Sexta-feira, 17 de Março de 2006

Ricardo Freixial - Sou agricultor

Tal como Miguel Sousa Tavares, também eu sou heterossexual (“fulltime”), fumo, bebo, como pezinhos de porco de coentrada e outras comezainas que posso apanhar, aproveito uma caçada às perdizes para conviver com amigos, vibro com o futebol, gosto de touradas e mais…sou agricultor!
Estou, portanto, ainda para além do troglodita, constando por isso da listagem divulgada publicamente pelo MADRP (Ministério da Agricultura Desenvolvimento Rural e das Pescas) e na qual é dado a conhecer o montante de ajudas recebidas pela minha actividade. É a segunda vez que figuro numa listagem pública. Escapei-me, ou não terei tido conhecimento de ter figurado durante o PREC na listas de “reaccionários” a abater e nas quais quase por inerência, os agricultores em geral eram incluídos, e a minha primeira vez foi num Edital afixado, como era então costume, na Praça do Geraldo em Évora, através do qual fiquei a saber que relativamente à minha situação militar, tinha passado à Reserva de Incorporação, estatuto que ainda hoje não sei o que significou. Figurar na “Listagem da Transparência” até nem é mau de todo pois dá conta publicamente da nossa existência e faz prova pública de manutenção de uma actividade séria, pois o Estado não pagará seguramente a ladrões. Pertencer à lista dos implicados no “caso Casa Pia” será porventura bem pior…
Sem entender qual o beneficio que a divulgação da “Listagem da Transparência” traz para a Agricultura o Desenvolvimento Rural e as Pescas (e muito menos para mim), não posso deixar de anotar mais este importante contributo para a tentativa de “criminalização” e “linchamento” públicos da classe a que pertenço e simultaneamente fazer algumas sugestões ao MADRP e ao Governo em geral:
Para uma ainda mais transparente “transparência” que explique o MADRP de forma séria e também publicamente o porquê da existência destas ajudas e o que elas representam para o agricultor em particular e para o país em geral e também já agora os montantes perdidos em ajudas da União Europeia pela incapacidade negocial e pela insensibilidade e incompetência que têm por vezes ocupado o referido MADRP;
Que venham “Listagens da Transparência” porque “a gente” quer é mais listagens– a listagem da transparência dos políticos, a listagem da transparência dos Ministros, a listagem da transparência da competência, a listagem da transparência da forma como o nosso dinheiro é “transparentemente” gasto e todas aquelas listagens que julguem por bem publicar para que tudo fique, também para nós, transparente.
Finalmente e não menos importante, que o MADRP, faça também o favor de publicar a listagem dos agricultores a quem, por força da decisão comunicada na sua Nota Informativa de 16 de Fevereiro, vai de forma “transparente” deixar de pagar os montantes relativos aos compromissos anteriormente assumidos, sem que qualquer motivo transparente apresente. E já agora, que publique o MADRP também, uma listagem com as acções por ele desenvolvidas nesta Legislatura, e das quais tenham resultado benefícios para a Agricultura, para o Desenvolvimento Rural, ou para as Pescas.
Para pertencer à “Listagem da Transparência”, carrego ainda com outros sufixos que alguns mal informados e outros maliciosamente me aplicam, tal é a forma distorcida como esta coisa da Política Agrícola Comum (PAC) transparece para a opinião pública e nos é imposta. Senão vejamos:
Entre outras bizarrias, cumpro com rigor as regras técnica e ambientalmente absurdas que impedem durante seis meses o pastoreio nas áreas do “Set-aside” qual provocação não só às minhas ovelhas como também às vacas do vizinho que não conseguem entender o porquê de as obrigarem a passar abaixo das suas necessidades quando ali mesmo ao lado se desaproveitam recursos, sabendo elas que vivem em zonas com épocas por vezes prolongadas de escassa ou nula produção de pastagem e que actualmente gozam de alguns direitos no que respeita ao bem estar animal. Estou ainda impedido de, coerentemente e de acordo os critérios técnicos que tenho como ajustados, intervir nessas áreas com vista à instalação da próxima cultura. Sou obrigado a ver morrer animais na fase final da sua vida produtiva, não os podendo fazer sair da exploração ainda em condições de poderem entrar na cadeia alimentar, só porque os organismos de controlo, da inteira responsabilidade do Ministério da Agricultura, não têm capacidade de controlar em tempo aceitável… Entretanto sou controlado até à exaustão, administrativamente, no campo, por satélite, pelos controladores dos controladores…
Só me falta mesmo é ser um dia controlado também no exercício das práticas mais íntimas, quiçá em função não dos meus desejos e performances, mas sim em função das classes de “produtividade” erradamente estabelecidas por Freguesia, ou ver as mesmas práticas limitadas a determinadas “parcelas”, ou ser mesmo delas impedido temporariamente, talvez com a instituição futura pelos “cérebros” de Bruxelas claro, do “Sex-aside”.
Ser controlado é sempre motivo (ou vil desculpa), para no mínimo, não receber atempadamente as ajudas a que me candidatei e a que tenho direito, quando as tardias datas de controlo são da responsabilidade única dos organismos controladores IFADAP/INGA, da tutela do Ministério da Agricultura. Ser controlado é, antes de mais, ser quase sempre tratado como potencial “criminoso” ainda que o crime possa ter como causa, apenas uma falta de atenção ou um mero erro de preenchimento de formulário e… pode resultar em incumprimento.
