Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Manuel Mesquita - Livro de Carrilho

Tive uma certa paciência para ver (...) na TV - canal 1, o debate sobre o último livro do Dr. Carrilho. Fiquei esclarecido. Quem deve estar agradecido ao programa é mesmo o Dr. Carrilho o ex-candidato à Câmara de Lisboa. Teve ali umas quase duas horas em que, sem pagar um cêntimo, mostrou-se aos portugueses de vários ângulos, com sorrisos à mistura e por vezes com um grande plano da capa do seu último livro.
Não sei o que se passou no estúdio quando o debate terminou: talvez que todos se tivessem cumprimentado, como gente civilizada, depois de toda aquela "algazarra" . Uma palavra de apreço para o Dr. Pacheco Pereira que ao longo do programa se manteve calmo e com argumentos que não foram desmentidos pelo Dr.Carrilho. Foi a nota positiva do programa. Mas então de que se trata, no livro? Dum conluio entre poderosas forças de bloqueio que compraram jornalistas. E foi isto e apenas isto que fez perder as eleições ao filosofo e professor, no entender deste.Pena foi que lá não tivesse estado o Dr. Sousa Tavares.
Foi mesmo muita pena. E, aqui, teve sorte o Dr. Carrilho.
Gostaria de deixar aqui consignado que o Dr. Carrilho não é mesmo pessoa simpática ou pela qual se sinta ou possa sentir um mínimo de simpatia. Poderá ser um bom professor, um intlectual de craveira, um bom marido e um bom pai. Nada disso estará em causa. Mas que não é simpático, ai disso não se tenha dúvidas. O programa de ontem mostrou-nos um Carrilho agressivo e pretensioso, por vezes até malcriado no geito de argumentar e defender as suas razões e argumentos.
Ainda me lembro da falta de aperto de mão ao candidato Carmona Rodrigues. Todos nos lembramos. Como nos lembramos que volvidos alguns dias, em cena pública, deu a mão à palmatória, e de sorriso de orelha a orelha, cumprimentou então o candidato que o venceu nas autárquicas.
O Senhor deputado Carrilho deve perguntar para dentro do seu partido se gostam mesmo dele, qual o capital político que auferiu durante todos estes anos.Ao povo de Lisboa já perguntou nas últimas autárquicas e já tem a resposta.
E gora se vê, que as rosas vermelhas distribuídas pelas ruas de Lisboa, com sorrisos e a mulher à mistura, era apenas para inglês ver e porque as câmaras de televisão estavam ligadas.Sem câmaras não haveria rosas nem sorrisos.
No programa de ontem o mesmo deputado fez uma publicidade gratuita ao seu livro mas deu-nos a todos nós que o vimos uma má imagem.De um homem arrogante e convencido. Só que os portugueses, não são parvos e não se deixam ir em cantigas. Depois não se queixe, Dr. Carrilho!
Manuel Mesquita
publicado por quadratura do círculo às 20:14
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João Gomes Gonçalves - "Portugal pequenino"

1. É do conhecimento geral que foram introduzidos importantes melhoramentos na linha ferroviária de Sintra-Lisboa (novas estações, novas composições já vandalizadas, parques de estacionamento, etc.) e que estão em curso outros melhoramentos. Ao contrario do que seria de esperar, os novos parques de estacionamento estão vazios por falta de utilizadores que preferem continuar a usar o automóvel com os inconvenientes que são conhecidos, nomeadamente demorando mais tempo do que demorariam com uma cómoda viajem de comboio.
A Comissão de Utentes da Linha de Sintra (CULS), um satélite do PCP, reivindica que o estacionamento dos parques deve ser gratuito: custa um euro por dia. Comparativamente uma bica custa 0,50 a 0,60 cêntimos, uma imperial, 0,80 a 1,00 euro e um maço de cigarros 2,60 a 3,00 euros, consumos que a maior parte dos utentes da linha Sintra-Lisboa faz diariamente.
2. A recente actualização das taxas moderadoras dos serviços de saúde (D.L. n.º 173/2003) teve (...) aumentos diferenciados:
(...)
Esta medida do governo de José Sócrates actualiza os preços daqueles serviços públicos. As taxas moderadoras, já previstas na Lei de Bases da Saúde, aprovada pela Lei n.º 48/90, de 24 de Agosto, na opinião de vários governos, podem introduzir também um princípio de justiça social no próprio acesso.

