Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2005

Armando Barata - Candidatos a Presidente

Os Debates para as presidenciais têm revelado que alguns candidatos contêm os tiques do que existe pior na política: a demagogia,a retórica pura,o discurso manipulatório e vazio,em suma a falta de honestidade intelectual é quase revoltante!
Passo a explicar:
-Dr.Mário Soares:
Diz frases do tipo " defendo o modelo social europeu...","...estou do lado dos mais pobres e desfavorecidos...","...Sou um presidente que ouve os portugueses...","...um país não precisa de professores de finanças e de economia mas sim de alguém que tenha uma perpectiva abrangente do mundo...",etc..
Perguntas como:
-Onde vai buscar os recursos financeiros para financiar: o modelo social europeu?Ou para sustentar a segurança social?Ou o aumento das pensões dos reformados?Ou para habitação mais digna para os mais pobres?Ou o aumento do ordenado minimo nacional?Ou o aumento do investimento na I&D?Ou criação de postos de trabalho para os que estão no desemprego?
Têm a resposta generalista,de quem não tem a mínima ideia como ajudar concretamente a resolver os problemas graves do país,limitando-se a uma postura de agressividade com os outros candidatos que raia o ridículo,resvalando para uma motivação exclusivamente de protagonismo pessoal,em que a arrogância convive de perto com o altruísmo(Os portugueses não esqueceram o célebre episódio com a GNR, em que o autoritarismo se revelou a par duma patética arrogância)!
O Dr.Mário Soares já provou que o seu desempenho político é sustentado na verborreia e não no domínio dos vários dossiers em termos concretos e profundos!É um político à antiga,dos tempos em que a "competência" dos políticos estava ligada ao domínio da palavra,mesmo desprovido de conteúdo!É do tempo em que a maçonaria e a solidariedade com os "amigos",fazia parte da conquista do poder!
Tem de se reconhecer que possui uma dose de coragem que falta a muitos políticos da nossa praça!Contudo o mundo mudou e a palavra fácil está a ser desmitificada com o decorrer dos tempos.Hoje existe a necessidade do rigor(os tempos são difíceis e complexos),e os protagonistas da política cada vez mais estão a ser seleccionados pelo público pelas suas acções executivas e pouco pelas acções declarativas!
Os profissionais da política,isto é, pessoas que não têm profissão além da política(leia-se Dr.Mário Soares) são pessoas que cada vez mais aos olhos dos portugueses não têm credibilidade.Como é que alguém pode dicidir ou influenciar a política dum país sobre empresas,sobre justiça,sobre finanças, sobre competitividade,sobre tecnologia,sobre o trabalho,etc.,se não têm a mínima experiência do mundo real do trabalho, das empresas e da economia?
O Dr.Mário Soares parece o D.Quixote a lutar contra os moinhos de Vento que tolamente só existe na sua própria imaginação!-Coitado merece a nossa compaixão!!!

-Dr.Francisco Louçã : Já provou na sua profissão que é um homem competente, possuindo um background de conhecimentos académicos notáveis,contudo é extremamente perigoso na medida em que possuindo uma real consciência das dificuldades do país,sobretudo ao nível da economia, revela no seu discurso propostas que são dignas de entrar no "Guiness" da desonestidade intelectual e demagogia!!!
Como optimizar a produtividade para depois fazer a distribuição social?
Será que é através de maiores impostos sobre a Banca que está inserida num dos mercados mais competitivos do mundo!E a captação de poupanças por mercados financeiros mais competitivos?E os Off-Shores que são uma realidade ?
O sr Dr.Francisco Lousã deveria dizer ao país quais são as propostas concretas em termos de sectores da economia e quantificá-las,dizendo ao país como poderá aumentar a produtividade das nossas empresas de forma a poderem competir com a China em que não existe direitos humanos mínimos,mas produzem para o mercado mundial,ou como podem ser competitivas as nossas empresas com a dos países de Leste em que a qualificação é superior a Portugal mas estão dispostos a trabalhar por salários mais baixos, e depois disso, as empresas portuguesas ainda terem lucros para poderem pagar impostos para podermos ter melhores pensões,melhores escolas,melhores profissionais na saúde,melhores salários na função pública, aumento do ordenado mínimo,melhores salários para os professores,mais juízes e melhores tribunais,melhores salários na PSP,GNR , condições mais condignas aos militares,aumento do investimento na I&D,etc.!Como se faz Dr.Francisco Lousã?Desenvolva e quantifique para que possamos achar credíveis as suas propostas,e acredite que o país agradece!!!

