, pedreiros, trolhas e calaceiros de todas as profissões, ofícios e artes, mas o mistério persiste como é próprio das coisas pantanosas. O recém anunciado cambão entre algumas empresas da indústria farmacêutica e diversos hospitais, os subtis esquemas de ligação de alguns bancos com empresas sediadas em offshore (também designados paraísos fiscais na versão laica do paraíso celeste), o cambão das empresas importadoras de cereais podem funcionar como postais ilustrados da fauna.
No seu discurso, nas comemorações do 5 de Outubro, o Presidente da República, ao referir-se à corrupção, sensatamente não referiu profissões e classes não fosse cometer a indelicadeza de praticar omissões.
Se o anónimo autor da “Arte de Furtar”, inutilmente dedicada ao rei D. João IV, fosse vivo tinha matéria-prima para uma trilogia. Tradição e História não faltam a um povo de marinheiros traficantes
Depois das eleições de 9 de Outubro, o aparecimento de um partido populista, poderá ser apenas uma questão de tempo. Não é necessário ter uma bola de cristal ou pedir ajuda ao Bandarra para chegar a esta conclusão que está ao alcance de qualquer mortal.
O terreno encontra-se em poiso, aguardando apenas a sementeira. A falta de autoridade do Estado, a crise económica e social, o monstro do défice, o buraco da balança comercial, o descrédito generalizado nos partidos políticos e nas instituições, as múltiplas formas de corrupção, a crise de valores – chega para o leitor não fugir – são fenómenos que têm vindo a acentuar-se.
Depois de termos sido adubados e regados, durante duas décadas, com fundos comunitários e de sermos candidatos ao “pelotão da frente”, o cidadão comum interroga-se como foi possível acordar com o “monstro” em cima e na “cauda do pelotão”, de onde, afinal, nunca saímos?
Não admira, décadas de promessas eleitorais, de televisão rasca (um caso de saúde pública) e de futebol grosseiro promovido a desígnio nacional (políticos e autarcas disputam os lugares VIP nos estádios e nas fotografias ao lado dos dirigentes dos clubes), acabaram em bebedeira, com a cabeça a andar à roda.
Os delírios da Expo 98 dedicada aos oceanos (sem termos navios) para disfarçar a especulação imobiliária, do Euro 2004 com 10 estádios a mamar nos Orçamentos do Estado e das Autarquias, das Capitais da Cultura num povo que não lê jornais, deram lugar à depressão nacional embora o Zé Povinho ainda não tenha percebido a profundidade da crise.
Salvadores da Pátria, com soluções simples para problemas complicados e muito complicados, não irão faltar: andam por aí, como diz o Lopes e, quem sabe, a concorrência até poderá ser grande.
Deus nos guarde, se é que Ele ainda salva alguma coisa.
João Gonçalves
publicado por quadratura do círculo às 19:13
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