3. Alguns comentadores consideraram que a existência de taxas moderadoras viola a Constituição que estabelece um Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito e que põem em causa a gratuitidade daquele servi-
ço: dramatizando o mesmo diapasão o PCP considera que aquele aumento é um escândalo.
Vital Moreira na sua argumentação “Fim da gratuitidade do SNS” explicita:
“O anunciado aumento diferenciado das "taxas moderadoras" no serviço nacional de saúde (SNS) pode parecer uma boa ideia à primeira vista, mesmo em termos de justiça social, permitindo que os utentes mais abastados contribuam para diminuir as necessidades do seu financiamento por via do orçamento do Estado.
Mas, para além de questões de filosofia do SNS, tal ideia defronta pelo menos duas dificuldades sérias: (i) não se afigura ser compatível com a Constituição, que estipula que o SNS é "tendencialmente gratuito", o que não deixa grande margem para contrapartidas financeiramente significativas; (ii) com a opacidade e iniquidade do sistema fiscal que temos, a consequência seria termos muitos titulares de altos rendimentos (rendimentos de capital, profissões liberais, etc.) a beneficiarem de taxas ínfimas, dada a enorme evasão fiscal existente, enquanto os titulares de rendimentos por conta de outrem seriam onerados com taxas mais elevadas...”
O sublinhado é meu.

4.Em tempos de austeridade, independentemente da eficácia do sistema fiscal, os utentes mais abastados beneficiam desnecessariamente de qualquer servi-ço público que seja gratuito, mas o cerne da questão será conhecer o impacto das taxas moderadoras nas receitas do SNS, para se determinar se constituem “contrapartidas financeiramente significativas”.
Esse impacto será de 5%, 10%, ou quiçá, de 20%?. É o conhecimento exacto do seu contributo para aquela receita que nos indica se estamos perante o fim da gratuitidade do SNS, como receia Vital Moreira.
As contas devem preceder os discursos, e caso elas existam devem ser divulgadas para fundamentar as tomadas de posição. Caso as taxas moderadoras tenham uma percentagem reduzida nas recitas do SNS, caiem por terra as argumentações contra a sua aplicação: parece, apenas um detalhe técnico mas não é.

5. Convém referir que a aplicação das taxas moderadoras contempla situações sociais carenciadas, abrangidas, por um conjunto de isenções, que passo a enumerar e cujo alcance é relevante:

1 - Estão isentos do pagamento das taxas moderadoras referidas no
artigo anterior:
a) As grávidas e parturientes;
b) As crianças até aos 12 anos de idade, inclusive;
c) Os beneficiários de abono complementar a crianças e jovens deficientes;
d) Os beneficiários de subsídio mensal vitalício;
e) Os pensionistas que recebam pensão não superior ao salário mínimo
nacional, seus cônjuges e filhos menores, desde que dependentes;
f) Os desempregados, inscritos nos centros de emprego, seus cônjuges e
filhos menores, desde que dependentes;
g) Os beneficiários de prestação de carácter eventual por situações de
carência paga por serviços oficiais, seus cônjuges e filhos menores;
h) Os internados em lares para crianças e jovens privados do meio familiar
normal;
i) Os trabalhadores por conta de outrem que recebam rendimento mensal não superior ao salário mínimo nacional, seus cônjuges e filhos menores,
desde que dependentes;
j) Os pensionistas de doença profissional com o grau de incapacidade
permanente global não inferior a 50%;
l) Os beneficiários do rendimento social de inserção;
m) Os insuficientes renais crónicos, diabéticos, hemofílicos, parkinsónicos,
tuberculosos, doentes com sida e seropositivos, doentes do foro
oncológico, doentes paramiloidósicos e com doença de Hansen, com
espondilite anquilosante e esclerose múltipla;
n) Os dadores benévolos de sangue;
o) Os doentes mentais crónicos;
p) Os alcoólicos crónicos e toxicodependentes, quando inseridos em
programas de recuperação, no âmbito do recurso a serviços oficiais;
q) Os doentes portadores de doenças crónicas, identificadas em portaria do
Ministro da Saúde que, por critério médico, obriguem a consultas, exames
e tratamentos frequentes e sejam potencial causa de invalidez precoce ou
de significativa redução de esperança de vida;
r) Os bombeiros;
s) Outros casos determinados em legislação especial.
As taxas moderadoras visam abranger utentes não carenciados económica
mente e desencorajar a sua utilização descuidada: estão entre a utopia e o possível.

