Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

António Carvalho - Santuário de Fátima

O Vaticano lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o Santuário de Fátima. A operação, que apanhou a todos desprevenidos, surgiu de Joseph Ratzinger quando teve conhecimento do relatório e contas de 2004 (o último conhecido), e dos lucros “fabulosos” de 19 milhões de euros. A exclamação foi só uma: “Eh, pá! Isto é muita massa!”.
O actual Presidente do Conselho Executivo, Bispo de Leiria-Fátima, recusou-se a comentar a OPA, considerando-a, em círculos restritos, como “hostil”, uma vez que a entrada em Fátima de um Delegado Permanente da Santa Sé irá acabar com a “golden-share” portuguesa, arrastando mais um centro de decisão para fora do território nacional.
A natureza hostil desta acção faz adivinhar algumas batalhas jurídicas e até à decisão final muita água irá passar por baixo das opas.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:51
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Mário Lopes - Encerramento de escolas

Foi com espanto (ou talvez não) que ouvi os senhores comentadores pronunciarem-se sobre o encerramento de escolas primárias. Com o mesmo espanto os ouvi concordarem com a regra geral de encerramento de escolas. Ora, não pode haver regras gerais porque cada caso é um caso. Muitas vezes,a escola - com a igreja e a junta de freguesia e/ou a sociedade recreativa - é o principal símbolo da identidade de uma aldeia. Encerrar uma escola primária é, quantas vezes, decepar um braço a uma comunidade, não menos vezes esquecida e abandonada pelo Estado. Só políticos muito incompetentes, muito insensíveis e muito ignorantes podem aceitar encerramento de escolas com base em critérios meramente estatísticos.
Pior ainda quando a senhora ministra da Educação se propõe encerrar escolas com 15 e 20 alunos e não apenas com menos de 10 alunos.
Pior ainda quando, muitas vezes, as novas escolas têm qualidade igual às que se propõem encerrar ou mesmo pior qualidade (há casos comprovados).
Pior ainda quando crianças de tenra idade, algumas delas com deficiências diversas, têm de viajar dezenas de quilómetros por más estradas, correndo desta forma perigo de vida. Quem se responsabiliza pelos feridos e mortes causados nesses percursos rurais sinuosos e perigosos em que são transportados milhares de crianças? Basta haver transportes???! Que irresponsabilidade e ignorância, meus senhores!
E qual é o preço de separar diariamente as crianças de tenra idade das mães e dos avós de uma comunidade durante um dia inteiro? Isto é qualidade de vida ou é desumanidade e irresponsabilidade?
A verdade é que não temos ministra da educação nem secretários de Estado da Educação. Temos três burocratas voluntaristas que governam através de relatórios, desconhecendo as realidades locais, a realidade de uma sala de aula e os verdadeiros problemas da educação. Estamos sujeitos à política pimba, à política do "quanto mais bruto melhor", "quanto mais gente afrontarmos melhor". Para isso, contam com uma plêiade de comentadores que também nada percebem de educação, mas que se pronunciam com o maior despudor sobre o assunto, emitindo uma série de banalidades e lugares-comuns de acordo com o que consta no mainstream.mediático.
Assim, podemos ouvir périolas como "a ministra está a tomar medidas corajosas", "está a mexer em interesses instalados", "está a mexer na educação para pôr o sistema de ensino a funcionar". Quem está no sistema de ensino e conhece muito bem os problemas ri-se (ou chora, consoante a sensibilidade...), sabendo que a educação em Portugal não está a progredir, finge que progride. E para que o fingimento realmente resulte, o Ministério da Educação sabe que tem de mexer em muita coisa a cada dia que passa
Nada do é realmente preciso fazer para melhorar o sistema de ensino está a ser feito porque a ministra e os seus secretários de Estado, tal como os anteriores, nada percebem de educação. Enquanto isto, vão entretendo os comentadores com o acessório e recebendo os maiores encómios destes, pela simples razão de que também estes não sabem a diferença entre o essencial e o acessório da educação. Pode a senhora ministra e o seu par de secretários de Estado enganar alguns comentadores durante algum tempo, mas seguramente não conseguirá enganar toda a gente o tempo todo.
Mário Lopes
Professor
publicado por quadratura do círculo às 18:45
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Mário Patrício - Liberdade de expressão

