Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2005

António Carvalho - TV Fisco

Os Portugueses há muito que perderam o pudor, o receio pelo ridículo. A noção de moral vai e vem ao sabor das marés, das brisas, dos interesses do momento. Deixámos de acreditar nessa raiz, nessa filosofia de costumes e deveres que eticamente devia reger a sociedade. Vem este arrazoado a propósito da decisão da Administração Fiscal em publicitar, via Internet, o nome de 800 mil portugueses que se encontram em falta para com o fisco. Para além de ser um reconhecimento da falência de todo um sistema é uma imagem um tanto ou quanto primitiva que o Estado dá de si mesmo. Se o contribuinte faltoso não tiver a tal moral, é-lhe indiferente a situação. O que virá a seguir? A exibição dos faltosos em programas de televisão? Com o triste hábito instalado de idolatrar por sistema os “chicos-espertos” que desafiam a lei instituída, este big-brother fiscal irá por certo estoirar com todas as tabelas de shares e audiências.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:38
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Rui Fonseca - Dono de temas

A entrevista de (...) 2005-12-05, ao “Público” é uma antologia condensada do pensamento soarista.
...
Público – Contudo as políticas sociais são definidas pelo Governo, não pelo Presidente.
M. Soares – Isso é verdade, mas a conflitualidade (supõe-se que MS queria dizer conflituosidade) social pode ser evitada por alguém que saiba evitá-la. Cavaco Silva até está a fazer um esforço para falar em temas que são meus, mas é porque lhe disseram que era necessário apanhar um bocado do eleitorado da esquerda, já que a maioria sociológica é de esquerda.
...
Público – Já houve privatizações a mais?
M. Soares – Tive o gosto de ver que Cavaco Silva concordou comigo, mas eu disse primeiro.
Numa perspectiva muito benevolente dir-se-ia que quem muito dura chega à segunda infância.
Mas não é o caso.
Uma das características de Mário Soares, para o bem e para o mal, sempre foi o de sentir-se e querer-se o “dono da bola”. E agarra-se a ela como se a ninguém mais assista o direito de jogá-la.
Rui Fonseca
publicado por quadratura do círculo às 19:36
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Jorge Costa - Ética Republicana

O ambiente envolvente da pré-campanha eleitoral para a Presidência da República faz-nos recordar o escritor neo-realista Carlos de Oliveira e o seu poema de 1968, “Livre (não há machado que corte)” e George Orwell e o seu livro de 1945, “O Triunfo dos Porcos” e simultaneamente reflectir como algumas verdades parecem ser imunes à passagem do tempo, eternizando-se.
Quando parecia que a disputa eleitoral se iria resumir ao embate entre duas figuras míticas da política portuguesa, quais fénix renascidas, apareceu a intrometer-se um espírito inquieto e desassossegado que veio baralhar as contas aos estados-maiores do establishement.
A candidatura independente de Manuel Alegre, apoiada num cada dia mais forte movimento cívico de mulheres e homens livres, tem simultaneamente causado os maiores engulhos a todos aqueles que instalados, são adeptos do não façam ondas e motivado um crescendo de mobilização e empenhamento na sociedade portuguesa que há muito não se via.
Desassombrado, habituou-nos desde sempre a ouvi-lo dizer o que pensa, muitas vezes longe do politicamente correcto. Apesar de militante partidário, comporta-se sempre como uma consciência livre com profundas preocupações éticas e de solidariedade.
Numa época em que o descrédito junto da população de alguns grupos sócio-políticos ou profissionais se torna cada vez mais evidente e comprovado por diversos estudos de opinião, alguém que não teme tomar posição, sem calculismos, mesmo contra a prática dominante só poderia ter uma grande aceitação popular.
Os seus inimigos parecem não perceber que quanto mais primários forem os ataques que lhe fazem, mais reforçam o apoio popular à sua candidatura.
Como poderá o eleitorado perceber que a sua ausência na votação do Orçamento de Estado seja entendida como um crime de lesa Pátria, quando foi o mesmo que fizeram 45 deputados (quase 20 por cento da Assembleia), entre eles António Vitorino, José Lamego e Braga da Cruz, e só ele tenha sido verberado.
Já Orwell dizia que somos todos iguais, mas há uns que são mais iguais que outros.
Como princípio básico da Ética República temos o dever do assumir das divergências e discuti-las frontalmente mas sempre baseados em argumentos verdadeiros: Assim como se explica que se utilize como argumento supremo e final para censurar a ausência da votação a este deputado a Constituição, que nada refere a este propósito.
Houve uma vantagem, ficou a saber-se que apesar das suas pretensões a Constitucionalista, Vitalino Canas nunca poderá ser candidato a Presidente da República, pois um dos deveres do cargo é a defesa da Constituição, e não se pode defender o que se desconhece ou tenta manipular.
Parafraseando o segundo Mandamento da Santa Madre Igreja, não evoques a Constituição em vão!
Se não há machado que corte a raiz ao pensamento, também não serão contrafacções manhosas e facilmente desmontáveis que poderão travar a alegre caminhada para Belém a um candidato que indo ao encontro dos anseios mais profundos do nosso Povo defende um Portugal de Todos, Livre, Justo e Fraterno, e cuja eleição será um motivo do Orgulho Nacional!
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 19:32
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Mário Martins Campos - Plano tecnológico