Luís Santiago - Presidenciais de CD

Vários Cidadãos Democratas (CD) candidataram-se à Presidência da República. Cada um tem as suas motivações. Todas elas mais ou menos discutíveis, umas mais transparentes do que outras, mas todas elas com o cunho humano. Alguém num debate televisivo terá afirmado que o Candidato Mário Soares terá deixado no Partido Socialista uma mensagem inequívoca de que queria ser “O Candidato”. Se isto é verdade o Drº Mário Soares não sabe (ou ignora propositadamente) que o espírito do legislador constitucional e a letra da Constituição Portuguesa apontaram para a iniciativa individual de um cidadão português, maior de 35 anos (e não 33), no pleno gozo dos seus direitos cívicos e políticos. O Drº Mário Soares entrou em desespero por não querer sair da cena política e exigiu “democraticamente” ao PS que queria ser “O Candidato”, para fazer frente, desesperadamente, à inevitável e fatal (tão certa como o destino) candidatura de Cavaco Silva; passou por isso a ser o Candidato Desesperado (CD) a pôr paternalmente a mão afagadora na cabeça de uma Esquerda Órfã e também ela desesperada. Com esta atitude o Drº Mário Soares passou por cima das aspirações do Candidato Manuel Alegre obrigando o Partido Socialista a castigar tão atrevidas aspirações, deserdando o Militante e Amigo de longa data. “Amigos, amigos, política à parte”. O Drº Manuel Alegre foi assim reduzido à condição de Candidato Deserdado, muito embora as suas aspirações não sejam objectivamente arrojadas. Apenas quer, o Candidato Deserdado, que o Professor Cavaco Silva não ganhe à primeira volta. É realmente um objectivo subjectivamente ambicioso, uma tentativa romântica e poética de evitar que a Esquerda passe uma humilhação. Os Românticos e os Poetas farão política mas nunca serão políticos. Com excepção de Cavaco Silva, os outros Candidatos, nomeadamente, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã ficarão conhecidos pelos Candidatos Desligados (CD) pois estão efectivamente desligados da realidade. Não percebo como é que pessoas supostamente inteligentes e maduras se dispõem a cenas destas. Perdem tempo e feitio e gastam dinheiro à Nação, com cujas despesas inúteis e supérfluas, estão tão incomodados e preocupados. Serão figurantes de um filme que já tem dois actores secundários e um actor principal. Está bem, são todos precisos porque senão a Democracia ficava mal vista na fotografia. O Professor Cavaco Silva não é e não tem uma imagem simpática. Por muito que se esforce – e já está muito mais maduro – não consegue disfarçar a incomodidade que lhe causam algumas perguntas estúpidas de jornalistas que tiraram o curso por correspondência. Tem aquela figura espartana a que não pode fugir por ser uma pessoa austera. Mas é, sem sombra de dúvida, o Autor, o Maestro, o Encenador, a Estrela Principal de uma ópera que escreveu e ensaiou desde o princípio. O Como e o Quando foram escolhidos com uma precisão cirúrgica. O seu silêncio, que alguns leram erradamente como hesitação, manteve a chama viva e o desejo de ouvirmos o que tinha a dizer sobre a res publica. O seu silêncio e as suas intervenções oportunas foram-nos fazendo esquecer de alguns desastres da maioria a que presidiu. O seu silêncio entronizou no espírito dos portugueses (sempre à espera de alguém vindo do nevoeiro) a encarnação do Desejado. A sua distanciação dos partidos é inquestionável. É o PSD que o vai seguir e não o contrário. A cerimónia da sua apresentação foi eficaz, com um discurso curto, compreensível, lógico, directo e objectivo e a sua rara disponibilidade para as perguntas, ao vivo e em directo, dos jornalistas, com quem manteve um longo braço de ferro, mostram um Cavaco Silva menos distante e politicamente mais preparado. É o Candidato Desejado (CD). Espero que a campanha que se segue nos ajude a escolher entre candidaturas que se apresentaram contra a personalidade, ou personalidades e aquela que se apresentou a favor de uma luta por todos nós...
Luís Santiago
publicado por quadratura do círculo às 19:59
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Fitas Custódio - PS e Forças Armadas

(...)
Vasco Pulido Valente
«Agora ninguém se lembra, mas tudo começou logo nos primeiros meses. O Governo socialista arranjou um sem-fim de sarilhos na escolha das chefias da Marinha e do Exército; aboliu os tribunais militares; removeu dezenas e dezenas de militares de cargos que tradicionalmente ocupavam apenas por o serem; ignorou vários levantamentos de rancho na Força Aérea; permitiu que um general no activo se pronunciasse em público sobre política; e o sr. ministro da Defesa António Vitorino revelou alegremente ao País que estava a preparar uma aliança dos oficiais novos contra os velhos. A verdade é que os socialistas portugueses não vêem qualquer utilidade nas Forças Armadas. Não percebem de facto porque hão-de pagar fragatas, submarinos e tanques (ou majores e coronéis), quando com o mesmo dinheiro podiam, por exemplo, comprar um milhão de votos. De Mário Soares - que nunca conseguiu distinguir um alferes de um almirante - a Sampaio e Guterres, todos têm um ódio visceral à tropa. Um ódio histórico, que nasceu na "esquerda" jacobina e foi fortalecido por 50 anos de Salazar. Na cabeça do típico PS, a tropa só serviu para fazer o "25 de Abril" e só serve hoje para fingir que Portugal cumpre as suas "obrigações" na NATO e na "Europa". De resto, incomoda - com a sua ética e as suas "manias". O PS e o Governo, no fundo, gostavam que a tropa não existisse e, como é difícil acabar com ela de repente, vão acabando com ela pouco a pouco. Que os oficiais e os sargentos - num puro acto de insubordinação - andem por aí em manifestações de rua não os preocupa - e não lhes mete medo. O tempo dos "golpes" já passou. E nem Bruxelas deixava, por amor de Deus. Eles, portanto, que aguentem. O dinossauro também se extinguiu, não extinguiu?»
Diário de Notícias, 03 de Julho de 1999