E todos nós agricultores sabemos o que representa para toda a complexa e pesada pirâmide dos controladores, controladores dos controladores e auditores dos controladores dos controladores, a gravidade de estar em incumprimento.
Estar em incumprimento é um estado tal que, não beneficiando o agricultor de qualquer tipo de imunidade face às regras desta agricultura, o coloca quase ao nível do mais perigoso cadastrado à luz do Código Civil.
Como se tudo isto não bastasse…
Como agricultor, não sou minimamente responsável pela elaboração de programas políticos de aplicação de medidas comunitárias para a agricultura embora quando entendem oportuno, alguns políticos, como arma de arremesso, me tenham acusado a mim e a alguns colegas meus de responsabilidade no desaproveitamento de verbas comunitárias por falta de adesão a medidas tão desajustadas tecnicamente, tão complexas e absurdas e tão carregadas de normas burocráticas que só de pensar no risco de incumprimento nos fazem parar.
Como agricultor tive até 2005, oportunidade de me candidatar a algumas Medidas Agro-Ambientais (Sistemas Arvenses de Sequeiro e Sementeira Directa), tal com outros agricultores se candidataram a estas e a outras medidas como os Sistemas Forrageiros Extensivos, Protecção e Produção Integradas e Redução de Lixiviação de Agroquímicos para Aquíferos. Assim, alterei profundamente o meu sistema produtivo, adoptei novas práticas, investi no reforço da minha formação, (outros, em função das medidas cumpriram obrigatoriamente programas de formação), adquiri equipamento específico e sobretudo, todos nós equacionámos (ingenuamente), o planeamento da nossa exploração em função das mesmas. Do vínculo contratual por um período de cinco anos e das inerentes ajudas, seria suposto resultarem para o agricultor, simultaneamente a compensação pela eventual perda de rendimento resultante da adopção das referidas medidas e uma importante contribuição para a sustentabilidade económica dos seus sistemas produtivos. Como contrapartida, a comunidade em geral beneficiaria de uma importante contribuição para a sustentabilidade ambiental através da melhoria da qualidade do ar que todos respiramos e da água que todos bebemos e resultantes do impacte ambiental positivo de tais práticas.
Ao que parece (os agricultores como parte interessada ainda não foram oficialmente informados, o que só por si revela a falta de respeito como os tratam), uma Nota Informativa do Gabinete do Ministro da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas de 16 de Fevereiro, comunica a rescisão unilateral das Medidas Agro-Ambientais contratadas em 2005. A confirmação da rescisão unilateral das Medidas Agro-Ambientais, co-financiadas pela União Europeia em 85%, revelará toda a falta de estratégica global deste Ministério e deste Governo para o sector e para a comunidade em geral, associada não só a uma muito elevada dose de incompetência, como também a uma enorme falta de respeito pelos cidadãos em geral e pelos agricultores em particular.
Ou então, o que não será menos grave, será a forma encapotada do socialista e socializante Capoulas Santos ex ou actual (?) Ministro da Agricultura (tenho para mim que Jaime Silva terá sido despachado de Bruxelas para cá, por outras razões que não as directamente relacionadas com a agricultura…), tentar impor a modulação nas ajudas, pela qual sempre se tem batido e que por cobardia política e alguma oposição nossa não levou a cabo durante o “Guterrismo”. Tudo isto porque, no perfeito espírito da PAC e em função da estrutura e actividades de cada empresa agrícola, os montantes recebidos nas ajudas ultrapassam os limites do que é por ele (Capoulas Santos) aceitável. Assim mesmo, sem qualquer fundamento técnico subjacente e de forma tão arbitrária como há 25-27 anos atrás, nos Serviços de Gestão e Estruturação Fundiária da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo, arbitrariamente tentava impedir que os processos de atribuição de reservas no âmbito da Lei da Reforma Agrária, elaborados pelo Gabinete Jurídico da referida Direcção Regional, seguissem os seus trâmites normais, contrariando o espírito da Lei e simultaneamente agradando na sua acção a Jorge Sampaio (que com argumentos incipientes e até falaciosos assegurava a defesa de algumas UCPs) o que esperemos, não tenha estado na base da recente condecoração que por este lhe foi atribuída…
Independentemente das razões, o Estado estará pois em Incumprimento. Incumprimento deliberado, unilateral e não menos grave, motivado por razões alheias à sustentabilidade do seu património e ambiente, ao bem estar social da sua população (só de forma redutora se pode crer que a agricultura diz respeito apenas aos agricultores…), enfim…ao próprio Estado.
O não cumprimento dos contratos por parte do MADRP, significará que os montantes desta forma sonegados aos agricultores, reverterão para os cofres comunitários (co-financiamento a 85% pela UE), não beneficiando nem o Estado nem os agricultores em particular, beneficiando quiçá esta acção, o curriculum-vitae do Ministro Silva, que regressado a Bruxelas após a sua “comissão de serviço” como responsável do MARDP em Portugal, será seguramente, no mínimo, louvado pelo seu “bom comportamento”.
Este é o mesmo Estado ao qual fui obrigado a repor (com juros), mais de 10 000 € por incumprimento relacionado com o facto do meu montado de azinho não ter 40 mas sim trinta e tal árvores /ha, o que abonando a favor da minha transparência, esteve relacionado com o que entendo ter sido uma interpretação enviesada das normas.
Ou seja, este Estado, faz cumprir mas… não cumpre!