Isto da liberdade de expressão tem muito que se lhe diga.
Quando era mais jovem, no ardor de uma aula de entrega e correcção de testes da disciplina Física-Química, e após uma boa parte dos alunos acharem que o seu teste tinha sido mal corrigido em prejuízo próprio, gerou-se uma onda de contestação, proporcional ao número de negativas distribuídas.
É claro, face à idade tenra daquela pequena gente, que o nome e a figura da professora, foram vilependiados ao mais alto grau, chegando-se a chamar nomes à mãe da senhora (que não tinha a culpa de nada reconheço, a mãe claro), e até desenhar cartoons alusivos a certos assuntos e posições praticados pela respectiva professora.
Os que tiveram coragem de assumir o que fizeram foram castigados (deixei de ter o meu cadastro escolar limpo, em termos disciplinares). E então eu percebi até onde podia ir a minha liberdade de expressão.
O mesmo me foi explicado por um polícia da zona onde morava, depois de eu e o meu grupo de amigos termos feito algum barulho (muito barulho) após um golo da selecção (classificação para o Euro-96). Não podíamos ir contra a ordem, a moral e os bons costumes. Não devíamos realizar qualquer exposição pública que perturbasse os outros transeuntes e evitar quaisquer provocações gratuitas.
Devo dizer que aprendi com isto a olhar para a liberdade como uma caixa fechada em que eu era a partícula. Dentro da caixa podia fazer o que me apetecesse. Fora da caixa tinha que ter cuidado com as outras partículas.
Ora então onde é que eu quero chegar. Bem… Visto deste prisma, parece-me que o jornal dinamarquês fez, foi uma provocação gratuita sobre uma minoria religiosa. Quiseram provar que a minoria não estava integrada na sociedade dinamarquesa e falharam. Mas falharam provocando os outros que vêem a sociedade ocidental da mesma maneira que nós vemos a sociedade islâmica: como uns atrasados mentais, infiéis e impuros que não sabem o que é viver bem e em respeito a todos.
Depois a reacção. Bem, na minha primeira história, a professora só descobriu o que se passou porque outra lhe foi contar. A professora para não dar parte de fraca queixou-se ao conselho directivo da escola e o resto já sabem. Aqui os casos são semelhantes. Para os muçulmanos dinamarqueses não lhes fez nada de especial. E os outros nem sabiam. Porem, após a reunião com os altos dignatários da religião na célebre peregrinação a Meca, talvez para se vingarem das mortes ocorridas este ano, um dos problemas eu tem e que os ocidentais não tem a culpa, decidiram convocar uma guerra santa contra os do norte da Europa. Que desgraça para todos. Nossa e a deles. Tal como o povinho ocidental, o povo muçulmano vive acorrentado a uma elite, ora religiosa, ora oligarca, que manda e remexe nos cordeís que nos regem.
Os ocidentais não se podem esquecer que os romanos, Pilatos, não quis deixar de condenar Cristo, pois se fizesse ao contrário estaria a provocar gratuitamente os Judeus. E o que era preciso era haver Paz. Eu também acho que o que é preciso é haver paz.
Mário Patrício



publicado por quadratura do círculo às 18:38
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J. Leite de Sá - Segredo de justiça

