Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

António Carvalho - Encerramentos

Tanta agitação por o Estado querer encerrar centenas de escolas primárias!
Essas mesmas escolas que passam grande parte do ano escolar encerradas por falta de professores que “a coberto” de uma qualquer maleita “fogem” da interioridade como o diabo da cruz. Por curiosidade, no passado ano lectivo perderam-se 9 milhões de aulas num total nacional de 95 milhões!!! Alguém viu as populações a manifestarem-se contra o facto de as suas “criancinhas”
não terem “escola”?
Tanta agitação por o Estado querer encerrar dezenas de postos da PSP em zonas onde existe GNR! Em consciência, devíamos assumir essa realidade e contribuir para que aquela outra população que não tem nenhuma força de segurança a possa vir a ter. Alguém viu uma comunidade a ter um tão nobre gesto? Não, porque somos demasiado mesquinhos.
Tanta agitação por o Estado querer encerrar Urgências Nocturnas em Centros de Saúde, quando as populações têm um Hospital devidamente equipado a meia dúzia de quilómetros! Chamar urgências nocturnas ao facto de um médico passar uma “cartinha” a um doente e transferi-lo para um grande hospital da sua área… é agravar a saúde e a carteira do doente.
Tanta agitação por o Estado querer encerrar algumas Juntas de Freguesia!
Porque não encerrá-las todas, ou quase, e criar em cada Câmara Municipal um Gabinete das Freguesias? É que estes regedores estão completamente desfasados do contexto actual, acabando muitas vezes por se tornarem numa areia na já “perra” engrenagem da administração local.
Nós, Portugueses, temos um orgulho enorme no nosso umbigo, o ponto central do nosso “mundo. A realidade é que esta visão não nos tem levado a lado nenhum. Chegou a altura de olhar para estes factos com a lucidez que os mesmos exigem, discutindo-os abertamente, e não seguir de forma abstracta certos agitadores de opinião.
Para meditar, abstraindo-nos de qualquer cor ou tendência “clubista”.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:13
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Vítor Sá Fernandes - Eleições na Palestina

Depois da poeira assentar, e de já ter passado tempo mais que suficiente para não serem proferidos comentários emocionais, o que nos resta das eleições na Palestina?..... Uma má escolha dos seus habitantes?! Muito provavelmente… aos nossos olhos… Falta de espírito democrático, da nossa parte…. Aos olhos deles. Como normalmente se ouve dizer em dia eleitoral, coisa que nos aconteceu por três vezes nos últimos tempos, aplausos aos vencedores e honra aos vencidos, com muito espírito democrático à mistura. Como explicar então as reacções que por todo o mundo dito democrático e civilizado se observaram após as referidas eleições? Qual é a mensagem que se pretende passar no presente e para o futuro, quando se demonstram definições de democracia, pelas quais esta só é boa se aqueles que apoiámos ganham. Quando estamos perante as eleições mais democráticas de todo o mundo árabe deveríamos esperar da parte dos governos ocidentais uma maior maturidade democrática na aceitação dos resultados. A responsabilidade atribuída ao grupo vencedor com toda a certeza irá provocar mudanças profundas no seu modo de agir. Não é verdade que o poder transforma as pessoas? Muito provavelmente o jogo político-económico será muito mais interessante para os dirigentes do Hamas do que o Carnaval religioso em que sempre se movimentaram. O poder pessoal e económico que dai virá, e acima de tudo é disso que se trata, será muito maior com o conseguido a enviar marionetas carregadas de dinamite para Israel.
Vítor Sá Fernandes
publicado por quadratura do círculo às 19:08
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José Duarte Amaral - Regionalização