Na gíria futebolística, quando as regras mudam durante o jogo favorecendo uma das partes e lesando outra, costuma dizer-se que o jogo não foi limpo. A parte lesada sente-se roubada. Por analogia, poderemos entender a falta ao pagamento das verbas contratadas e portanto devidas, como muito próxima de uma… vigarice, que ainda que motivada por imperativos de natureza política não deixará por isso de o parecer!
Não sei neste momento quais as armas que tenho à mão contra um Estado em incumprimento. Tenho no entanto perfeitamente identificados, todos aqueles que a coberto do Estado e motivados por interesses menos nobres e estranhos, me remetem para esta reacção. E a esses, eu sei o que já há muito faço e o mais que ainda me apetece fazer…Entretanto, desenganem-se aqueles que podem destas palavras entender que faço da violência a da agressão a minha principal arma. De todo, tenho para mim que longe vão os tempos em que a justiça por vezes era feita com recurso a um simples pau de marmeleiro…Até porque estes “artistas” desenvolvem invariavelmente, uma notável capacidade de encaixe que lhes permite suportarem “o que calhar” para atingirem os seus objectivos. Nem que para isso tenham que prejudicar uma classe, uma actividade, por norma a mais sensível e indefesa como é o caso presente da agricultura e dos agricultores portugueses, classe cuja existência parece continuar a perturbar, como há 25-27 anos já perturbava, alguns ortodoxos que não obstante o seu “ressabiamento” até chegam, infelizmente para todos nós, a cargos com poder de decisão.
Eu e os restantes agricultores nestas condições, e não são poucos, não tivemos qualquer responsabilidade na má gestão orçamental do Ministério da Agricultura, nem este pode de forma leviana invocar falta de cabimentação orçamental para verbas a maior parte delas contratualizadas anteriormente.
A falta de respeito, o descaramento, e a falta de bom senso atingem o seu clímax com a saída do Despacho de 22 de Fevereiro, que com efeitos retroactivos (estão a ler bem…com efeitos retroactivos) a 30 de Setembro suspende, o pagamento da ajuda financeira ao consumo de energia eléctrica nas explorações, designada por Electricidade Verde e existente desde 1994.
Nenhuma destas inúmeras bizarrias, nem todas elas em conjunto, nem as outras que aqui não descrevo para não carregar ainda mais este escrito, foram suficientes para me impedir de continuar a ser agricultor. Continuarei a ser até que a minha capacidade de resistência o permita. Continuei a ser do Sporting mesmo tendo esperado 18 anos para comemorar mais uma vitória no campeonato…
Não só por toda esta capacidade de resistência, mas também porque isto de ser agricultor, vai muitas vezes para além de uma simples actividade empresarial. Encerra muito de tradição e sobretudo de cultura. Uma cultura naturalmente diferente daquela que atipicamente nos impõem de Bruxelas. Será, sem qualquer ponta de chauvinismo, uma forma muito particular de estar e sentir-se no campo, distinta pois daqueles que o utilizam como mero espaço físico para dele sacar proventos sabemos nós por vezes de que forma, e sobretudo muito distinta dos Comissários para a agricultura e seus pesados “stafs”, desajeitados ministros e secretários de estado, seus colaboradores e outros “patos bravos” que dele descaradamente se aproveitam para se promoverem, para promoverem as suas políticas, os seus próprios interesses, ou para nele fazerem a sua “quinta” porque é chique e está “fashion” …
Os meus avós e os meus pais, também eles agricultores, e a minha formação na área das Ciências Agrárias, ensinaram-me a conviver com a Natureza. Não estou portanto preparado para suportar “fenómenos” anti-natura. As secas e as intempéries, causando transtornos à minha actividade, fazem parte do risco que assumo ao ser agricultor. Não têm é paralelo com a “seca de ideias”, a falta de estratégia para a actividade e a “intempérie de asneiras” que não raras vezes sai da cabeça (sob a forma de Despacho, Lei ou Nota Informativa), destes iluminados quais “cromos da bola “, daqueles mesmo do fundo da lata…
Pior que a doença das vacas loucas, são “loucos e doentes” a intervir na área das vacas.
Bem pior que a língua azul são “línguas de trapo” a palrar demagogia.
Pior que a gripe das aves será termos que suportar autênticas “aves de arribação” a largar sentenças que pelo absurdo que encerram mais parecem resultar de delírio provocado por estados febris associados a outras “doenças” que não a gripe.
Pior que os nitrofuranos são pois… estes fulanos!!!
É mais que tempo para dizer, no mínimo…basta!
Estou farto desta PAC, de quem a elaborou, de quem a reformula, de quem de forma tacanha, mesquinha e errada a faz aplicar, também de quem a controla e sobretudo daqueles que aproveitando-se dela tentam assim de forma desbragada cumprir os seus ideais políticos à custa de alguns de nós…
Estou farto deste Governo, estou farto deste Ministro, do real e do “sombra”, sem sequer saber qual é qual…
E você? Até quando vai ter paciência e capacidade para aguentar? E a sua empresa vai aguentar por muito mais tempo? E a sua região aguentará social e ambientalmente tudo isto? E o País merece e é obrigado a aguentar?
A acreditar no meu horóscopo para a próxima semana, gentilmente cedido por “Folha do Café” - Mafra, a vida parecer-me-á uma caixinha de surpresas com presentes agradáveis surgindo inesperadamente...novas perspectivas profissionais, encontros com os amigos e boa conversa. Quem sabe, se o da próxima semana não virá a anunciar a “agradável surpresa” do desaparecimento de cena de todos aqueles que tanto nos atrapalham.
Ricardo Freixial

