Quinta-feira, 4 de Maio de 2006

António Carvalho - Entrelinhas

José Sócrates disse que “o Presidente da República escolheu bem o dia (25 de
Abril) para lembrar que, apesar da nossa agenda política estar muito dominada pela necessidade de recuperação económica e de mais competitividade e mais produtividade, não devemos esquecer as obrigações de solidariedade para com os que mais precisam".
Então o Senhor Engenheiro estava à espera de quê? Que o Senhor Professor viesse falar dos relatórios do Banco de Portugal, da OCDE e do FMI? Estava à espera que viesse dar ao Governo a cobertura e o apoio que este tão necessita em matérias económicas?
O Professor Cavaco Silva veio falar dos “velhinhos” para não ter que dizer que a actual equipa governativa há muito que mete água e que é com preocupação que aguarda por um quase inevitável naufrágio.
Ou então, para bem de todos, espera em silêncio que V.Exª. se farte da mediocridade dos holofotes do seu palco e arregace as mangas em produtivos trabalhos de bastidores.
A bem da nação!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:45
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Luís Santiago - Palavras, palavras...

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, habemus Presidente! Eu, em vez de aproveitar um passeio familiar que o Sol, logo pela manhã, neste 25 de Abril de 2006, tentadoramente me oferecia, decidi ficar em casa sentado no sofá, para assistir às comemorações deste dia, que tiveram lugar na Assembleia da República. Isto porque, ao contrário do que se passa com muitos dos portugueses, ainda não fui totalmente acometido pela indiferença. Deixarei, para última, conforme o protocolo, as observações que farei sobre os discursos que ouvi, a de Cavaco Silva. Os Verdes, o BE e o PC não nos disseram nada de novo, as palavras de luta por direitos de minorias, que respeito e que não deixam, pelo facto de serem minorias, de serem direitos. Mas, as minorias deveriam tomar consciência política de que não são ilhas no meio de um imenso oceano e não podem viver isoladas... e que, também, não podem impor a sua vontade. Aliás, disseram-nos estes acima referidos partidos, o quão preocupados com o seu umbigo estão, com a sua permanência na Assembleia da República se a Lei Eleitoral for modernizada e adaptada à realidade da representatividade moderna. Por essa Europa fora há muitos partidos que não estão representados nos Parlamentos dos seus Países e, no entanto, não morreram e não deixam de desempenhar o seu papel político e social. Longe de mim pensar que esta preocupação se deve a materialismos inconfessáveis de sobrevivência financeira e a perda de privilégios. Longe de mim! Por outro lado, quanto às mensagens dos representantes do PSD e do PS, estas não se desviaram do discurso de regime. O Drº Jaime Gama, Ilustre Presidente da Assembleia, portanto, representante da Casa, recordou-nos a História. Está a sua mensagem impregnada de cultura política que roça a ingenuidade mas onde também sobressai uma grande dose de humildade e simpatia. Bem-haja! É bom recordar; termos sempre presentes as nossas origens para enfrentarmos o nosso futuro. Cumpriu, com dignidade e seriedade, a sua missão de anfitrião. O nosso Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com as suas palavras, conseguiu fazer o milagre que nenhum político até hoje conseguiu. Comover-me! Fazer que uma lágrima teimosa saltasse a fronteira dos meus olhos e me deslizasse nesta face já a preparar-se para as rugas próprias da idade. O meu Presidente abordou os temas e as preocupações que me são mais caros a mim e a um grande número de portugueses e a prová-lo, o voluntariado militante em organizações destinadas à defesa da Justiça Social, da Exclusão Social, da Protecção dos Idosos e das Crianças e da Desertificação do Interior por abandono social e político. Este Aníbal, não é o mesmo Cavaco Silva que foi nosso Primeiro-Ministro e a quem leguei algumas críticas. Este Aníbal, depois de mais de dez anos longe do poder e, também, de travessia no deserto do afastamento político, veio demonstrar ao País que se pode aprender, reflectindo na clausura de um sistema injusto; mudar para melhor, que temos capacidade para assimilar os erros e evoluir; que temos, ainda, a oportunidade de caminhar para uma sociedade mais justa. Este Aníbal veio dizer que o desenvolvimento económico não é incompatível com a ajuda aos mais carenciados. Este Aníbal veio dizer-nos que o carácter de um Povo se avalia pela forma como acarinha os seus velhos, protege as suas crianças e luta pelo seu futuro. Este Aníbal veio dizer-nos que a riqueza, devidamente controlada, não é sinónimo de injustiça social desde que os ricos cumpram o seu papel. Há tanta