Aquando do Referendo à Regionalização, na minha opinião, não houve vencedores nem vencidos. O debate e os esclarecimentos no sentido do voto em consciência não existiram. Os eleitores, uns, votaram “não” ao Referendo porque era apoiado pelos partidos ditos de esquerda; outros, votaram “sim” porque a chamada Regionalização não era do agrado dos ditos de direita; a maioria, não votou. Enfim, foi mais uma “guerra politiqueira”, assim como se de um desafio de futebol se tratasse, ou seja: Ganhou o “não” como poderia ter ganho o “sim”. Isto, para dizer que, estou de acordo com os adeptos da Regionalização, como (por exemplo), Luís Filipe Menezes (Presidente da Câmara de Gaia), quem está disponível para participar, activamente, afirmando estar na hora de fazer com que o tema “Regionalização” volte à cena política nacional, mas, desta vez, de uma forma politicamente correcta, o qual, antes de ir à votação, deverá ser objecto de um grande debate nacional e devidamente esclarecido, para bem do país e dos portugueses. Não voltem a dizer que o nosso território continental é pequeno de mais para ser uma “manta de retalhos”! Trata-se de uma descentralização definitiva do poder central, criando-se (não, Regiões Autónomas), mas, sim, Regiões Administrativas concretas e com poderes de decisão, as quais substituirão os ultrapassados Governos Civis, as “CCR’S” e as inoperantes Áreas Metropolitanas (AM), cujos Órgãos nem sequer são eleitos, democraticamente, pelo voto popular. Quanto aos primeiros (em cada um dos 18 distritos e das 5 “CCR’S) os chamados Governadores e os gestores, respectivamente, são nomeados pelo Poder Central; as outras (AM) são “cozinhadas” (a belo prazer) pelo poder autárquico instalado nos concelhos das mesmas (de Lisboa e Porto), cujos membros (e seus “colaboradores”) gastam “rios” de dinheiro do Orçamento de Estado que, no fundo, saem do bolso do povo que não os elege! Assim, na minha perspectiva, em vez de 25 Órgãos instalados no tal pequeno território continental, passariam a existir, apenas, 6 Regiões Administrativas (descentralizadas através do poder local – Câmaras e Juntas de Freguesia), com um vasto poder de decisão a nível regional, assim distribuídas:
NORTE – 2 Regiões: do Litoral Norte – Províncias do Minho e do Douro Litoral (2 distritos, incluindo a AMP); do Interior Norte – Província de Trás-os-Montes e Alto Douro (2 distritos); CENTRO – 1 Região: das Beiras – Províncias da Beira Litoral, da Beira Baixa e da Beira Alta (2 distritos cada); SUL – 3 Regiões: de Lisboa e Vale do Tejo – Províncias do Ribatejo e da Estremadura, incluindo a AML (1 distrito cada); do Alentejo – Províncias do Baixo Alentejo e do Alto Alentejo (2 distritos cada); do Algarve – Província do Algarve (1 distrito).
Tal como no sonho de Menezes (feliz, diga-se) em chegar a ver concretizada a união dos concelhos do Porto e de Gaia numa só cidade, una e indivisível, a que chamaria de “Portuscale” (e, não, de “Portogaia”), também estou consigo nesta não menos feliz ideia em voltar a debater-se pela (chamem-lhe o que quiserem) criação das citadas Regiões Administrativas, eleitas, democraticamente, através do voto popular, em vez da mediática discussão sobre a extinção e ou fusão de Freguesias, as quais existem como se de Associações se tratasse, junto das suas populações, pequenas que sejam. Qualquer dia está a discutir-se o regresso das figuras do tempo da “outra senhora” – “Regedores”, “Cabos de Ordem” e (porque não) o regresso da “Mocidade Portuguesa” e das “casas de pasto”?...
José Duarte Amaral
publicado por quadratura do círculo às 19:06
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Nuno Monteiro - Greve de professores