publicado por quadratura do círculo às 18:47
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José Sá - "Discriminação positiva"

Breves considerações aos argumentos de José Pacheco Pereira relativamente às quotas e à "discriminação positiva":
apesar de "discriminação positiva" ser o epíteto habitual para a regulamentação do direito à igualdade de participação entre sexos, parece-me errada a sua utilização: a discriminação é sempre negativa e o paradoxo só serve para lançar confusão no tema. Esta é uma legislação contra a descriminação entre sexos, sem determinação dos mesmos, logo não se pode intuir daqui qualquer acto de descriminação.
Quando José Pacheco Pereira afirma que estamos perante uma tentativa de forçar a participação representativa, alegando que para tal teríamos que apurar quotas para todas as representações da sociedade, parece querer ignorar que a diferença entre sexos não é uma quota da representação do social. Nós ou somos seres humanos do sexo masculino ou feminino e nessa condição somos e podemos ser muitas outras coisas. Faz-me lembrar a confusão dos "direitos dos homossexuais" e não "dos direitos humanos" que são esses os que são atacados quando as leis e organizações sociais interferem nas questões da sexualidade de cada um. Mas isso é outro debate.
José Pacheco Pereira defende que nas sociedades verdadeiramente democráticas não são impostas quotas que a própria evolução do social garantirá naturalmente a participação social representativa. Obviamente que o social não é o natural. Qualquer documento legislativo, em democracia, é uma deliberação de uma assembleia de representantes de um povo que estão legitimamente nomeados por esse povo. José Pacheco Pereira não questiona se a "quotização" é uma expressão legítima do desejo da Sociedade Portuguesa dos nossos dias. Como historiador poderá com certeza buscar exemplos na abolição da escravatura ou do acesso das mulheres às decisões eleitorais no nosso país.
Parece-me que aqui José Pacheco Pereira revela algum conservadorismo que não se interroga.
José Sá