6. A nossa Constituição é generosa em direitos e deveres; direitos dos cidadãos, deveres do Estado. O Capitulo II especifica os direitos e deveres sociais (art.º 63.º a 72.º): Segurança social e solidariedade, Saúde, Habitação e urbanismo, Ambiente e qualidade de vida, Família, Paternidade e maternidade, Infância, Juventude, Cidadãos portadores de deficiência, Terceira idade e o Capitulo III (art.º 73.º a 79.º) específica os direitos e deveres culturais: Educação, Cultura e ciência, Ciência, Ensino público, particular e cooperativo, Universidade e acesso ao ensino superior, Participação democrática no ensino, Fruição e criação cultural, Cultura física e desporto.
O conjunto das obrigação exigidas ao Estado pelos constituintes, naqueles dois capítulos, só seriam possível levar à prática nos países economicamen
te mais avançados da Europa: em Portugal são uma espécie de socialismo utópico do século XIX.
A intervenção da sociedade civil e dos cidadãos nas políticas necessárias à sua concretização faz parte da mesma utopia. Má governação, projectos megalómanos, propaganda irresponsável e atraso económico desemboca-
ram no monstro que hoje nos asfixia.

7. Alguém afirmou que “Portugal não presta porque ... os portugueses também não prestam”. É uma visão pessimista, mas parece não restar dúvidas de que Portugal está doente, muito doente: para lá da economia e das contas públicas, a principal crise é a ausência de valores que atravessa todos os segmentos da sociedade, principalmente elites que dão exemplos de frivolidade e hedonismo que desmotivam em lugar de mobilizar.
Portugal está inserido numa sociedade que não presta, que sofreu uma deriva nos seus fundamentos e que foi submersa pela lei do lucro e da acumulação financeira e especulativa: talvez o Titanic esteja de novo a aproximar-se do icebergue.


8. A relação dos portugueses com o Estado é equívoca e contraditória, todos ou quase todos querem receber serviços de qualidade e pagar o mínimo de impostos, ou até não pagar.
Os do fundo, agonizam silenciosamente mergulhados na sua miséria: os de baixo lutam, como podem, pacificamente pela sobrevivência, ou pela violência para não trabalhar; os do meio querem comprar casa, carro, televisão, vestuário de marca, vídeos, telemóveis, férias do Algarve, futebol cinco ou seis dias por semana e trabalham quanto baste; os de cima vivem os eventos do jet-set, inaugurações, exposições e tudo que exiba o seu novo-riquismo, não se preocupam com a crise orçamental embora de preocupem com a caridade de fachada, sempre que podem não pagam impostos ou deduzem o seu luxo no IRS, finalmente os do topo, querem a globalização, a redução dos impostos, são neoliberais confessos e reclamam subsídios estatais para as suas iniciativas de empreendedoris-
mo,(como agora se diz), praticam cambão nos concursos públicos e, claro, sempre que podem , fogem ao fisco.
Os outros, que não estão nesta foto, são mal conhecidos porque não interessam aos média e deles não reza a história.
João Gomes Gonçalves




publicado por quadratura do círculo às 20:12
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Fernanda Valente - Sobre Carrilho