Os professores Portugueses têm vivido com a complacência das sucessivas tutelas na Educação. Afinal essas tutelas têm sido constituídas sempre por…mais professores.
A situação, ao fim de décadas, configura hábitos (diria vícios) de interpretação de diplomas e leis por parte dos sindicatos, sem a devida contestação daquelas tutelas.
Na prática temos férias “ilícitas” e horários de trabalho “truncados”.
Logo virão os sindicatos dizer que não. Que os “períodos de interrupção de actividades lectivas” e a “componente não lectiva” dos docentes são para isto e para aquilo e que ficam ao dispor dos directores e conselhos directivos para as tarefas que lhes forem incumbidas.
Na prática, nada disso se verifica. Sem prejuízo de muitos (não tantos como isso) bons profissionais que cumprem os seus deveres e que por isso são (injustamente) as verdadeiras vítimas do desprestígio que a classe vem sofrendo, há que tomar medidas. Aliás, há que referir que as medidas do Ministério (e as que registo de seguida) seriam, para além das Escolas e das Alunos, as melhores “aliadas” dos bons professores. Aqueles que, trabalhando bem, gostariam de ver todos os seus colegas, a trabalharem com o mesmo empenho…
Algumas medidas têm sido tomadas. Outras (algumas) sugestões:
Os horários dos docentes deveriam ter registado nos seus horários todas as suas horas de trabalho. Todas. As 35 horas. Durante todos os dias do ano a menos dos (devidos) dias de férias.
Dessas, algumas seriam lectivas, outras não lectivas de funções escolares e finalmente, as últimas, para trabalho pessoal. Todas registadas. Para os professores mais experientes, o número de horas do segundo grupo é superior, pois vêm reduzidas, gradualmente, ao longo da carreira, a sua componente lectiva. Durante todas essas horas (35), a presença no local de trabalho seria obrigatório, a menos que a Escola não tivesse condições para o efeito.
E, perguntarão muitos, o que são condições para o efeito? Algo como 3 postos de trabalho e um computador com Internet e impressora, para cada 10 professores da Escola e correspondente cacifo pessoal. Simplificando. Como é evidente.
Mas, e as Escolas vão trabalhar para criar essas condições? Pouco provável. Pois as Direcções das Escolas são eleitas pelos professores… a quem interessa não existirem essas condições. Assim, seria dado um prazo razoável (um ano) para que as Escolas (que não as tenham) criem essas condições. Nestes espaços incluem-se salas de grupo, gabinetes de gestão intermédia, etc.
Mas atenção: esta lógica aplica-se também aos períodos não lectivos. Onde os professores poderiam (e deveriam) ser os dinamizadores das actividades não lectivas tão necessárias, nesses períodos, às famílias.
Com os professores na Escola, as substituições ficam simplificadas. E, defendo eu, devem ser remuneradas, em detrimento do professor faltoso, que seria “desremunerado” de igual forma…
No 1º Ciclo, o processo é distinto. Aí as reclamações serão mais lícitas (no que se refere ao alargamento do horário, não aos períodos não lectivos) pois das 25 às 35 horas sobram 10 que devem ser cumpridas na Escola, em processos de preparação e coordenação, mas não com os alunos nas referidas actividades. O modelo correcto já existe. Na Madeira…
Finalmente, considero justo que se clarifique a matéria do desgaste da profissão. Que se atribuam, claramente, mais alguns dias de férias aos docentes. Mas licitamente e não ao abrigo de interpretações erróneas e conselhos directivos a atribuir “dispensas de trabalho” (férias diria eu) totalmente contra as leis de direito de trabalho português. Sugeria que se definissem 3 dias úteis nos períodos de férias (dos alunos) de Páscoa e Natal e 1 dia no Carnaval. Assim, os professores passariam a ter, não 25, mas 32 dias de férias por ano. Até porque só podem tirar férias limitadas ao período de Verão…
Nuno Monteiro



publicado por quadratura do círculo às 19:00
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Paulo Jorge - Ainda as caricaturas