Só que, como por osmose todos os outros para não se ficarem atrás seguiram a mesma linha de orientação e hoje está generalizada na opinião pública a "inutilidade" de umas Forças Armadas. Tenham a coragem de se assumirem e acabem com elas. Depois é só chamarem o exército dos eleitos no activo e na reforma para desempenharem as funções de Defesa da Pátria. Assim equilibravam o Orçamento, e era menos uma dor de cabeça para os excelsos políticos que desgovernam este País.
Fitas Custódio

publicado por quadratura do círculo às 19:48
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Rui Fonseca - Orçamento e agricultura

Na passada quarta-feira, o Circulo abordou pela rama a Quadratura do Orçamento por não ter podido comparecer um dos membros e a gripe das aves poder ter consequências mais nefastas para a população do que a existência do nosso Ministério da Agricultura.
Ficou, no entanto, prometida a abordagem ao Orçamento para 2006 para a próxima sessão.
A proposta de Orçamento parece merecer o apoio da generalidade dos comentadores e, presumo, que o Círculo, desta vez, irá quadrar-se.
Gostaria, no entanto, de colocar a ingénua questão seguinte: A despesa pública corrente assume uma rigidez quase total porque a parte de leão é consumida em despesas com pessoal e a Constituição não permite a dispensa de pessoal. E não se pode alterar a Constituição?
Só mais outra pergunta ingénua:
Parece que o Ministério da Agricultura vai observar um corte de despesas, relativamente à estimativa de execução de 2005, de 8,3%. Seria um bom objectivo se, concomitantemente, soubéssemos o que fazem no Ministério da Agricultura muitas dezenas de milhar de funcionários. O Círculo sabe?
Em Abril passado, JPP escreveu no Público uma crónica intitulada “Portugal a Voo de Pássaro” e eu não sei se foi propositada a escolha do título mas, de qualquer modo, remeteu-nos para Maria Rattazzi e o seu “Le Portugal à vol d´oiseau”. Na altura, encontrava-me nos EUA, e rabisquei umas notas a propósito daquela crónica e das confrontações que aqueles títulos homónimos me suscitavam. Tinha também lido, dias antes, “Portugal, Hoje – O Medo de Existir” e tive, uma vez mais, a sensação de que nos lamentamos muito e propomos pouco. O que é isto tem a ver com o Orçamento? Pois tem na medida em que não é suficiente a redução das despesas. Para além da contenção do deficit importa por este País a trabalhar. O Ministério da Agricultura, creio, é um bom (mau) exemplo, mas quase não se fala dele. Lamentavelmente há muitos outros.
- Uma aldeia portuguesa, que tristeza ou o mistério do ministério
“Aldeias. Actividade económica? Nula. Ou quase. Cafés, com a Sport TV e gente falando muito alto. Alcoolismo. Restaurantes, como se imagina. Velhos. Cada vez mais velhos. Farmácias. Único emprego para os jovens que os faz fugir da escola e alimentar a estatística do abandono escolar: construção civil. Muitos jipes, carros, motas. Anúncios de discotecas, bares, cada vez mais. Os movimentos pendulares de carros pela noite, prenunciando o tráfico de droga. Depois ruínas, de quintas, lagares, fabriquetas, de vinhas, de zonas de cultivo de tomate, de campos de oliveiras, ruínas da agricultura portuguesa” – José Pacheco Pereira, Público, 28 Abril 2005.
“Mesmo eu sou de uma aldeia à beira mar e oiço-o duas léguas ao
redol: meio ano a lavoirar e outro meio ao
anzol (Afonso Duarte).”