Ter um alto conceito de si próprio, não significa, necessariamente, tratar-se de um ser arrogante, anti-social ou narcisista. Sem querer entrar no campo da psicologia, até porque não é essa a minha área de actuação, esse é o estímulo que faz accionar um mecanismo de autodefesa do indivíduo em relação ao meio social que o rodeia e em que está integrado. Talvez até um maior teor de sensibilidade, comparativamente ao da média comum, justifique por si só aquele comportamento de que é normalmente acusado o Prof. Manuel Maria Carrilho. A genética, factor determinante na evolução do ser humano, proscreve-nos desde logo à nascença, e por mais que tentemos modificar esse estado de coisas, ela manifesta-se sempre assertivamente sobretudo nos momentos decisivos da nossa vida, sem que, de uma forma consciente, tenhamos contribuído para o seu chamamento.
A provar esta minha “tese” está o facto de a sua companheira, Bárbara Guimarães, para além de todos os atributos que lhe são conhecidos, ser uma pessoa bastante sociável, comunicativa e sensível, contribuindo assim o casal para as estatísticas de um novo paradigma de interacção matrimonial de referência dos nossos tempos.
MMC foi o militante escolhido pelo partido socialista para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições autárquicas. O eleitorado optou pelo candidato social-democrata em detrimento de um conjunto de candidatos de grande mérito, em que qualquer deles, faria uma muito melhor gestão camarária do que o actual presidente. Mas optou o eleitorado e, a meu ver bem, para que fosse aquele candidato, vice-presidente do anterior executivo santanista, a dar seguimento e, se possível, solução ao emaranhado, complexo e discutível programa de obras públicas municipais a que, então, foi dado início na cidade de Lisboa. Os que evocam a falta de mediatismo ou de carisma e o temperamento conflituoso de MMC, aliados à forma como conduziu a sua campanha pela divulgação de vídeos familiares, são os mesmos que se refugiam na casuística da política de privacidade para justificar a não exposição pública das suas famílias, nomeadamente dos cônjuges, cujo culto de imagem em matéria de apresentação, strictus sensus, se reservam o direito à “enrubescência”.
Por último e para terminar, também MMC não assimilou bem a sua derrota ao expor publicamente o seu descontentamento através da publicação de um livro que, segundo consta, defende a tese da cabala e da perseguição jornalística, aflorando o tema da corrupção em alguns órgãos da comunicação social. Não é novidade para o cidadão comum de que a comunicação social vive sobretudo de shares de audiência para as quais contribuem os factos políticos e jornalísticos, onde se poderá inserir o episódio que foi transmitido posteriormente em diferido, passado nos bastidores da estação de televisão, que apresentou o debate com o candidato eleito. Numa eleição fortemente bipolarizada, e perante a ausência de candidatos que disponham de um elevado capital político, o cinismo, a dissimulação e o politicamente correcto são ingredientes q.b., para eleger um candidato aos olhos da opinião pública, “qualidades” essas que decididamente não fazem parte do carácter de MMC.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 20:07
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Mário Martins Campos - Caminho de Marques Mendes

Finalmente Marques Mendes percebeu qual o caminho a seguir se quiser ser visto como uma alternativa credível, enquanto oposição ao Governo.
Marques Mendes no discurso de encerramento do congresso do PSD, passou ao lado do diagnóstico, e da crítica pela crítica, com falta de bases de sustentação, como tinha feito até aqui, relativamente ao Governo.
Apresentou um conjunto de propostas que deve ser olhados com seriedade, porque visam fazer face a problemas graves com que o País se confronta. Importante é agora garantir que o comportamento político do PSD e do seu líder são consequentes com este discurso.
Este é o caminho a seguir, não há alternativa, nem possibilidade de seguir por outra via. Sem esta abordagem, a falta de credibilidade, de rigor, de autoridade e de capacidade de aglutinação ao seu projecto, continuará a ser a imagem deste PSD, com este líder.
O congresso do PSD, foi um caso típico de como a falta de cheiro a poder, esfria os ânimos, num dos fóruns tradicionalmente mais vivos. A falta de luta interna, a falta de perspectiva externa, e a falta de chama, tornaram o congresso, num fim-de-semana morno. Isso prejudicou o debate e ao mesmo tempo minimizou o impacte de um discurso final, com um caminho certo que importa percorrer.
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 20:03
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João Gomes Gonçalves - Colecção Gustav Rau

Portugal celebra esta ano o Dia Internacional dos Museus com um acontecimento cultural de nível internacional: a inauguração em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga, da exposição itinerante da colecção do filantropo alemão Gustavo Rau.
Trata-se de uma exposição de excepcional qualidade e a sua exibição, que tem sido um sucesso internacional, termina em Fevereiro do próximo ano. É uma oportunidade que todos os portugueses, que se interessam por temas culturais, não deverão perder.
Para que os leitores do “Quadratura do Circulo” fiquem com uma ideia da importância deste acontecimento cultural, que honra o nosso país, embora não possa competir com o mundial de futebol, transcrevo a descrição sumária sobre o conteúdo de exposição que se encontra disponível no site do Museu de Artes Antiga:
“Esta exposição reúne 95 pinturas de mestres fundamentais na história da pintura europeia, desde o início do Renascimento italiano até à década de 1940-50, todas oriundas da colecção de Gustav Rau, que o coleccionador alemão doou à UNICEF. Quase metade das peças (46) inscrevem-se num arco cronológico que vai do século XV ao XVIII, distribuem-se pelas "escolas" italiana, flamenga, holandesa, alemã, francesa, espanhola e britânica e são criações de mestres como Fra Angelico, Bernardino Luini, António Solario, Guido Renni, Canaletto, Tiepolo, Porbus, Van Goyen, Van Ruysdael, Gerard Dou, Siberechts, Cranach, Philippe de Champaigne, Largillière, Boucher, Latour, Greuze, Fragonard, Robert, Vigée-Le Brun, El Greco, Ribera, Reynolds e Gainsborough. As restantes pinturas (49) são especialmente demonstrativas de autores e movimentos artísticos dos séculos XIX e XX: impressionismo, simbolismo e nabis, fauvismo, expressionismo. Corot, Courbet, Cézanne, Manet, Degas, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Liebermann, Signac, Lautrec, Redon, Bonnard, Vuillard, Vlaminck, Dufy, Derain, Macke e Morandi são alguns dos artistas expostos.”
Motivos do que suficientes para não perder esta oportunidade.
João Gomes Gonçalves