publicado por quadratura do círculo às 18:35
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Segunda-feira, 13 de Março de 2006

António Carvalho - Fontes de ignição

Com os incêndios florestais ainda longe da linha do horizonte, os seus principais intervenientes parecem querer marcar as suas posições e influências através da criação de factos artificiais que em nada os dignifica. Aquele quadro realistas de abnegados bombeiros, soldados de uma batalha de paz cujo lema “vida por vida” lhes granjeava uma aura de respeito e gratidão, parece, às suas próprias mãos, estar condenado a cair por terra.
Os litígios com o Instituto Nacional de Emergência Médica por causa das chamadas do 112 arrastam-se no tempo. As “guerras” com o Governo por causa das Brigadas Helitransportadas (GIPS) compostas por elementos da Guarda Nacional Republicana e pela nomeação de militares para os comandos operacionais de Distrito bem como do Presidente do SNBPC, já tem barbas, (o último esteve no cargo nove dias, sendo fortemente contestado por autarcas e bombeiros de todo o País talvez por ter tocado na ferida quando falou em “coesão sem protagonismos”). Estas situações levam a encarar estes organismos como grupos de interesse que se querem à margem do Estado com leis e hábitos próprios, tal a arrogância que certos “senhores” demonstram.
Pelo levar da carruagem, o que sobressai a olhos vistos, é a total falta de interesse, de uns e de outros, em prevenir e evitar a já habitual vaga de incêndios, vista como um maná vindo da terra para alimentar “economias” que de outra forma estavam condenadas à falência.
Um Bombeiro, na verdadeira acepção do termo, para além de ser aquele individuo que pertence a uma instituição de assistência pública encarregue do combate a incêndios, fazer salvamentos e socorrer sinistrados, também trabalha com “bombas” e arremessa “bombas”, para além, é claro, de ser exímio tocador de bombo!
De uma vez por todas entendam-se e ressuscitem o sentido de voluntarismo e abnegação que há muito jazz esquecido.
“Queimados” já nós estamos com estas “estórias” sazonais! Basta.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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Carlos Carvalho - Quotas de mulheres

A propósito do dia internacional da mulher, o PS voltou a desenterrar a ideia de introduzir quotas para as mulheres nas listas electivas. Como é costume aquando destas datas, o que se anuncia hoje já estará esquecido amanhã...
O maior problema deste tipo de medidas é a sua obrigatoriedade. Nada impede o PS de cumprir voluntariamente as quotas que pretende impor aos outros. Se o PS acredita que a paridade entre sexos é boa de per si, porque é que não a implementa quando tem de elaborar listas? Ou - já agora - quando tem de nomear alguém para qualquer cargo?
Veja-se o que se passou aquando da composição do governo: tanto falatório a propósito da paridade entre sexos, e afinal só foram nomeadas duas ministras.
Coerência é praticar as virtudes que pregamos aos outros. Na promoção da paridade entre sexos, o PS nunca esteve disposto a ser coerente. O PS parece
dizer: "As quotas são desejáveis? Claro! Vamos nomear mulheres? Só se formos obrigados!"
Carlos Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:57
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Fernanda Valente - Mandatos de Sampaio