-Sr.Manuel Alegre(Pelo que sei este senhor não é licenciado!!,contudo é chamado pela comunicação social e não só,pelo título de Dr.!, é apenas um pormenor,sem dúvida pouco relevante para o assunto em questão,mas o que é um facto é que não se conhece nenhum título académico a este senhor,por isso não tem de ser usado,em nome do rigor!) Tem propostas simpáticas dum homem que sonha , mas não consegue acordar para a realidade!
Foi atraiçoado pelo seu "amigo" Dr.Mário Soares e por alguns importantes camaradas do PS,e isso é um facto!
Gostaria que tivesse maior votação que o seu camarada Dr.Mário Soares,por uma questão de valores e de ètica.Sem dúvida que o seu maior adversário é o seu companheiro de partido Mário Soares,e a revolta que demonstra pela falta de lealdade daqueles que sempre apoiou é expressiva!!
Revela nas suas propostas uma imcompetência genuína aliada a uma certa utopia comovente!
Tem melhor carácter que o seu adversário Mário Soares,mas falta-lhe convicção das ideias propostas!
Contudo merecia ter melhor votação que Mário Soares,pois o discurso é igualmente retórico e impreparado,mas tem a mais valia de ser mais sério e mais democrata que Màrio Soares!

-Sr.Jerónimo de Sousa: È um homem simpático , que transmite uma ideia de seriedade e de trabalho.No entanto, apesar da sua média inteligência , não consegue desligar-se dos slogans habituais do PCP :"Os ricos mais ricos e os pobres mais pobres...", "Capitalismo selvagem..;"Políticas neoliberais...","Destruição do aparelho produtivo..", etc..
Contudo estas frases gastas não são acompanhadas de propostas concretas e realistas de acordo com o contexto actual que é de "globalização" e complexo.
Faz os diagnósticos da economia,da sociedade,do emprego ,aos quais toda a gente está de acordo, mas propor como aumentar riqueza,ou como aumentar a competitividade para não perdermos postos de trabalho, ou como aumentar as pensões dos velhos, quando o déficite é uma realidade e os compromissos comunitários baixam a nossa margem de manobra,são respostas que se enquadram nos slogans do costume.
-Prof.Cavaco Silva: É sem dúvida o candidato mais preparado e credível de todos.
Tem um passado de seriedade, rigor e de trabalho. Tem uma profissão que não o faz depender da actividade política.Tem um perfil que projecta confiança e pode mobilizar os vários actores da sociedade.
Tem as características de líder, que combina um certo distanciamento com a capacidade de intervir nos momentos decisivos.Tem uma fobia pela acção e rejeita a retórica e acções de marketing,não sujeitando a sua imagem a um desgaste desnecessário.
Projecta uma imagem que pode dignificar as várias instituições do Estado e da política.
Em suma, o eleitorado pode não ter muita preparação política, mas ao longo do tempo aprendeu a separar o trigo do joio,isto é , diferenciar a utopia do possível, a retórica da proposta concreta.