publicado por quadratura do círculo às 19:52
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J. L. Viana da Silva - Espiritualidade

O governo pretende retirar os clérigos das cerimoniais públicas. Laicidade.
Separação das coisas do estado das coisas da igreja. Parece tudo bem. Mas talvez não seja assim tão bem, tão laico. Nestes tempos de grande
espiritualidade- Tipo Código da Vinci, que toda a Academia sabe que é um
embuste- esta laicidade deve ser mentira. Os clérigos devem estar, isso sim, a ser substituídos por gurus espirituais nos protocolos de estado.
Não admira, a esquerda não é católica, e grande parte dela vem provando-se que não é laica, comunga, isso sim, de outras espiritualidades. Fé que naturalmente deve fundir com as actividades do estado!
É altura das personalidades de esquerda confessarem as suas crenças!...
J. L. Viana da Silva
publicado por quadratura do círculo às 19:48
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Daniel Nunes - Futebol e Carrilho

Vi (17 de Maio de 2006) a Quadratura do Círculo.
Notei o grande desprezo do Dr. Pacheco Pereira (PP) sobre o tema futebol nomeadamente as suas queixas sobre o largo tempo dado à conferência de imprensa do Sr. Scolari.
Talvez tenha sido tempo demais mas para mim é bem pior o tempo gasto a falar do livro do Sr. Carrilho. Neste tema, PP deveria ter dito o mesmo que disse sobre o futebol: num país civilizado não se perderia muito tempo com a questão do livro!
Mas não: como o tema toca PP já pode ser debatido porque é civilizado.
É que futebol até pode ser um tema interessante desde que se fale daquele desporto que se joga num campo relvado de 110x75 metros.
Assim recomendo ao PP que, por exemplo, consulte a Wikipedia (www.wikipedia.org) Inglesa e Portuguesa e leia os artigos sobre as histórias dos Mundiais de Futebol: até é bem interessante! Eis os links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Copas_do_Mundo
http://en.wikipedia.org/wiki/FIFA_World_Cup
De certeza que é uma leitura muito mais interessante que qualquer conferência do Sr. Scolari ou livro do Sr. Carrilho.
Daniel Nunes
publicado por quadratura do círculo às 19:43
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Nuno Monteiro - Educação em Portugal