Tem sido tema glosado e abordado dos mais variados prismas. Defende-se o segredo de justiça para conseguir obter eficácia na prossecução de objectivos investigatórios e salvaguarda da idoneidade das partes envolvidas.
O certo é que ele tem sido sistematicamente violado sem que se apurem os culpados. Tem sido usado como arma de arremesso com objectivos inconfessáveis.
Queixava-se o major Valentim da violação do respectivo segredo pois afectava a sua honorabilidade. Tem carradas de razão. Aparecem agora certos "extractos" (se-lo-ão?)em que o seu diálogo com Pinto de Sousa aparece ao nível de dois carroceiros, sendo autênticas caricaturas de duas figuras que eram tidas na conta de respeitáveis e de impolutas, aparecendo agora como autênticos "monstros" com linguagem típica do bas-fond mais rasca.
Serão diálogos verdadeiros ou invenções?!
Aquilo é tão baixo, tão sórdido, que a interrogação fica no ar: Será que temos a nossa arbitragem e a Liga de futebol entregues a pessoas deste jaez?!!! Ou é tudo mentira?
O major falava em "risota", quando fossem publicadas as acusações. Referir-se-ia ele a estas cenas caricatas que são
a antítese do cavalheirismo e mais próprias de almocreve?
É bom que se saiba o teor das conversas destes cavalheiros para que Portugal inteiro comece a distinguir as máscaras que aparecem na comunicação social a impingir-nos transparência, probilidade e rigor, da realidade nua e crua que está por detrás dessas máscaras!
Era bom que acabasse definitivamente este carnaval em que o futebol português está mergulhado de há longos anos a esta parte. Era útil uma lufada de ar puro. O desporto, essa escola de virtudes, que tem no olimpismo o máximo expoente, deveria ser servido por outros intérpretes. A não ser que seja tudo mentira e, nesse caso, os portugueses gostariam de uma explicação cabal. Todos têm direito à sua honra e bom nome.
J. Leite de Sá

publicado por quadratura do círculo às 18:33
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António Carvalho - O Sábio

Sócrates, filho de Sofronisco e Fenareta, o Filósofo de Atenas, dizia que “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”.
O desconhecimento e a imperícia alojada no Governo do Engº. Sócrates, político da actualidade, é colmatada pela criação de factos que, até ver, se projectam apenas em ilusórios cenários de progresso e desenvolvimento económico. A visão clara e concisa de futuro continua a ser apanágio de meia dúzia de eleitos. Mundos dourados de investimentos babilónicos irão colocar nas suas mãos a mítica espada de Damocles, que pairará como símbolo de respeito luso sobre o resto da civilização.
Os outros, os não eleitos, suportam cada novo dia que surge imbuídos na já patológica visão enevoada a que se habituaram, num repetitivo “remake” do silêncio dos inocentes.
Sócrates, o “Filósofo” de Castelo Branco, é um Sábio. Conhecendo os limites da própria ignorância, vai construindo castelos ilusórios de cartas, aproveitando milagrosos corta ventos que impedem a queda do seu jogo. O último, denominado Oferta Pública de Aquisição, foi já precedido pela “estória” dos cartoons seguindo-se o Mundial de 2006.
É que enquanto “ralharem” as “comadres”, ninguém saberá das suas verdades! E a água, dengosamente, lá vai chegando ao seu moinho.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:30
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Pedro Moreira - E agora, Turquia?