O Debate do passado dia 20 de Dezembro entre Cavaco Silva e Mário Soares pôs a nu a diferença entre a contenção e categoria de Cavaco Silva e a arrogância e agressividade de Mário Soares .
O Dr. Mário Soares não consegue fazer uma proposta concreta para o futuro, ao invés passou o tempo a falar do passado.
O seu estilo de arrogância e quase violento faz deste candidato o pior dos candidatos e ele sim, pode pôr em risco a estabilidade social e governativa
Armando Barata

publicado por quadratura do círculo às 18:41
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Luis Lima - O debate que vi

Não sei se vi o mesmo debate que ouvi comentar posteriormente na televisão.
Fico muito admirado com as análises leves ao debate e só o posso admitir por respeito à idade de um dos candidatos.
O que eu vi foi um candidato nervoso ( Dr. Cavaco Silva), sabendo que teria de aguentar ferozers ataques e outro candidato desesperado e que perdeu por completo as estribeiras, roçando a mediocridade ética e a falta de decoro e elegância.
(Ontem) de manhâ o jornalista abria o telejornal dizendo que o Dr. Mário Soares tinha atacado Cavaco Silva mas que o debate só tinha falado de Passado - deve ter sido outro debate!
O dr. Mário Soares, para alêm das várias indelicadesas despropositadas e provocadoras, ; Tratar o Dr. Cavaco Silva por " ELE "?!, Sugerir comportamentos ou insuficiências retóricas com base em intrigas de outrêm ?! Dizer que tem uma visão para tudo mas não especificar uma só ideia ?!, Considerar um Ex-Primeiro Ministro e Professor, um razoável Economista?!.
Mas de tudo o pior e mais grave foi o Dr. Mário Soares pôr em causa a legitimidade do resultado das eleições, com base na suposta, Pré-Entronização do Dr. Cavaco Silva, pla comunicação social.
O Dr. Mário Soares deveria ter um melhor conceito da nossa democracia e da inteligência os Portugueses, mas a vaidade e a idade toldam-lhe a realidade e dá pena vê-lo neste esgotante desespero .
Luis Lima
publicado por quadratura do círculo às 18:36
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Feliz Santos - Política como espectáculo

O que é que os candidatos pensam sobre a regionalização? Sobre a despenalização do aborto? Sobre a posição do Portugal na UE? Sobre como compatibilizar elevados níveis de protecção social com uma economia competitiva? Alguém sabe o que é que os candidatos pensam sobre estas e outras matérias? Eu não. Então para que é que serviram os debates? Porque é que se passou a maior parte do tempo a discutir sondagens e a discutir se o candidato X deve ou não desistir em vez de se discutir assuntos de substância? Porque é que os jornalista e os candidatos persistem no argumento que o Presidente não governa, para não colocarem/responderem a perguntas concretas? Os Portugueses têm o direito de conhecer o pensamento do PR sobre todas as matérias quer o PR possa, quer não possa, fazer algo sobre as ditas matérias.
O vácuo da política espectáculo impõe-se.
Feliz Santos
publicado por quadratura do círculo às 18:12
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Eurico Ferreira da Silva - Automóvel de Louçã

O Dr. Francisco Louça é sem dúvida um dos candidatos intelectualmente mais bem preparados na presente campanha eleitoral. Através do seu discurso assertivo e de resposta muito rápida consegue passar as suas ideias e impor a sua moralidade. No entanto o Dr. Francisco Louça ainda não foi capaz de indicar um projecto politico integrado para Portugal, sendo as suas propostas avulsas e sem visão do todo.
Mais, ao ler a reportagem sobre as equipas de campanha (Jornal Expresso, Revista Única de 17/12/2005) ficamos perplexos com os meios de campanha utilizados. Passando a citar – “Não tendo recursos financeiros para alugar uma frota automóvel para esta campanha, a direcção da candidatura socorreu-se da viatura cedida a Miguel Portas pelo Parlamento Europeu. Está explicada a matrícula belga da carrinha Volkswagem que transporta Francisco Louça…”.
Se moralmente é discutível a utilização de meios do Parlamento Europeu para promoção de um projecto político específico de um candidato presidencial, em termos fiscais, nomeadamente em sede de Imposto Automóvel está vedado (com as excepções previstas na lei) a cidadãos residentes a utilização de viaturas com matrícula estrangeira. Podendo esta prática constituir um ilícito fiscal. Situação que a Direcção Geral de Finanças compreensivelmente mais tem atacado nos últimos tempos.
Nesta campanha eleitoral temos que julgar os candidatos não pelas palavras mas sim pelos actos praticados e, principalmente se os actos praticados estão de acordo com as suas boas palavras.
Eurico Ferreira da Silva







publicado por quadratura do círculo às 17:56
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António Carvalho - Papel dos sindicatos

