Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

Isabel Maria Leandro Gomes - Futebol é paixão

Falso patriotismo? Vivemos uma época de depressão? É verdade. Porém, não somos tão pobres quanto os brasileiros ou os angolanos e eles são mais expansivos e, aparentemente, vivem o seu futebol com orgulho e alegria.
Scolari foi inteligente. O futebol é uma paixão e torna-se mais envolvente quando misturado com as nossas cores e com o "calor" das Quinas no peito, perto do coração. Sim, esta euforia é sinceramente patriota. Como o foram outros momentos dos nossos 9 séculos de História. Não interessa, agora é esta e o povo merece essa euforia, com ou sem desilusão. A tristeza que venha, em caso de derrota, mas ela é parte integrante das nossas expectativas. Portanto, porque não ser patriota e confiar em Scolari e nos nossos "rapazes"?
Isabel Maria Leandro Gomes
publicado por quadratura do círculo às 19:34
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João Gomes Gonçalves - "Nacional futebolismo"

O regime de Salazar, no seu zelo em dar felicidade ao povo, fomentou um género musical, que ficou conhecido por nacional cancionetismo. A juventude de hoje, habituada aos ritmos e batuques radicais, certamente, morreria de tédio, ao som daquela música; mudam-se os tempos, mudam-se os paladares.
O regime saído do 25 de Abril acaba de criar o nacional futebolismo. A coisa começou com o Euro 2004, os milhares de bandeiras nacionais, espalhadas de norte a sul de Portugal, a identificação dos sentimentos nacionalistas com as emoções do futebol, etc. e está ser retomada, em força, com o mundial deste ano. Quem não apoia a selecção não é bom patriota!
Graças ao apoio, dado à selecção de Scolari/Madail, por todos os quadrantes e negócios, milhares de portugueses ficaram a saber que a bandeira nacional tem duas cores: verde e vermelho.
O lugar de cada cor, os castelos ou pagodes chineses e outros símbolos da bandeira, são detalhes que já não interessa aprofundar, pois podem baralhar a cabeça de muita gente. Verde e vermelho, chega, e viva a selecção, carago!
Uma nova função está a ser acrescentada há tradicional função simbólica da bandeira nacional: botar publicidade lá dentro! E por não?
Se um periódico, como e Expresso e um banco como o BES, imprimem a bandeira com mensagens publicitárias, se a TMN utiliza o hino nacional na sua publicidade, porque motivo deveriam ficar com este monopólio; democracia para todos e lucros também.
A bandeira nacional poderá publicitar telemóveis, óculos de sol, lingerie, detergentes, etc., etc.. Negócio é negócio. Alguns comentadores referem os perigos de fomentar sentimentos nacionalista exacerbados, mas estão enganados porque o nacional futebolismo é o nacionalismo bom, como pode ser aferido pela quantidade de políticos, governantes e autarcas que se colam ao futebol como o mexilhão à rocha.
Seria injusto omitir o primeiro-ministro, José Sócrates, um dos mentores do Euro 2004, do milagre dos dez estádios e um apoiante entusiasta da selecção. Contam-se pelos dedos de uma mão, os políticos que não embarcam em futebóis: Pacheco Pereira, João Cravinho, Rui Rio e poucos mais.
Quando a bebedeira terminar e começar o enjoo da ressaca, os portugueses terão de apertar mais um furo ou dois ao cinto, mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena e os nossos heróis projectam Portugal no mundo muito melhor que os navegadores de quinhentos!
João Gomes Gonçalves


publicado por quadratura do círculo às 19:32
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Amora da Silva - Plano nacional de matemática