Ainda bem que aconteceu o episódio das caricaturas! É que ao contrário do que muitos pensam, este acontecimento apenas veio mostrar ao mundo algo que já existia e que especialmente nós, europeus, andamos incompreensivelmente a ignorar.
O que se está a passar é uma guerra de religiões e uma guerra de civilizações. Em simultâneo e ambas unilaterais. Ou seja, pelo ponto de vista dos radicais islâmicos, o assunto é religioso e tudo o que pensam é condicionado e imposto pela religião. Pelo nosso lado - as democracias ocidentais - o problema é civilizacional. Há de facto uma crescente incompatibilidade entre duas civilzações assentes em bases completamente distintas. Os valores duma não são tolerados pela outra. E nem vou perder tempo a defender os valores que as presentes sociedades ocidentais têm, que muito prezo e que não estou disposto a deles abdicar. Entre os quais a tão falada liberdade de expressão. Não porque não ache interessante e necessária esta discussão mas porque, para além de muito já se ter escrito e dito, o "meu" tema é outro,
Estranho e não compreendo que com este episódio não se tenha discutido (especialmente na Quadratura do Círculo e em particular pelo Pacheco Pereira, aquem estes dois temas - a europa/UE e as clivagens civilazacionais - são tão caras), nem tão pouco mencionado de passagem, algo que no meu entender vai ter enormes consequências na nossa (portuguesa e europeia) vida futura - seja qual for o seu desfecho: a questão turca.
Bem sei que as questões da união europeia (UE) não despertam grande interesse nos respectivos povos, por várias razões. Uma delas é precisamente a sensação de distanciamento e desfazamento entre nós - o povo - e eles. E o que são eles, que tão bem ilustrado ficou neste providencial episódio dinamarquês? São uma casta de tecnocratas burocratas completamente alienados da realidade, mergulhados no seu País-das-Maravilhas europeu onde, no meio das toneladas de normas e regulações que produzem sobre tudo o que mexe com o objectivo de padronizar as nossas vidas, despotica e levianamente nos conduzem através das suas vistas míopes afectadas pelas tantas letrinhas miúdas que produzem.
O problema é que já não conseguem vêr para além disso. E se juntarmos umas doses de hipocrisia, incoerência, complexos de culpa e de superioridade moral mal resovidos e ainda alguma cobardia, o desnorte é total.
Relembremos apenas de passagem alguns episódios recentes: uma constituição europeia feita e pensada como sabemos e com o fim conhecido.
Posições políticas incompreensíveis tendo em conta a realidade dos factos. Vejamos: A UE apoiava a Fatah e Arafat, apesar das suas dúbias ligações ao terrorismo. Espera apenas que o Hamas renuncie pela palavra ao terrorismo e reconheça o estado de israel para da mesma maneira o apoiar. Por outro lado, tem dentro do seu seio um estado - a espanha - que ilegalizou um partido político histórico, alegando ser o braço político da ETA, um grupo terrorista. Outro estado - a bélgica - foi mais longe e ilegalizou um partido apenas por discordância política, ignorando a sua legitimidade, implementação e aceitação na sociedade belga, expressa através da elevada votação que teve.
E esta europa que não tem problemas em dizer que espera que alguém eleito democraticamente defraude quem o elegeu, mudando os pressupostos que sustentam a sua acção política e que lhes confere a legitimidade popular? Foi o que pediram ao Hamas. Não seria natural que aceitassemos a escolha do povo palestiniano como legítima democraticamente e que, democraticamente tomassemos posição? É que os povos, em democracia, têm que ser igualmente responsáveis pelas suas opções. E responsáveis pelas consequêcias dessas mesmas opções.
E a posição de indefinição face á Rússia, de que este episódio de Putin chamar o Hamas para conversações de paz bi-laterais, é elucidativo? Hamas esse que a rússia, alías, não considera como terrorista. Poderá a europa tomar idêntica iniciativa e tentar promover a paz na rússia chamando a Bruxelas representantes do movimento tchetcheno, legitimando-os automaticamente como tal?
As posições da UE face à pobreza, em particular em África são grotescas. Se por um lado contribui com elevadas somas em ajudas humanitárias entregues a estados totalitários, corruptos e muitas vezes sanguinários, por outro mantêm esses mesmos regimes quer através de acordos comerciais ou simples negociatas bi-laterais. Mas o mais gritante é a acção política na práctica. Enquanto o discurso aponta numa solidariedade ao combate à pobreza e apoio ao desenvolvimento económico desses países, a realidade joga-se com Políticas Agrícolas Comuns. Esse sim, um dos maiores entraves ao progresso e subsistência de muitas economias do 3º mundo.
Para não mencionar o triste exemplo de seriedade que demonstraram durante o processo de integração dos novos membros da união, face ao orçamento comunitário e respectivas contribuições...
Enfim, os exemplos são inúmeros sobre o modo da EU - a europa - se comportar. E isto determina obviamente o rumo que segue, ao sabor do vento, em direcção ao desconhecido. A política da UE tem sido, em casos de extrema importância, uma fuga em frente, sem querer enfrentar os problemas reais e a sua consequente discussão pública, o mais alargada possível. Porque fora do País-das-Maravilhas onde vivem, existe o país real. Mais, os países...
Pretendo apenas tentar enquadrar o incidente das caricaturas e o que está por trás das várias reacções ao mesmo, a europa e a UE com os seus problemas identitários (quem sou? que fazer? como fazer? para onde vou? com quem?...) e a questão da possível entrada da Turquia para a UE. E o assunto Turquia não pode deixar de ser visto à luz destes acontecimentos.
Em face disto, é imperioso que não se cometam os mesmos erros, pelas mesmas pessoas e com os mesmos objectivos. É que esta questão vai ser determinante no futuro da nossa sociedade, seja qual for o rumo que seguirmos.
Pedro Moreira