coisa para exprimir do que sinto sobre esta mensagem de Aníbal Cavaco Silva que tenho receio de me tornar piegas (fruto da idade do meu coração) e não dizer o que tem a dizer o meu espírito exigente, acutilante e político. Deixemo-nos de paninhos quentes. A Democracia portuguesa já tem 32 anos, por isso pode aguentar uns abanões e umas verdades por já ser adulta. De quem é a culpa da nossa situação? De quem é a culpa de logo na primeira oportunidade de liberdade, os constitucionalistas nos terem tentado impor uma sociedade a caminho do socialismo? Quem é que quando votou, mandatou os Senhores Constitucionalistas para escolher outra ideologia em prejuízo de uma comunidade plural de ideologias? Logo aí os parlamentares constitucionais pretenderam que os sacrifícios dos Capitães de Abril fossem dirigidos a uma outra forma social de opressão, traindo o espírito de Abril. Não é verdade? Provem-me o contrário. Ao sairmos do fascismo tentaram impor-nos o dirigismo na sua pior vertente. Os Sindicatos, em vez de serem expressões dos interesses dos trabalhadores livres passaram a ser defesas dos inconfessáveis interesses políticos dos partidos (correias de transmissão, como, oportunamente, se designaram). Os interesses reais do proletariado (expressão tão grata aos comunistas) foram para o lixo. Os dirigentes sindicais ainda hoje persistem numa luta pela sobrevivência pessoal, desafiando a realidade da Natureza e persistindo em ser dinossauros, andando por cá há anos em vez de permitirem a sua substituição por gente nova e com ideias e ideais arejados. Em verdade, em verdade vos digo que também há Senhores Deputados que estão a atingir o recorde da Cadeira, tal qual o Professor Oliveira Salazar e tal e qual como este só a doença os afastará. Estas verdades são só exemplos. Todos os representantes do Povo nos sucessivos parlamentos procuraram cuidar de si próprios. O escandaloso regime de reformas é um exemplo. As imorais remunerações (imorais porque são oriundas do Orçamento de Estado e pagas por todos nós) e reformas dos gestores públicos e o pacto de substituições que geram indemnizações milionárias, é no mínimo, de desconfiança geral perante as virtudes deste sistema político. Nunca dei conta de um único Senhor Deputado de um qualquer partido que tivesse a coragem e humildade de se insurgir contra estas questões e recusasse os benefícios e privilégios que ofereceram a si próprios e aos possuidores de passes políticos. A Nação merecia melhor. Infelizmente, eu, com o meu voto e com a minha passividade e silêncio, como todos os eleitores portugueses, também temos contribuído para as adulterações e desvios do sistema. Tanta coisa haveria para desabafar... Mas, voltando ao presente com vista ao futuro, e relativamente ao Compromisso Social proposto pelo Senhor Presidente da República, desejo que esta proposta tenha eco no coração dos portugueses e se inicie uma jornada de fraternidade sem reservas em prol de uma Comunidade comprometida com os valores humanos essenciais. Àqueles Senhores Deputados, que nem por educação (outra das qualidades que aprecio em todas as pessoas de todos os quadrantes políticos) se levantaram no final da mensagem de Aníbal Cavaco Silva, queria deixar-vos um recado e uma reflexão, respeitando o vosso protesto político de não concordância pela Mensagem: Vossas Excelências são mais iguais do que os iguais. Vossas Excelências são tão responsáveis como todos os portugueses que foram alvo da crítica objectiva presidencial. Aliás, Vossas Excelências são mais objectivamente responsáveis e contribuíram com mais empenho para o estado da Nação porque tiveram no lugar exacto e no exercício de funções privilegiadas que lhes permitiram uma magistratura de influência nacional e internacional. Vossas Excelências merecem que se abata sobre Vós o cutelo demolidor de uma nova Lei Eleitoral. A cama nacional tem picos? Foram Vossas Excelências que os lá puseram. Agora piquem-se... Coisas que o Presidente da República não vos disse porque é educado. Vossas Excelências não conhecem a regra da hospitalidade e do respeito pelas visitas na Vossa casa? Aliás, a Vossa reacção de desencanto tem mais a ver com o facto de terem sido presidencialmente ignorados (estavam à espera do tal puxão para depois se fazerem de vítimas) e de o nosso Presidente ter enviado uma mensagem à Nação e aos Portugueses e não vos ter puxado as orelhas porque Vossas Excelências não têm orelhas. Não falei do discurso do Exmo. Senhor Drº Telmo Correia? Pois não. É de propósito. A mensagem do CDS desiludiu-me... Disse.
Luís Santiago
publicado por quadratura do círculo às 19:43
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Jaime Bernardino Alves - Responsabilidade da escolha