O dito plano vai pelo caminho errado: Vai-se arranjar mais professores, vai-se arranjar mais equipamentos, vai-se dar mais formação aos professores.
Mais do mesmo só pode dar o mesmo em maior quantidade, isto é, com mais investimento vamos ter mais insucesso. Ainda não compreenderam que o problema não está em quem ensina, não está em quem aprende, não está no modo como se ensina. Está no clima.
Tentem diminuir os recursos físicos e humanos. Arranjem salas com quadros , dos tradicionais com giz ,de preferência branco, branco apenas. Os alunos que tenham apenas caderno e lápis. Se tiverem livro, que as ilustrações sejam só as suficientes, modestas e adequadas (pode servir de exemplo o Compêndio de Matemática do Calado). Se necessário acrescente-se um Caderno de Problemas (pode servir de exemplo o de Palma Fernandes).
Que o aluno seja obrigado a estar tempo suficente só para que possa experimentar a dificuldade, para que, se possível, a possa ultrapassar por si, sem recurso imediato ao colega ou ao professor. Tempo de treino. Só.
Tempo suficiente. Com persistência, esforço e sofrimento.Com tempo, talvez chegue a gostar. Se teimarem em colocar o gosto como pressuposto, têm o insucesso garantido. Se tiverem dúvidas sobre isto perguntem a alunos e professores com gosto na matemática.
Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 19:26
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António Carvalho - "Dribles"

Ambicionar atingir os lugares cimeiros de um qualquer torneio de futebol só é possível com uma equipa motivada dentro e fora do campo. Um grupo de jogadores pouco habilidosos, por mais que treinem, por mais palestras de balneário que escutem, nunca irão saborear o prazer do pódio. Esta realidade aplica-se ao futebol e a um sem número mais de “tarefas” que envolvam competitividade.
Os Portugueses há muito que anseiam por uma vitória. No entanto não estão minimamente motivados para lutar por essa vitória. Somos um grupo de aspirantes a “jogadores” integrados geograficamente num campeonato superior à realidade. Habituados a treinadores de “divisões de honra” e das suas palestras da treta, vamos dando uns toques na bola quiçá na esperança de que um qualquer “Abramovich” venha a adquirir uma equipa de peritos em “dribles duvidosos” e “foras de jogo crónicos”.
Num relvado remendado e ressequido pelo tempo, “prognósticos, só no fim do jogo” porque os relatórios dos “seleccionadores” não têm sido nada abonatórios para a “causa”.
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 19:23
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Maria Amália Puga - Carreira docente

Já muito se tem falado, ultimamente, sobre os professores e sobre o Estatuto da carreira docente (ECD). Porém, cada vez que sobre eles reflectimos mais uma (ou várias) questões suscitam, em nós professores e professoras, um enorme sentimento de indignação e revolta. E levantam a questão, será que quem o elaborou tem um conhecimento mínimo do que se passa nas escolas e do que é dar aulas, não durante um ano, mas durante 20 ou 30 anos? Vou citar apenas um dos pontos da proposta do ECD, por me parecer dos mais aberrantes, discriminatórios, absurdos, ….
Traduzindo duma forma pragmática o que é referido num dado ponto do ECD, se um professor faltar mais de 6 dias durante todo o ano lectivo, não progride na carreira durante os 2 anos lectivos seguintes. Nesses 6 dias estão incluídas as faltas dadas: (A) por um qualquer motivo de saúde do professor, que não seja considerada doença crónica, como um cancro, ou outra do género. Será que os professores não têm constipações, gripes, dores de dentes e tantas outras coisas mais, como os comuns dos mortais? (B) se algo acontece a alguém seu dependente, um filho, um pai, uma mãe ou qualquer outra pessoa idosa (ou não, depende); (C) quando no seu caminho para a escola ocorre uma avaria no meio de transporte que utiliza; (D) por tem que ir a uma consulta médica a uma hora que coincide com as suas actividades lectivas, sem alternativa, pois o médico não poderá vê-lo a outra hora; (E) se um professor acompanha uma ou várias turmas a “visitas de estudo” com os alunos (numa manhã ou numa tarde o professor pode ter que faltar noutra(s) turma(s)) no contexto de ensino/aprendizagem; (F) quando assistir a uma palestra ou a uma conferência sobre um determinado tema, é de todo o interesse para os alunos no âmbito do contexto de ensino/aprendizagem da disciplina; (G) se, no âmbito da sua autoformação, científica e /ou pedagógica, o professor desejar assistir a um curso, um workshop, um congresso, …. Que será da Educação, do conhecimento que os alunos devem adquirir na escola, se os professores, todos, mas nomeadamente os do 3º ciclo e secundário, não se forem actualizando, quer em termos científicos, quer pedagógicos? A maior parte dessas actividades não acontecem em período não laboral. É fundamental não esquecer que, para um professor leccionar, devidamente, 10 aulas de 90 minutos, gasta, nunca menos de 30 horas para prepará-las, bem como para preparar os materiais necessários. Sem falar no desgaste físico que, nos tempos que correm, provoca dar uma aula; (H) muitos mais exemplos poderia aqui deixar, mas fico-me por aqui.
Sou completamente contra os professores que faltam “por dá cá aquela palha” . Contudo, sou professora há mais de 30 anos e sei que esses constituem uma minoria no meio dos milhares que existem neste nosso querido Portugal, que se realmente vier a ser regido pela actual Sra. Ministra da Educação não sei no que se transformará daqui a uns anos. Quando no mundo do trabalho estiverem os jovens, adultos de amanhã, que agora frequentam, e os que vierem a frequentar o ensino público, que deveríamos todos exigir que fosse de Qualidade, como foi durante muito tempo, e até há uns dez anos atrás. Fiz toda a minha formação, desde a primária até ao mestrado, no ensino público. Considero que foi tão bom como o das melhores escolas privadas!
Sem conhecimento, sem cultura, sem educação, sem as competências que este mundo em acelerada evolução exige, ficaremos cada vez mais na cauda da lista dos países que não pertencem ao terceiro mundo.
Maria Amália Puga (professora do ensino secundário)
publicado por quadratura do círculo às 19:15
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Manuel Mesquita - País e futebol