(...) Foi aprovado, na especialidade o orçamento de estado para 2006.
Por momentos, Portugal retomou o debate político ao essencial, isto é, à forma como Portugal se prepara para implementar a viragem necessária e urgente, para fazer face aos desafios, presentes e futuros.
Com este orçamento de estado, foi dada a indicação clara, de moralização das contas publicas, e de intransigente combate ao despesismo, sem o qual a divergência será constante e a prazo irrecuperável.
O Governo deu esta semana um sinal claro, de como pretende fazê-lo, acompanhando o conjunto de medidas de rigor orçamental, com a apresentação do Plano Tecnológico, mostrando desta forma, qual a aposta essencial para os Portugueses e para Portugal.
O Plano Tecnológico é a aposta estratégica, do Governo, para o desenvolvimento sustentado de Portugal, apostando nas pessoas e nas suas capacidades.
Este é um plano que visa estimular a criação, a difusão, a absorção e o uso do conhecimento, apresentando-se como a mola propulsora da transformação de Portugal numa economia dinâmica e capaz de deixar a sua marca na economia global.
Este plano não é um mero diagnostico, como tantos outros, que nos conduziram a inércias de execução insustentáveis, num mundo em constante avanço e mudança. O Governo, soube de forma inteligente, não desperdiçar todo o caminho percorrido e não fazer tábua rasa de todos os avanços que já tinham sido dados, na direcção correcta. Soube, de forma hábil, consolidar os ganhos e adicionar a sua própria visão sobre o caminho a percorrer.
Este é um plano de acção, importa agora executá-lo, com empenho e determinação, fazendo participar todos quantos possam aportar valor à sua implementação.
Este é um plano transversal a toda a acção governativa e por isso muito bem entregue ao Primeiro-ministro, como responsável político da sua implementação.
Existem neste plano três eixos fundamentais:
O Conhecimento, qualificando os Portugueses, de forma estruturada para elevar os níveis médios de educação , tornando a aprendizagem num processo contínuo ao longo da vida e mobilizando os cidadãos para a sociedade da informação. (E porque não dizer apenas sociedade?! Afinal, não há outra...)
A Tecnologia, tendo como objectivo levar de vencido o atraso tecnológico e cientifico, que a nossa sociedade enferma. Apostando na investigação e desenvolvimento e promovendo o impulso à criação de emprego tecnicamente qualificado, por parte do tecido empresarial.
A Inovação, impulsionando-a, de forma a promover no sistema produtivo nacional, uma constante resposta e antecipação, aos desafios impostos por uma sociedade globalizada, através da promoção de novos processos, formas de organização, serviços e produtos.
Com base nestes três eixos, e sustentado por um conjunto de dimensões transversais, o plano que agora se materializou, parece ser a resposta correcta, para fazer face aos desafios que se colocam a Portugal.
Importa pois implementá-lo.
Vamos a isto, Senhor Primeiro-ministro!
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 18:14
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Fernanda Andresen van Zeller de Azeredo - Fundamentalismos