Escrevi, aqui, num outro post que " (...) A Educação em Portugal bateu no fundo. É ideia geral. E uma realidade sustentada pelos resultados aferidos internacionalmente. Alguns entendem que antes de encontrar vícios nas escolas e nos professores é necessário procurar os responsáveis. Não concordo. "
Escrevi e voltaria a escrever. Procurar responsáveis não resolve os problemas. Procurar responsáveis é importante (também para os que se lhes seguem não cometam os mesmos erros) mas não é fundamental e prioritário. Mudar e evoluir sim. É por aí que temos de seguir.
"Os responsáveis. Já escrevi aqui que são (também) responsáveis, todos os decisores dos últimos 30 anos. E quem foram eles? De uma forma geral, professores."
Também escrevi isto. Os decisores da política em Portugal não foram os Professores. Não. O que escrevi e aqui repito é que após o 25 de Abril, muitos políticos, principalmente os que enxamearam o Ministério da Educação eram professores. Mas não só o ME. Também as Autarquias. Sim, professores. Afinal, há 30 anos, eram eles os poucos letrados disponíveis em quantidade para ocupar toda uma nova série de lugares públicos (de decisão). Daí que… sim. Muitos decisores políticos eram (e muitos são) professores. Que decidiram, puxando a brasa à sua sardinha. Boa carreira, boas remunerações, bons horários, boa reformas, muitas “interrupções lectivas”, gestão democrática das escolas (leia-se, dos professores). Resultado final: o estado actual da Educação no País.
Porque não uma Ordem dos Professores? Quem não deixa? Pois… os sindicatos… de professores. São fortes e influentes. Os seus dirigentes, normalmente evoluem (como os Digimons) para… decisores. Deputados, Autarcas, etc.
Após o 25 de Abril, as Escolas não estavam preparadas para a massificação. É verdade que sim. Mas isso justifica que só se tenha evoluído (nos últimos 30 anos) nas remunerações, interrupções, estatutos, reformas, carreiras, gestão e sindicatos docentes? Nada para os alunos, escolas e sistema? Sim. Justifica-se exactamente com o facto que referi: quem mandou muitos anos, desde essa altura, na Educação foram professores. Não os professores nas Escolas. Mas os professores que “subiram” à política. Que, corporativamente, lá construíram o nosso (falhado) sistema. Afinal, a política, para eles era efémera e lá voltariam às suas escolas e à sua vida depois de uma qualquer reviravolta eleitoral, onde beneficiariam das decisões (por eles tomadas). Melhores remunerações, mais interrupções (interpretadas como férias), menos horas lectivas, etc…
E por falar em deputados, veja-se quantos são professores. Nesta e noutras legislaturas. E, finalmente, não é por uns fazerem mal (deputados faltosos) que se justificam todos os procedimentos semelhantes. Porque, se formos ao Banco de Portugal, onde estão os super-sumos que nos orientam, (parece…) que tudo ficou na mesma (e mal) : reformas douradas pagas sempre pelos mesmos. Os contribuintes.
Cada país tem a Escola (e a Assembleia) que merece.
Nuno Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 18:47
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Miguel Silva - Bolocracia

Dia 17 de Maio no programa Quadratura do Circulo mais uma vez...
Não sei o que diga e escreva mais sobre isto. É só futebol, futebol e mais futebol.
O seleccionador fala e abre todos os jornais televisivos. São as reações, são os gostos, são os fios de cabelo... os átomos dos jogadores... tudo sobre bola. Bolocracia. (Ainda bem que existe BBC e outros) Estou de acordo com o Pacheco Pereira neste aspecto e espero que não sejamos uma minoria.
"Felicidade" diz o Jorge Coelho... que tristeza.
É realmente um país pequenino em tudo.
Dia 13 de Maio era só Fátima.
É o regresso dos "F" anteriores ao salazarismo, com a inovação de o Fado ter sido substituido pelo Big Brother e pelos Morangos com Açucar.
Quando não há mais nada... temos estas "felicidades" próprias de almas pequenas que não sonham com mais coisas no céu e na Terra pela sua fraca filosofia.
Só já faltava também neste programa a contaminação bolocrática.
Enfim... a nossa meta é tornarmo-nos o Brasil da Europa (mas sem Carnaval).
Temos as "felicidadezinhas" bolisticas (e afins), a corrupção crescente e desigualdades sociais, económicas e culturais cada vez maiores.
Quero acreditar que ainda haverá volta a dar.
Miguel Silva
publicado por quadratura do círculo às 18:44
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João Gomes Gonçalves - Fénix Renascida