publicado por quadratura do círculo às 18:22
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Jorge Costa - His master voice

Aqui bem perto de nós, em Vila Viçosa, há cerca de 400 anosa Duquesa de Bragança, D. Luísa de Gusmão, ficou para a História de Portugal ao dizer ao marido que mais valia ser Rainha uma hora que Duquesa toda a vida, estava assim afastado o último obstáculo à independência de Portugal e à coroação de D. João IV.
Infelizmente ainda há muito quem face à possibilidadede de morrer de pé, opte por rastejar toda a vida, quem não tenha conseguido ultrapassar o jogo de infância “O Chefe Manda”, e nunca consiga melhor que ser a voz do dono. Esses estão convencidos que a cabeça serve só, conforme os casos, para levar ao barbeiro ou ao cabeleireiro. Satisfeitos da vida por outros pensarem por eles e assim pouparem os neurónios de que pouco lhe servem.
Muitas carreiras auspiciosas na política se tem fundado neste comportamento, de yes men ou women, garantindo assim o sustento e as vidinhas, ainda que sem centelha de glória ou notoriedade. No máximo ficarão conhecidos no seu condomínio, se forem às reuniões; deles nada haverá a esperar e a sua utilidade é muito controversa.
Esperar-se-ia que a Assembleia da República, pelas suas responsabilidades, fosse ocupada pela nata dos portugueses.
Decorridos 30 anos de Democracia, a análise estatística da participação activa dos nossos representantes nela deixa muito a desejar. A maior parte dos deputados nunca ninguém teve o prazer de ouvir a sua voz, ainda que regularmente os vejam a votar. Limitam-se à figura de corpo presente, alimentam o coro, fazem número! São os membros da claque, como antigamente no teatro de revista.
É natural que a esses elementos lhes faça confusão quando algum colega de bancada queira precisar publicamente o seu pensamento, mostrar que pensa; já é menos compreensível que demonstrem o seu desagrado a quem não se limita ao seu cinzentismo.
Na última reunião do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, os desconhecidos deputados Paula Barros, Rosa Albernaz e Carlos Lopes prestaram-se a esses triste papel de cantores de ouvido ao questionarem e contestarem a tomada de posição de Manuel Alegre sobre o controverso comunicado do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, sobre a polémica dos cartoons.
Que se saiba, o Partido Socialista, ainda que tendo metido há vários anos o Socialismo na gaveta, não perdeu a sua laicidade e o referido comunicado mais parecia uma aula de catequese incluindo uma exegese e indicava um novo Index.
É natural que um socialista, laico e republicano sentisse alguma incomodidade e a demonstrasse. Só lhe ficou bem!
Ao longo da sua presença de 30 anos no Parlamento, Manuel Alegre, sempre tem publicitado as suas incomodidades, o que é um traço de coerência e de carácter que é de aclamar.
Para os cinzentões o esquecimento, deles a História não rezará!
Para ele toda a minha solidariedade!
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 18:17
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006