Ainda a propósito das caricaturas... o que deviamos discutir não é o direito à informação per si, porque isso não é matéria discutível, mas sim a ética da prática do jornalismo e do direito à informação. Ou seja, a moral e a ética de um jornalista é independente das consequências da sua acção ou devemos também julgá-lo pelas consequências da mesma?
A ética do jornalista, a deontologia do jornalista, é omniscente? Será que ele tem o direito de se desinteressar pelas consequências dos seus actos? Onde está a ética da responsabilidade? Tudo se resume à mais pura das convicções? O problema está em que quando o jornalista age pela sua convicção e provoca consequências nefastas, quase sempre a culpa não é dele, mas de uns quantos loucos. Afinal de contas a sua convicção é pura. E quantas vezes o jornalista age no sentido de provocar determinados resultados, tão só porque muitas vezes este vive em intimidade com os actores políticos ou outros? Ou seja, porque agem pela convicção agem no sentido de produzir resultados. Quando estes têm consequências nefastas, por que é aí que o problema se coloca, então eles devem ser responsabilizados. Pelo menos, esse direito, de lhe atribuir responsabilidade, é meu, assiste-me.
O recurso à violência, como foi o caso, é indiscutivelmente condenável mas já era previsível. Pode-se sempre argumentar que não devemos ser tolerantes para com estas situações e portanto subscrever a publicação das caricaturas. Agora, é preciso que todos reconheçamos, a começar pelo jornalista, que também temos o direito e dever de assumir as responsabilidades e as consequências dos seus/nossos actos. Agimos com a convicção de que o Bem está do nosso lado. Pois bem, vivamos com isso e assumamos as responsabilidades Para mim é tão simples como isto. A escolha cabe-nos, a começar pelo jornalista. Se essa for a maneira mais correcta de levar os outros a agir em conformidade com aquilo que eu acho ser o Bem, então não sei que caminho estaremos a percorrer...
Paulo Jorge
publicado por quadratura do círculo às 18:26
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João António Gomes Gonçalves - Diferentes iguais?