Não me passaria pela cabeça ir a um centro comercial, entrar numa loja de pronto a vestir, de marca, comprar um bom fato, pagar a pronto pagamento e em lugar de o levar para casa, deixá-lo na loja durante vários meses para ficar na prateleira ou em exposição.
Um ideia mais disparatada do que esta passou pela cabeça da administração da Afinsa que, com muita publicidade enganosa convencia os “investidores”
a comprarem selos e obras que ficavam em poder do vendedor “para não se estragarem”: o estafado conto do vigário em versão sofisticada para mercados bolsistas ou aparentados. Cerca de trezentas mil pessoas (classe média e média alta), que “compravam” selos e objectos de arte, de que regra geral desconheciam o valor, estão agora em sério risco de perder os investimentos.
A Afinsa e o Fórum Filatélico, após três anos de investigação, são acusados de burla, branqueamento de capitais, gestão danosa e falência fraudulenta. Como é hábito nestes casos, muitos dos lesados (talvez a maioria) irão ficar sem as suas reservas para a reforma, para situações de emergência e até reduzidos a situações de grande carência.
Insólito, também, nesta história temos até agora, em Portugal, um diplomata de carreira e ex-ministro de Durão Barroso que pertencia à administração da Afinsa e que, mesmo depois do escândalo, continua a garantir que o negócio era sério. Outro ex-ministro de Durão Barroso figura no rol dos “investidores” da Afinsa, o que nos pode levantar dúvidas quanto à sua competência como gestor público. Enfim, fomos governados por gente desta.
Afinal de contas, por que motivo cai tanta gente e tantas vezes em burlas tipo D. Branca (que um conhecido economista e ex-ministro) também veio a público defender?
Os mercados bolsistas, sem excepção, têm inscrito no seu código genético o gene da burla, que dá pelo nome de especulação, ou seja a subversão da lei da oferta e da procura do chamado mercado livre.
“A especulação produz-se quando as pessoas compram valores, tendo sempre atrás uma qualquer razão, porque elas esperam ver subir os preços. Esta expectativa suscita actos que servem para a justificar. Bem depressa o elemento real que é visado deixa de ser o juro que o bem em questão (terra, mercadorias, sociedades por acções ou sociedades de investimentos) proporcionará no futuro. O que conta é que existem muitas pessoas que esperam por uma alta de preços desse bem para fazer efectivamente subir o preço, e assim atrair ainda mais gente, que alimentará por sua vez a esperança de mais altas.
O mecanismo é de uma simplicidade primitiva. Ele apenas dura quando nós pudermos acreditar numa subida de preços. Se a alta de preços encontra um obstáculo real, as esperanças daqueles que sustentaram a alta são iludidos ou pelo menos ameaçadas. Todos os que acreditam numa possível baixa... tentam então livra-se a tempo do negócio arriscado. Qualquer que tenha sido o ritmo de crescimento anterior, lento ou rápido, a queda que daí resulta é sempre brutal... É assim que a especulação (e com ela a expansão económica) chegou ao fim em todos os anos de pânico, desde 1819 a 1929” Extraído de J. K. Galbraith.
Alias, podemos acrescentar que as crises são bem mais antigas: já aconteciam na Holanda do século XVII (a crise das tulipas em que as pessoas vendiam e hipotecavam casas para comprar as tulipas cujo preço não cessava de aumentar), e o também famoso caso de John Law que abriu um banco privado em Paris, adquiriu o monopólio do tabaco, foi regente da casa da moeda e acabou na bancarrota (1720). Podíamos continuar com um extenso rol de bancarrotas e crashs que têm reduzido à miséria muitos milhares e incautos “investidores”.
Os oceanos possuem as maiores cadeias alimentares do planeta. Em incessantes estratégias de defesa e de ataque – comer e ser comido -, peixes miúdos procuram defender-se dos predadores graúdos: deslocar-se em cardume é uma estratégia de defesa, que os predadores procuram furar para aceder a um grande banquete, e até costumam ter à ilharga predadores mais pequenos e oportunistas que também colhem a sua quota no banquete.
Em terra firme o equivalente destas cadeias alimentares são os mercados financeiros, onde os grandes, muito grandes investidores, “tosquiam” os milhares e milhares ingénuos, nos quatro cantos do mundo, que acreditam na sua sorte ou esperteza, caiem na publicidade enganosa, pensam que o capitalismo popular existe, etc. etc..
E. Zola, na sua obra “O dinheiro” descreveu minuciosamente e satirizou os especuladores do final do século XIX, e J. K. Galbraith, escreveu uma “Breve História da euforia financeira”. Hoje, ambos poderiam escrever, caso estivessem vivos, volumosos tratados sobre o conto do vigário, autentica Fénix renascida, na sua versão sofisticada para bolsas e mercados financeiros, tal é a extensão da fraqueza humana – tentação do lucro fácil - e da sua falta de memória.
Os economistas distinguem entre a boa e a má especulação, garantindo que a boa especulação é necessária ao funcionamento dos mercados. Não tenho conhecimentos teóricos para discutir esta matéria: limito-me a constatar a excessiva frequência com que a má especulação leva a melhor sobre a boa e a acompanhar as desventuras dos meus contemporâneos.
João Gomes Gonçalves




publicado por quadratura do círculo às 18:37
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