Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

José Duarte Amaral - Novo “Bloco Central”

Dou razão aos analistas políticos quando dizem já não fazer qualquer sentido falar-se em esquerda e direita em termos político – partidários. No entanto, para que todos possam entender melhor, é muito complicado tentar banir, de vez, aqueles termos. Por outro lado, todas as forças políticas, legalmente constituídas, são, forçosamente, democráticas. Assim, todos percebemos que o Partido Comunista (PC) está à esquerda do Partido Socialista (PS) e, por sua vez, o Bloco de Esquerda (BE) à esquerda do PC. Agora, já não faz qualquer sentido dizer-se que o PS defende o chamado “socialismo democrático”, para se demarcar do socialismo defendido pelo PC ou pelo BE, porque, como disse acima, todos são democráticos, ou seja, não faz qualquer sentido tentar-se dizer que há forças políticas defensoras do “socialismo anti – democrático”! Isto, para dizer que, cada um há sua maneira, tanto o PC como o BE é que defendem (mais ou menos) o verdadeiro socialismo e as pessoas aderem (ou não), livremente. Agora, o PS é que deverá alterar a sua “sigla” e falar verdade aos militantes e simpatizantes da sua verdadeira doutrina, ou seja, deverão assumir-se como defensores, não do “socialismo democrático”, mas, sim, da “social - democracia”; ou, então, transformar-se num “Movimento de Cidadania”, à imagem daquele que deu os seus frutos (e de que maneira!), protagonizado pelo verdadeiro “camarada” Manuel Alegre e seu (muitos) apoiantes, aquando da recém – terminada campanha em torno da sua feliz candidatura à Presidência da República (PR) e que, só não conseguiu provocar uma 2.ª volta por escassas décimas de votantes. E, quanto aos partidos existentes à sua direita – aqueles que mais contribuíram no sentido da eleição, à 1.ª volta, do futuro PR? Bom, quanto ao CDS / PP, na minha opinião, deveria transformar-se no Bloco de Direita (BD), onde caberiam todos os que não se revêem nas outras forças, ou seja, os mais conservadores, os mais liberais e todos aqueles que consideram a “social – democracia” como sendo um regime de esquerda. Falta falar do antigo PPD (de Sá Carneiro), actual PSD que, no fundo, é igual ao actual PS (de Sócrates e seus “camaradas”). Então, pergunta-se: Qual a principal razão da existência destas duas forças partidárias (leia-se “de poder”)? A resposta é simples: Enquanto os eleitores continuarem a fazer o papel de “parvos”, só existem como se de um “pacto” se tratasse, ou seja, “hoje, comes tu… amanhã, como eu” (ou, vice – versa)! Esta, é que é a verdade! Basta fazer uma retrospectiva sobre o passado, desde o “25 de Abril” (de 1974) e, facilmente se chega a esta triste situação: Ora (des) governa o PS, ora o PSD! E, se aos 32 anos da chamada “democracia”, forem retirados os 12, correspondentes aos únicos 3 governos, com mandato completo, chega-se à triste conclusão de que, em 20 anos, tivemos 20 (des) governos que não chegaram ao fim dos seus mandatos, ou seja, em média, tivemos 1 por ano! Recorde-se que o presente (des) governo é, já, o 23.º desde o após “25 de Abril”! Assim, na minha opinião, o PSD deveria transformar-se num novo Bloco Central (BC), agora, à imagem do, ora eleito, PR, onde caberiam todos os que não se revêem nos outros (BE e BD) e, muito menos, no PC. Assim, novo BC seria constituído e apoiado por todos aqueles que, geralmente, contribuem para as maiorias absolutas e que, à partida, votam no sentido da estabilidade, mas que, quase sempre, acabam por se sentirem defraudados na sua boa intenção, como aconteceu, recentemente, com a maioria absoluta concedida ao PS (de Sócrates), os mesmos que, agora, acabaram por contribuir para a eleição, à 1.ª volta, daquele que foi, só, o melhor Primeiro – ministro do “Portugal de Abril” – Aníbal Cavaco Silva. Mas, voltando à posição “esquerda – direita”, aquela grande franja do eleitorado acharam que, de facto, o ex. – governante, é, sentimentalmente, um Homem do Centro… e, como diz o ditado popular, “No centro é que está a virtude”. Por isso, digo: «Morra a fictícia “social – democracia” do PS e do PSD» e… «Nasça a verdadeira “social – democracia”, protagonizada por políticos de boa – vontade e através de um novo e saudável “Bloco Central”» – Aqui fica o repto…
NOTA: Em Gaia (pelo menos), o “BC” (leia-se “Gaia na Frente”), protagonizado por Luís Filipe Menezes, já existe há mais de 8 anos e… Recomenda-se!...
José Duarte Amaral
publicado por quadratura do círculo às 20:09
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006