Muito se tem falado sobre a deslocalização de empresas para países do leste europeu apontando a mão-de-obra barata e as reduzidas regalias. Mas será só e apenas isso? Não haverá, por parte de empresários e investidores uma saturação por uma classe de manipuladores sem escrúpulos chamados sindicalistas? Esses magos das Jornadas de Luta, Greves e Plenários, limitam-se, hoje em dia, a defender a seu bel-prazer as benesses pessoais conquistadas em tempos há muito idos. Não deixa de ser de uma ironia amarga e mordaz que o Patronato e o Sindicato se alimentem da mesma “massa”! Vem isto a propósito das recentes negociações da Auto Europa e da sua continuidade ou não em Portugal. Autênticas sanguessugas do sangue alheio, continuam, execrávelmente, a destruir um capital que devia ser de esperança e futuro.
Empresas e Empresários tem as portas escancaradas por outras bandas. Aos nossos Sindicalistas e Trabalhadores apenas restará o fundo de desemprego porque com a fama que criaram, o futuro é demasiado débil. No entanto “A Luta Continua”, em busca de um subsídio de desemprego ou de um curso de areamento de frigideiras, subsidiado pela União Europeia.
Maldita sina a nossa!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 17:53
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J. Gomes Gonçalves - Aeroporto, Velocidade Elevada e Bom Senso (II)