O primeiro mandato presidencial do Dr. Jorge Sampaio que agora cessou funções, foi pacífico, foi de encontro às expectativas do eleitorado que o elegeu, num País de brandos costumes, habituado a olhar unicamente para o seu umbigo, conciliador e omisso em relação às grandes questões da nossa contemporaneidade, que fazem mover o mundo lá fora, longe da nossa esfera de influência. No segundo mandato, em que metade da população não votou (abstenção de 49,1%) o resultado do escrutínio contemplou a sua vitória. A maioria do eleitorado votou a eleição à indiferença, quer por ter deixado de acreditar na relevância da função presidencial quer por falta de opção de escolha objectiva.
No entanto, o seu segundo mandato teve dois momentos altos que nos revelaram um presidente mais interventivo, capaz de tomar decisões difíceis para além do costumeiro apelo à serenidade na presença de conflitos políticos. O primeiro circunscreveu-se ao seu desempenho na luta pela independência de Timor Leste, pelos esforços que desenvolveu junto da comunidade internacional, nomeadamente a pressão que exerceu sobre a administração Clinton até aí desligada desta realidade, ao assumir pessoalmente o “mea culpa” nacional pelos erros cometidos no processo de descolonização, e que culminou com a consignação do direito à autodeterminação do povo timorense. O segundo momento alto abriu um precedente político que ousou pôr em evidência um dos princípios mais nobres da democracia representativa e que é o da vontade do eleitorado em dissolver um parlamento que elegeu e demitir um Governo mesmo que constituído com maioria, através da prerrogativa constitucional que confere esse direito ao Presidente da República, se denunciados os pressupostos que estiveram na base dessa eleição, como se veio a verificar. Foi, assumidamente, um acto de coragem que mostrou a integridade do seu carácter e que abriu caminho a um novo Governo e a uma nova Presidência que, em simultaneidade, irão de novo colorir esta democracia debutante de princípio de século. Por último, é de salientar que a missão do Dr. Jorge Sampaio não foi de todo espinhosa. Espinhosa irá ser a do Prof. Cavaco Silva que terá a árdua tarefa de colocar Portugal no mapa da Europa e de preparar a transformação do espírito do “orgulhosamente sós” que existe em cada um de nós, caso pretendamos beneficiar do estatuto de cidadão europeu em toda a plenitude da acepção da palavra.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 18:54
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Jorge Costa - A Grande Devassa

Há dois meses, o diário “24 Horas” publicava a notícia que no processo Casa Pia havia um envelope que continha um suporte informático com um ficheiro em que estavam listagens de chamadas telefónicas efectuadas por uma imensidade de gente. Quase todos os altos dignatários se encontravam lá, no famoso envelope 9, nem as chamadas particulares e oficiais do Presidente da República escapavam.
Uma análise aprofundada dos arquivos até revelava, o que sem sombra de dúvida é um facto de particular importância para o processo da Casa Pia ou qualquer outro, que a esposa do Procurador-Geral da República teria pedido uma pizza para comer em casa.
No caso vertente, de relevante ficou a saber-se que na casa do Procurador há adeptos da comida de plástico e assim serão potenciais vítima do colesterol elevado. Mais uma preocupação para o povo português: o estado de saúde do dito.
Confrontado com a existência de tão conspícuo envelope e seu conteúdo, a primeira resposta do Procurador-Geral foi o desmentido veemente da sua existência, no que passado algumas horas horas foi contrariado por um comunicado da Portugal Telecom que dizia ter enviado tal informação em suporte informático a pedido de um douto magistrado.
Por seu lado, os responsáveis editoriais do jornal reafirmavam a veracidade da notícia e, no dia seguinte, eram mais precisos na informação e publicavam os nomes dos titulares dos telefones das listagens.
A classe política devassada, ficou consternada e deu mostras disso!
No mesmo dia da notícia, o Presidente da República chama o Procurador a Belém, logo de madrugada, pelas nove horas e exige-lhe explicações rápidas e, ao jantar, entra-nos em casa numa alocução ao país em que destacou a gravidade da situação no que tinha sido anteriormente corroborado pelo primeiro-ministro.
Os mais atentos consideraram que a República e a Democracia estavam em perigo levadas na voragem de um inusitado voyeurismo investigativo. O desvario é tal que o investigador se investiga a si próprio, num verdadeiro processo autofágico.
A quente, face aos puxões de orelhas o Procurador desvalorizou a questão mas compremeteu-se com um inquérito rápido que respondesse às questões: quem pediu aquela informação e como se explicava que ela integrasse o Processo Casa Pia?
O português é mesmo uma língua traiçoeira. As palavras não têm o mesmo significado para todos, principalmente quando alguns são titulares da administração da justiça.
A justiça portuguesa não só é cega como é paralítica, dando razão a que a perda de um sentido leva à hipertrofia de outro como compensação, daí o gostar tanto de escutas telefónicas.
Aos costumes dizendo nada, da urgência das respostas, passados dois meses, nada se sabe. A haver algum resultado já será o novo Presidente (...) a recebê-los o que não deixa de ser surpreendente.
Desde a Antiguidade que vem sendo mais fácil matar o mensageiro que alterar a realidade das notícias que ele transporta. Assim, a Procuradoria, numa manobra dilatória altamente perigosa, invade a redacção do jornal, apreende os computadores dos jornalistas que tinham dado a notícia, cuja veracidade ninguém questiona e processa-os por divulgação de dados pessoais.
Será Portugal mesmo um país, ou mais, como dizia Eça de Queirós, um lugar mesmo muito mal frequentado?
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 18:50
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J. L. Viana da Silva - Emoção e razão