Claro que gosto do futebol, como espectáculo único de cor e movimento que arrasta multidões em todo o mundo. Claro que gosto, não porque frequente estádios ou seja sócio de qualquer clube. Gosto, simplesmente pelo espectáculo e não quero perder sempre que há, na TV, um jogo que me dizem ser importante. Assisto ao jogo, pelo simples prazer do espectáculo, sabendo que é bem diferente ao vivo, com palavrões à mistura e insultos às senhoras mães dos senhores árbitos.
Tudo isto para dizer que não é novidade que, agora, em pleno campeonato do mundo, não se fale noutra coisa, nos telejornais,nos jornais, nos cafés, nos empregos, nos autocarros, por todo o lado. E já há bandeiras penduradas nas janelas, pois que o euro 2004 deu o mote.O país está em festa e assim será, ao que julgo, durante um mês.
Li, que cada um dos nossos jogadores, se a nossa selecção ganhar o campeonato do mundo, receberá 250.000,00 euros (estarei enganado?).
Depois é só uma questão de fazer contas: 12 jogadores, mais os suplentes, mais os massagistas, os cozinheiros e os técnicos, mais,mais,mais e temos uma soma do outro mundo. É claro que, no campo das meras hipópteses, se ganhássemos a taça, nem por isso, deixaríamos de estar na cauda europa, não é?Continuaríamos a ter problemas com o ensino, justiça, saúde e economia, não é?Continuaríamos a chamar nomes aos árbitros, menos ao Senhor Luís Filipe Scolari que passaria a ser, então, muito bom técnico, compreensivo para as perguntas dos jornalistas,etc,etc,etc Mas se é assim, permito-me perguntar:então porque vamos correr o risco de ganhar o campeonato do mundo? Agora, que não temos métodos de trabalho, depois,Deus meu, como seria? De manhã à noite e durante décadas, não se falaria noutra coisa. Seríamos os melhores, não só no futebol, mas em tudo pois que o tudo em que passaríamos a ser os melhores decorreria de termos ganho o campenoato do mundo. Talvez o país esteja à espera duma anestesia bem eficaz e ela já está garantida para as próximas semanas; porém, se ganhássemos a taça, o efeito dessa anestesia, efeito pernicioso, teria uma eficácia de décadas e o país parava, sem dores, sem fome, nem luto, sem greves e todos os portugueses se poriam à janela, enrolados em bandeiras para tapar as suas partes púdicas e abrigar-se do vento e do frio, do sol e da chuva. Canta meu Portugal, canta que tens muito que cantar, agora e depois de ganhares a taça, canta para espantar espantalhos - e quem canta seu mal espanta - canta, agora e depois, e faz do teu cantar uma fonte de receitas turísticas, com Quim Barreiros à mistura.Põe-nos a cantar, nas ruas e nas praças e ensina-nos, a todos, a jogar futebol.
Fechem-se fábricas (menos as das bandeiras nacionais) e escolas e criem-se mais estádios, muitos estádios e grandes espaços para a distribuição da sopa dos pobres que seremos todos, o que antevejo, pois que o ouro da taça não pode ser derretido, e que pudesse, não dava para dez milhões.
Manuel Mesquita
publicado por quadratura do círculo às 19:13
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Silvério Rosa - Idade das reformas