O descrédito generalizado – às vezes injusto por existirem muitos deputados altamente responsáveis, dedicados e trabalhadores – relativo aos deputados do nosso parlamento deriva de um sistema obsoleto de recrutamento das listas de candidatos e de más práticas, que têm obrigatoriamente de ser alterados, sob pena de se generalizar a ideia errada de que o parlamentarismo da Assembleia da República não serve para nada.
Dentro dos próprios partidos, os candidatos a deputados devem “nascer por si mesmos”, ou seja, não devem ser escolhidos pelas elites partidárias, no sentido de serem especialistas a “abanarem com a cabeça”. Devem assumir, desde o início, o sentido da responsabilidade de terem que caminhar por si, na busca de resultados. Devem apresentar as suas ideias directamente aos militantes dos partidos, submetendo-as a votos, legitimando-as e responsabilizando-se pessoalmente, enobrecendo o debate político que anda pelas ruas da amargura.
As clássicas filiações partidárias para toda uma vida estão em crise. Hoje os cidadãos estão predispostos a militar em causas pontuais – conjunturais ou estruturais – com que se identifiquem e acreditem, não em causas cegas perpétuas, que sirvam os interesses particulares de A, B ou C. Esta nova realidade deve fazer acordar os partidos que ainda não a enxergaram, obrigando-os a ser mais exigentes e cuidadosos, mas também mais tolerantes sem que por isso percam a essência da sua identidade ideológica.
Sem um sistema misto de um círculo nacional, em paralelo com os círculos uninominais, esta realidade será de difícil excussão. Sem uma exclusividade de funções dos deputados, também me parece que a eficiência não poderá atingir níveis superiores. A dedicação exclusiva deverá ser uma realidade inatacável.
Para que isto mude, a bem da democracia representativa, não são necessárias mudanças extraordinárias ou iluminadas. Se se fizerem as reformas enunciadas há pouco em conjunto com boas práticas, assentes numa ética responsabilizadora, o país olhará de uma forma muito mais favorável para a Assembleia da República, Casa Mãe da nossa Democracia.
Normas e práticas mais eficientes precisam-se.
O grande segredo das reformas é fazê-las.
Jaime Bernardino Alves
publicado por quadratura do círculo às 19:35
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