(Acerca da) conferência mundial sobre Educação Artística (no CCB).
Mais uma vez se pretende isolar, separar, a emoção, o sentimento, da
Razão- Damásio é um dos oradores convidados- Faz-se a apologia da criatividade associando-se esta à emoção, dizendo-se que o ser humano necessita de criatividade e que esta será, um dia, ensinada como se ensinam, actualmente, as ciências exactas. Ora, mas a matemática, a física e a química são mais criativas que a arte. E se alguma arte lhes toca em criatividade não as sobrepõe! No que a arte supera as ciências exactas é em, por exemplo, irreverência e ideia de liberdade, supera-as, portanto, apenas, em termos políticos e não em criatividade! H2O é um exemplo de criatividade, a arte não chega, em criatividade, a esta molécula da água, simples e complexa, três caracteres que representam o liquido que existe em grande percentagem no nosso corpo!
Argumentam, ainda, os defensores da emoção, enquanto entidade autónoma, que uma criança que não viva os sentimentos, por um qualquer motivo traumatizante, que em adulto terá dificuldades em assimilar as convenções sociais e politicas. Ora, o problema não reside nos sentimentos que não vive a criança mas nas convenções que estão já a falhar como a família ou outros.
Parece toda esta apologia da emoção e do sentimento sem dar justificações à razão um regresso aos Fascismos e ao Nazismo. De vísceras ao alto a sentir, a emocionar-se, deve ter andado a mocidade portuguesa. O que parecem transmitir estes novos teóricos é um exercício artificial, teatral, representativo, das emoções naturais criando um novo ser humano(?), um neo-fascista, um neo-nazi?!
É fácil de ver que estes movimentos hediondos não usaram a razão, usaram um composto sentimentalo-emocional. Mussolini gostava muito das pessoas mais simples pois estas como dizia, entendiam mais facilmente a mensagem; Claro que usando a emoção, a sentimentalidade, como método de transmissão da sua palavra. A razão, a intelectualidade ficavam de fora, Nazismo e fascismo, como o Estado Novo, perseguiram intelectuais porque estes não assimilavam a sua mensagem irracional, emotiva, sentimental!
J. L. Viana da Silva
publicado por quadratura do círculo às 18:46
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P. Ferreira Nora - Centros de Excelência