1. Acasalamento, acto ou efeito de acasalar, junção de macho e fêmea para procriação, diz o dicionário e diz também a sabedoria popular de bichos, homens e mulheres. Muito anterior à aldeia neolítica, na era remota da caça e da economia recolectora, era também assim que a nossa espécie se ajuntava.
A institucionalização do casamento, união de duas pessoas de sexo diferente, sob formas diversas, é comum a todas as sociedades humanas. O casamento tem duas funções essenciais: a procriação (função vital para a sobrevivência da espécie) e funções económicas (subsistência e património da família).
É, principalmente, através do casamento que se institucionaliza a família, célula básica de qualquer sociedade, que atravessa séculos e até hoje não tem qualquer alternativa que a substitua.
A união de duas pessoas do mesmo sexo não pode gerar descendentes (o que não pode ser subestimado) embora possa desempenhar funções económicas, pelo que não é equivalente a um casamento: nunca pode gerar uma família porque a natureza não o permite, salvo a reprodução assistida para as mulheres.
Os homossexuais, homens ou mulheres, podem reclamar a institucionaliza-
ção da sua união, mas não podem proclamar que são discriminados por não poderem casar: a sua união não é um casamento. Se nos afastarmos demasiado da nossa natureza e da nossa origem o que passaremos a ser?
2. Podemos imaginar que a actual instituição da família – e o casamento que a regula - seja alterada para formas diferentes da tradicional monogamia: um homem e uma mulher.
Se já tivemos a união de um homem e várias mulheres (poliginia) e mais raramente a união de uma mulher com vários homens (poliantria) porque não admitir outras formas de união reguladas em casamento? Como se trata de matéria de nuclear em qualquer sociedade, é bom saber o que queremos.
Os homossexuais, só homens ou só mulheres, querem ter direito a constituir família e ao casamento civil, segundo a sua orientação sexual.
A orientação sexual indica qual o género (masculino ou feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída fisicamente ou emocionalmente. A orientação sexual pode ser bissexual (atracção por ambos os géneros), hete -
rossexual (atracção pelo género oposto), homossexual (atracção pelo mesmo género) ou ainda assexual (nenhuma atracção sexual).
Os transexuais sentem que o seu sexo de nascimento não corresponde à sua identidade de género; alguns fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo de nascimento para o sexo oposto. Podemos ainda considerar os andróginos (Andrós e Gynos na mitologia grega): aquele ou aquela que têm características físicas e comportamentais de ambos os sexos, sendo difícil distinguir a que sexo pertencem.
O sexo de grupo, nas suas várias modalidades (vários homens e várias mulheres ou só homens ou só mulheres, entre si,) podem também entrar da classificação de orientação sexual ou remete para o domínio do devasso?. Haverá uma fronteira clara, na orientação sexual, para a demarcar da perversidade?
O termo orientação sexual é considerado, actualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual (uma questão de moda?), mas tenho dúvidas que seja fundamento suficiente para alterar o Código Civil, no que se refere à regulação do casamento. Dada a variedade de formas que a orientação sexual pode assumir, qual o fundamente para que aquela alteração diga respeito apenas à união entre homossexuais, homens ou mulheres? Porque não incluir, por exemplo, os transexuais?
Sabemos que a família tem evoluído e mudado, no espaço e no tempo: a família e a sociedade encontram-se interligadas e ambas variam em conjunto. As mudanças na estrutura e funções da instituição familiar traduzem as mudanças nas outras instituições com as quais está relacionada.
A atomização das relações interpessoais que existe nas grandes metrópoles, a complexidade crescente das sociedades modernas, o enfraquecimento dos laços familiares e de vizinhança, a precocidade da iniciação sexual dos jovens, modas passageiras, perda de referências e valores éticos, tudo se reflecte na família e nas relações sociais em geral: a actual crise da família tem origens nestes e noutras factores e se cumulativamente introduzirmos factores de descaracterização do seu núcleo, o resultado será positivo para a sociedade?
Quanto às funções da família, limitando-nos apenas à função de socialização dos descendentes, temos duas situações: ou a função não é exercida porque os dois não podem geram descendentes, ou a função é exercida sobre descendentes, que existam previamente à união, ou sobre menores que tenham sido adoptados.
Neste caso, como podem pares de dois homens ou de duas mulheres, representar os papeis masculino e feminino necessários à formação dos descendentes sem lhes causarem complexos ou traumas?
3. No plano sociológico a orientação sexual fora do padrão heterossexual pode ser considerada um comportamento desviante em relação a uma norma largamente predominante?
Para a esquerda radical (ou pseudo-esquerda) estão na moda os temas fracturantes: temas que interessam apenas a sectores minoritários da sociedade e que passam a ser considerados como direitos inalienáveis dessas minorias. Enquanto não os adquirirem consideram-se discriminadas e vítimas da sociedade, todavia ainda não há muito tempo desafiar as convenções sociais implicava também a coragem de assumir os respectivos custos.
Também neste caso convém ter presente que os temas fracturantes não contribuem para a coesão social e que em dose excessiva, ou em situações de crise social, podem dar origem a situações complicadas ou de conflito sério.
Para vivermos em sociedade necessitamos de normas e de convenções: são eles que tornando os comportamentos individuais previsíveis tornam possível a vida em sociedade. Tudo lugares comuns, que nos dias de hoje parecem remetidos para o lixo da História.
As sociedades evoluem e nos últimos dois séculos, no mundo ocidental, têm mudado com uma velocidade que provavelmente estará acima da capacidade de adaptação da maior parte dos mortais: será que sabemos para onde estamos a caminhar e que tudo pode ser posto em causa e mudado em nome da modernidade, do futuro e do progresso?
Com a pressa na mudança não deitamos fora o bebé com a água do banho? Tudo o que é novo e moderno é melhor do que o antigo? Aquilo a que chamamos progresso só tem vantagens sem inconvenientes? Quando teremos tempo para realizar o balanço de tudo que muda?
4. A 23 de Janeiro associações de gays e lésbicas pediram, ao presidente da Assembleia da República, para entregar uma petição a favor do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e entre os seus signatários contam-se conhecidos deputados do PS, PCP e BE; em data não conhecida foram convocados diversos órgãos da comunicação nacional e estrangeira, para comparecerem no dia 1 de Fevereiro, na 7ª. Conservatória do Registo Civil de Lisboa.
Teresa, Lena e um advogado, apresentaram-se naquela data, na 7ª. Conservatória , para darem inicio ao processo de “casamento”. Quer tenham consciência, ou não, Teresa e Lena são dois peões, num jogo de xadrez, comandado nos bastidores: de outra forma, como poderiam duas mulheres desconhecidas e um advogado também desconhecido, mobilizar a comunica-
ção social e deputados?
Teresa e Lena procuram levar a água ao seu moinho, mas o que faz correr, alegre e apressadamente, políticos de esquerda atrás das causas fracturantes, utilizando truques baratos, é a velha caça ao voto e à popularidade.
O artigo 13º. da Constituição que estabelece a igualdade entre pessoas independentemente de vários factores, incluindo o sexo, é “uma norma geral, não prevalece sobre disposições especiais” (Vital Moreira) e só por estultícia pode ser invocada para fundamentar o “casamento” entre homossexuais.
A família e o casamento, a que se refere expressamente a Constituição nos artigos 36.º, 67.º e 68.º, é a família constituída por homem e mulher e não qualquer outra e nenhum malabarismo pode contornar esta realidade.
A vitimização faz parte da estratégia das organizações de homossexuais e se é verdade que são discriminados por preconceitos da opinião pública, não é verdade que sejam discriminados porque querem ter acesso a um acto que a natureza não lhes permite praticar: o casamento.
Compreende-se a sua luta para adquirir um estatuto que consagre à sua união, não se compreende que queiram demagogicamente equiparar a sua união ao casamento.
A generalidade da comunicação social, quando trata esta matéria, titula quase sempre “casamento”, o que não facilita a compreensão dos valores que estão em jogo. Também aqui seria conveniente haver um pouco mais de rigor.
O casamento entre heterossexuais e a reprodução são vitais para a sociedade mas a união entre homossexuais não é.
João António Gomes Gonçalves
publicado por quadratura do círculo às 18:23
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Nuno Monteiro - Rede escolar