Luís Santiago - Opiniões, Citações, Excitações, Propostas e Perguntas

“O que arde cura, o que aperta segura” Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças de Portugal.
“O que me arde, na pele e no bolso, é o preço dos combustíveis!”
“O Srº Ministro das Finanças sabe o que é que viola as Leis da Física? Os preços! Sobem, mas jamais descerão!”
“O que aperta segura”. Óh Senhor Ministro das Finanças, segura o quê? Os furos do meu cinto já acabaram e as calças já caíram”.
“A não ser que V. Exa. se esteja a referir àquela técnica do Kama Sutra para apertar e manter direito o objecto do nosso orgulho e optimismo nacional! Parece-me, segundo as estatísticas que há uns cento e cinquenta mil portugueses a carecer de aplicar esta técnica... V. Exa. está realmente preocupado com a nossa felicidade. Estou comovido.”
“ Existem duas maneiras de se ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra, sê-lo.” Sigmund Freud.
“Alguns Governos, sem excepção, têm lutado com empenho para que sejamos eternamente felizes.”
”A nova Lei Orgânica do Tribunal de Contas vai obrigar, diz-se, os Gestores Públicos a reembolsar o Estado de verbas mal geridas. Incluirá as utilizadas em benefício próprio com cartões de crédito para uso de despesas de representação?”
“Srº Ministro das Finanças! Não se tratando de uma Lei Penal, portanto não blindada pelo recurso ao princípio da retroactividade, V. Exa. faria bem em propor a aplicação do princípio da retroactividade a esta Lei. Resolveria rapidamente e com o aplauso unânime do Povo Português, o problema latente do défice e o recurso recorrente aos indefesos funcionários públicas que são o bode expiatório da incompetência política e, normalmente, culpabilizados e humilhados pelos sucessivos Governos.”
“Anda muita gente a dormir em relação à qualidade dos jogadores.” Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto.
“... e os portugueses também têm andado a dormir à sombra da bananeira com a qualidade dos políticos que elegem. Somos uma república das bananas...”
“Marcelo Rebelo de Sousa, a respeito das faltas dos Senhores Deputados ao plenário e que impediram a constituição de quórum para votação, em vésperas de Páscoa, afirmou, claramente, no seu programa na RTP 1, que iria procurar saber quais os deputados faltosos do seu partido, no círculo em que ele vota, para, provavelmente, não voltar a contribuir para a sua (deles) eleição. A isto chama-se consciência cívica, consciência política e exercício de cidadania. Um exemplo a seguir.”
“Eu, por mim, não comento uma situação que não merece comentário. Com estes exemplos não admira que se recorram a milhares de baixas por doença quando provavelmente não se está doente; que os meninos se socorram de doenças para faltar a exames nas escolas, com o beneplácito dos paizinhos e o concurso profissional de alguns médicos, em vez de estudarem e prepararem-se afincadamente para aquilo que é o seu (deles, meninos) trabalho. É o Povo que merece os Deputados que tem ou são os Senhores Deputados que são vítimas do Povo que os elege? Afinal não resisti. Comentei!”
”De acordo com alguns órgãos noticiosos, parece que o Senhor da Madeira teria tido dúvidas em comemorar o 25 de Abril. Mas na Madeira houve 25 de Abril ?”
“Ministério Público admite arquivar operação "Furacão", segundo afirma manchete noticiosa. É caso para dizer que o “Furacão” pariu uma pequena brisa.”.
“«Puxar orelhas» aos deputados será mau começo para Cavaco”. Manuel Alegre, Deputado da Nação, dixit. Porquê? Os Senhores Deputados são imunes a críticas? Desconhecia que a imunidade parlamentar abrangesse a crítica política. A Vida dá-me nas orelhas todos os dias e eu não me queixo. Mas, como pode o Senhor Presidente da República puxar (as orelhas) o que não existe? Se os Senhores Deputados tivessem orelhas tinham ouvido atentamente o discurso de investidura presidencial. Se os Senhores Deputados tivessem orelhas já tinham ouvido o murmúrio em crescendo do que se vai dizendo por aí em surdina do seu desempenho político...”
E por último, uma opinião sincera, que não tem carácter bajula tório. Os programas “Quadratura do Círculo” e “Eixo do Mal” têm sido a minha companhia em horas em que me dedico a esquecer e a deitar para o lixo coisas que não me interessam. São feitos por mentes brilhantes e participam mentes brilhantes que me preenchem o vazio que por vezes sinto. A minha proposta é a seguinte: Porque não nos brindam, as duas equipas, com um debate sobre o “Círculo do Eixo” feito aí por um Auditório que leve muita gente. Seria um prazer que nos dariam, àqueles que vos acompanham, regularmente e seria, sem dúvida, um acontecimento político e cultural inesquecível...
Luís Santiago
publicado por quadratura do círculo às 19:39
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António Carvalho - Ópera bufa

Portugal tem os piores resultados dos países desenvolvidos!!! O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz mesmo que a economia portuguesa está estagnada e que a alta do preço do petróleo é comprometedor para inverter tal situação.
Esta é a parte séria da realidade em que estamos mergulhados. A outra, que de sério nada tem, chama-se Governo, o lodaçal onde a tal economia estagna.
Á análise do FMI o Primeiro-Ministro reage assim: “É um momento difícil para as economias europeia e portuguesa”. O Ministro das Finanças diz que não senhor, “o preço do crude é marginal para a nossa economia” e desvaloriza o facto. O Ministro da Economia “reconhece que é uma má notícia, mas o Governo está de mãos atadas”.
Com cada músico a tocar por uma pauta diferente, a desafinação torna-se insuportável e o coro de protestos da assistência, se não estivesse entretido a saborear pipocas adulteradas, há muito que se deveria já ter ouvido a patear fortemente tão triste espectáculo.
Será a isto que chamam Ópera Bufa?
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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Carlos Lima - Avaliar deputados