Fernando Igreja - Votação de Alegre

Sinto que existe, actualmente, uma certa euforia por parte de alguma comunicação social com o facto da quase segunda volta de Manuel Alegre. Existe também, por parte do PCP, um estado de crispação surpreendente chegando a acusar o poeta de ter permitido a eleição de Cavaco Silva. É um caso inegável que Alegre teve uma votação imprevisível, que dividiu o PS e que criou um estado de certa frieza com aquele que é o seu partido. Mas convenhamos que o número de votos de Alegre se devem mais a Mário Soares e ao PS do que propriamente ao seu desempenho pessoal.
Vejamos. Se Manuel Alegre tivesse concorrido sozinho e com o apoio do PS, teria os mesmos ou mais votos que obtiveram os dois socialistas juntos? Permitam-me que duvide. O facto de ter concorrido contra Soares deu a estas eleições uma direcção que não teria se elas tivessem ocorrido sem uma história apetecível à comunicação social e ao público em geral. Isto motivou alguns eleitores.
Foi fornecida uma novela com os ingredientes de Big Brother que transformou a trama em episódios continuados com a finalidade de expulsão de um dos concorrentes e consequente vitória do seu adversário.
Penso que, de não existir estes factos, Cavaco Silva teria ido buscar muitos mais votos à sua esquerda e a sua eleição mais folgada.
Fernando Igreja
publicado por quadratura do círculo às 20:15
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Fernanda Valente - Peça que faltava

Cavaco Silva é a peça do puzzle que faltava para se dar início a um tempo que se afigura próspero e pleno para o nosso País, em termos da serenidade política e social de que tanto necessita para poder acompanhar o modelo de desenvolvimento económico e político que se pretende para os países que integram a União Europeia.
Cavaco Silva, agora eleito Presidente da República, irá, acima de tudo, funcionar como agente de confiança, ao emprestar à nossa República o seu bom nome, de político sério, idóneo e impoluto. Neste momento, parece-me fundamental o trabalho que deverá ser desenvolvido em matéria de política externa, nomeadamente no que toca à captação do investimento estrangeiro, e paralelamente, no que diz respeito à política interna, na promoção, intermediação e preparação de um novo espaço de entendimento político alargado e consensual com as diferentes forças político-partidárias com assento parlamentar, com vista a agilizar e tornar mais flexível o código do trabalho, ao mesmo tempo, estabelecendo critérios que visem a profissionalização dos agentes de produção, para, deste modo, podermos atingir as cotas de mercado praticadas nos estados-membros comunitários mais desenvolvidos, no que diz respeito à regulamentação salarial e demais benefícios de carácter social.
O presente executivo que nasceu de uma eleição que obteve a maioria absoluta dos votos, tem tomado medidas fundamentais em termos de uma política de reformas, levada a cabo com muita coragem e determinação. Tem ido ao encontro das expectativas dos seus eleitores, no exacto cumprimento dos objectivos a que se propôs. Caberá, pois, ao Engº Sócrates, na sua qualidade de chefe supremo desse executivo, a manutenção do estado de uma certa tranquilidade política e institucional que temos vivido até aqui, numa saudável coabitação com a mais recente eleita magistratura presidencial. O País precisa de políticos competentes, confiantes, capazes de agir com a firmeza que se impõe, sejam eles recrutados nos aparelhos partidários ou na sociedade civil.
Em termos de saldo da noite eleitoral, assinalo a declaração de Marques Mendes que, como já era de esperar, se encontra ferida de segundas intenções. O simples facto de mencionar que a vitória nas presidenciais se ficava a dever única e exclusivamente ao candidato Cavaco Silva e não ao PSD, é sintomático de um pensamento distorcido, em linha de contradição com o que acabava de dizer. Ficámos sem saber muito bem se, neste momento, o espaço político do PSD é o mesmo em que se insere Cavaco Silva, nem as implicações que esse facto possa vir a ter no futuro político deste País. Não sabemos até muito bem em que área político-ideológica se situa o PSD de Marques Mendes: será na mesma do PSD de Filipe Menezes ou na do PSD de João Jardim ou ainda na do PSD de Santana Lopes? Qual “cobrador do fraque”, Marques Mendes espera poder vir a ganhar as próximas legislativas com o apoio do professor, tal como estima que ganhou as autárquicas e agora as presidenciais. Ganhou as eleições autárquicas por culpa do PS que pouco ou nada tem investido nesse espaço eleitoral, ao insistir em candidatos sucessivamente repetentes ou sem qualquer credibilidade na sociedade civil onde estão inseridos. Agora, pensa que ganhou as presidenciais, mas o futuro dir-lhe-à que não passam de meros acidentes de percurso estas notas positivas de que assumidamente diz ser o autor.
Fernanda Valente