Não sou da Ereira mas nasci por perto. Naquele tempo as aldeias “ao redol” pareciam jardins, regados com muito suor. Mas era uma economia de subsistência e vivia-se mal, alguns mesmo muito mal. Foi por viverem mal que muito saltaram para França, Luxemburgo, para toda a parte. Eu saltei para Lisboa. Eram terras de pequenos agricultores e de pequenos pescadores e ninguém apareceu a ensinar-lhes a crescer. Talvez já existissem engenheiros e outros técnicos agrários mas nunca os vimos por lá. Os animais, se adoeciam, eram vistos e receitados por um alvitar. O veterinário não ia além do matadouro para assinar os papéis.
Hoje, onde era jardim, há mato. A economia que era de subsistência é agora de assistência. Vegeta-se melhor.
Entretanto, em matéria de agricultura e pescas o Ministério da Agricultura e Pescas não parou de crescer. Segundo dados recentes, para cada 4 agricultores existe 1 funcionário no Ministério. Entretanto o Ministro, logo que empossado, declarou para sossego das hostes e garantia dos votos que não haverá despedimentos. Nem precisava dizer, a Constituição não deixa.
Pode perguntar-se, no entanto:
Não se pode por essa gente a trabalhar? A Constituição proíbe?
Que faz tanta gente no Ministério? Mistério.
Porque não aparece essa gente nas aldeias promovendo a melhor utilização dos recursos? Mistério. Porque nunca apareceu? Mistério.
O Ministro da Agricultura (e ás vezes das Pescas) e os seus colaboradores mais próximos não podem arredar pé de Bruxelas. E o resto do Ministério?
Mistério.
A redução de postos de trabalho observada no sector primário nos últimos cinquenta anos (à excepção, como vimos, do Ministério Mistério) foi normal e acompanhou, com o nosso habitual atraso, o movimento de transferência para os sectores secundário e terciário, característico das economias em desenvolvimento. Entretanto, da economia de subsistência, subsistiu, além do mais, fora do Alentejo e Ribatejo, uma propriedade fragmentada que, na maior parte dos casos, não pode ser competitiva. Os nossos solos não têm, geralmente, a potencialidade produtiva da Europa Verde. Mas aos poucos que temos, que lhes fazemos?
Não sabemos.
Alguns plantam eucaliptos, outros plantam casas, outros plantam barracões, outros não plantam nada porque não é preciso plantar para as silvas crescerem.
E, evidentemente, os campos de silvas não pagam impostos, pelo que nenhum incentivo existe para lhe dar alguma eficiência económica. Aliás, enquanto a “expectância” não for tributada ou for menos tributada que a criação de riqueza a propensão para deixar crescer as silvas é, obviamente, enorme.
O que diz o Ministério a isto? Como de costume não diz nada.
Tenho um amigo, hoje na casa dos setenta, analfabeto, que comeu o pão que o diabo amassou, esgotou-se a trabalhar em franças e araganças, até que há meia dúzia de anos voltou a dar à costa. Continua a viver num barraco, tem um filho alcoólico, que provavelmente vê a TV Sport na tasca mais próxima, fala alto, e pelas contas da Nação também é considerado agricultor.
Há dias encontrei-o a cuidar do batatal. Estava satisfeito com as amostras da sementeira e dentro de um mês vai poder comer batatas novas.
Que culpa, meus senhores, tem o meu amigo António que a agricultura em Portugal não passe da cepa torta? Em média (as médias são o que são, já se sabe) deve haver no Ministério um funcionário que ocupa metade do seu tempo preocupado com o António e o filho. Fá-lo, evidentemente, de forma muito discreta e fala baixo, tão baixo que o meu amigo António nunca o conseguiu ouvir.
- E se ele, António, viesse ajudar-te a apanhar as batatas?
- Nem pensar. Isto, parece que não, mas tem ciência. Quem não sabe apanhar batatas corta-as todas ao meio.
Rui Fonseca
publicado por quadratura do círculo às 19:30
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António Carvalho - Aperto de cinto