Nuno Monteiro - Bill Gates em Portugal

O homem mais rico do Mundo. Também um grande doador aos países mais pobres.
Mas também o homem que construiu uma empresa, a Microsoft que produz grande parte do software mais utilizado no Planeta.
Aproveitando o facto, o Governo Português não fez por menos. Recebeu-o com honras de Estado. Aproveitou e criou uma recepção de impacto mediático. Não se fazendo rogada, a Microsoft aproveitou e também divulgou o seu produto.
Nada de mais. Portugal precisa de fazer subir estados de espírito e a Microsoft de recuperar de alguns ataques por parte dos defensores do software livre e das entidades comunitárias que a acusam de práticas monopolistas.
Ambos aproveitaram. Mas, o que terá ficado dessa visita? Para além do marketing e do espectáculo, muito pouco.
A Microsoft está à beira de alterar, por completo, o seu modelo de negócio. Como excelente empresa que é, já percebeu que o actual modelo está prestes a esgotar. Já não há lugar para a venda de aplicações, ferramentas de programação e mesmo de sistemas operativos. Assim, apesar de nada “transpirar” já se percebeu que o Windows Vista será a lança da mudança.
Com a Ásia totalmente fora de controlo (as cópias do software abundam) e sendo estes os mercados determinantes para o crescimento do sector.
Com o software livre a ganhar terreno.
Com negócios emergentes (Google e Skype) a explodir.
A Microsoft já prepara a “libertação” do seu software…
Assim, o Windows Vista, para além dos renovados aspectos “visuais” deverá trazer: a gratuitidade no acesso ao software, a publicidade “entranhada”, e os serviços (pagos) de protecção contra vírus, os updates regulares, as comunicações (de todo o tipo) integradas, a formação on-line, os conteúdos (notícias, filmes, músicas – ver ITunes-, TV ao vivo, séries de TV). Tudo isto disponibilizado pelas “janelas” abertas pelos sistemas operativos e aplicações Microsoft…
Já vimos em Portugal alguns destes aspectos: a Microsoft afirmou pretender gastar 60 milhões de euros para formar 20 milhões de europeus… Pois os 60 milhões permitirão criar plataformas de e-learning de acesso livre (ou quase-livre). Para os tais 20 milhões se formarem no uso de aplicações… da Microsoft. Que, dentro de pouco tempo serão “downloadáveis” sem custos, matando a concorrência e potenciando à Microsoft a manutenção do seu estatuto de empresa líder mundial através de janelas extremamente valiosas para a publicidade que passa a ser o elemento mais lucrativo para a Empresa. Seguindo o modelo Google… Para além dos conteúdos e serviços já referidos. À Microsoft, no futuro, bastará que muitos usem os seus programas…
E Bill Gates disse em Portugal que a publicidade ainda estava por explorar. E de que maneira (deverá estar ele a pensar) …
E, para isso, precisará que eles (os seus programas) sejam (se mantenham) efectivamente bons. Os melhores de todos. Daí necessitar de toda a energia e criatividade. Garantindo-se, dessa maneira a evolução tecnológica. Com custos zero (de base) para os utilizadores (combatendo a pirataria pois deixa de ter sentido o software de acesso livre e gratuito e “matando” as acusações de monopólio). E criando novos negócios para a empresa (conteúdos, publicidade, formação e comunicações) de valor incalculável.
Assim, Gates não veio trazer nada a Portugal. Fomos provinciais na sua recepção. Mas nada de mal veio daí. E o certo é que muita coisa está a mudar… e Bill Gates está atento e vai, não só acompanhar a mudança, mas assegurar que ela ocorrerá à sua medida e de acordo com a sua visão…
Visão – Vista …Cá está.
Nuno Monteiro



publicado por quadratura do círculo às 19:48
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Paulo Loureiro - Estado da Justiça