Quando os taliban destruíram os Budas, senti-me apavorada. Mas em que mundo estou eu, capaz de, nesta nossa era, destruir uma obra tão maravilhosa, pelo testemunho histórico, cultural, religioso e artístico que durante milhares de anos transmitiu?
Admirei-me, na altura, da falta de protestos, a não ser nos artigos de jornais especializados, de carácter intelectual, e que não chegaram ao público em geral.
Pouco tempo depois, assistimos à destruição das Twin Towers, pelos terroristas fundamentalistas da Al Quaeda.
Também não vi nessa altura ninguém se interrogar se na sua cultura haveria fundamentalismos.
No ano passado assisti, espantada, à questão do lenço na cabeça, que agitou a França.
Para mim, não tinha discussão. As meninas que andassem à vontade com o lenço, que mal fazia? Só não conviria que tapassem a cara, para que os professores pudessem ter o sentir da comunicação.
Ouvi falar em questões à volta dos símbolos religiosos. Pensei: em Portugal isso nunca vai acontecer. Nós aceitamos bem as diferenças. Até porque a inquisição, em Portugal, só se desenvolveu por imposição da Espanha.
E agora vejo que afinal o fundamentalismo está a ganhar força em Portugal!!! Porque os laicistas não admitem outras expressões que não sejam as suas.
Vejo que seria natural e bom, nos tempos que correm, ter numa sala de aula, ao lado da cruz, um simbolo muçulmano, outro judeu, outro budista, e também o busto da República Portuguesa. De acordo com a vontade e a cultura dos meninos presentes na sala.
Sei que isso é que encantaria as crianças. Olhariam umas para as outras a sorrir, e cada um ficaria cheio de curiosidade de conhecer a cultura do outro.
E qual desses símbolos ficaria a perder? Não apontam todos para um caminho de perfeição? Não pertencem todos eles a pessoas que são profundamente honestas nas suas convicções, nos caminhos que percorrem e naquilo que procuram de mais belo, na vida?
Será que estamos agora num estado fundamentalista, que
diz: o laicismo é que é. E então, os laicistas, cheios de medo, proibem sinais de outras convicções ou filosofias.
Deus, Alá, Iavé, Buda, acudi-nos!
Abraão, Cristo, Maomé, Confúcio, rogai por nós!!!
Fernanda Andresen van Zeller de Azeredo
publicado por quadratura do círculo às 18:09
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J. Gomes Gonçalves - Sexo dos Anjos

Determinar o sexo dos anjos é uma discussão teológica que começou nos primórdios da Igreja Católica: tem barbas compridas e encanecidas. As dificuldades encontradas com o tema ilustram a dificuldade que a Igreja, ao longo dos séculos, tem revelado em matéria de práticas sexuais.
Não fora uma artimanha da mãe Eva (a história da maçã do pecado original) e a reprodução dos avós dos nossos avós, dos nossos avós, etc., etc., ainda hoje estaria a cargo do Espírito Santo, com grande prejuízo para as indústrias dos preservativos, dos contraceptivos, dos abortos clandestinos e afins.
Também não sabemos como seria uma humanidade sem pecado original, talvez fôssemos todos santos sem disso termos consciência.
Os mistérios da fé são insondáveis e apenas sabemos que aquele pecado original custou às filhas de Eva séculos de maldição, de proscrição e de todos os defeitos: fonte de pecados, da luxúria, bruxas, seres inferiores e desprezíveis que arrastaram para o mal gerações de filhos de Adão.
Às mulheres também era vedado serem artistas de teatro e outros espectácu
los, (a máxima de S. Paulo “Que as vossas mulheres guardem silêncio nas igrejas” era rigorosamente cumprida), o que deu origem a um problema complicado na ópera: onde arranjar vozes aveludadas de soprano?
Castrando os rapazinhos com boa voz – os castrati - resolveu-se o problema e, assim com a bênção papal, podiam exibir-se na Capela Sistina a partir da segunda metade do século XVI. Esta peculiar inovação, e próspero negócio, só passou de moda nos primeiros anos do século XIX e depois de serem massacrados uns milhares de jovens.
Esta crueldade choca a nossa mentalidade de hoje mas, em resumo, foi assim que as coisas se passaram.
Contrariando todas as análises que consideram o actual Papa um eclesiástico de formação conservadora, Bento XVI resolveu quebrar a tradição e inovar em matéria de sexo. Sinal dos tempos?
Ficámos a saber que os homossexuais não podem ser ordenados padres, o que constitui uma autêntica revolução teológica. (...)
Esta nova orientação irá ser aplicada com o mesmo rigor que tem sido usado com os padres pedófilos?
Ficou também por esclarecer se as lésbicas podem, ou não ser, ordenadas freiras? Afinal, as mulheres não devem continuar a ser discriminadas.
É lamentável que em pleno século XXI o Vaticano teime em não se conciliar com a natureza sexual da humanidade, ao contrário do que já fizeram outras Igrejas. Torna-se difícil não ofender a fé dos católicos e levar a sério uma hierarquia que teima em fechar os olhos a uma realidade básica da natureza humana: que o pecado da ironia me seja perdoado.
J. Gomes Gonçalves