O Governo, ao apertar ainda mais o cinto às famílias portuguesas, quer demonstrar a sua preocupação pelo elevado grau de “obesidade” instalado na população. A “cantilena” destes fulanos, originada pela obsessão do déficit, faz lembrar aquela história do agricultor que se convenceu que conseguia desabituar o seu cavalo da ração diária de alimento. Depois de uma dúzia de dias sem o bicho ver comida, o agricultor julgou-se dono da razão. O animal perdera o hábito de comer!
Morreu, feito carcaça esquelética, ao décimo terceiro dia.(...)
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:17
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Amora da Silva - Política e moral

Cavaco Silva diz candidatar-se por estrito imperativo de consciência. Quando fala de consciência só se poderá entender como consciência moral. Ora, nada há de mais estranho a uma consciência moral que a sua exposição pública e só o facto de fazer assentar sobre ela um projecto de poder a transforma numa profunda imoralidade. Eu sei que o senhor professor é economista e que, provavelmente, nunca leu a "Metafísica dos Costumes" de Kant. A minha avó, a pessoa mais recta que conheci, também não. Mas isso não a impedia de ter um olfacto que lhe indicava o que cheirava bem e o que cheirava mal, moralmente. Misturar política e moral é o princípio da perversidade.
Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 19:09
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Carlos Carvalho - Capitais e aeroportos

Um dos argumentos usados a favor do aeroporto da Ota é o de que, lá fora, os aeroportos também estão a grande distância das cidades por eles servidas.
Pois bem, a seguinte lista elenca os aeroportos das capitais da UE15, bem como a sua distância ao centro das respectivas cidades:
Lisboa - Portela: 7 km
Berlim - Tegel: 7 km
Luxemburgo - Findel: 7 km
Copenhaga - Kastrup: 9 km
Londres - City: 10 km
Dublin - Dublin: 11 km
Bruxelas - Nationaal: 12 km
Madrid - Barajas: 12 km
Amsterdão - Schiphol: 14 km
Atenas - Hellenikon: 14 km
Paris - Orly: 15 km
Viena - Schwechat: 17 km
Berlim - Schönefeld: 18 km
Helsínquia - Vantaa: 19 km
Londres - Heathrow: 24 km
Paris - Charles de Gaulle: 25 km
Roma - Leonardo da Vinci: 27 km
Londres - Gatwick: 44 km
Estocolmo - Arlanda: 44 km
Lisboa - Ota: 45 km
Londres - Luton: 50 km
Londres - Stansted: 55 km
Conclui-se assim que, com a Portela, Lisboa está entre as a capitais da UE15 mais próximas do seu aeroporto. Com a Ota, Lisboa passa a ser a capital da
UE15 mais distante do seu aeroporto principal. Mais longe do que a Ota, só o 4.º e o 5.º aeroportos de Londres.
Carlos Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:03
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Pedro Felismino - Classe política

Há trinta anos que somos governados por uma classe politica cujo ideal se desvaneceu em prol de interesses lobbysticos económico partidários que redundam sempre á volta do(s) mesmo(s).
Existem partidos politicos que insistem em não proceder a uma renovação da sua classe dirigente, teimando em manter sempre os mesmos no poleiro ano após ano.
Só após grandes derrotas eleitorais ou casos escandalosos tornados públicos, é que fazem com que aqueles quadros partidários pensem, calmamente e á vontade, sem pressas, em se afastarem do poder, obtendo sempre a compensação de cargos executivos em empresas estatais ou "reformas douradas" pagas por todos nós.
Quando se afastam, há que colocar rápidamente no poleiro corregelionários seguidores do mesmo esquema politico partidário, de modo a se poder assegurar que o aparelho partidário se reproduza a si mesmo, não se afastando do esquema estabelecido.
O que faz com que exista a sensação popular generalizada de que são sempre os mesmos no poleiro ano após ano,independentemente da sua cor partidária.
Existem pessoas,comuns cidadãos, que ao fim de uma vida de trabalho, sobrevivem com pensões/reformas/ subsidios, de 150€/200€ mensais...(...)
Pedro Felismino
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