É com grande alegria da população e da construção civil que os tribunais continuam a ser intitulados com a expressão "Domus Institiae" ou “Domus Justitiae”, ou lá o que aquilo é! Há cada mania! Infelizmente não é muito útil, porque são já muito poucos os reformados que nasceram durante o império romano. Mas os que ainda vivem, devem ter sido empreiteiros, arquitectos, funcionários da justiça ou fabricantes de reclames luminosos e afins. O resto não interessa absolutamente nada, mas aqui vai.
Há meses tive oportunidade de participar numa sessão de tribunal por vídeo-conferência. Ao colocar os auscultadores/microfone, desfizeram-se e caíram. A Sra do Tribunal pediu imensa desculpa e, aflita, deu um arranjo apressado, juntando os destroços e evidenciando os já metros de fita-cola que seguravam as partes. Finda a intervenção voltou a desculpar-se, afirmando que o orçamento do tribunal não comportava a aquisição de uns novos. Fiquei banzado! Depois de ligar novamente a cabeça (nestas fases desligo para não enlouquecer de vez) estive quase a dar um salto à Fnac e voltar atrás com uma oferta de 20 Euros, mas tive receio de passar por anormal e desisti.
Ainda que cheios de mazelas incuráveis e de estátuas de bronze dos mais valentes e ilustres líderes da Liga de futebol à porta, a postura e a memória cultural dos tugas é tudo o que importa. Errare Romanum est :)
Paulo Loureiro
publicado por quadratura do círculo às 19:44
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Paulo Loureiro - Visita de Bill Gates

Muito recentemente, Portugal foi visitado por Bill Gates, uma pessoa notável, que na hora certa soube, com todo o mérito, fazer algo de extraordinário, fruto de uma cabeça que viu para a frente, em vez de estar à espera de algum amigo ou subsídio. Infelizmente, a maneira como o evento foi apresentado à nação é triste: a visita do homem mais rico do mundo. Fica o resultado, não a obra ou o esforço, que não parece interessar muito. Mas mais extraordinário ainda, é a apresentação da pessoa à nação como uma espécie de salvador do plano tecnológico, como se os serviços, livros, cursos e produtos não estivessem já nas prateleiras das lojas. Os mesmos livros que ao chegarem dos EUA são taxados a 52 Euros o par, sob a forma de despesas de desalfandegamento, incluindo 2 Euros para selos! Mais ainda, repetiu-se a apresentação pomposa que no passado se aplicou a Xanana Gusmão, às portas de umas eleições, para o povo ver. Bill Gates, como lhe cabe, veio vender, e muito bem. Afinal, é esse o seu papel: ganhar dinheiro com aquilo que as grandes cabeças produzem, não ajudar os governos. O que parece é que se fizeram acordos de intenção e que ninguém sabe muito bem o que se vai fazer de facto. Mas se a ideia é promover as certificações Microsoft, como transpareceu, é uma excelente ideia. Como estas são reconhecidas internacionalmente e há muita procura de certificados no estrangeiro, vai ser muito bom para quem quiser fugir, vazar, ou mesmo pisgar-se. Espero é que se subsidiem os estudantes e empresas que pretendam adquirir know-how, e não as empresas de lavar papéis verdes a seco.
Tudo isto se torna ainda mais interessante quando se reflecte e percebe que o problema de Portugal reside, essencialmente, num problema industrial, todo ele baseado numa desadequação e desfasamento quase total relativamente às necessidades do mundo e dos mercados onde actuamos, iludindo-se a nação com a ideia de que as tecnologias são o fim, não o meio de ajudar a sair da crise. Com os melhores conhecimentos de informática, não adianta insistir em produzir os mesmos têxteis e o mesmo calçado, porque a melhoria dos resultados, a existir, vai ser residual. Mas lá que este governo está a mexer muito mais do que as alternativas, lá isso está, e há que reconhecer esse mérito. Espero é que não seja apenas o tradicional folclore.
Para não faltar com um exemplo exemplar, recentemente, um empresário de sucesso na área do mobiliário moderno no Norte do país viu o seu excelente projecto de internacionalização reprovado por um departamento qualquer (que reconheceu a excelência da candidatura), só porque o banco onde tinha feito a caução não estava no rol daqueles com os quais tinham um protocolo de cooperação. É como furar um pneu e deitar o carro fora! Com um estado assim, e por mais informatizada que esteja, não há empresa que mais tarde ou mais cedo não morra de trombose na contabilidade ou de enfarte na facturação.
Paulo Loureiro
publicado por quadratura do círculo às 19:42
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