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Alexandre Resende - Obrigações perante Estado

Os portugueses vivem em estado de obrigação num Estado de Direito No dia de reflexão, o duche roubou-me um quarto de hora com razões que me empurravam para não votar no único candidato que importa estar à frente da odisseia 2006-2016, ímpar oportunidade de nos destacarmos das emergentes Letónias.
Quem pode verdadeiramente dispensar o espírito pragmático, desapaixonado, sério e desinteressante do Doutor Cavaco?
Eu não dispensei e agradeci em 85, em 87 e sobretudo em 91.
Então porque será que havia de querer que o D. Quixote colhesse uma digna parte dos poucos votos que haviam de ser depositados nas urnas deste sufrágio tão relevante mas tão pouco empolgante? É que os portugueses vivem em estado de obrigação num Estado de Direito, mas votar está quieto.
De duche tomado, vesti-me ao som do canal História que se encarregou de me deprimir com umas passagens do holocausto.
Sem qualquer dúvida, o número de mortos eternizou a nossa memória de Hitler e do conquistador Napoleão, mas a mesma sorte não têm muitos saqueadores que ceifam apenas 2 ou 3 vidas. Esses alcançaram apenas o rótulo de assassinos.
Os primeiros foram coadjuvados por soldados condecorados, os segundos foram encarcerados. É que a distância entre um louco e um génio é invariavelmente medida pelo sucesso.
No limite, a diferença circunstancial entre o Certo e o Errado estará na Lei em vigor e a partir do dia 9 de Março só será Lei o que o Doutor Aníbal bem entender.
Alexandre Resende

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Nuno Monteiro - Ser professor