A Globalização hoje é uma realidade. É certo que os seus excessos podem ser regulados e até evitados mas, neste início do séc.XXI , ensamos que a Globalização veio para ficar. Com esta realidade, a Mundialização da Economia, dos Negócios, das Novas Tecnologias, das TIC's - Tecnologias da Informação e da Comunicação, da Inovação, do Conhecimento e do Capital Económico e Financeiro surgem de forma rápida e emergente, ao ponto de quem não se adaptar, quer do ponto de vista individual, quer colectivo, profissional ou empresarial, pode deixar de ser útil para a sociedade e para a economia que o circunscreve e envolve. O Capital não tem fronteiras, as TIC's não têm barreiras e o Conhecimento não tem limites. Hoje vivemos uma realidade fascinante, para uns, talvez catastrófica para outros; idêntica, em alguns pontos, mas com circunstâncias culturais e históricas diversas da Revolução Indústrial. Este período histórico foi bastante criticado na altura e ainda hoje o é, para muitos, mas também é um facto que desenvolveu em muitas áreas e sectores a economia, a sociedade e o mundo. A China, como potência e bloco económico é hoje um exemplo de adaptação à realidade emergente da Globalização e Mundialização. Todos, sem excepção, não perdendo os valores e a ética, hoje tão necessários às condições de dignidade e valor da vida humana e, se possível, humanitários e filantrópicos, já que ainda que seja a Globalização uma realidade, ainda não chega a grande parte do mundo que vive em péssimas condições humanas, sem comida, sem água, sem os bens primários, e que nunca teve acesso a um telefone, telemóvel, computador, multibanco, internet, etc. Tendo em conta tudo isto, penso, citando Tom Peters, um dos maiores Gurus do Management, que por vezes parece esquecido por alguns que o citam, devemos tornar-nos cada vez mais num Centro de Excelência, quer do ponto de vista individual, quer profissional, como são exemplos José Mourinho, J.C.Trichet, Michael E. Porter ou Bill Gates; quer do ponto de vista empresarial ou colectivo. Devemos criar Centros de Excelência apostando na Formação, na Qualificação, na Tecnologia, na Inovação e no Conhecimento. Em projectos de I&D. Devemos atrair talentos, ideias e competências. Devemos ser empreendedores e autoconfiantes. Ter auto-estima e determinação. Criar contactos, relações humanas e uma boa capacidade de comunicação e diálogo. Devemos acreditar e trabalhar para conseguirmos um futuro vencedor, baseado na Competência e no Sucesso, para nós e para as gerações vindouras...
P. Ferreira Nora

publicado por quadratura do círculo às 18:42
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António Carvalho - Sobreavaliação

O investimento na criação de "clusters" industriais associados ao concurso de construção e atribuição de potência para parques eólicos poderá ser oito a dez vezes inferior ao estimado pelo Governo.
Pois é Senhor Engenheiro Sócrates: V.Exª. vai assim a pouco e pouco entregando todo o ouro ao bandido, ou melhor dizendo, a credibilidade minúscula que granjeou é desbaratada sem apelo nem agravo por culpa de comissões de estudo que, a ver pelo exemplo, se serviram de cábulas para despachar o exame final. Por descaro de consciência peça já uma correcção às “Provas” que tem em mão (ota’s, tgv’s, refinarias, microsofts, fábricas de vacinas, etc.etc.).
A sorte que o está a bafejar raramente bate duas vezes à mesma porta, por isso se aconselha “cautelas e caldos knorr”, não vá o vírus fazer mais estragos!!!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:39
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António Carvalho - Palavras de ministro

O Ministro da Agricultura insistiu no discurso da desdramatização (sobre o
H5N1) e garantiu que Portugal está preparado para todos os cenários.
Jaime Silva continua a defender a necessidade de se manter a calma, lembrando que ainda não há um problema sanitário na União Europeia.
Em Portugal, garante, está tudo preparado caso surja um foco de gripe das aves.
«A partir do primeiro caso já sabemos como actuar. Haverá uma zona de 3 quilómetros que será isolada, já há coordenação com as forças de segurança para que isso se possa fazer de uma maneira eficaz, a circulação nessa zona é proibida. Depois temos um cordão sanitário de dez quilómetros onde reforçamos as medidas de análise para verificar a situação. Portanto tudo isso está preparado e estamos com alguma tranquilidade a ver qual é a evolução da situação», explicou o ministro.
Quando uma situação nova e perigosa como esta é tratada com a facilidade e simplicidade que nos faz olhar para a Europa e para o resto do mundo com uma lógica altiva da superioridade de quem é dono e senhor do conhecimento, só podemos dormir descansados.
Mas se nos lembramos dessa outra “peste”, a incendiária, há tantos anos conhecida, que não sofre mutações, não tem rotas migratórias, que ano após ano renasce impreterivelmente nos meses de verão consumindo milhares e milhares de hectares da nossa mancha florestal e para a qual, invariavelmente, também estamos sempre preparados, alguma coisa não bate certo.
Ou andamos todos a cair como “tordos” quando nos falam de incêndios, ou somos uns autênticos “patos”, se agora acreditamos neste diálogo “azul celeste” do senhor ministro.
Cautelas e caldos de galinha (passe a ironia), nunca fizeram mal a ninguém!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:37
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