Em artigo anterior compilei diversos dados técnicos facilmente acessíveis, nomeadamente em sítios da Internet, que explicam estes dois desastres anunciados. Portugal precisa de um Plano Nacional de Transportes que articule os diversos sectores (marítimo, ferroviário, rodoviário, aéreo) de mercadorias passageiros e, até hoje, o Governo não apresentou esse plano nem lhe faz qualquer referencia.
1. Como os portos de Lisboa, Setúbal e Sines (este último é o nosso principal porto de águas profundas e com maior potencialidade de expansão) movimentam cerca de 70% das mercadorias exportadas e importadas, este factor é determinante para a localização das novas ligações integradas dos quatro sectores de transportes.
Assim, o novo aeroporto deverá situar-se algures, na margem esquerda do Tejo, na proximidade de Lisboa e Setúbal (1): a localização do aeroporto na Ota não tem qualquer hipótese de fazer ligações intermodais com aquele tráfego de mercadorias e a sua ligação ao novo comboio será um remendo: a localização do novo aeroporto na Ota não é compatível com a criação de um sistema integrado de transportes e pelo contrário compromete este objectivo estratégico.
2. O segundo problema diz respeito à mudança nas linhas férreas mistas (mercadorias e passageiros) da bitola ibérica para a bitola europeia, pois esta mudança é irá permitir que Portugal possa ligar-se prioritariamente a Espanha e subsidiariamente a outros destinos da EU: este é outro problema estratégico de que o Governo também não fala.
A periferia de Portugal não é solucionada com o mirífico TGV. Só viajará de comboio para Paris, Berlim, Viena, Roma, Londres, etc. quem desejar fazer viagem românticas: a ligação à Europa é feita por avião e via marítima para o transporte de mercadorias.
3. Os comboios de alta velocidade (TGV e outros) implicam investimentos (construção de infra-estruturas, novas estações, material rolante, etc.) e têm custos de funcionamento e de manutenção, quatro a cinco vezes mais caros do que os comboios de velocidade elevada.
Na alta velocidade (AV) temos velocidades médias de 280 km hora e na velocidade elevada (VE) temos velocidades médias de 220 Km hora. No caso de linhas mistas (passageiros e mercadorias) para o TGV, existem condiciona-
lismos para a sua circulação e, por outro lado, a na circulação do TGV acima dos 300 km. horas os custos de exploração e manutenção são ainda mais elevados.
Na Europa predominam os comboios de VE e diversos países não possuem comboios de AV (Irlanda, Dinamarca, Suécia, Noruega, Áustria e Grécia) No Reino Unido, com excepção do Eurostar, que atravessa o canal da Mancha, também só existem comboios de VE, outra informação que o Governo nunca refere.
Numa conjuntura de crise financeira e económica, que irá durar alguns anos, o Governo tem a estrita obrigação de apresentar projectos alternativos de AV e VE, com a avaliação dos respectivos custos, que é muito significativa.
Em lugar de sessões de apresentação e propaganda, o Governo deverá apresentar com transparência soluções alternativas, respectivos custos, benefícios e desvantagens, pois nada na vida tem só vantagens e muito menos em projectos desta dimensão.
4. Sendo Portugal um pais de pequena dimensão e baixo nível de vida, apenas a linha Lisboa-Porto, em AV, poderá, ao fim de quatro ou cinco anos, apresentar alguma rentabilidade de exploração, sem incluir o custo das infra-estruturas, que será suportado pelo Estado.
Aquela linha abrange as duas áreas metropolitanas existentes em Portugal (Lisboa e Porto), que concentram cerca de 38 % da população. Com excepção desta linha, não existe em Portugal regiões com densidade populacional em que o TGV possa ter viabilidade, pelo que aquele comboio ficara confinado apenas à aquela linha: mais um luxo para a região litoral e mais um factor para a desertificação do interior.
É pura demagogia ou má fé afirmar que a linha Lisboa-Madrid irá ter um tráfego de 5 milhões de passageiros ano (cerca de 13.700 passageiros por dia) e que irá ter rentabilidade.
Como esta linha terá, certamente, mais interesse para Espanha do que para Portugal, então os Espanhóis que estabeleçam uma ligação Madrid-Lisboa e que suportem os respectivos custos de funcionamento e manutenção. Da nossa parte apenas teremos que construir uma linha, em bitola europeia, até Badajoz.
5. Com excepção da linha Lisboa-Porto, nas restantes linhas da CP, viaja-se com velocidades médias entre os 45 a 75 km. hora, Algarve incluído, pelo que se coloca a questão de saber se existe capacidade financeira para investir no TGV e, ao mesmo tempo, modernizar as restantes linhas do pais, respectivos sistemas de comunicação, estações e adquirir material circulante novo, caso contrário o moderníssimo TGV coabitará com uma rede ferroviária degradada.
Este problema está directamente relacionado com a monumental falência da CP (conforme foi referido pelo Tribunal de Contas) e com os sucessivos défices acumulados nas outras empresas públicas de transportes rodoviários: existe muita vida para além do TGV, mas mais uma vez o Governo disse nada.
Como não há milagres, não irão ser as parcerias público-privado que irão solucionar todos estes problemas. Os privados, quando investem, não estão a praticar mecenato, basta olhar para o exemplo das SCUT.
6. A apresentação dos projectos da Ota e do TGV, nos termos em que foi feita, como factores de dinamização da economia, de progresso e de modernidade, sem o confronto de hipóteses alternativas e avaliação das respectivas vantagens e desvantagens, corresponde à velha fórmula de fazer política. Onde estão os milhares de hectares de regadio do Alqueva, os milhares de turistas a visitar Foz Côa, a projecção de Portugal na Europa e no Mundo com o Euro 2004? Estes, e outros, projectos também foram “vendidos” com a mesma propaganda.
Em nome do pregresso e da modernidade, o Governo optou pela continuidade de política do betão, desta vez com uma pesada factura a cobrar às gerações futuras.

(1) O complexo turístico de Tróia/Setúbal também é um factor a ter um conta.