Trinta anos após o 25 de Abril, a Educação em Portugal tocou no fundo. Infelizmente, foram muitos (demasiados) anos onde os sindicatos ocuparam lugares privilegiados na discussão e “desenho” do sistema vigente.
E quem estava do outro lado, nessa discussão? Mais Professores. Entretanto transformados em dirigentes do Ministério e coadjuvados por ilustres entendidos e catedráticos nos Cursos de Educação (professores outra vez).
Em resultado, um sistema de ensino e educação orientado por e para os professores. Não para os alunos e suas famílias.
E tudo isto tem uma razão. Aquando do 25 de Abril foram os professores que ocuparam grande parte dos (novos) lugares de decisão em Portugal. Eram eles que detinham a formação necessária, tão rara naquela altura, em Portugal. Muitos ocuparam lugares de deputados, autarcas, etc. Mas principalmente, instalaram-se no seu Ministério. O da Educação. Que se tornou numa máquina trituradora de (dos) Ministros não coniventes…
Nestes anos, todo o investimento e gastos educativos caíram só para um lado: custos com o pessoal docente. Apesar de Portugal gastar uma boa fatia (uma das maiores da Europa) do PIB com a Educação, quase 90% é para pagar ordenados. E os resultados dos nossos alunos, aferidos internacionalmente, estão onde todos nós sabemos.
Criou-se um documento chamado de Estatuto do Pessoal Docente onde tudo cabe. Inclusive interpretações mal intencionadas, sempre em favor de mais ganhos e menos trabalho. Saliente-se que este tipo de documento legal, pura e simplesmente não existe em muitos países desenvolvidos… Porque não é necessário.
Fala-se muito, agora, do ataque ao que eles (os sindicatos docentes) chamam de direitos adquiridos. E que não passa, afinal, da reposição de deveres à muito incumpridos.
Avaliação? Zero. Tanto para os alunos (até à pouco tempo, muitos alunos só faziam exames no 12º ano) como para os professores (todos progridem na carreira). Facilitismo dominante. Dizem os sindicatos que há avaliação docente e que estes não progridem automaticamente. Pois. Mas todos sobem sem excepção e ao mesmo ritmo…
Ordenados? São, na Europa, os professores portugueses aqueles que mais ganham (no início da carreira, 139% do PIB) e cujo ordenado mais cresce ao longo dessa carreira (até 320% do PIB). Onde todos chegam (ou chegavam) sem excepção.
Estes números traduzem e demonstram o esforço que se faz em Portugal para remunerar a (sua) classe docente. Não é lícito e até é imoral pretender-se passar a mensagem aos contribuintes portugueses (maioritariamente a fonte financiadora dessas remunerações) de que os professores são mal pagos. Some-se a isto a redução do número de horas lectivas (de aulas) dadas por semana ao longo da carreira (22 no início da carreira até às 12 no final - para os professores dos níveis superiores). E ainda o facto de serem muitos (os professores) no nosso País. Pois a profissão é atractiva (por muito que se fale, são dezenas de milhar que se candidatam todos os anos sem sucesso a um lugar nas Escolas).
Rede escolar dispersa e depauperada. Ou seja, muitas pequenas escolas com pouquíssimos alunos e condições perto do estado crítico. Porquê? Porque o reordenamento da rede eliminaria muitos lugares (menos professores necessários) e as boas condições nas Escolas dariam força na argumentação aos que defendem trabalho docente (componente não lectiva) na escola. Quantas vezes o sindicato pugnou e decretou greves pela melhoria de condições de trabalho nas Escolas? Não me recordo. Porquê? Porque se essas condições existissem estavam eliminadas as razões que colocam os professores fora das escolas muitas horas durante os tempos “de aulas” e muitos dias durante os tempos em que as aulas (actividades lectivas) estão interrompidas, sem contar com os (lícitos) dias de férias.
Gestão democrática das Escolas: ou seja, professores a eleger colegas para a direcção escolar. Que respondem uns aos outros. Mais um peso no prato dos professores na balança do sistema. No outro prato? Os alunos. Os mais fracos e prejudicados com tudo isto.
A formação docente tem sido controlada maioritariamente pelos sindicatos. Muitas vezes versando o “sexo dos anjos” e muito concorrida apenas quando sobreposta aos períodos lectivos. E só porque é (praticamente) a única exigência para a tal progressão na carreira (aberta livremente a todos).
As turmas são grandes. Sempre foram e continuarão a ser. Mesmo quando forem de 15 alunos… Pois já foram de 35 e agora são de 25. E o discurso é sempre o mesmo… Mesmo quando se sabe que os Países com melhores resultados educativos têm, no Secundário, turmas com muito mais alunos do que em Portugal…
É por tudo isto que o País vai mal. Toda esta malta impôs um certo discurso público ao País e à custa da repetição transformam alguns ditos e falsidades em mitos e verdades públicas.
E todos acreditaram nisto. Durante muitos e muitos anos.
Não há dúvida que há bons professores. Evidentemente. E são estes (infelizmente uma minoria) que mais reagem às medidas recentemente tomadas. Porque são eles os mais atingidos. Afinal eles não são nada aquilo que se diz dos professores…
Mas não entendem que as medidas como aquelas que os colocam a trabalhar nas escolas apenas prejudicarão (?) quem não trabalha. Porque para eles é só passar a fazer o mesmo em outro lugar.
Atenção. Precisamos muito dos professores. Mas de professores realistas, com vontade de trabalhar e conhecedores da realidade. Não professores sempre lamuriantes e com ideias preconcebidas à conta de tanto ouvir os discursos sindicais… Precisam de se lembrar de quando em vez que os sindicatos vivem e só existem enquanto houver problemas para gerir.
Pelo que, quando estes não existirem, vão inventa-los…
Nuno Monteiro



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Nuno Moreira de Almeida - CDS na vitória?