Reordenamento da Rede Escolar – tema muito interessante e relevante trazido à mesa por Pacheco Pereira. Para “elogiar” o governo na sua coragem. Coisa impossível se tivesse sido David Justino a avançar. Aí, o PS juntar-se-ia à esquerda demagógica e impediria qualquer avanço. Usaria como seus, os argumentos utilizados, hoje, por essa esquerda. E impediria qualquer avanço na matéria.
Está o PS no Governo. Está? Já vimos que não. A medida é pragmática. Não é socialista. Como muitas as que têm sido tomadas. Corajosamente tomada e “calando” a oposição de centro direita (onde eu voto) colocando-se (através das medidas tomadas) na sua área de acção. Já se viu que Marques Mendes está às “aranhas”. Não tem onde se colocar.
Assim, o PS é governo e… oposição. Na calada. É exemplo disso Jorge Coelho. Na Quadratura do Circulo. Já foi dizendo, a propósito do encerramento das escolas, que, apesar de “não ter voz governativa” e não “poder falar pelo governo” que nenhuma escola encerraria se não tiver garantias de transporte e bom acolhimento na escola de destino. Aqui está o PS. O verdadeiro. O que nada tem a ver com pragmatismo. O conservador. Avesso a reformas. O PS dos que estão a engolir sapos todos os dias com muitas das medidas deste governo.
Sem prejuízo de ter alguma razão em substância, pois é realmente necessário assegurar que as crianças das escolas encerradas tenham uma alternativa melhor que a actual, no processo de mudança, o certo é que com estas cedências, empata-se tudo.
Porque cabe às autarquias assegurar esses transportes.
E assegurarão? Não. Pois elas são as principais opositoras ao redimensionamento da rede escolar, como ao processo de fusão administrativa e a muitos outros… Vão defender com “unhas e dentes” todas as estruturas que, somadas, ainda asseguram alguma “massa critica” administrativa que suportam a sua existência. Não vão ceder facilmente. E terão (emotivamente) a população do seu lado. E assim, com esta intervenção, Jorge Coelho fez a oposição ao (seu) governo. Foi o pior que conseguia (e conseguiu) fazer à Ministra da Educação. Deu luz verde para que as autarquias (muitas dependentes de gente sua, do aparelho) não apresentem soluções (de transporte e outras) que assegurem as condições de encerramento das microescolas. Um pouco de demagogia social (populismo) das autarquias de centro direita acrescido da posição (corporativa) dos sindicatos de professores que temos e o caldo está entornado.
O que significa que, ou Jorge Coelho recua nesta sua posição, ou recua o País…
A medida está correcta e as condições para a concentração dos alunos nas novas escolas terão de ser criadas. Mas deixar isso ao livre arbítrio autarca, não é solução. Vão resistir até onde puderem (não criando, estrategicamente, essas condições de mudança), para defender outros interesses locais, mesmo em prejuízo claro e evidente das suas crianças…
Se são capazes disso? Claro. E com apoio do Jorge Coelho, disso e de muito mais.
Nuno Monteiro