(...) Os deputados que faltaram, salvo os que o fizeram por motivo justificável (caso do deputado António Pires de Lima, do CDS-PP, presente no referido programa de televisão, que fora pai naquela altura), apenas o fizeram por um único propósito: estiveram literalmente a borrifar-se para as suas obrigações e quiseram, isso sim, gozar umas belas mini-férias e o país… que se lixe! Diga-se em bom português.
Toda a gente sabe que os políticos em geral, salvo honrosas excepções que confirmam a regra, fazem, e sempre fizeram, o que lhes apetece. Ninguém os controla. Basta olhar para as sessões plenárias, tantas e tantas vezes às moscas, ou quase. Dir-me-ão que estão ocupados com outros afazeres (o que é que será mais importante nas funções de um deputado do que a sua participação na aprovação de leis?).
(...) Que moral tem esta gente – deputados, entenda-se – para vir à praça pública pedir aos cidadãos um esforço acrescido, um aumento de produtividade, (mais) um apertar de cinto…? Desde que me lembro ser gente que ouço dizer que o exemplo vem de cima.
Bom, mas para que depois não me acusem de ser mais um zombador dos nossos tão imaculados e trabalhadores deputados, proponho, a seguir, uma solução para que, de uma vez por todas, se dissipe esta suspeita (infame) levantada contra estes profissionais.
uncionário público é aquele que trabalha para o Estado, desempenhando uma determinada função para a qual recebe uma remuneração paga pelos cidadãos contribuintes. Certo? Assim sendo, um deputado é um funcionário público, um profissional do Estado, ou não é? Não me venham dizer que se trata de um caso especial! É tão especial como um médico do Serviço Nacional de Saúde, um juiz, um polícia, um qualquer funcionário de uma qualquer repartição pública. É um profissional ao serviço do Estado. Ponto final.
Então, prossigamos com o meu raciocínio. Como é sabido, está a ser implementado um sistema de avaliação dos funcionários públicos (alias, sistema esse em cuja concepção/aprovação participaram os ditos). Pois bem, se é assim e se um deputado é um funcionário público, que aderiu à sua profissão voluntariamente (é bom que se diga), crie-se também para eles um sistema de avaliação, estabeleça-se objectivos concretos para cada deputado e proceda-se à sua avaliação em conformidade, devendo ser esta, obviamente, executada por uma entidade externa ao círculo político e o mais autónoma e imparcial possível, e publique-se os resultados. Quem não deve, não teme, diz o povo.
Com uma avaliação concreta, como se faz em qualquer profissão (que o digam muitos dos profissionais do sector privado, cujo emprego tantas vezes depende da sua avaliação), os eleitores poderão, efectivamente, fazer a sua avaliação dos políticos que elegeram, no final dos seus mandatos, como qualquer entidade patronal faz aos seus funcionários (ou não serão aqueles quem paga o salário dos funcionários públicos, incluindo deputados?). Além disso, servirá também para os deputados provarem, de forma inequívoca, que, afinal, são bons trabalhadores e o que se tem dito deles é uma tremenda injustiça, promovida por uns tantos “caça-deputados” que andam para aí a denegrir a classe política.
Carlos Lima






publicado por quadratura do círculo às 18:56
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Mário Martins Campos - Ética parlamentar

A ética e a política, nem sempre andam lado a lado, com as naturais repercussões, na imagem da segunda, afectada pela falta da primeira.
Recentemente, o tema da falta de quorum no parlamento, no momento de uma votação, trouxe de novo o tema a debate.
O caso é muito mais grave e não se fecha neste episódio particular, trazendo à estampa os comportamentos pouco apropriados, com que alguns deputados encaram o exercício do mandato que lhes foi conferido.
O País ao eleger os seus deputados, deveria estar a escolher pessoas, que no mínimo das suas competências, figurasse o respeito pelo exercício do cargo parlamentar, bem como pela própria instituição. Vimos pois com estes exemplos, que alguns dos Srs. Deputados, para além de duvidosas capacidades, para a missão que lhes está conferida, demostram uma falta de bases democráticas e respeito pelas instituições, que deveria por si só ser motivo para a sua exclusão das listas de deputados, dos partidos a que pertencem.
“Todos os dias” no parlamento existem casos de deputados que assinam a sua presença, saindo para outras “funções de estado” de maior relevância. Enfim, uma vergonha.
“Todos os dias” no parlamento existem casos de deputados que assinam a sua presença, mantêm-se no parlamento, fazendo figura de corpo presente, sem acrescentar nada com a sua presença. Enfim, uma falta de respeito.
“Todos os dias” no parlamento existem casos de deputados que assinam a sua presença, mantêm-se no hemiciclo, despachando algumas actividades, para as quais a sua falta de exclusividade parlamentar abre oportunidade. Enfim, uma falta de seriedade.
No entanto, “Todos os dias” no parlamento existem deputados, que no hemiciclo, nas comissões ou nos gabinetes dão o seu melhor, em nome do mandato que lhes foi entregue e por respeito à missão que lhes foi conferida.
A pergunta que fica é a seguinte: “E porque não ficarmos só com estes?”
Esta é uma resposta, que tem que ser encontrada, se quisermos alguma vez credibilizar a política e o parlamento em particular.
Estou certo que a procura de soluções para este estado de “crise institucional”, entroncará na revisão do sistema eleitoral, com o aumento da visibilidade e responsabilização dos deputados e da sua acção.
Urge faze-lo, a bem da democracia e o do País.
Mário Martins Campos

publicado por quadratura do círculo às 18:41
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António Carvalho - Os despreocupados