Atendendo ao "ranking" dos diferentes partidos decorrente das últimas legislativas - e exceptuando uma candidatura que eventualmente surgisse proveniente do CDS - , mesmo se aparecesse um "Garcia Pereira" da Direita, seguramente que não obteria mais de 0.4% dos votos, pelo que, mesmo assim Cavaco Silva seria eleito à primeira volta.
Por isso, ao contrário do que muitos andaram a defender, e das críticas que lhe dirigiram, o CDS - ao não dividir o eleitorado de Direita - foi um dos factores-chave desta vitória!
Nuno Moreira de Almeida

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

Luís Santiago - Noite de simbolismos

“Mas, enquanto este tempo passa lento,
...............
Dai vós favor ao novo atrevimento.” Canto I de “Os Lusíadas”.
“E agora... Mãos à obra” Cavaco Silva, Presidente Eleito da República Portuguesa, 22/01/06.

O primeiro gesto coube ao Povo Português. À primeira votação, fumo branco. O primeiro sinal de maturidade. Para quê escolher à segunda se se pode decidir à primeira? Poupou-se tempo e dinheiro. Cavaco, da varanda da sua obra de regime, declarou: habemus Presidente. Mais importante do que a declaração é a imagem. Rodeou-se da Família e da Juventude. Significativo. Os partidos ficaram longe da varanda, do espectáculo e do público. Coisas de que, naturalmente, os partidos têm necessidade. A vitória foi dele, Cavaco, não dos partidos. Mas, se o PSD e o CDS não ganharam estas eleições, o PS perdeu, efectivamente. O factor Manuel Alegre não foi tido em conta, não foi estudado; diria até, que foi subavaliado. Erro grave de análise estratégica que só prova que os políticos, quando estão ou julgam estar em estado de graça, só pensam no umbigo, ou seja, não pensam, estão descuidados, desatentos aos sinais de insatisfação. A estrela do PS apagou-se, inexoravelmente... Sócrates, sobrepondo-se, coincidentemente, ao discurso de Manuel Alegre veio dizer que o PS respeitará as opções dos camaradas...blá, blá, blá... Pois!... Todos nós sabemos o que a lógica das máquinas partidárias é capaz de fazer aos dissidentes. Ribeiro e Castro ofereceu, num gesto que tentou que fosse discreto mas que toda a gente viu, uma garrafa de champanhe. Narana Coissoró também veio afirmar que Cavaco ganhou com a ajuda dos democratas cristãos. Uma evidência que pelos vistos só foi percebida pelo próprio. O CDS no seu melhor, a não deixar fugir a carruagem. O que há a esperar de um CDS de cibernautas, cujo presidente ganhou as eleições do Partido, em Bruxelas, através de emails e sms? Coisas da globalização. E depois queixam-se de que Portugal tem uma direita em estado de hibernação compulsiva. Uma palavra de parabéns à atitude mais protocolar de Marques Mendes e do seu PSD, que muito embora também tivesse discursado foi mais reservado. Garcia Pereira, apesar da sua solidão, fragilidade e voluntarismo surpreendeu-me pela sua humildade, mas com alguma demagogia discursiva dispensável. Para esquecer, o irrealismo do Senhor Louçã. Não foi capaz de reconhecer que, pessoalmente, perdeu. Não, não foi ele que perdeu, (sozinho), foi a esquerda, disse. Mas qual esquerda? Depois de uma campanha desastrosa, demagógica, feita de lugares comuns “dejá vu” o Senhor Deputado Louçã esperava mais? É que Sua Excelência, tal como Mário Soares e Jerónimo de Sousa foram candidatos partidários, violando o espírito da Constituição da República e estiveram por isso constitucionalmente errados, quando deveriam querer ser os primeiros a dar o exemplo de que a Constituição é para cumprir. Ou então, alterem-na. O Senhor Deputado não passa afinal de um político de efeitos especiais num filme sobre política portuguesa que tem como cenário a Assembleia da República. Como vê, Drº Louçã, construir imagens bombásticas e frases tonitruantes não é difícil. Manuel Alegre também entrou pelo caminho de culpar a esquerda. Mas porque clamou tanto contra a falta de apoio partidário se a sua candidatura era individual, autónoma? É que faltar com o apoio, com os mecanismos da máquina partidária não é a mesma coisa do que faltar com a solidariedade. Manuel Alegre provou não carecer do Partido e as pessoas que o apoiaram, demonstraram saber de logística e ter uma excelente capacidade de organização. O Drº Mário Soares engoliu um sapo bem verde e bem gordo. Foi o primeiro a reconhecer, com educação democrática, a derrota. Será sempre um exemplo, para o bem e para o mal. Jerónimo de Sousa sem nada de novo. Uma tradição repetida nas palavras mas que surtiu efeito no eleitorado fiel. Não se esperava melhor, mas foi melhor. Uma outra simbologia a ter muito em atenção é aquela de se manter a tendência abstencionista e de votos sem destinatário. Os políticos ainda não tiveram capacidade para mobilizar esta faixa tão importante do eleitorado. Os políticos têm de perceber que o regime e a prática política têm de mudar. Se a prática política mudasse voluntariamente era menos doloroso e mais cívico do que optar por outras soluções mais drásticas, tais como, alterar as regras eleitorais do actual regime, melhorar os métodos e pensar melhor os motivos, rever as regalias e privilégios de quem faz da política uma profissão, porque ficará admitido que há um aproveitamento pouco transparente da Lei e é necessária que a transparência volte ao seio da política. Na verdade, são estas lacunas na Lei que permitem a concessão de privilégios, mordomias, diferenças de tratamento e estatuto que tornam a profissionalização da política um factor de assimetrias sociais que provocam mau estar e revolta nos cidadãos comuns, a quem estão a ser retiradas regalias sociais, em nome da estabilidade financeira destruída por opções políticas de oportunidade e resultados duvidosos; regalias sociais essas, resultado de pequenas vitórias reivindicativas, obtidas ao longo de trinta anos de lutas sindicais... Mas, voltando a esta votação. Este gesto do Povo Português a apreciar em oposição com as legislativas anteriores prova que cada vez mais existe uma bolsa de eleitores como reserva da Nação, suprapartidária e que decide nos momentos cruciais. Sócrates teve maioria absoluta, porque de desgraça em desgraça os Governos do PSD de Durão Barroso e de Santana Lopes vinham a descer rapidamente para o caos. A esta trapalhada os Portugueses deram uma resposta: Sócrates. Cavaco não ficou atrás daquela resposta. Está a responder-se a outra trapalhada que se cheira, se sente no ar. Cavaco não mandará, mas será árbitro. Tal e qual como Soares sairá a terreiro e liderará o direito à indignação. Tem suporte eleitoral para isso. Há, pois, um fiel da balança, nesta eleição: A consciência cívica. Vai sendo cada vez mais uma realidade. Só falta que a estes “guerreiros eleitores secretos” da Nação, se aliem os abstencionistas e indecisos, sinal de que esta consciência cívica irá ganhando terreno... e com a sua consolidação não teremos nada a temer. A sorte protege os audazes. Passemos a um novo atrevimento. Mãos à obra. Dos fracos não reza a História
Luís Santiago