Há dois argumentos para justificar o aumento da idade da reforma dos trabalhadores portugueses que gostaria de desmontar:
1º. ARGUMENTO: Dada a nossa fraca natalidade teremos que trabalhar mais anos até à reforma.
Esta justificação é falsa. A baixa natalidade acontece também noutros países já há muito tempo e isso não provocou o efeito anunciado. A ser verdade a afirmação, então países como o Luxemburgo, Alemanha, França, entre outros já nem deveriam existir. Não! A reduzida natalidade pode ser e é suprida pela aceitação de imigrantes, embora eu defenda que deve ser feita de forma selectiva, apenas de acordo com as necessidades. Os imigrantes destinados à mendicidade ou ao crime são dispensáveis! Ou será que não!? A reposição da força de trabalho com recurso aos nossos filhos, embora louvável, implica um investimento de vinte ou mais anos: entretanto, tanto os pais como o país terão que prestar-lhes cuidados vários: alimentação, vestuário, lazer, saúde, educação e formação profissional. Quanto aos trabalhadores imigrantes, esses custos foram suportados pelos seus pais e pelos países de origem, por isso, vêm prontos pra trabalhar e só por isso ficam-nos mais económicos. Aliás, não temos nós já mais de quinhentos mil imigrantes?
Se o país necessitar e quiser poderão vir ainda mais..., mas com a taxa de desemprego que já temos e que vai de certeza aumentar será isso desejável?
É-o pontualmente só em áreas bem definidas, como por exemplo a da saúde.
Com a deslocalização das fábricas instaladas em Portugal muita mão de obra está a ficar disponível. Também se diz que os nossos jovens já não querem trabalhar, mas será justo esperar-se que depois de tantos anos de estudo aceitem um qualquer trabalho, ainda por cima mal pago? Se aceitarem ficarão de certeza bastante frustrados nas expectativas que lhes foram criadas depois dos longos anos de estudo, por isso o mais certo será continuarem à espera de um emprego adequado às habilitações que possuem. Este fenómeno já acontecia há vinte ou trinta anos em França e na Alemanha quando para lá iam os nossos compatriotas. Havia já muitos desempregados, mas também empregos disponíveis para os quais não era necessária qualquer qualificação e que eram ocupados pelos portugueses: na agricultura, nas limpezas, etc...
Quanto aos estrangeiros, independentemente da escolarização que possuam, a aceitação destes empregos é mais fácil porque:
-Consideram-no desde logo como temporário; -Os familiares e os amigos estão longe, não testemunham as condições a que se sujeitam cá; -São pagos em moeda forte "euros" que serão depois trocados na moeda do seu país, permitindo-lhes um ganho apreciável. Assim, vão vegetando aqui e quando regressarem aos seus países será a altura de "começarem verdadeiramente a viver e de realizarem os seus sonhos".
Nós, que somos também um país de emigrantes temos experiência disso. O que faziam muitos dos nossos cidadãos em França, no Luxemburgo e na Alemanha, senão amealhar o suficiente para construir aqui a sua casa e a sua independência financeira, através da criação aqui de um qualquer negócio próprio?
2º. ARGUMENTO: Vamos ter que trabalhar até idades mais avançadas, porque as estatísticas dizem haver um aumento da esperança de vida dos portugueses.
A estatística é altamente favorecida pela grande baixa de mortalidade infantil que aconteceu realmente em Portugal e também pelo facto de termos vivido em paz durante os últimos anos. Os mais velhos sabem que há quarenta ou cinquenta anos uma grande parte das crianças morria antes de atingirem a idade adulta, como de resto ainda hoje acontece nos países subdesenvolvidos. Mais: a esperança de vida está directamente relacionada com o estrato social a que se
pertence: Maior é a esperança de vida, quanto mais alto for o estrato social, porque tem mais fácil acesso à saúde e a melhores cuidados, podem melhor beneficiar dos avanços da ciência médica e se necessário tratar-se nos melhores especialistas no estrangeiro, por vezes até desnecessariamente; vivem em locais mais salubres e desempenham funções que não exigem tanta robustez física. Quantas vezes um trabalhador fisicamente debilitado é forçado a executar trabalhos pesados por necessidade monetária quando a sua saúde já não o aconselharia? Também é perfeitamente visível a crescente degradação dos cuidados de saúde disponíveis à generalidade da população. Assim, sou levado a concluir que a esperança de vida não é igual para toda a gente:
vai aumentar para as classes mais altas e baixar para as mais baixas (a maior quantidade). Assim, de futuro, a média deverá baixar, mesmo que não venha por aí uma guerra ou peste das aves ou outra.
Ao se aumentar a idade da reforma - nalguns casos até já aumentou - cerceamos simultaneamente a possibilidade dos jovens virem a ocupar os lugares que seriam deixados vagos pelos mais velhos. Assim, terão poucas possibilidades de encontrar um emprego, mesmo depois de dezenas de anos de escolaridade obrigatória e até depois de vários anos na universidade.
Ocupam-se então tirando sucessivos cursos que de nada lhes serve sem poderem criar uma vida independente por não terem meios próprios de subsistência e assim vão começando a envelhecer.... Há apenas uma vantagem: como estão ocupados não contam nas estatísticas do desemprego.
Também há jovens reformados com milhares de euros mensais, mas não são deficientes, são políticos que ainda andavam de calções e já muitos portugueses faziam os seus descontos obrigatórios para a segurança social e vão ter que continuar a fazê-lo até sabe-se lá quando? Será que também já se esqueceram dos incentivos de há uma dúzia de anos para a adesão a reformas antecipadas e de que até foram concedidos bónus para beneficiou.
Quem descontava, continua a descontar para a SS e é agora constantemente bombardeado com a ameaça do aumento da idade da reforma e até de que há a possibilidade de isso já nem existir daqui a quinze ou vinte anos.
Haveria que discutir seriamente o financiamento e distribuição dos fundos da Segurança Social, mas sem invocar estes argumentos que só desacreditam quem os refere.
Silvério Rosa
publicado por quadratura do círculo às 19:09
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Quinta-feira, 8 de Junho de 2006