publicado por quadratura do círculo às 18:01
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Luís Santiago - "Os Presidencíadas" (Parte II)

CANTO TERCEIRO

Autocrítica do Autor

P’ra rima compor do verso quebrado
Usei variadas interjeições,
Eu, porém, sou o Luís Santiago,
Não sou o vate Luís de Camões.



CANTO QUARTO


O Terrível Adamastor

I
Àqueles do Contra – Informação
Que, (mal!), m’apelidaram d’Acabado
Provei ser como a Fénix Renascida,
Regressando, sim, entusiasmado,
Sem ser da política profissão,
Mas, de muita gente reconhecida
Responder ao seu nobre chamamento,
Para a Nação salvar do sofrimento.


II
Chegarei pensando no Orçamento.
Apanágio é servir o Estado
Pela gestão de lusos governantes
Que são os lídimos representantes
Desta nobre Nação bem gloriosa.
Sou um talentoso economista,
Porém, não caio em doces cantigas.
Não tenho jeito algum para fadista.

III
Lembram-se do meu veto ao Carnaval?
Só prova que não sou p’ra brincadeiras.
Com perfídia andam a’firmar
Que eu não serei de boas maneiras.
Eu não sou simpático, pois não sou,
E não venho pra’qui para brincar.
Lembram-se do ministro? Borregou?
Não tive dúvidas! Foi posto a’ndar.
IV
Não estou ligado a grandes broncas
Mas tive nos idos Governos meus
Um culto Secretário de Estado
Que trocou Mozart por Chopin, coitado,
Questão entre piano e violino
Que não lhe ensinaram em pequenino
E com que jornalistas mais sandeus
Brincaram. São umas cabeças tontas!

V
Um ministro que se esqueceu da sisa.
Uma ministra que empregou a Mãe
Como a Secretária - Geral
Do ministério em que mandava.
Uns deslizes, coisa pouca afinal
Pois bem sabem qu’eu nunca me enganava,
Era raro ter dúvidas também,
Porque sou uma pessoa precisa.

VI
Não simpatizo com a monarquia,
Mas, planeei o Centro Cultural
Considerada obra faraónica,
Mais parecida com uma mastaba,
Construída p’ra minha serventia.
É um orgulho bem nacional
Para animar a cultura bastava,
De vez em quando, ouvir uma sinfónica.

VII
E vou aproveitar este feitio
Para vir mudar o que é preciso
As minhas lembranças já são passado.
Tenho a ver com o Primeiro-Ministro,
Não com os Secretários de Estado.
Sou inflexível? Digo e insisto
Que, pessoalmente, não sou nada macio,
Mas tenham a certeza, vou ter siso.

VIII
Que os poderes presidenciais,
Prometo, vou usar com parcimónia,
Porque eu sou um Homem de cerimónia,
Tenho umas questões essenciais.
E não tenho dúvidas do seguinte:
Não vou tornar o País num pedinte,
Muito menos o fecho para balanço
Pois, ao Primeiro não darei descanso!

IX
P’ró Governo olharei bem vigilante,
Este não se afastará um instante
Das linhas do meu amado Orçamento.
Aqui presto um nobre juramento
Aos meus eleitores nacionais,
Sim, porei isto na ordem, nem mais,
Se a tal m’ajudar engenho e arte
Portugal estará em toda a parte






CANTO QUINTO

O Soviete Lusitano


I
Eu, aos camaradas trabalhadores,
Venho alertar p’ra perigos vários,
E, também aos pequenos empresários.
É que andam por aí uns rumores,
De que a esquerda está dividida.
Esta tão nobre acção decidida
De me candidatar foi mui dramática.