J. Gomes Gonçalves
publicado por quadratura do círculo às 17:48
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Manuel Mesquita - Conhecimento de poesia

São tantas as coisas que a gente lê todos os dias nos nossos jornais que, por vezes, nem sabemos bem se é mesmo verdade o que estamos a ler ou somos nós que, já cansados de tanto ler, fazemos alguma confusão no que lemos.
Pois há dias, lendo ao que julgo o JN deparei com uma notícia que nos dava conta de a nossa ex-primeira dama, Maria Barroso, mulher do candidato Mário Soares, numa manifestação de apoio a seu marido, teria dito para quem a quis ouvir, que quando o seu marido era Presidente da República e o Dr. Cavaco Silva Primeiro Ministro e ambos se encontravam numa manifestação pública de louvor a Miguel Torga, exibindo Mário Soares a Cavaco alguma poesia do Torga, o mesmo teria dito qualquer coisa como "eu não me interesso por essas coisas, quem lê isso lá em casa, é minha mulher". Esta era a notícia que li correctamente como julgo ter lido. E então pergunto-me:
O que pretendia a D. Maria Barroso provar com tal inconfidência?
Por que a guardou durante tanto tempo e, só agora, a tornou pública?
Quererá a Senhora, em prol da campanha do marido, provar que este é mais culto que o Cavaco Silva?
E julgará a Senhora que os portugueses se importarão mesmo com isso, se bem que isso seja também importante?
Quem informou a D. Maria Barroso do momento exacto para tornar público o que estava no segredo dos Deuses?
O Dr. Mário Soares que é useiro e vezeiro no emprego da expressão Bomba Atómica quando se acena com a dissolução do parlamento, teria entendido que, também aqui, ao divulgar-se tal intimidade dos Deuses, se estaria a fazer mossa a Cavaco Silva por via duma bombazita lançada como quem não quer a coisa?
Teria o marido, o candidato Mário Soares, autorizado a mulher a divulgar tal segredo?
Pensa a Senhora que tal divulgação vai permitir que as sondagens de Cavaco Silva baixem e as do marido subam?
É certo que a D. Maria de Jesus, durante muitos anos, se dedicou ao teatro e sabe muito bem dizer poesia. Honra lhe seja. Certo também é que o Dr. Mário Soares, ao que consta e ele faz gala disso, tem uma vastíssima biblioteca. E depois? Acaso podem os portugueses devorar livros em ambientes bafientos de bibliotecas, eles que quase já nem se aguentam nas pernas e nem são muitos os que sabem ler?
Fernando Pessoa escreveu: "(...) O mais que isto/É Jesus Cristoi/Que não sabia nada de finanças/Nem consta que tivesse biblioteca."
Se Fernando Pessoa fosse vivo teria apenas que fazer uma pequena alteração a este trecho do seu poema. Só.
Manuel Mesquita
publicado por quadratura do círculo às 17:41
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António Carvalho - Os Gadídeos

Na noite da Consoada vamos ter sobre a mesa, inevitavelmente, uma discussão animada sobre o “paladar” desses peixes gadídeos (vulgo bacalhaus) que ultimamente tentam impor a sua quota de mercado. Mário Soares, um Bacalhau Atlântico, considerado em tempos o mais nobre dos peixes, reconhecido pela sua “barbatana” caudal que oscila ao sabor das marés e correntes do momento.
Cavaco Silva, um gadídeo da espécie dos Zarbos, pequeno, esguio, com um travo pró insonso, mas que sobressai, de quando em vez, como o mais saboroso. Francisco Louça, oriundo da espécie mais estreita dos ditos, a família dos Lingues, reduz-se, quando apertado, á sua pequenez de simples e simpática posta. Manuel Alegre, peixe rotulado como Escamudo, de carnes escuras, fruto das suas muitas lutas no “oceano” profundo, de sabor nostálgico, demolhado q.b. desfia com relativa facilidade. E por fim, Jerónimo de Sousa, um animal que tenta ser abrangente, um teleósteo anacanto que gere empatias em território de pescadas, mas que muitos apelidam, simplesmente, por Cara de Bacalhau!
Para todos, ”votos” de um bom apetite.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 17:24
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005