Jorge Pereira - Avaliar professores

Que é preciso mudar algo na Educação (sim com E maiúsculo) é uma verdade incontestável.
Que é preciso melhorar a qualidade das aprendizagens todos concordamos.
Reduzir todo um Estatuto de uma profissão à discussão de um único ponto é demasiado minimalista.
Nenhum (Professor – e eu sou-o também) se opõe a ser avaliado. A forma e os intervenientes é que se pode discutir.
Mas a revisão do Estatuto é um manancial de asneiras e um atentado a todos aqueles Professores que o Dr. Jorge Coelho, e muito bem, apelidou de heróis. Não se pode tentar fazer o que lá está escrito e prejudicar garantidamente mais de 90% dos Professores apenas com o intuito de castigar os menos cumpridores.
Há formas de o fazer mas as que estão propostas são impensáveis.
E que dizer da intenção de proibir (sim é isso mesmo – proibir) os Professores de faltarem por conta do seu período de férias? Obrigar um funcionário ter uma falta injustificada só porque nesse dia teve um imprevisto: um filho teve uma indisposição; o elevador encravou; o carro avariou; e outras que tais… e com tudo isto impedir de no final do ano lectivo um profissional exemplar, um profissional de quem os seus alunos gostam, os pais dos seus alunos também, pedagogicamente correcto, as suas aulas elogiadas pelos avaliadores (que em determinadas situações pode até ser um Inspector) não possa ter uma classificação de Bom e com isso todo esse ano ser ignorado para uma possível (sim, digo bem, possível, porque até isto está no projecto de revisão do ECD) transição para um escalão superior.
Se for bem lida a proposta de revisão do ECD facilmente se verifica (e bem podem falar de paridade na vida política e na Assembleia da República) que as Professoras que também são mães vão ser muito prejudicadas ou então têm de obrigar os seus filhos a nunca estarem doentes…
Leiam bem o projecto de alterações e debrucem-se sobre todos os pontos e deixemos de lado a discussão inútil da avaliação pois qualquer bom profissional não se importa de ser avaliado.
Jorge Pereira (Professor do Ensino Básico)
publicado por quadratura do círculo às 19:14
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João Gomes Gonçalves - Perguntar, ofende? (1)