II
Democrática, de braço no ar
Dentro do nosso Comité Central
Do bem nosso glorioso partido.
Viva Portugal! Viva Portugal!
O Povo Português está sofrido.
As conquistas d’Abril recuperar
É a missão que me está reservada.
Camaradas! A Nação ‘stá cercada.

III
Eu, herói Soviete Lusitano
Aceito a missão humanitária,
De proteger a Classe Operária
Dos terríveis desígnios fascistas,
Do Adamastor e do Timoneiro,
Mas, outrossim, do Velho Restelo,
Que gizaram um maléfico plano
Para afastarem os Comunistas.


IV
O Povo Português está sofrido
Com esta política de direita.
Sim meus camaradas trabalhadores!
Chefiado por este novo Grego,
Este executivo dalguns traidores
Aos ideais dos capitães de Abril,
Seguindo as politicas fascistas,
Está a pôr-nos a todos no prego.


V
Tirou-os as conquistas alcançadas
Para no bloco europeu dar nas vistas.
Nos apresenta‘o plano tecnológico
P’ra reforçar tamanhas patacoadas.
É um caso sério, patológico.
Estragar o Natal e consoadas.
E nem o Terrível Adamastor
O conseguiria fazer melhor.

VI
Ai, Pátria minha a quem te entregaste!
Camaradas! Porque em nós não votaste?
Agora cometam o mesmo erro,
Votem no Velho ou no Timoneiro
E em breve não teremos dinheiro
Sequer para pagar’o nosso enterro
Gloria Mundi! Gloria Mundi!
Eu estou aqui! Eu estou aqui!

VII
Eu faço presidências abertas
Visito fábricas e refeitórios
Irei lançar ruidosos alertas
Contra as investidas do capital.
Denunciarei fascistas notórios
Que nos querem tirar as Liberdades
Com as canções e cravos conquistadas.
Ah1 do onze de Março que saudades!

VIII
Ó que saudades do onze de Março
Eu tenho. E juro por Jesus Cristo
Que a minha vontade eu não disfarço
De tomar muito rapidamente conta disto.
Mas inventaram o raio do voto.
Nas urnas será dada minha sorte.
Assim, ganhar é desejo remoto.
Ó antes a morte! Ó antes a morte!

IX
Se por acaso vier a ganhar
Estas tão preciosas eleições
O País votará, braço no ar,
Estendido, prevenindo abstenções.
Se por acaso vier a perder
Meus Camaradas! Iremos sofrer.
Que triste e vã, inútil, vil miséria
Partirei sozinho para a Sibéria.

(Continua)

Luís (de) Santiago


publicado por quadratura do círculo às 17:51
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Pedro Betâmio de Almeida - Lisboa à toa

Pois é, a democracia tem destas coisas. Sem pretender criar uma alternativa ao Estado de Direito Democrático em que todos vivemos, a verdade é que às vezes esta Democracia partidária e estes partidos políticos esquecem o seu fito e perdem-se em lutas esquerda – direita, muitas vezes personificadas em “manicaismos” de Manuel contra António, sem justificação nenhuma e com ainda menos utilidade para o povo.
A melhor prova de que assim é, podemos encontra-la na Câmara Municipal de Lisboa, após a constituição do elenco da vereação, constata-se que, toda junta, a oposição de esquerda ao partido que ganhou a eleições somou o mesmo número de vereadores e que para desfazer o empate restava apenas saber a posição da candidata eleita nas listas do CDS/PP. No entanto, usando de uma faculdade que lhe assiste nestas situações, a Sr.ª candidata eleita recusou os pelouros que o Sr. Presidente da Câmara lhe ofereceu, entendendo que tais competências não a satisfaziam nem condiziam com os (magros) resultados eleitorais obtidos pelo CDS/PP. Mau pronuncio este, quando as pessoas não se vergam perante o interesse público.
Assim sendo, a Câmara está num impasse técnico, virtualmente impossível de governar, com a vereação dividida a pender para o lado da oposição. Desta forma, a primeira vítima desta situação é o próprio presidente da câmara que não tem poderes próprios nem competência para delegar as matérias mais relevantes, ficando obrigado a levar a sessão de câmara rigorosamente tudo desde alvarás de loteamento até licenciamento de obras. No entanto, as maiores vítimas somos mesmo nós todos, o povo de Lisboa.
O que irá acontecer às obras mais emblemáticas e essenciais de Lisboa? Durante a próxima legislatura a expectativa será que tudo fique parado e não é difícil imaginar essa conclusão, quando há um senhor que, antes de chegar a vereador (sem pelouro), se dedicou a semear providências cautelares de fundamento duvidoso e por isso improcedentes contra a própria Câmara. Quem vai sofrer com esta situação agora criada, são os habitantes das ruas degradadas, são os comerciantes e os investidores em Lisboa, ainda por cima com o aeroporto de partida para outras paragens. Aos “Antonios”, “Maneis” e “Marias” desta politica que temos pede-se, implora-se, exige-se, um maior sentido de Estado no tratamento da coisa pública.
Pedro Betâmio de Almeida