publicado por quadratura do círculo às 18:09
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

Bernardino Alves - Sobre cidadania

Quando o comum cidadão se sente lesado em termos civis ou sociais, tem a possibilidade de recorrer às instâncias judiciais que podem ou não corrigir eventuais erros. Tal realidade, não acontece relativamente aos direitos políticos, apesar da Constituição da nossa República salvaguardar tais direitos na sua plenitude.
Na verdade, existe um divórcio entre eleitores e eleitos, não é novidade. Do lado dos cidadãos verifica-se um descontentamento relativamente à oferta partidária, a procura de bens políticos é desmotivante, o descrédito no funcionamento das instituições democráticas é uma realidade.
Perante tudo isto temos um enorme paradoxo. Temos cidadãos que pretendem um estado provedor da justiça social mas não cumprem os seus deveres fiscais. O “xico espertismo saloio” ainda colhe muitos apoiantes exuberantes. Temos escolas que funcionam mal, no entanto, atiram-se responsabilidades para os outros, aos outros e aos outros. Queremos bons cuidados na saúde mas não estamos dispostos a contribuir para tal. Temos os mais elevados índices de sinistralidade da Europa, porém, poucos são os que admitem ser maus condutores. Quando se tentou referendar problemas importantes da nossa sociedade, os índices de participação foram baixos. Infelizmente, são só alguns exemplos.
Enfim, somos muito “refilões” nas questões de menor importância, muitas vezes histéricos, todavia, silenciámo-nos nas questões de fundo da nossa sociedade.
Explicações não hão-de faltar. De vários tipos, de várias ideologias como por exemplo o nível de instrução em correlação com participação politica, ou o atraso do processo de escolarização, que afectou as gerações nascidas antes do 25 de Abril, etc., etc.
Perante tudo isto, o que é que fez Manuel Alegra com o argumento do “Poder dos Cidadãos”?
Manuel Alegre foi conivente e compactou com as boas ou más medidas do seu partido e foi opositor das boas ou más medidas de outros partidos, que exerceram o poder politico durante três dezenas de anos.
Por ter sido rejeitado pelo seu partido para ser candidato a Belém, alegre não pode mudar de discurso tão abruptamente, nem pode alinhar no discurso anti partidos, mesmo que fosse para captar votos ao Bloco de Esquerda.
Fica-lhe mal.
Se queremos combater o divórcio referido anteriormente, aperfeiçoar a democracia, torna-la mais directa e pragmática, melhorar a confiança nas instituições políticas em termos da sua eficácia e transparência de funcionamento, não podemos encher a boca com democracia e liberdade, olhando em demasia para o nosso próprio umbigo.
Bernardino Alves
publicado por quadratura do círculo às 19:09
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Fernanda Valente - Directas no PSD