Nuno Monteiro - Medidas difíceis

Já escrevi aqui que o PS é irresponsável na oposição. Mesmo em tempo de dificuldades (governo PSD/PP), manteve um discurso demagógico e anti-reformista. Discurso mantido na campanha eleitoral e que o levou ao poder.
Aí, sem outra saída, dá o dito por não dito e inicia as reformas. O PSD não se opõe, responsavelmente. Até apoia as medidas tomadas, mesmo que em surdina.
Alguns dizem que apoia envergonhadamente por não ter sido ele próprio, antes, no poder, a faze-lo. Não concordo. Viu-se claramente que tentaram reformar, mas, nem com maioria absoluta na Assembleia da República se consegue reformar contra o PS (o tal irresponsável em oposição), os Sindicatos (alinhados com os socialistas), a CDU e BE. Sem falar de Sampaio…que à mínima percepção de insatisfação popular, dissolveu…
É a versão portuguesa do tal estado de ingovernabilidade que se espalha pela Europa.
Uns querem reformar, mas não conseguem, pois os outros, quando em oposição, não deixam. E eterniza-se o processo de alternativa democrática, neste caso uma face negativa do sistema. E a democracia, aparentemente, não consegue desatar o nó.
O sistema democrático estará em crise? Pensamos que sim. A alternância democrática (tão cara aos puristas) passou a ser uma “pescadinha de rabo na boca”. Que assegura o adiamento das necessárias reformas, pois ganha sempre o que promete menos sacrifícios e salvaguarda regalias.
O que está em causa são os direitos conquistados ou adquiridos… Que muitos entendem que deveriam ser definitivos. Mesmo que insustentáveis? Questionam os restantes.
Começa a ser usual serem os que mais mentem que chegam ao poder. Aí, preparam reformas. Mas não chegam a implementá-las pois os outros, entretanto chegados à oposição, encostam-se à maioria “grisalha” - em crescimento na pirâmide populacional - , cada vez mais decisiva nos processos eleitorais.
E, assim, mantém-se o nosso (falido) estado social. Que mais não é do que um esquema de pirâmide tipo “Dona Branca” (lembram-se?) institucional. Que já perdeu a sua sustentação.
Felizmente, Sócrates mentiu, ganhou e está a reformar. O que não deixa de ser um sinal negativo para o (nosso) sistema democrático. Conclui-se que só os Pinóquios podem reformar…
As discussões sobre a viabilidade do sistema representativo proporcional (problema da governabilidade), bem como sobre a avaliação intempestiva e consequente da popularidade de um governo em funções (o que levou Sampaio a demitir o último governo) estarão para rebentar. Como fazer mudanças difíceis se o cutelo da demissão estiver sempre sobre a cabeça de um governo? Como estaríamos se Sócrates seguisse o exemplo de Guterres e fugisse? Ou se Sampaio resolvesse dissolver a Assembleia apenas porque as Eleições Autárquicas revelaram que a maioria ali existente já não correspondia à realidade actual? Como fez com o governo PSD-PP?
Todos são contra as medidas que os atingem e a favor das medidas que atingem os outros. Não vou tão longe como Pacheco Pereira sobre a popularidade das reformas do governo. Diria antes que, entendendo que como essas medidas atingem todos, então serão, porventura, aceites. Protesta-se sempre corporativamente, mas acabam por se aceitar com mais ou menos greve. Afinal, já não têm, como há um ano, a imprensa (embusteira) a pressionar, um PS sempre contra todas as mudanças e Sampaio a dizer que há mais vida para além do défice… E têm os sindicatos domados, com os seus dirigentes ou ex-dirigentes comprometidos… como deputados, nos ministérios ou noutras posições.
A actuação primordial sobre a função pública é justa. Na realidade é aí que é possível agir sem grandes prejuízos pessoais. Mantém-se a segurança do emprego e corta-se (degrau a degrau) nos ordenados e reformas. Não se põe em causa a base de sustentação de cada família e as medidas de contenção reflectem-se um pouco e distributivamente sobre cada um.
Na economia privada, mais sujeita ao mercado, a situação é diferente. Nos sectores equilibrados, nada se sente. Os ritmos dos aumentos salariais e a segurança do emprego não se alteram. Nos restantes sectores, em depressão e mais sujeitos aos efeitos da globalização, sentem-se os problemas da pior forma: através do desemprego.
Mas – o eterno mas - o pior deste governo que o levará ao insucesso: a Banca não paga a crise, a Indústria Farmacêutica idem. Junta-se a Construção Civil e a classe de políticos e gestores de empresas públicas (vide reformas do Banco de Portugal). Mantém-se a política dos tachos, a tentação de controlo total da sociedade e a contradição económica de querer conter despesas (défice) ao mesmo tempo que se quer dinamizar a economia. Ou seja, é difícil fazer passar a mensagem que todos têm de apertar o cinto…para aplicar os ganhos em SCUTs, OTAs e TGVs…
Nuno Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 17:28
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Jorge Costa - Promessas de Abril