publicado por quadratura do círculo às 20:08
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Paulo Loureiro - Situação do PS

Há já muitos anos que penso que um dos males da política nacional é a falta de existência de um Partido Socialista como opção credível.
O país precisa disso! Infelizmente, apesar das oportunidades, a cada dia que passa chegam mais e mais provas que este partido tem duas faces: a do discurso da pluralidade, e a da realidade. No discurso de há dias do Sr.José Seguro, está evidente um espírito de quase canibalismo político, não muito distante da interacção social de Valentim Loureiro na noite eleitoral de Gondomar de há meses. A união afirma-se e reafirma-se, num calvário de explicações do inexplicável, em que ninguém acredita, senão a cúpula do partido, que aparenta desprezar o todo, e pensar que, quem está do lado de cá, come de facto a palha que enche o discurso que vai chegando. Quanto mais falam, mais se enterram, como atesta a explicação dos corredores a propósito da sobreposição da intervenção do líder, sobre a de Manuel Alegre. Um conhecido comentador perguntava ontem: “o PS está unido, ou a direcção do PS está unida?”. É uma excelente pergunta, porque a cúpula parece uma espécie de ímane que atrai o que de pior existe à volta. Quase todos concordam com o que está mal, e perante a diferença de opiniões, parecem ter medo uns dos outros. No próximo congresso ficaremos a saber se o PS vai tomar isto como uma oportunidade e andar para a frente, saindo do antro em que se meteu, e que inspira pouca confiança, ou se vai ficar como está e fazer o congresso do querido líder, à boa maneira de outras partes do planeta, onde a palavra mais pronunciada é “amen”. O momento é único. Ou é agora ou é nunca. No entanto, as acusações feitas por uma pessoa ligada à candidatura de Manuel Alegre faz crer que o partido sofre de problemas muito graves, talvez inultrapassáveis. Espero que não, porque há pessoas que, como eu, não têm preconceitos, mas têm referências éticas e morais, que colocadas acima de qualquer outra, impedem o voto neste partido. Haja luz!
Paulo Loureiro
publicado por quadratura do círculo às 20:03
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Mário Martins Campos - Eleições presidenciais