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, não está preocupado com o cenário difícil traçado pelo Banco de Portugal para a economia portuguesa, assim como com a subida do preço do petróleo. Os 103 Deputados que se “baldaram” ao trabalhinho no período da Páscoa, quase de certeza que também não estão nada preocupados com tal situação. Os milhares de portugueses que entupiram os voos para as Caraíbas e nordeste, mais os outros tantos que rumaram para os Algarves, também não sofrem de enxaquecas por tal motivo. O Primeiro-Ministro, esse, deve estar a preparar mais um show para os holofotes da comunicação social e assuntos de “lana-caprina” como estes passam-lhe ao lado.
Restam meia-dúzia de resistentes, com os impostos em dia, os compromissos bancários religiosamente cumpridos e uma média salarial de 500 e poucos euros, que mereciam um pouco mais de valor e que porventura se interrogam, onde é que isto vai parar perante tanta irresponsabilidade patente no País?
(...)
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:37
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Jorge Costa - Maus exemplos

(...) Os deputados da Nação mais uma vez protagonizaram um episódio que nada os dignifica e aprofunda a desconfiança e a descredibilização que a classe política vem merecendo dos eleitores médios.
Quem assista com regularidade às sessões parlamentares e ao desempenho dos deputados nas sessões plenárias, interrogar-se-á sobre a necessidade de um número tão elevado dos ditos representantes do povo. Mais parece um espectáculo de ópera em que, para além das primas donas, os deputados que habitualmente falam, existe um elevado número de figurantes, aqueles que se limitam a estar presentes e a dar ámen aos respectivos solistas.
Como ninguém dá por eles mesmo quando presentes, confiaram que não notariam a sua ausência, assinaram o livro de ponto e numa profunda demonstração de ética política e profissionalismo partiram para férias da Páscoa.
Quando foram solicitados para votações previamente agendadas notou-se que o palco estava vazio, ainda que não sendo muitos eram mais os espectadores nas galerias que os deputados no hemiciclo. Não havia quorum deliberativo e as votações foram adiadas, curiosamente mais de 90 deputados faltosos figuravam como presentes no livro de ponto.
Nesta ausência destacaram-se os deputados do PSD e do PS, com respectivamente 66 e 40 por cento dos grupos parlamentares.
O Bloco Central de interesses está vivo e recomenda-se!
Numa altura em que a classe dirigente passa o tempo a recriminar os trabalhadores pela sua baixa produtividade, falta de profissionalismo, e a serem culpabilizados pelo triste estado da Nação, membros dessa mesma classe dão exemplos pouco dignificantes de comportamento ético.
Este não foi o primeiro episódio do género, o mais recente tinha-se passado há dois anos quando da votação da Lei de Programação Militar em que as imagens televisivas recolhidas demonstram que contrariamente ao afirmado pela Mesa, a Assembleia deliberou sem Quorum.
Na época, nenhum dos responsáveis foi minimamente sancionado.
Aguarda-se agora com curiosidade como o assunto vai ser resolvido, a previsão mais realista indica que tudo ficará em águas de bacalhau como é hábito neste país de brandos costumes. O estatuto de deputado permite a justificação de faltas com a fórmula abrangente de trabalho político já incompreensivelmente evocada noutras condições.
Ainda se lembram quando vários deputados se serviram dela para irem ver uma final do Futebol Clube do Porto a Espanha? Lata não lhes falta!
Muitos dos actuais infractores devem ter ido em missão de evangilização política para os areais algarvios ou para a Serra da Estrela à conquista de eleitores incautos, perdidos ou nas salsas ondas ou nas faldas da serra.
Ainda que o esperto seja um cromo bem português, nada mais lamentável que tentarem fazer de todos nós estúpidos!
Depois ainda se admiram que a abstenção aumente e o desinteresse pela coisa pública seja cada vez mais notório.
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 18:34
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