publicado por quadratura do círculo às 17:45
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António Carvalho - Símbolos religiosos

Concorda que se retirem os simbolos católicos das salas de aulas? De tempos a tempos a igreja é confrontada com a perda de privilégios que há muito usufruia. Em vez de agir pelo lado consciente das questões, opta por se vitimizar, fazer o papel de perseguida, acusada. A imagem de cristo pregado na cruz, é uma “adorno” que faz parte da nossa meninice, quando lhe suplicávamos ajuda para desviar a cana certeira das orelhas ou a régua divinamente encerada das nossas mãos, milagre que raramente acontecia. Li algures que “é importante que eles (crucifixos) estejam lá, porque temos de ter alguma coisa em que acreditar”. E será que temos todos de acreditar no mesmo? É comum, ao lado do crucifixo, estar também um caixilho de madeira com um fulano engravato e com o simbolo da república. Talvez seja esta confusão de não sabermos em quem acreditar, que deixa os nossos jovens estudantes num “delirium” do qual tarde ou nunca se recompõem. A acreditarem, seria no nosso sistema de ensino, mas esse está de tal maneira pregado na cruz que não há “concílio” que lhe valha!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 17:42
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Fernando Penim Redondo - Debate importante

Já aqui escrevi que considero a campanha eleitoral para a Presidência, de facto em curso, não só inútil como eventualmente mistificadora (intervenção de 28 de Novembro).
Não quero porém que tal possa ser confundido com a desvalorização da escolha que vai ser feita a 22 de Janeiro (e na eventual segunda volta).
Se considerarmos que o candidato eleito pode vir a ocupar o cargo durante dez anos, facilmente concluímos que durante um período com essa extensão podem ocorrer crises de magnitude incomum.
A discussão à volta das presidenciais tem sido feita de fait divers como se o Presidente da República nunca pudesse vir a ser confrontado senão com as crises de opereta do tipo Guterres ou Santana Lopes. O refrão continua a ser a "magistratura de influência".
Devíamos estar a discutir a capacidade dos candidatos para enfrentar situações de ruptura do "regular funcionamento das instituições" como:
- Boicote activo, por parte dos agentes judiciais, "em guerra" com o executivo, que levasse à paralisação duradoura do sistema de justiça.
- Boicote da participação em missões armadas por parte das estruturas representativas dos militares seguida de crise de autoridade, persistente, na cadeia de comando.
- Suspensão generalizada do fornecimento de medicamentos como forma de pressão do lobby das farmácias e da indústria farmacêutica e retaliação judicial ineficaz desencadeada pelo governo.
- Movimento de desobediência civil implicando a não declaração de impostos por parte de milhares de cidadãos, com base na injustiça fiscal, secundada por uma parte dos partidos parlamentares.
- Greve às sessões da Assembleia da República de um número significativo de deputados, em claro desafio ao sistema, como resultado dos "ataques" às suas prerrogativas e à "devassa" das suas vidas pela polícia judiciária.
- Motins generalizados na periferia de Lisboa, nos bairros degradados habitados por emigrantes, que as forças de segurança, desmotivadas, se recusam a "controlar".
- Suspensão dos fornecimentos dos serviços municipalizados (água, electricidade) como forma de pressão "regional" para "corrigir" as transferências do poder central.
Infelizmente a deterioração da situação económica e orçamental do país tornam estes cenários, e muitos outros, não só possíveis como quase prováveis.
O Presidente, seja ele quem for, pode vir a ser o fiel da balança, a autoridade que se impõe sem recurso das partes ou mesmo a última instância antes do caos.
Fernando Penim Redondo
publicado por quadratura do círculo às 17:39
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