1 Porque motivo as receitas dos jogos da Santa Casa não são aplicadas totalmente na obra social desta instituição e em instituições de solidariedade social?
2. Porque motivo a crise que o país atravessa ainda não chegou ao planeta do futebol?
3. Quando é que Miguel Beleza conclui o estudo sobre as remunerações e regalias douradas da administração do Banco de Portugal?
4. Quando é que os SAMES dos empregados bancários são integrados na Serviço Nacional de Saúde e quando é que o Estado deixa de subsidiar a Segurança Social da Ordem dos Advogados?
6. Porque motivo os pescadores são miseravelmente pagos (é uma profissão de risco) e o peixe custa ao consumidor, em média, cinco a seis vezes mais do que na lota?
7. Lula ainda é presidente do Brasil?
8. Porque motivo há tanto lixo nas ruas de Lisboa?
9. Quando estará concluída a inspecção ao armazém do Hospital de Santa Maria e quantos hospitais públicos possuem sistemas informatizados de gestão de stocks e inventário do equipamento adquirido?
10. Quando é que o Ministério da Educação encerra para obras e reabre com nova gerência e pessoal competente?
11. Porque é que no concelho de Setúbal a recolha do lixo é feita de dia, mesmo no verão?
12. Esta semana Sócrates é contra ou a favor da energia nucler?
13. Além do Sporting, quantos clubes de futebol estão falidos?
14. Ministério Público admite arquivar investigações da operação 'Furacão'
ou já arquivou?
15. Quando é que a C.P. deixará de ter défices de milhões de euros e os comboios “Alfa” passarão a ter banheiras de hidromassagens?
16. Quantos milhares de turistas irão este ano visitar as gravuras de Foz Côa?
João Gomes Gonçalves
publicado por quadratura do círculo às 19:04
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João Gomes Gonçalves - Saúde pública e privada

O pensamento único reinante, garante-nos convictamente que o privado é sempre melhor do que o público, seja em que actividade for. Um pouco de reflexão leva-nos, porém, a levantar algumas objecções.
Foi em nome desta superioridade que se abriram as portas ao ensino universitário privado, e hoje poucos se atreverão a afirmar que este, em Portugal, é melhor do que público: a regra parece ser o contrário.
Poderia enumerar outros exemplos mas quero navegar noutra direcção. O mesmo pensamento também garante que os serviços privados são mais baratos e de melhor qualidade. Outra matéria para reflexão.
Quando falamos de saúde, referimo-nos quase sempre aos serviços públicos: listas de espera, custos exponenciais, qualidade da prestação dos serviços, etc. Na fotografia, raramente, incluímos os serviços privados: clínicas, especialistas, exames de diagnóstico, etc.
Em relação aos serviços privados existe, à cabeça, um problema incontornável: o seu preço. Seria da maior utilidade fazer um estudo comparado dos preços praticados, em Portugal e em alguns países da EU, por alguns serviços privados: consultas de algumas especialidades, exames de diagnóstico, intervenções cirúrgicas, etc..
A lista não precisa de ser extensa e provavelmente ficaremos de queixo caído.
De olhos fechados, aposto que estamos a pagar estes serviços bem mais caros do que noutros países.
Quanto à qualidade também há que pensar: a maior parte dos médicos que exercem medicina privada, também trabalham no sector público e não podemos concluir que são competentes no seu consultório e incompetentes num serviço público.
Quanto a listas de espera para consultas, também existem nas consultas privadas, embora com menor duração.
Torna-se fundamental abrir o debate sobre o que se passa com os serviços de saúde privados, pois problemas não faltam e falta de controlo também não.
E já agora, se o leitor tiver um problema de saúde num fim de semana, feriado ou ponte, não perca tempo a procurar um médico ou serviço privado: foram todos curtir para qualquer lado ou para algum congresso cientifico!
PS. Se quiser saber o que são preços de luxo, experimente o Hospital CUF das Descobertas...
João Gomes Gonçalves
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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