1. Cavaco ganhou as eleições Presidenciais, e com isso ganhou a gestão dos silêncios, em que o Prof. é mestre.
Cavaco durante a campanha perdeu oito pontos percentuais, nas intenções de voto dos Portugueses, e acabou por ganhar na 1ª volta, por uma pequena margem, relativamente ao referencial médio. Espero sinceramente, que esta tendência de descida, pare no momento em que tomar posse, e finalmente os Portugueses possam saber, o que pensa do papel de Portugal na Europa e no Mundo, para além dos lugares comuns debitados, em tudo o que sai da sua área técnica de conforto.
Portugal precisa de estabilidade e cooperação institucional, por forma a criar um contexto de persecução das importantes reformas que o governo tem vindo a conduzir. Sem isto, o tempo será desperdiçado, e nesta, como em outras matérias, o tempo não pode ser recuperado, e Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar energias com o que é menos importante.
2. A esquerda perdeu. Perdeu como um todo, mas perdeu sobretudo a esquerda próxima do PS e em particular o seu secretário geral, Eng. José Socrates.
O PS escolheu o seu candidato. Escolheu o melhor preparado de todos os Portugueses, para exercer o cargo e os Portugueses rejeitaram. Tenho para mim, que rejeitaram, porque a sua escolha foi mal conduzida e transmitiu a ideia de que o candidato apresentado, se tratava de uma reserva do Partido, repescada à falta de primeiras escolhas, contra a vontade de alguns e fora do seu tempo.
A escolha partiu também de uma rejeição. A de Manuel Alegre, como candidato.
O PS achou que estava perante um candidato fraco, incapaz de reunir o consenso e a aprovação dos Portugueses. Enganou-se rotundamente, uma vez que os resultados, demostraram de forma clara, que Alegre era um bom candidato, capaz de reunir consensos à esquerda e capaz de derrotar Cavaco Silva.
Alegre fez história! Consegui erguer uma candidatura, à margem dos partidos, que o conduziu àquilo a que podemos considerar um excelente resultado, capaz de envergonhar o PS, pela sua avaliação errada, do perfil do candidato.
José Socrates, deverá dizer claramente ao partido, que se enganou! Que errou na avaliação sobre os putativos candidatos e que errou no método dessa mesma escolha. Deverá contudo, tornar claro que compreende, de forma clara, a distinção entre o fundamental e o acessório, sendo que o fundamental se materializa na condução dos destinos do Pais. Cabe ao PS, ter a capacidade para assimilar este facto e não se perder em guerras palacianas de caça às bruxas, que só prejudicariam o País e consequentemente a credibilidade do partido.
3. Soares é um Homem de uma estirpe que não vira a cara à luta, de uma capacidade e preparação sem igual no País, que se entregou a esta batalha, como se a primeira da sua carreira se tratasse. A vida e a História já lhe deram tudo aquilo que podia esperar. Só uma enorme abnegação patriótica e política, o fizeram entrar nesta corrida, em condições difíceis, pela mesma razão de sempre: Portuga!
Merecia uma saída mais honrosa?
Talvez sim, mas como o próprio afirmou, só é derrotado quem desiste de lutar.
E que saída mais honrosa existe, para alguém com a sua História e estatuto, entrar de forma humilde, numa luta difícil, de forma desprendida e altruísta, sem medo de perder, em nome daquilo que sempre conduziu a sua vida política? - Portugal e os Portugueses.
Bem haja Dr. Soares!
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 19:58
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António Carvalho - Previsões falhadas

As previsões de um tal “Bandarra” da actualidade, por sinal candidato derrotado a Belém, davam conta de grandes surpresas para o passado dia 22.
Falharam, rotundamente, em todos os campos! Cavaco ganhou à primeira volta, Alegre conquistou o lugar imediato e o dito cujo quedou-se pela posição seguinte. A inteligência, a experiência, a sabedoria, o lugar na história, ficarão marcadas não com uma nódoa, mas com uma auréola incomodativa em tão vasto currículo. A sua candidatura não surpreendeu ninguém, não provocou sobressalto, nem se previa, à partida, que viesse a adquirir um qualquer sucesso imprevisto. (...)
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:49
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