No final da década de 60, do século passado, a editorial Presença publicou uma obra sobre os grandes grupos económicos em Portugal e a sua importância na repartição da riqueza em Portugal.
Num país eminentemente rural, pouco mais de meia dúzia de famílias, através do controlo do sector financeiro, industrial ou fundiário, dominavam completamente a riqueza nacional. Havia uma pequena quantidade de remediados e uma faixa imensa de pobres.
O analfabetismo campeava com mais de 35 por cento de analfabetos, a mortalidade infantil era vergonhosa, a falta de saneamento básico e de infra-estruturas mínimas era o nosso padrão de vida.
Nessa época, num discurso que fez história no Pavilhão dos Desportos de Lisboa, o cardeal Cerejeira afirmou que um povo se dominava tanto melhor quanto mais pobre e iletrado fosse. Era este o espírito da época entre as classes dominantes.
A Revolução de Abril, com o seu D de desenvolvimento, veio abrir um horizonte de esperança a todos aqueles que de um ou outro modo se sentiam socialmente excluídos.
Passados 31 anos e múltiplos governos, com as mais diversas propostas e orientações, que balanço se poderá efectuar?
Ninguém poderá negar que o país está hoje muito diferente e em muitos aspectos para melhor.
O analfabetismo desceu para 7 por cento, pela acção conjunta das leis da natureza (a morte) e um investimento acentuado na educação, mesmo assim continua muito superior ao verificado nos nossos parceiros da União Europeia. Os valores que temos de mortalidade infantil são motivo de orgulho, estão ao nível dos melhores valores europeus.
Avançou-se muito no campo das vias de comunicação, lamentavelmente ainda há bolsas significativas da população que não podem usufruir das vantagens de um saneamento básico efectivo e eficaz. Junto a grandes centros populacionais como Lisboa e Porto coexistem aglomerado sem água canalizada e sem esgotos.
O que teve uma evolução surpreendente foi o aprofundamento das desigualdades sociais.
É verdade que há muitos mais ricos que no século passado, alguns deles ninguém entende como o conseguiram, enriqueceram da noite para o dia. Mas existem 2 milhões de portugueses que estão num estado de pobreza profunda, ou seja 20 por cento da população portuguesa.
Como diz a OIKOS, ONG que se preocupa com estes problemas: “Pobreza não é meramente falta de dinheiro, é também a falta de acesso às necessidades que conferem dignidade na vida portuguesa”.
Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade social, onde é maior o fosso entre ricos e pobres, o que é característica dos povos em vias de desenvolvimento.
As 100 maiores fortunas representam 17 por cento do PIB e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional. É uma situação a todos os títulos insustentável!
Para além da legítima preocupação com o défice, os nossos governantes devem equacionar o modo de inverter de uma vez por todas esta situação, honrando assim as promessas efectuadas nas últimas décadas e nunca cumpridas.
Há que finalmente cumprir Abril!
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 17:18
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