Carlos Jesus - Políticas de fachada

Tenho lido diversas opiniões e comentários de políticos, empresários e académicos na imprensa sobre os polémicos projectos da OTA e TGV e fico realmente surpreendido com o nível de (ir)responsabilidade social que nos rodeia.
O Jornal de Negócios online, por exemplo, no dossier dedicado à OTA tem um artigo onde facilmente percebemos que todos os que tenham fortes possibilidades de negócios milionários com o TGV e OTA estão incondicionalmente a favor destes mega-projectos. Senão vejamos, a Siemens avança já com propostas para comboios de alta velocidade, a Brisa com propostas para autoestradas (com portagens concerteza elevadas até porque não existirão muitas alternativas), a Mota-Engil porque tanto betão renderá muitos milhões, o BPI porque posiciona-se já como banco financiador da obra, o Sr. Fernando Pinto porque pelas razões mais do que óbvias lhe convém, os promotores imobiliários da capital porque o desaparecimento da Portela irá trazer muita especulação e negócio, etc, etc
Que país é este que se prostitui pelas mãos de políticos fracos e por vezes sem escrúpulos deixando um legado económico terrivelmente mau para as próximas gerações? Que país é este que vive de políticas de fachada, com projectos de países ricos mas com necessidades básicas por satisfazer? Que país é este onde os políticos, que são o espelho da sociedade em geral, preocupam-se mais em garantir o seu lugar nos livros de história pela megalomania e não pela construção sólida de um país que garanta melhor futuro às próximas gerações?
Estas decisões são quase sempre tomadas dizendo que são "projectos com e de futuro", "projectos necessários ao país", "projectos dinamizadores da economia", "obras que vão criar emprego", enfim toda uma panóplia de justificações mais ou menos baratas. Senão vejamos. Prevê-se que só o TGV empregue 100 mil trabalhadores, maioritáriamente no sector da construção civil, logo mão-de-obra barata e estrangeira. Esses milhares de trabalhadores no final da obra ficam em Portugal e vão receber subsídio de desemprego pago por um estado que, mesmo com o nível de endividamento actual, não conseguiria suportar essa despesa. A solução será então uma de duas: grande aumento nos impostos ou mais obra. Facilmente se depreenderá que além do problema económico teremos também um problema social ao não termos condições de suportar com o mínimo de condições os imigrantes que vêm à procura de melhor futuro. Além de outros tantos.
Carlos Jesus
publicado por quadratura do círculo às 21:46
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Ricardo Costa Mendes - Ota e TGV