A eleição directa do presidente do PSD e dos membros que fazem parte integrante da Comissão Política Nacional deste partido, a ser votada em congresso extraordinário no próximo mês de Março, poderá vir a funcionar como a “pedrada no charco” em que mergulha, actualmente, a direita política portuguesa, com especial relevo para o partido social-democrata.
O desempenho do maior grupo parlamentar da oposição face às políticas adoptadas pelo presente Executivo é praticamente nulo, se tivermos em conta a situação de crise que o País atravessa e a necessidade premente em se estabelecer uma política de consensos entre as várias forças partidárias com assento parlamentar, a bem da estabilidade social e do crescimento económico. A ausência de uma linha de orientação que vise a crítica construtiva e a criação de propostas alternativas às apresentadas pelo Governo, credíveis e elaboradas com rigor, com base no estudo aprofundado dos dossiers, é por demais evidente, chegando-se mesmo a preferir a via do “acordo palaciano” ou da “conversa de alcova” a que, certos órgãos da comunicação social, também não são alheios. Em contrapartida, é produzida uma oposição de discordância e de ataque sistemático a toda e qualquer iniciativa governamental levada a cabo, quer se insira no âmbito da reforma da administração pública, da política orçamental, do incentivo ao investimento ou de qualquer outro.
Esperará, porventura, o líder, neste congresso, vir a ser aclamado pelos êxitos obtidos nos dois anteriores actos eleitorais, vitórias fictícias se tivermos em conta os aspectos conjunturais da política partidária, de diferentes naturezas, que rodearam cada um destes processos. Desta vez, o “rei vai nu”. Segue, desprovido dos paramentos que poderiam legitimá-lo na cadeira do poder até às próximas legislativas, a caminho do princípio do fim de uma liderança que desde o início se anunciava de transição. Insistir em Marques Mendes na liderança de um partido que encontra uma forte contestação interna por parte de militantes, de certo modo, históricos dentro do partido, é remar contra a maré, contra a inevitabilidade de um reposicionamento à direita deste partido, a chamada direita neo-liberal ou populista que encontra eco junto de um extracto social emergente na política, mas já em número assinalável na nossa sociedade. Luís Filipe Menezes, sendo um dos seus mentores, tem surpreendido pela positiva através das suas incursões argumentativas em espaços televisivos, não destituídas de critério e razoabilidade.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 19:07
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J. L. Viana da Silva - Sobre escutas

Um político é um cidadão que foi eleito por cidadãos comuns! Em direitos e
deveres em nada lhe difere a não ser os constantes na constituição; O
político tem mais deveres que o cidadão comum... Que se saiba, em lado nenhum
da constituição diz que um político eleito não pode ser sujeito a
suspeição, a averigução judicial, ou seja, não deve ser um previligiado!
No caso concreto da Casa Pia, é lamentável que políticos não queiram ser
melindrados no o que quer que seja, que não queiram dar o exemplo neste caso
hediondo de crimes públicos.
Ser político é servir o estado para o bem comum, e o bem particular desde a
criança- e o feto- até ao idoso. Neste contexto, "cair" num processo judicial
como o da Casa Pia deveria provocar outra atitude nos políticos que, ao invés
de estarem a discutir leis ou futuras leis das escutas agora, deveriam colaborar.
Um político eleito não é um deus ou um santo, isso são-no as crianças! Rousseau dizia que as crianças possuíam uma bondade natural que se poderia perder ao longo da vida, elas são as menos suspeitas no tocante a bondades e santidades... Todos os outros, nós, somos assassinos, pedofilos, ladrões, etc, até prova em contrário, para subverter a máxima!
J. L. Viana da Silva

publicado por quadratura do círculo às 19:02
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