Estes investimentos promovidos pelo Estado português preocupam-me imenso. O que está em questão não é só o seu financiamento e o risco do Estado vir a ter um envolvimento mais significativo do que aquele revelado pelos estudos.
A questão é bem mais complexa do que isso, e tem a ver com a qualidade do crescimento económico ao longo da segunda metade da década de 90.
As taxas de crescimento na altura foram influenciadas por uma forte dinâmica na Construção Civil de habitação própria, a que se associou a crescente importância do crédito hipotecário. A Banca empresta aos construtores para construir, depois aos consumidores para adquirem a casa cuja construção ela própria financiou. Actualmente, são os particulares que representam a maior parte do negócio bancário e não as empresas. O problema é que este negócio concentrou capital financeiro nestes operadores, Construtores Civis e Banca, ficando uma parte significativa da capacidade de investimento da economia dependente das suas decisões de gestão. Ora, se é necessário uma reconversão industrial, uma aposta na inovação e na transferência de tecnologias para o sector exportador, competitivamente debilitado, o Estado não deveria dar oportunidade a estes operadores de continuar a remunerar os seus capitais à «moda antiga». Com a procura de casa e as obras públicas a diminuir de valor e importância, os bancos e os construtores seriam obrigados a rever a sua carteira de negócios, comprando participações estratégicas em outros sectores mais dinâmicos, com maior probabilidade de crescimento. Quais os sectores com mais probabilidade de crescimento? Os sectores com maior intensidade de conhecimento e tecnologia. Repare-se que, dentro deste raciocínio, não é surpresa o aumento da presença dos Grupos Financeiros no sector da saúde. Como também não o é, o aumento da participação dos construtores civis nas energias renováveis.
Quanto aos investimentos propriamente ditos gostava de deixar alguns
comentários:
O novo aeroporto de Lisboa parece-me necessário desde que verdadeira a impossibilidade de ampliar a Portela e fazer face a procura futura. O que me parece é que as previsões de trafego são pouco consistentes com as taxas de crescimento económico potencial da economia portuguesa. Contudo, não tenho informação suficiente para ser preciso na conclusão.
O TGV é ,na minha opinião, um investimento faraónico. Portugal apresenta uma estrutura ferroviária de urbanos, suburbanos e regionais deficiente. E esta deveria ser a grande prioridade, por trazer benefícios sociais e ambientais largamente superiores. O TGV não resolve os problemas da mobilidade interurbana e intraurbana. Portanto, essencial é o desenvolvimento dos metropolitanos e das ligações ferroviárias normais. O TGV compete directamente com o transporte aéreo, apresentando aqui várias vantagens ambientais ( Será que na OTA prevê-se uma diminuição dos voos domésticos e de origem em Madrid ou Barcelona?). De resto, tem poucas implicações no bem-estar da população. Como este investimento implica a mobilização de avultados recursos acaba por prejudicar, note-se que os recursos são escassos, a estrutura ferroviária comum. Mais, como o TGV será utilizado por agentes económicos de maior poder de compra, ele em si, constitui um imposto oculto sobre outros agentes com menores recursos, aqueles para os quais uma rede ferroviária e de metropolitano mais alargada e eficiente tem muito mais valor. Na ligação Lisboa - Porto não se dará o caso de o serviço alfa pendular em vez de num futuro próximo estar mais rápido, vir a ficar ainda mais lento, obrigando o simples cidadão que quer ir ao Porto, ter que ir obrigatoriamente de TGV? É que se assim acontecer, teremos mais um imposto oculto a incidir sobre os actuais utentes do serviço pendular que se vêm obrigados a ir de TGV e pagar mais caro contra as suas próprias necessidades. Por último, refiro-me especificamente a um dos argumentos que tem sido veiculado como favorável ao TGV: o facto de sermos periféricos, da Espanha já o ter e da estação que dá acesso a Portugal poder ficar em Badajoz.
Meus amigos, isto são argumentos provincianos:
Primeiro, rejeito liminarmente a ideia de que somos periféricos. Nós, como nação, temos que contribuir e acrescentar valor na rede económica, social e civilizacional do mundo. Estas são as dimensões estratégicas para Portugal, não há mais nenhuma. Nós, portugueses ,temos que reforçar os nossos projectos individuais de vida e culminar num projecto colectivo substantivo.
Se tivermos valor a acrescentar à rede mundial não seremos nunca periféricos.
Segundo, nós devemos juntar forças para termos aquilo que nos é útil e inteligente, e não aquilo que o vizinho tem ou deixa de ter. Nós devemos cimentar o orgulho nacional na inteligência com que nos relacionamos e reinventamos o dia a dia, e não em obras para comparação ostensiva.
Terceiro, Badajoz. O que é Badajoz? Um terço de Braga? Os turistas estrangeiros que não espanhóis entrarão em Portugal por avião, quer seja em Low-cost ou em companhias de bandeira. E os Espanhóis de Madrid e Barcelona vão empreender uma viagem só até Badajoz? Pergunto novamente: Vão ficar em Badajoz? Claro que não. Não ponho em dúvida que o TGV faça sentido em Espanha, é uma questão interna deles. Aqui é que não.
Ricardo Costa Mendes
publicado por quadratura do círculo às 21:46
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